domingo, 25 de abril de 2021

Solidão ou solitude?

Tem gente que adora uma casa cheia; que não perde uma festa, ainda que esteja cansada ou sem grana (ou os dois). Tem gente que se olhar para o lado e não vir ninguém fica mal, cai em deprê. Essa não sou eu. Adoro uma casa vazia; troco fácil uma festa de casamento por maratona de Grey's Anatomy jogada na cama; adoro o som do silêncio. Sim, o silêncio tem som e é encantador. Enquanto a maioria tem medo da solidão, eu flerto com ela o tempo todo. Mas não me sinto só, vazia. Talvez porque não seja solidão; seja solitude. 

Estar rodeada de pessoas, música alta, comida farta, bebida abundante não significa que se está com alguém. Assim como estar sozinha num lugar não significa que se está só. Certamente você já entendeu o que quero dizer. Não preciso entrar em casa e ligar a TV somente para fazer barulho. Não preciso sair só porque é sexta-feira à noite. Não preciso estar em todas as festinhas para me sentir querida. Estranhamente, às vezes, eu gosto quando me esquecem por um dia inteiro e meu telefone nem toca. O silêncio pode ser viciante. Mas, infelizmente, conheço muita gente que é viciada em multidão; a própria companhia não é suficiente; seus pensamentos devem ser tenebrosos demais para ficar em silêncio ouvindo-os. São pessoas que procuram fora o vazio (inquietante) que está dentro. Triste realidade! Porque um dia, todos nós, estaremos sozinhos. Melhor será nos acostumarmos com a nossa própria companhia, gostarmos de papear conosco agora para não surtarmos na velhice (ou na morte). 

Solidão: enquanto você está num churrasco com música alta e pessoas falando aos berros, tirando selfies e postando nas redes sociais olha em volta e se percebe só.

Solitude: numa sexta-feira à noite você chega do trabalho, olha o telefone e não tem mensagens. Respira feliz e pensa: estou só. 

Sexta-feira à noite e você sozinha em casa. Você decide se 
isso é solidão ou solitude. ;)