quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Por que eu desisti de Portugal?

Claramente eu nasci no continente errado. Sou do inverno, nasci no inverno, passo muito mal no calor - e vamos combinar que no Rio de Janeiro a palavra calor está num outro patamar. Acredito piamente que aqui é uma simulação do inferno e cá estamos para nos adaptarmos melhor ao chegarmos na casa do capiroto. Mas voltemos a Portugal.

Nunca tive desejo de viver em outro país, mas todo esse calor, a violência, os preços exorbitantes e  esse (des)governo começaram a desviar meu olhar para terras europeias há três anos. E Portugal me pareceu bem convidativa pelo idioma e, claro, possibilidade de cidadania. Cheguei a providenciar a documentação, fiz cálculos para viver (e não apenas sobreviver) lá por seis ou oito meses sem trabalhar, mas...mudei de ideia. Pelo menos por ora. Por quê? 

Teve um mês que das seis lâmpadas embutidas aqui da sala, somente uma estava funcionando. Além de mais caras que as comuns, não é fácil trocar o modelo antigo pelo novo. 

Quando minhas filhotas ficam doentes eu surto tentando conciliar trabalho, consultas, exames e cuidados médicos em casa já que atestado de veterinário não abona falta. Geralmente um amigo me salva nesses momentos. E quando fico doente quem é que aparece na minha porta com sopa pra três dias e aconchego? Colo de mãe cura tudo né?!

Resumindo: percebi que se passar perrengue em casa, com uma rede de apoio por perto, é ruim, imagina a um oceano de distância. A quem recorrer em outro país quando alguma coisa der muito errado? Reclamamos do Brasil, mas pelos relatos de pessoas que vivem fora eu cheguei à conclusão que aqui existem leis que protegem mais os consumidores, os trabalhadores, os inquilinos e (pasmem!) com mais celeridade. Se discutir com atendente de telemarketing na língua materna já é estressante, imagine fazer isso em outro idioma quando sua luz for cortada indevidamente, com uma pessoa que tem outro ritmo de trabalho, apoiada por outra cultura, por outras leis.

É claro que se você estiver pensando em se mudar com outra pessoa as coisas ficam um pouco mais fáceis. No meu caso, eu ia sozinha, ou melhor, com duas cachorras e uma gata, com a cara e a coragem. Visualiza a cena: uma carioca chegando cheia de malas no aeroporto om três caixas de transporte tentando pegar um táxi até o Airbnb. E, depois, rezar para que um português simpatizasse comigo e aceitasse alugar seu imóvel para a "louca dos pets". Perrengue total né?!

Então, vou passando calor em terras cariocas mesmo. Quem sabe na terceira idade eu debande para a Terrinha.

A quem interessar, o canal Maximizar é muito bom para ter uma noção de como um casal de brasileiros vive na região do Porto.

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