quarta-feira, 24 de março de 2021

COMO EU SOU DEPOIS DE VOCÊ

“Um dia vocês estão bem. De repente, você muda de ideia e vai embora. Só pra você saber, ela ia se casar com você.” (I was gonna marry you)

- Me perdoa. 

Foi a única coisa que conseguiu dizer naquela noite para ele e para suas duas cachorras, que ficariam órfãs ao amanhecer. Ela ia se casar com ele. Estavam bem. Mas, de repente, ele mudou de ideia e foi embora. Decidiu que não queria mais, que era muito novo e ainda precisava viver sua juventude solteiro.

Não era a primeira vez que ele desistia dela, deles. Em sete anos de namoro, ele desistiu três vezes, porém o tempo mais longo que ficaram separados foi de um mês - tempo suficiente para ele procurá-la e dizer que estava enganado e que não queria viver sem ela, que ela o completava. Mas naquela noite foi diferente. Ela sentiu que era definitivo. Foi quando se viu debruçada no parapeito do último andar do prédio onde morava com a mãe, seu irmão e mais dois sobrinhos. Onze andares separavam o céu da terra. Menos de seis horas separavam a vida da morte. Dessa vez, ela estava pronta para pular. 

E ela pulou. Dois anos depois, ela se jogou da Pedra Bonita - famosa pelos voos de asa delta. Seu salto foi no mesmo dia que ela desistiu de interromper a vida porque o homem que amava tinha decidido interromper os sonhos construídos juntos por sete anos. Seu salto foi muito maior; foi para comemorar a vida que tinha escolhido viver. E hoje, nesse 24 de março, faz exatamente 7 anos que ela escolheu viver. =)


Crescer, ser “gente grande”, como dizem por aí, não é nada fácil. A aula de biologia não ensina a superar um coração partido. A de português não mostra como ficar bem após receber um não do recrutador de uma empresa. Na verdade, tudo que nos ensinam na vida é que o tempo cura tudo. Mas quanto tempo leva uma cicatrização? Uma semana? Um mês? Um ano? Para mim, quatro anos (e com sessões de terapia).

Os fatos narrados são reais. E mais real ainda, por mais cinematográfica que possa parecer, é essa coisa que inventaram chamada vida de adulto.

Sou uma mulher de 30 e poucos anos, mas que até ontem não se sentia “gente grande”, mesmo morando sozinha, organizando e mantendo sem ajuda um apartamento e três animais. Não me vejo bebendo num bar sexta-feira à noite com colegas de trabalho discutindo se foi golpe ou não o impeachment da Dilma e se o Bolsonaro é retardado ou puramente mesquinho. Quero falar de coisas leves, mal de homens, mas bem de sexo. Contar as maravilhas e as derrotas que já tive por não analisar bem os dotes masculinos antes do momento fatale. Quero correr igual criança na rua e dar aquele abraço apertado numa amiga que não vejo há...dois dias. Por que não podemos correr fora de maratonas? Por que os cumprimentos têm de ser com sorrisos amarelos e dois beijinhos (ou nem isso)? Por que não podemos rir sem motivo na beira da praia e depois voltar para casa cantarolando e gargalhando sem parar? Me diz quem foi que inventou as regras do mundo adulto para eu ir lá e dizer umas boas verdades, dizer o quanto essa pessoa blasé é infeliz por não ser espontânea.

Não estamos em setembro, quando se comemora o MÊS DE VALORIZAÇÃO DA VIDA. Mas devemos viver como se todos os dias fossem #SetembroAmarelo. Eu escolhi viver. E foi a melhor escolha que podia ter feito porque...

"o suicídio é uma solução permanente para um problema que (certamente) é temporário".

Setembre-se! ;) Mas se a dor for muito forte ligue 188 - CVV (Centro de Valorização da Vida) 24 horas, 7 dias por semana, totalmente gratuito.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Aventura na cozinha - Macarrão a la Norma

Segue a aventura! Aproveitando uma semaninha tranquila no trabalho para testar as receitas que minha colega Steph gentilmente compilou para mim num livreto. Tudo para me ajudar a alcançar a meta: tirar a carne de frango do meu prato até o fim deste semestre (mamíferos já foram banidos). 

Esta semana foi a vez do macarrão a la norma. Esperava outra aparência do molho. Não sei se errei ou se eu tenho em mente um molho mais pastoso, sem pedacinhos. O que importa é que ficou gostoso (e até bonito; apenas diferente). 

E antes que vejam a receita original e as fotos e reparem nos tomates distintos, já aviso que eu sou o tipo de pessoa que reaproveita coisas. Preciso de tomates e tenho tomate cereja prestes a morrer? Ele vai se juntar ao tomate italiano sim. Nada de desperdício num país onde milhões ainda passam fome. 

Este prato foi super rápido de fazer. E como podem ver, rendeu bastante, mesmo eu cortando pela metade os ingredientes. Mas vamos ao que interessa!

Macarrão a la Norma

INGREDIENTES:

  • 1 ricota fresca amassada (usei apenas metade, porque era somente para mim. Mesmo assim rendeu bastante molho a ponto de dividir com a vizinha)
  • 1 berinjela picada em cubos (usei uma inteira porque era pequena)
  • ½ cebola picada (mais uma vez usei cebola roxa porque é a minha favorita)
  • 3 tomates picados sem pele e sem sementes (use tomate italiano e o restante de tomate cereja. Era o que tinha e desperdício não pode acontecer)
  • passata de tomate ou 1 lata de tomate pelatti (usei metade do vidro da passata)
  • ½ xícara de alho-poró picado
  • 1 colher de chá de pimenta calabresa (ficou de fora porque não encontrei na vendinha)
  • 2 dentes de alho picados
  • manjericão picado a gosto (como é a gosto - e eu não tinha - ingrediente dispensado)
  • 1 colher de tomilho (ficou de fora porque não encontrei)
  • sal e pimenta-do-reino a gosto
  • azeite 

BORA FAZER!

Antes de começar, deixe a berinjela picada em uma tigela com água e sal. Isso ajuda a tirar um pouco do amargor da casca.

Refogue a cebola no azeite (se quiser, pode colocar um pouco de manteiga, mas não deixe de colocar o azeite para a manteiga não queimar) com um pouco de sal e com a pimenta calabresa e o tomilho. Acrescente o alho, o alho-poró e os tomates. Escorra a água das berinjelas e as adicione à panela. Em seguida, junte a ricota. Misture bem. Coloque a passata ou os tomates pelattis (após passar rapidamente pelo liquidificador ou pelo
processador para não ficarem pedacinhos), deixe cozinhar por uns 5 minutos. Verifique se as berinjelas já estão macias, ajuste o tempero (se precisar, coloque um pouco de açúcar no molho para corrigir a acidez, mas só se precisar mesmo), desligue o fogo e misture o manjericão. 

Sirva com massas de qualquer tipo, mas a regra continua valendo: se tiver deixado seu molho mais encorpado, prefira massas longas (espaguete, fetuccine etc). Se tiver ficado mais líquido, opte por massas curtas (penne, fusili etc).





sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Casa com gato

Aproveitando que nesta semana foi comemorado o Dia Mundial do Dato (17 de fevereiro) trago uma reflexão sobre os bichanos. Ter ou não ter? 

A pandemia fez muitas pessoas cogitarem adotar um bichinho devido à solidão durante o isolamento. Solteiros geralmente pensam em gatos tendo como argumento que são animais independentes (e, consequentemente, os tutores não precisariam abandonar a rotina de baladas e viagens). Doce ilusão!

Eu não curtia gatos, achava-os ariscos e abusados subindo em móveis que os cães, claramente, entendem que não podem. Mas me apaixonei por uma que morava numa loja onde as minhas cachorras eram tosadas. Levei aquela bola de pêlo para casa e minha vida mudou completamente. Primeiro porque precisei telar todo o apartamento (e isso era um dos motivos que me fazia torcer o nariz para os gatos) e depois porque me apaixonei pelos felinos.

Eles são bem independentes, mas isso não significa que não gostem de carinho e interação. Passei uma semana longe de casa e a Mia surtou. Mesmo com um amigo aparecendo todos os dias para cuidar da Mia, ela ficou triste, com uma miado choroso perto da porta de entrada. Ela estava me chamando, sentindo-se abandonada (eu a via pela câmera de monitoramento). Coração partido, decidi que nunca mais deixo ela em casa sozinha. Gatos sentem falta sim! Ela adora brincar (tudo bem que é de madrugada, mas ela me chama para brincar); gosta de atenção, de colo, de cafuné. E para piorar, gatos têm mais dificuldade de adaptação. Isso significa que carregar o bichano nas viagens ou para hospedagens felinas não é uma boa ideia (para ele, claro).

Além disso, você consegue dar remédio para gato? É a cena do capeta encarnando. Rezar para ele não ficar doente, não significa que o cara lá de cima vai te atender. Então, pensa bem! 

Resumindo: gatos são animais adoráveis, super limpos, metódicos, carinhosos, brincalhões, mas também estressantes (na hora da medicação) e dependentes. Sim, eles precisam de muito mais que água corrente, comida fresca e caixa de areia limpa. Eles precisam de carinho e de atenção, e não é apenas algumas vezes por semana. Precisam (e pedem) todos os dias. Você está preparado (a) para abrir mão de algumas viagens e baladas noturnas? 

Não é apenas um bicho, um mascote. É uma vida. Pense (muito) bem antes de levar um animal para sua vida.





terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Aventura na cozinha - Tomate recheado

Quatro dias após testar pela primeira vez meus dotes culinários vegetarianos volto aqui para dizer que mais uma tentativa foi realizada com sucesso. APLAUSOS!

A receita da vez foi tomate recheado. Como sempre, dei o meu toque especial por falta de ingrediente e/ou habilidade mesmo. Mas sim, ficou divino, sem erros. Vamos ao que interessa! E, mais uma vez, minhas observações estarão destacadas em amarelo ao lado da receita original lindamente organizada em um livreto pela minha colega de trabalho Steph. =)

Ah! Mas se você chegou nesta página sem saber do que estou falando, clique aqui para ver o que desencadeou esta e outras receitas rumo a uma vida sem carne. 

Tomates recheados com ricota

INGREDIENTES:

  • 2 tomates grandes. Corte o topo e retire as sementes, mantendo-os inteiros (usei apenas um tomate por puro medo de ficar uma caquinha e eu jogar fora dois tomates. Além disso, optei pelo tomate italiano. Dizem que é menos ácido - e eu acredito)
  • ½ ricota fresca (usei 1/4 já que a receita original era para 2 tomates)
  • caldo de ½ limão (limão não se desperdiça. E como era pequeno, usei um inteiro. Sou tarada em limão)
  • sal, pimenta a gosto
  • azeite
  • castanha de caju picada
  • 2 colheres de farinha panko ou de rosca
  • 1 dente de alho amassado com sal
  • orégano a gosto (como é a gosto - e eu não gosto - ingrediente dispensado)
  • 1 colher de queijo ralado
  • salsinha picada (adoro, mas não tinha em casa)

OBS: Apesar da receita não especificar o tamanho da colherada, usei a de sopa e não me arrependo.

BORA FAZER!

Deixe o forno aquecendo em temperatura média (cerca de 200 graus). Passe um pouco de sal dentro dos tomates. Isso vai ajudá-los a soltar um pouco de água antes de receber o recheio e a temperar também. Enquanto o sal age, faça o recheio. Amasse a ricota (pode ser com um garfo ou com a mão, ou ainda passando no processador ou liquidificador), adicionando o sal, pimenta, orégano, limão, azeite e a castanha. Ele vai ficar meio pastoso (quando tem restos de cream cheese em casa, eu coloco também uma colherada no recheio para ajudar a deixar na textura pastosa). Reserve!

Em outra tigela, misture o alho amassado com a farinha de rosca ou farinha panko, mais orégano, queijo ralado e salsinha. Para montar, primeiro veja se os tomates soltaram água no fundo. Se sim, escorra. Coloque o recheio com o auxílio de uma colher até sobrar um ou dois dedinhos da borda. Nesse espaço, você coloca a farofinha com alho. Repita o processo no outro tomate. Regue com azeite e leve ao forno por uns 15 min. Fica ótimo com salada de folhas verdes e batatas, ou com brócolis refogado no alho.



Eu já tinha uma salada pronta no pote. Foi só colocar no prato e regar com o molho mais prático de fazer (mostarda e mel)


Sobrou bastante recheio e farofinha.
Guardei tudo na geladeira e no dia seguinte repeti a dose sem a salada.
Isso ao lado do tomate é o próprio recheio. Viu como sobrou bastante?! 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Aventura na cozinha - Risoto de abóbora

Promessa é dívida e aqui estou para dizer como foi a experiência do primeiro prato da receita rumo a uma vida sem carne. Steph, minha colega de trabalho, gentilmente preparou um livreto de receitas sem carne para me ajudar a entrar no mundo vegetariano sem quedas. Esta semana tomei coragem e fiz o primeiro risoto da minha vida e...deu certo. =) Não ficou perfeito, dei uma improvisada substituindo ingredientes, mas isso só mostra que vale a pena tentar e inovar na cozinha. Vamos à receita e às considerações! Só um detalhe: vou colocar em destaque na receita original, que está logo abaixo, as adaptações que fiz por necessidade (leia-se falta de ingredientes e habilidade). =P

Risoto de abóbora da Steph

INGREDIENTES:

  • ½ abóbora japonesa (usei menos e senti falta de mais)
  • 2 xícaras de arroz arbóreo
  • caldo de legumes
  • ½ cebola picada (usei cebola roxa porque prefiro e não me arrependo. Além disso, apenas cortei. Vale à pena picar beeeem)
  • 1 xícara de vinho branco seco (a bonita aqui não se deu ao trabalho de comprar vinho branco e optou por usar espumante. Deu certo? Deu. Faria de novo? Não.)
  • noz-moscada a gosto 
  • azeite
  • sal e pimenta a gosto
  • salsinha ou coentro picados
  • manteiga, ao menos 2 colheres de sopa (usei umas 5 colheres e não me arrependo. Deu a cremosidade que eu queria)
  • queijo ralado a gosto

BORA FAZER!

Retire as sementes da abóbora (você pode torrar depois no forno com sal e azeite e comer como um petisco. Há quem faça leite das sementes, mas nunca provei). Coloque em uma panela grande, com água suficiente para cobri-la. Deixe ferver por uns dez minutinhos, retire da panela e dê um choque térmico, com água fria. A casca fica mais fácil de ser removida após esse processo. Corte em pedaços, volte para a panela e deixe cozinhar até ficar molinha a ponto de amassar com um garfo. Quando isso acontecer, escorra, amasse e misture com azeite (só um fiozinho) e faça um purê. Reserve!

Na mesma panela, já seca, coloque um fio de azeite e refogue as cebolas com um pouco de sal até ficarem bem douradas. Adicione o arroz de risoto e em seguida, o vinho branco, mexendo até secar. A partir daí, o seu caldo deverá estar bem quente em outra panela, para que você retire com uma concha e despeje sobre o arroz refogado. Se tiver muitos pedacinhos de tempero no caldo, coloque um coador sobre a panela para despejar o líquido. Vá mexendo. Repita toda vez que o caldo começar a secar na panela do risoto, e os grãos de arroz inchem. O processo deve levar uns 12 a 15 minutos, até que todos os grãos estejam cozidos. Não deve haver nenhuma parte mais branca que a outra no grão, o que indica que ele ainda está parcialmente cru. Adicione o purê, mexendo bem, desligue o fogo e acrescente a manteiga, sem deixar de mexer. É ela, junto com o amido do grão, que vai deixar o risoto cremoso. Se sentir que precisa de mais manteiga, pode colocar. Corrija sal e pimenta, coloque a salsinha ou coentro picados, rale um pouco de noz-moscada e coloque o queijo ralado. Sirva bem quente, porque risoto não espera. 

O errado que deu certo

Como disse, não tinha vinho branco e optei por usar o espumante que já estava no meu barzinho. Também não tinha salsinha e nem coentro, mas não senti falta. Sobre o espumante, não ficou ruim, mas acredito que o vinho daria um sabor mais tradicional ao risoto. Talvez eu tenha sentido necessidade de mais sal no fim do preparo por não ter usado a bebida certa. Vai saber né?! 

O que mais deu errado, mas no fim soube contornar, foi o caldo de legumes para cozinhar o arroz. Fiz pouco caldo e, consequentemente, precisei usar água filtrada para terminar de cozinhar o arroz. Foi um perrengue contornável, mas certamente isso alterou o sabor. 

No geral, o risoto ficou divino, mas sei que pode ficar ainda melhor. Terei mais atenção ao caldo de legumes para cozinhar o arroz sem contratempos e vou investir num bom vinho branco seco na próxima tentativa. De qualquer forma, fiquei muito feliz com o resultado. 

Um detalhe importante: fiz num momento em que estava sozinha, então sobrou muito risoto na panela. Jogar fora nem pensar! Guardei na geladeira e à noite coloquei um tiquinho de nada de água com o fogo baixo. Joguei mais queijo parmesão ralado na hora e deu super certo. 




segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Uma vida sem carne


Faz alguns anos que parei de comer carne suína, mesmo amando a costelinha de porco do Outback. No ano seguinte a esta decisão foi a vez de poupar vacas e bois. Por quê? Porquinhos são animais extremamente inteligentes e sensíveis. Um pouco menos, mas ainda sensíveis, são os bovinos. Não consigo mais olhar para um churrasco sem me sentir culpada pela dor de um animal. Não é só a morte, mas a forma como eles são criados para o abate (clique aqui e tenha um choque de realidade). "Ah! Mas as galinhas e os peixes ok?", você dirá. Claro que não está OK, mas eu preciso me adaptar a uma alimentação sem carne. Optei por começar pelos mamíferos. Parar com tudo de uma hora para outra certamente me levaria ao fracasso.

Eu adoro carne, principalmente vermelha, então a abstinência por opção, e não por desgostar, é mais complicada. Outro fator que me prende à proteína animal é (ainda) não saber preparar uma variedade de pratos saborosos sem um filé. Mas isso está com os dias contados. ☺

Coloquei como meta abandonar o frango até o fim do primeiro semestre. E depois fazer o mesmo com o peixe. Para isso dar certo pedi ajuda a uma colega de trabalho que, apesar de não ser vegetariana, tem o hábito de comer carne pouquíssimas vezes. Steph, toda caprichosa, não se limitou a enviar uns rascunhos. Ela criou um PDF com receitas vegetarianas (sem feijão e sem lentilha, como eu pedi) me dando dicas de como temperar e preparar comidas gostosas de verdade. Conforme eu for fazendo, vou compartilhando aqui. Quem sabe não consigo mais adeptos a esta nova forma de comer?! ;) Pode começar aderindo à campanha Segunda Sem Carne. Afinal, você não precisa mudar completa e definitivamente a sua alimentação. Mas pensar no planeta e nos animas uma vez por semana já está de bom tamanho. 

Por ora, deixo aqui o link de um site com vários livros de receitas vegetarianas que ela me recomendou. Vale a pena dar uma chance!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Você quer mesmo um pet?


Em meio à pandemia do coronavírus, mal 2021 começou e...BOMBA! Nina, minha filhota (pet) de 15 anos, desenvolveu diabetes. Não seria um problemão se eu não tivesse pânico de agulha. Pois é. Visualiza a cena: aplicação de insulina 2x por dia e medição de glicemia 4x por dia a cada três. "Ah! Mas a agulha é fininha", você dirá. Tente tirar uma gota de sangue do rabicó de uma poodle e depois venha falar comigo. A minha sorte é que a Nina é a cachorra mais boazinha do mundo. Não reclama de nada, aguenta firme e ainda me dá lambeijos no final. Mas eu sofro por ter que infligir desconforto a ela várias vezes ao dia. 

Para piorar...alguém sabia que aquelas tiras de teste são caras pra caramba?! Cada vez que o aparelho dá erro de leitura e me pede nova tira-teste eu tenho vontade de mandar ele chupar picolé. Brincadeiras (e raiva) a parte, foi aí que comecei a pensar que nesse país uma pessoa menos favorecida não consegue cuidar do pet como ele precisa. É tudo muito caro. Ainda que consiga consulta gratuita e exames populares, como manter um tratamento de diabetes quando o pacote com 25 tiras custa mais de 50 reais, a ração tendo que ser especial e a maçã (lanchinho pós insulina da tarde) tá custando mais de 20 reais o quilo?! Sem contar as agulhas e seringas. É tudo tão caro que realmente me questiono como uma pessoa, por mais que ame seu animal, consegue cuidar desse tipo de doença quando não se tem recursos financeiros. 

Neste momento pandêmico passo a maior parte dos dias trabalhando em casa, o que facilita bastante para administrar a insulina, dar o lanche da tarde e medir a glicemia, tudo dentro do tempo certo recomendado pela médica-veterinária. Mas estando em "vida normal", saindo para trabalhar de manhã e só voltando à noite, como fazer? Pagar uma pet sitter? Seres humanos levam o estojo de diabetes para qualquer lugar e se viram. Cães não fazem isso. Dependem de nós para tudo. 

Esse texto é um tipo de desabafo e um alerta para o caso de você estar pensando em adotar (ou comprar) um animal. Pode ser cão, gato, passarinho, esquilo, tartaruga, qualquer tipo, ele pode - e vai - ficar doente; vai precisar de cuidados médicos e de atenção para receber os medicamentos e a alimentação na hora certa. As saídas terão que ser programadas com mais afinco para não passar da hora da medicação. Os lanchinhos do pet terão que ser negados, mesmo vendo aqueles olhinhos de "também quero, mãe". Empresas não abonam faltas ou atrasos para emergências veterinárias. Então, pensa bem! Se morar sozinho (a) vai ser ainda mais complicado quando isso acontecer. Não tente resolver sua carência adotando um animal. Ele não vai precisar só de água e comida, mas de atenção, remédios, passeios, banhos, carinho... e tudo isso custa tempo e dinheiro. 

Eita kit caro =(



                         

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Por que eu desisti de Portugal?

Claramente eu nasci no continente errado. Sou do inverno, nasci no inverno, passo muito mal no calor - e vamos combinar que no Rio de Janeiro a palavra calor está num outro patamar. Acredito piamente que aqui é uma simulação do inferno e cá estamos para nos adaptarmos melhor ao chegarmos na casa do capiroto. Mas voltemos a Portugal.

Nunca tive desejo de viver em outro país, mas todo esse calor, a violência, os preços exorbitantes e  esse (des)governo começaram a desviar meu olhar para terras europeias há três anos. E Portugal me pareceu bem convidativa pelo idioma e, claro, possibilidade de cidadania. Cheguei a providenciar a documentação, fiz cálculos para viver (e não apenas sobreviver) lá por seis ou oito meses sem trabalhar, mas...mudei de ideia. Pelo menos por ora. Por quê? 

Teve um mês que das seis lâmpadas embutidas aqui da sala, somente uma estava funcionando. Além de mais caras que as comuns, não é fácil trocar o modelo antigo pelo novo. 

Quando minhas filhotas ficam doentes eu surto tentando conciliar trabalho, consultas, exames e cuidados médicos em casa já que atestado de veterinário não abona falta. Geralmente um amigo me salva nesses momentos. E quando fico doente quem é que aparece na minha porta com sopa pra três dias e aconchego? Colo de mãe cura tudo né?!

Resumindo: percebi que se passar perrengue em casa, com uma rede de apoio por perto, é ruim, imagina a um oceano de distância. A quem recorrer em outro país quando alguma coisa der muito errado? Reclamamos do Brasil, mas pelos relatos de pessoas que vivem fora eu cheguei à conclusão que aqui existem leis que protegem mais os consumidores, os trabalhadores, os inquilinos e (pasmem!) com mais celeridade. Se discutir com atendente de telemarketing na língua materna já é estressante, imagine fazer isso em outro idioma quando sua luz for cortada indevidamente, com uma pessoa que tem outro ritmo de trabalho, apoiada por outra cultura, por outras leis.

É claro que se você estiver pensando em se mudar com outra pessoa as coisas ficam um pouco mais fáceis. No meu caso, eu ia sozinha, ou melhor, com duas cachorras e uma gata, com a cara e a coragem. Visualiza a cena: uma carioca chegando cheia de malas no aeroporto om três caixas de transporte tentando pegar um táxi até o Airbnb. E, depois, rezar para que um português simpatizasse comigo e aceitasse alugar seu imóvel para a "louca dos pets". Perrengue total né?!

Então, vou passando calor em terras cariocas mesmo. Quem sabe na terceira idade eu debande para a Terrinha.

A quem interessar, o canal Maximizar é muito bom para ter uma noção de como um casal de brasileiros vive na região do Porto.