segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A mulher ideal


Já perdi a conta de quantas vezes ouvi a frase "você é uma mulher apaixonante". Isso sem levar em conta todos os clichês de linda, prafrentex, decidida, independente, dona de si etc. etc. etc. Então por que correm? Se a mulher está desempregada não serve porque ele terá de bancar todos os passeios. Se ela ganha mais que ele não serve porque é uma afronta (que ele não admite). Foi a partir desses pensamentos loucos, mas reais, que uma amiga e eu discutimos sobre isso e chegamos a uma conclusão: a mulher ideal é uma estagiária. Explicaremos. 

Levamos em conta o perfil de homem entre 30 e 40 anos de idade, formado, empregado, com ou sem filhos (isso não importa muito), porque é o perfil que tá aí pra gente né?! A partir daí percebemos que a mulher perfeita para esse "jovem rapaz" deve ser universitária, porque isso dá ares de inteligência, e para ele contar aos amigos que ela tem futuro. Ela deve morar com as amigas, porque morar com os pais tira a privacidade do casal e obriga ele a pagar motel. Mas se ela morar sozinha isso significa que tem salário suficiente para se manter (isso não é bom para o perfil). E o item mais importante: a mulher ideal precisa ser estagiária, porque assim ela vai ganhar o suficiente para bancar suas despesas em cinema, restaurante, barzinho, mas não terá dinheiro suficiente para bancar uma viagem sozinha. Isso significa que a palavra final sobre o destino e a data da viagem não será dela. Loucura? Comecem a apurar o olhar. 

Mulher independente, quase autossuficiente, que não precisa do sexo oposto nem para abrir um pote de azeitonas, que mora sozinha, sustenta com tranquilidade sua casa, sua vida, que planeja as férias para onde quiser, que tem opinião política, que consegue sustentar um diálogo que vai além das tretas de Big Brother, essa mulher é superadmirada, é apaixonante. Mas qual homem consegue se sentir tranquilo, seguro ao lado dela, se ele só tem a sua companhia porque ela quer, e não porque precisa? 

Eu amo essa foto porque ela é o registro do dia que saí sozinha 
por Roma e fui parar no Vaticano sem perceber.


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