quarta-feira, 24 de março de 2021

COMO EU SOU DEPOIS DE VOCÊ

“Um dia vocês estão bem. De repente, você muda de ideia e vai embora. Só pra você saber, ela ia se casar com você.” (I was gonna marry you)

- Me perdoa. 

Foi a única coisa que conseguiu dizer naquela noite para ele e para suas duas cachorras, que ficariam órfãs ao amanhecer. Ela ia se casar com ele. Estavam bem. Mas, de repente, ele mudou de ideia e foi embora. Decidiu que não queria mais, que era muito novo e ainda precisava viver sua juventude solteiro.

Não era a primeira vez que ele desistia dela, deles. Em sete anos de namoro, ele desistiu três vezes, porém o tempo mais longo que ficaram separados foi de um mês - tempo suficiente para ele procurá-la e dizer que estava enganado e que não queria viver sem ela, que ela o completava. Mas naquela noite foi diferente. Ela sentiu que era definitivo. Foi quando se viu debruçada no parapeito do último andar do prédio onde morava com a mãe, seu irmão e mais dois sobrinhos. Onze andares separavam o céu da terra. Menos de seis horas separavam a vida da morte. Dessa vez, ela estava pronta para pular. 

E ela pulou. Dois anos depois, ela se jogou da Pedra Bonita - famosa pelos voos de asa delta. Seu salto foi no mesmo dia que ela desistiu de interromper a vida porque o homem que amava tinha decidido interromper os sonhos construídos juntos por sete anos. Seu salto foi muito maior; foi para comemorar a vida que tinha escolhido viver. E hoje, nesse 24 de março, faz exatamente 7 anos que ela escolheu viver. =)


Crescer, ser “gente grande”, como dizem por aí, não é nada fácil. A aula de biologia não ensina a superar um coração partido. A de português não mostra como ficar bem após receber um não do recrutador de uma empresa. Na verdade, tudo que nos ensinam na vida é que o tempo cura tudo. Mas quanto tempo leva uma cicatrização? Uma semana? Um mês? Um ano? Para mim, quatro anos (e com sessões de terapia).

Os fatos narrados são reais. E mais real ainda, por mais cinematográfica que possa parecer, é essa coisa que inventaram chamada vida de adulto.

Sou uma mulher de 30 e poucos anos, mas que até ontem não se sentia “gente grande”, mesmo morando sozinha, organizando e mantendo sem ajuda um apartamento e três animais. Não me vejo bebendo num bar sexta-feira à noite com colegas de trabalho discutindo se foi golpe ou não o impeachment da Dilma e se o Bolsonaro é retardado ou puramente mesquinho. Quero falar de coisas leves, mal de homens, mas bem de sexo. Contar as maravilhas e as derrotas que já tive por não analisar bem os dotes masculinos antes do momento fatale. Quero correr igual criança na rua e dar aquele abraço apertado numa amiga que não vejo há...dois dias. Por que não podemos correr fora de maratonas? Por que os cumprimentos têm de ser com sorrisos amarelos e dois beijinhos (ou nem isso)? Por que não podemos rir sem motivo na beira da praia e depois voltar para casa cantarolando e gargalhando sem parar? Me diz quem foi que inventou as regras do mundo adulto para eu ir lá e dizer umas boas verdades, dizer o quanto essa pessoa blasé é infeliz por não ser espontânea.

Não estamos em setembro, quando se comemora o MÊS DE VALORIZAÇÃO DA VIDA. Mas devemos viver como se todos os dias fossem #SetembroAmarelo. Eu escolhi viver. E foi a melhor escolha que podia ter feito porque...

"o suicídio é uma solução permanente para um problema que (certamente) é temporário".

Setembre-se! ;) Mas se a dor for muito forte ligue 188 - CVV (Centro de Valorização da Vida) 24 horas, 7 dias por semana, totalmente gratuito.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Aventura na cozinha - Macarrão a la Norma

Segue a aventura! Aproveitando uma semaninha tranquila no trabalho para testar as receitas que minha colega Steph gentilmente compilou para mim num livreto. Tudo para me ajudar a alcançar a meta: tirar a carne de frango do meu prato até o fim deste semestre (mamíferos já foram banidos). 

Esta semana foi a vez do macarrão a la norma. Esperava outra aparência do molho. Não sei se errei ou se eu tenho em mente um molho mais pastoso, sem pedacinhos. O que importa é que ficou gostoso (e até bonito; apenas diferente). 

E antes que vejam a receita original e as fotos e reparem nos tomates distintos, já aviso que eu sou o tipo de pessoa que reaproveita coisas. Preciso de tomates e tenho tomate cereja prestes a morrer? Ele vai se juntar ao tomate italiano sim. Nada de desperdício num país onde milhões ainda passam fome. 

Este prato foi super rápido de fazer. E como podem ver, rendeu bastante, mesmo eu cortando pela metade os ingredientes. Mas vamos ao que interessa!

Macarrão a la Norma

INGREDIENTES:

  • 1 ricota fresca amassada (usei apenas metade, porque era somente para mim. Mesmo assim rendeu bastante molho a ponto de dividir com a vizinha)
  • 1 berinjela picada em cubos (usei uma inteira porque era pequena)
  • ½ cebola picada (mais uma vez usei cebola roxa porque é a minha favorita)
  • 3 tomates picados sem pele e sem sementes (use tomate italiano e o restante de tomate cereja. Era o que tinha e desperdício não pode acontecer)
  • passata de tomate ou 1 lata de tomate pelatti (usei metade do vidro da passata)
  • ½ xícara de alho-poró picado
  • 1 colher de chá de pimenta calabresa (ficou de fora porque não encontrei na vendinha)
  • 2 dentes de alho picados
  • manjericão picado a gosto (como é a gosto - e eu não tinha - ingrediente dispensado)
  • 1 colher de tomilho (ficou de fora porque não encontrei)
  • sal e pimenta-do-reino a gosto
  • azeite 

BORA FAZER!

Antes de começar, deixe a berinjela picada em uma tigela com água e sal. Isso ajuda a tirar um pouco do amargor da casca.

Refogue a cebola no azeite (se quiser, pode colocar um pouco de manteiga, mas não deixe de colocar o azeite para a manteiga não queimar) com um pouco de sal e com a pimenta calabresa e o tomilho. Acrescente o alho, o alho-poró e os tomates. Escorra a água das berinjelas e as adicione à panela. Em seguida, junte a ricota. Misture bem. Coloque a passata ou os tomates pelattis (após passar rapidamente pelo liquidificador ou pelo
processador para não ficarem pedacinhos), deixe cozinhar por uns 5 minutos. Verifique se as berinjelas já estão macias, ajuste o tempero (se precisar, coloque um pouco de açúcar no molho para corrigir a acidez, mas só se precisar mesmo), desligue o fogo e misture o manjericão. 

Sirva com massas de qualquer tipo, mas a regra continua valendo: se tiver deixado seu molho mais encorpado, prefira massas longas (espaguete, fetuccine etc). Se tiver ficado mais líquido, opte por massas curtas (penne, fusili etc).





sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Casa com gato

Aproveitando que nesta semana foi comemorado o Dia Mundial do Dato (17 de fevereiro) trago uma reflexão sobre os bichanos. Ter ou não ter? 

A pandemia fez muitas pessoas cogitarem adotar um bichinho devido à solidão durante o isolamento. Solteiros geralmente pensam em gatos tendo como argumento que são animais independentes (e, consequentemente, os tutores não precisariam abandonar a rotina de baladas e viagens). Doce ilusão!

Eu não curtia gatos, achava-os ariscos e abusados subindo em móveis que os cães, claramente, entendem que não podem. Mas me apaixonei por uma que morava numa loja onde as minhas cachorras eram tosadas. Levei aquela bola de pêlo para casa e minha vida mudou completamente. Primeiro porque precisei telar todo o apartamento (e isso era um dos motivos que me fazia torcer o nariz para os gatos) e depois porque me apaixonei pelos felinos.

Eles são bem independentes, mas isso não significa que não gostem de carinho e interação. Passei uma semana longe de casa e a Mia surtou. Mesmo com um amigo aparecendo todos os dias para cuidar da Mia, ela ficou triste, com uma miado choroso perto da porta de entrada. Ela estava me chamando, sentindo-se abandonada (eu a via pela câmera de monitoramento). Coração partido, decidi que nunca mais deixo ela em casa sozinha. Gatos sentem falta sim! Ela adora brincar (tudo bem que é de madrugada, mas ela me chama para brincar); gosta de atenção, de colo, de cafuné. E para piorar, gatos têm mais dificuldade de adaptação. Isso significa que carregar o bichano nas viagens ou para hospedagens felinas não é uma boa ideia (para ele, claro).

Além disso, você consegue dar remédio para gato? É a cena do capeta encarnando. Rezar para ele não ficar doente, não significa que o cara lá de cima vai te atender. Então, pensa bem! 

Resumindo: gatos são animais adoráveis, super limpos, metódicos, carinhosos, brincalhões, mas também estressantes (na hora da medicação) e dependentes. Sim, eles precisam de muito mais que água corrente, comida fresca e caixa de areia limpa. Eles precisam de carinho e de atenção, e não é apenas algumas vezes por semana. Precisam (e pedem) todos os dias. Você está preparado (a) para abrir mão de algumas viagens e baladas noturnas? 

Não é apenas um bicho, um mascote. É uma vida. Pense (muito) bem antes de levar um animal para sua vida.