segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Uma vida sem carne


Faz alguns anos que parei de comer carne suína, mesmo amando a costelinha de porco do Outback. No ano seguinte a esta decisão foi a vez de poupar vacas e bois. Por quê? Porquinhos são animais extremamente inteligentes e sensíveis. Um pouco menos, mas ainda sensíveis, são os bovinos. Não consigo mais olhar para um churrasco sem me sentir culpada pela dor de um animal. Não é só a morte, mas a forma como eles são criados para o abate (clique aqui e tenha um choque de realidade). "Ah! Mas as galinhas e os peixes ok?", você dirá. Claro que não está OK, mas eu preciso me adaptar a uma alimentação sem carne. Optei por começar pelos mamíferos. Parar com tudo de uma hora para outra certamente me levaria ao fracasso.

Eu adoro carne, principalmente vermelha, então a abstinência por opção, e não por desgostar, é mais complicada. Outro fator que me prende à proteína animal é (ainda) não saber preparar uma variedade de pratos saborosos sem um filé. Mas isso está com os dias contados. ☺

Coloquei como meta abandonar o frango até o fim do primeiro semestre. E depois fazer o mesmo com o peixe. Para isso dar certo pedi ajuda a uma colega de trabalho que, apesar de não ser vegetariana, tem o hábito de comer carne pouquíssimas vezes. Steph, toda caprichosa, não se limitou a enviar uns rascunhos. Ela criou um PDF com receitas vegetarianas (sem feijão e sem lentilha, como eu pedi) me dando dicas de como temperar e preparar comidas gostosas de verdade. Conforme eu for fazendo, vou compartilhando aqui. Quem sabe não consigo mais adeptos a esta nova forma de comer?! ;) Pode começar aderindo à campanha Segunda Sem Carne. Afinal, você não precisa mudar completa e definitivamente a sua alimentação. Mas pensar no planeta e nos animas uma vez por semana já está de bom tamanho. 

Por ora, deixo aqui o link de um site com vários livros de receitas vegetarianas que ela me recomendou. Vale a pena dar uma chance!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Você quer mesmo um pet?


Em meio à pandemia do coronavírus, mal 2021 começou e...BOMBA! Nina, minha filhota (pet) de 15 anos, desenvolveu diabetes. Não seria um problemão se eu não tivesse pânico de agulha. Pois é. Visualiza a cena: aplicação de insulina 2x por dia e medição de glicemia 4x por dia a cada três. "Ah! Mas a agulha é fininha", você dirá. Tente tirar uma gota de sangue do rabicó de uma poodle e depois venha falar comigo. A minha sorte é que a Nina é a cachorra mais boazinha do mundo. Não reclama de nada, aguenta firme e ainda me dá lambeijos no final. Mas eu sofro por ter que infligir desconforto a ela várias vezes ao dia. 

Para piorar...alguém sabia que aquelas tiras de teste são caras pra caramba?! Cada vez que o aparelho dá erro de leitura e me pede nova tira-teste eu tenho vontade de mandar ele chupar picolé. Brincadeiras (e raiva) a parte, foi aí que comecei a pensar que nesse país uma pessoa menos favorecida não consegue cuidar do pet como ele precisa. É tudo muito caro. Ainda que consiga consulta gratuita e exames populares, como manter um tratamento de diabetes quando o pacote com 25 tiras custa mais de 50 reais, a ração tendo que ser especial e a maçã (lanchinho pós insulina da tarde) tá custando mais de 20 reais o quilo?! Sem contar as agulhas e seringas. É tudo tão caro que realmente me questiono como uma pessoa, por mais que ame seu animal, consegue cuidar desse tipo de doença quando não se tem recursos financeiros. 

Neste momento pandêmico passo a maior parte dos dias trabalhando em casa, o que facilita bastante para administrar a insulina, dar o lanche da tarde e medir a glicemia, tudo dentro do tempo certo recomendado pela médica-veterinária. Mas estando em "vida normal", saindo para trabalhar de manhã e só voltando à noite, como fazer? Pagar uma pet sitter? Seres humanos levam o estojo de diabetes para qualquer lugar e se viram. Cães não fazem isso. Dependem de nós para tudo. 

Esse texto é um tipo de desabafo e um alerta para o caso de você estar pensando em adotar (ou comprar) um animal. Pode ser cão, gato, passarinho, esquilo, tartaruga, qualquer tipo, ele pode - e vai - ficar doente; vai precisar de cuidados médicos e de atenção para receber os medicamentos e a alimentação na hora certa. As saídas terão que ser programadas com mais afinco para não passar da hora da medicação. Os lanchinhos do pet terão que ser negados, mesmo vendo aqueles olhinhos de "também quero, mãe". Empresas não abonam faltas ou atrasos para emergências veterinárias. Então, pensa bem! Se morar sozinho (a) vai ser ainda mais complicado quando isso acontecer. Não tente resolver sua carência adotando um animal. Ele não vai precisar só de água e comida, mas de atenção, remédios, passeios, banhos, carinho... e tudo isso custa tempo e dinheiro. 

Eita kit caro =(



                         

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Por que eu desisti de Portugal?

Claramente eu nasci no continente errado. Sou do inverno, nasci no inverno, passo muito mal no calor - e vamos combinar que no Rio de Janeiro a palavra calor está num outro patamar. Acredito piamente que aqui é uma simulação do inferno e cá estamos para nos adaptarmos melhor ao chegarmos na casa do capiroto. Mas voltemos a Portugal.

Nunca tive desejo de viver em outro país, mas todo esse calor, a violência, os preços exorbitantes e  esse (des)governo começaram a desviar meu olhar para terras europeias há três anos. E Portugal me pareceu bem convidativa pelo idioma e, claro, possibilidade de cidadania. Cheguei a providenciar a documentação, fiz cálculos para viver (e não apenas sobreviver) lá por seis ou oito meses sem trabalhar, mas...mudei de ideia. Pelo menos por ora. Por quê? 

Teve um mês que das seis lâmpadas embutidas aqui da sala, somente uma estava funcionando. Além de mais caras que as comuns, não é fácil trocar o modelo antigo pelo novo. 

Quando minhas filhotas ficam doentes eu surto tentando conciliar trabalho, consultas, exames e cuidados médicos em casa já que atestado de veterinário não abona falta. Geralmente um amigo me salva nesses momentos. E quando fico doente quem é que aparece na minha porta com sopa pra três dias e aconchego? Colo de mãe cura tudo né?!

Resumindo: percebi que se passar perrengue em casa, com uma rede de apoio por perto, é ruim, imagina a um oceano de distância. A quem recorrer em outro país quando alguma coisa der muito errado? Reclamamos do Brasil, mas pelos relatos de pessoas que vivem fora eu cheguei à conclusão que aqui existem leis que protegem mais os consumidores, os trabalhadores, os inquilinos e (pasmem!) com mais celeridade. Se discutir com atendente de telemarketing na língua materna já é estressante, imagine fazer isso em outro idioma quando sua luz for cortada indevidamente, com uma pessoa que tem outro ritmo de trabalho, apoiada por outra cultura, por outras leis.

É claro que se você estiver pensando em se mudar com outra pessoa as coisas ficam um pouco mais fáceis. No meu caso, eu ia sozinha, ou melhor, com duas cachorras e uma gata, com a cara e a coragem. Visualiza a cena: uma carioca chegando cheia de malas no aeroporto om três caixas de transporte tentando pegar um táxi até o Airbnb. E, depois, rezar para que um português simpatizasse comigo e aceitasse alugar seu imóvel para a "louca dos pets". Perrengue total né?!

Então, vou passando calor em terras cariocas mesmo. Quem sabe na terceira idade eu debande para a Terrinha.

A quem interessar, o canal Maximizar é muito bom para ter uma noção de como um casal de brasileiros vive na região do Porto.