quinta-feira, 4 de junho de 2020

Quarentener: o desafio do home office


Assim que esta semana começou salvei alguns assuntos para publicar aqui, mas a segunda-feira foi embora, a terça passou voando, a quarta não foi diferente e a quinta, bom, aqui estou eu. A dificuldade em sentar para escrever neste espaço é graças a uma coisinha bem comum a muitas pessoas nesta pandemia: o home office. 

Há priscas eras (como diz uma amiga) eu trabalhei em casa. A experiência foi boa, mas após três anos assim senti falta daquele momento de "socialização com os colegas na salinha do café"; foi quando resolvi voltar para o batente externo. Mas hoje, três meses trabalhando em casa, após seis anos presencialmente na mesma empresa, começo a flertar com o teletrabalho novamente. 

Eu, assim como muitos brasileiros, recebi uma pesquisa do Governo para responder sobre trabalho remoto. Foi quando percebi que funciono muito bem assim, produzindo de casa, sem precisar cumprir horário para bater ponto. Funciono com prazos, não com horários. Tenho o "quarto da Mia"*, que ela me empresta para servir de escritório, uma boa internet, silêncio, uma mesa grande para trabalhar, café à disposição e chamego a toda hora das minhas cachorras. É o cenário perfeito. Mas e a "socialização com os colegas na salinha do café", vocês vão me perguntar. Isso pode ser resolvido com um happy hour sexta-feira, ou melhor ainda: com trabalho presencial uma ou duas vezes por semana. 

O grande lance do teletrabalho é a economia que os empregadores podem ter reduzindo custos, um aumento no bem-estar daquele que opta por isso (porque ninguém merece passar horas em busão lotado) e o planeta agradece por menos poluição, buzinas e congestionamentos. 

Mas é claro que são poucas as pessoas que têm disciplina e espaço apropriado em casa para esse tipo de trabalho. Não é só colocar um computador sobre a mesa de jantar e pronto (apesar de muitos colegas meus estarem fazendo assim e não reclamarem). Ideal mesmo é ter um cômodo organizado e silencioso para o trabalho, criar uma rotina em casa para que as tarefas domésticas não interfiram na produção e nem o serviço se torne algo interminável, tomando o dia inteiro. Isso seria o contrário da qualidade de vida que almejamos quando optamos pelo home office. Só que tem dias que simplesmente não dá. Porque o chefe envia demandas a qualquer momento pelo celular, porque em determinado dia os filhos (no meu caso os pets) estão mais atentados do que de costume, atrapalhando a concentração, ou porque, simplesmente, a preguiça bateu, como aconteceria estando em casa ou na empresa. E tudo bem. Vida que segue se um dia produzimos menos que no outro. 

Fato é... estamos com medo de sair de casa após meses de isolamento social. Estamos com medo de aproximação, medo do "novo normal". Para mim, o "novo normal" é trabalhar aqui no meu escritório particular e tomar café na minha sala de estar. Essa pandemia provou que muitos empregados não precisam ir todos os dias para suas empresas, que dá para trabalhar remotamente sem perder a qualidade do serviço. Por que não, então?

Eu moraria em uma casa maior, com uma vista decente e pagando bem menos. Teria uma qualidade de vida bem melhor se não precisasse sair de casa todos os dias. Quando me mudei para o meu atual bairro, tive que abrir mão de um apê grande com uma varanda, que dava para uma vista incrível, para morar num apê menor, com vista para uma escola pública barulhenta pagando o dobro do aluguel. Tudo para economizar no tempo de deslocamento para a empresa. Valeu a pena? Claro. Não levo mais duas horas para chegar ao trabalho. Mas sinto falta da varanda, dos pássaros me acordando. Eu funciono bem em trabalho remoto. E você?

*Quarto da Mia = um quarto menor que tem uma escrivaninha e a caixa de areia da gata. Logo, ela acha (acha mesmo) que esse cômodo é dela. Volte para o topo do texto e veja a imagem. =) 

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