domingo, 21 de junho de 2020

Quarentener: detox digital

Minha primeira resolução em 2020 foi ficar um pouco mais distante das redes sociais, o que no meu caso significa Instagram e Whatsapp apenas. E estava conseguindo bem até surgir a pandemia e nos colocar no (pseudo) isolamento social. Trabalhando em casa precisei passar mais tempo com o celular nas mãos, checando meu e-mail e demandas enviadas no grupo de trabalho do whatsapp. O problema é que muita conexão também faz mal. Muito mal.

A sensação, como já mencionado no texto sobre home office, é de trabalhar o dia inteiro. E o que dizer sobre o excesso de informação? Antigamente, até há uns 10 anos, quando não tínhamos whatsapp, nos programávamos para conversar com as pessoas...ligando para elas. Indo um pouquinho mais longe, há uns quinze anos, quando queríamos acessar a Internet, sentávamos na frente de um computador para conversar por chat, usar Twitter, Orkut, Facebook e, olha que estranho, pesquisar no Google. Agora está tudo na palma da mão, a um clique de distância. Esse é o problema. 

Se não conseguimos abrir os olhos de manhã e resistir ao movimento automático de pegar o celular para checar as notificações; se vamos ao banheiro e lá está ele conosco, o alarme de preocupação deve soar: está na hora de um detox. E isso não significa abandonar o celular, ficar offline o tempo inteiro.  Significa apenas passar mais tempo longe do aparelho. Pra quê? 

Quando usávamos o telefone apenas para chamadas só falávamos com alguém quando queríamos. Era o momento de fazer uma ligação. E se não queríamos falar com ninguém, não atendíamos o telefone. Agora não dá. O celular vibra o tempo inteiro com mensagens que não param de entrar. E se você ignora...100nhor! Tenha piedade desta alma que será bombardeada de perguntas. O problema de "conversar" o tempo todo é o desgaste que isso causa nas relações. Não há amizade que não seja abalada, por menor que seja, em algum momento por excesso de opinião. Discorda? Observe os grupos de whatsapp (de amigos, da família, da academia, do trabalho, da escola, de pais, de condomínio, da igreja...não importa). Sempre tem uma desavença. Por quê?  Porque somos bombardeados de opiniões e o imediatismo das redes sociais nos permite revidar sem o (sagrado) tempo de respirar por 10 segundos antes de abrir a boca, neste caso, antes de apertar o Enter.

Você ficará impressionado como o dia rende muuuuuito mais quando esquecemos esse aparelhinho chamado celular. Tenho saudade do telefone fixo, de quando era preciso esperar o fim de semana ou a madrugada para acessar (sem muito custo na conta de telefone) a Internet e ficar algumas horas (planejadas) no MSN conversando com os amigos. E quando o assunto não podia esperar, pegava o telefone de casa e fazia uma ligação. Em época de pandemia, que nos obriga ao home office e ao distanciamento, a conexão instantânea é muito legal, mas temos maturidade para isso? Quantas horas você passa com o celular na mão? Você é capaz de ir ao banheiro sem levá-lo? Consegue ir dormir e desligá-lo? Consegue não checar suas notificações de hora em hora? A pandemia vai acabar. Sairemos dela mais viciados do que entramos? Essa quarentena nos ensina a repensar hábitos. Vamos aproveitar!



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