quinta-feira, 21 de maio de 2020

Quarentener: a noia de ir ao mercado

Já tem cinco meses que esta casa está abandonada, mas incrivelmente não está empoeirada; percebo semanalmente as visitas aparecendo normalmente, lendo os textos antigos, deixando comentários, enviando perguntas por e-mail. Por isso decidi arrumar um tempo e voltar. E, claro, que em época de pandemia, o assunto não poderia ser outro.

Não sei aí onde você está, mas aqui no Rio de Janeiro, precisamente na capital, estamos vivendo um caos. Não temos lockdown (e se tivesse, quem iria fazê-lo cumprir?), mas temos medo (pelo menos uma parte da população) já que o sistema de saúde daqui sempre esteve colapsado, então sabemos que agora está infinitamente pior, e isso atrapalha demais, mexe com o psicológico de todos. Ir ao mercado virou um evento; voltar dele tornou-se um caso complicado. Todo um ritual para entrar no apartamento com as sacolas. E outro ritual para guardar a comida na geladeira e nos armários. É tanto álcool, sabão e água, cachorras pulando alegres pelo meu retorno, gata tentando entrar na sacola e eu perdida numa cozinha minúscula sem saber por onde começar. Esta semana foi assim.

Ao entrar em casa com uma sacola e um carrinho de compras, deixei tudo na porta e fui ao banheiro (com as cachorras pulando em mim) lavar as mãos e tirar a máscara. Ao voltar para a sala, olhei a gata dentro da ecobag e pensei: se tiver coronavírus em alguma embalagem, já passou para os pelos. Cansada, esgotada mentalmente, apertei o botão do FODA-SE e decidi não entrar em paranoia. Saí de casa como manda o protocolo, usei álcool antes e depois de entrar no mercado, as esteiras do caixa foram higienizadas antes das minhas compras serem passadas, deixei meus sapatos do lado de fora do apê, fui direto para o banheiro lavar as mãos. Seria muita falta de sorte algum daqueles produtos estar infectado. Na verdade, existe sim uma enorme possibilidade de algum estar, então eu joguei tudo dentro dos armários e lá eles vão ficar por alguns dias (tempo suficiente para o vírus morrer). Decidi lavar apenas os sachês de comida da gata, já que seriam manipulados imediatamente. Estou jogando com a sorte? Sim (e não). Eu bem sei que o correto é higienizar tudo, mas já são dois meses nessa noia e eu moro sozinha. Só saio de casa para ir ao mercado a cada quinze dias repor o que acabou. Então, me sinto à vontade para afrouxar um pouco (apenas no quesito higienização dos produtos de mercado). 

E você, como está passando após dois meses em quarentena? Conta aí (por e-mail ou na caixinha de comentário) para eu ter certeza que não pirei sozinha. ;)

Amanhã tem mais "diário da pandemia", para você também ter certeza que não está só nesta noia. =)


Um comentário:

  1. Realmente uma loucura ir ao mercado em tempos de corona vírus. Álcool gel para entrar no mercado, álcool gel qdo saí do mercado. Ufa!!! E qdo chega em casa uma porrada de coisas para higienizar. Fazer o que né???? Daqui a pouco estou sem digital de tanto que lavo as mãos

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