quinta-feira, 28 de maio de 2020

Quarentener: troca-troca de comida com a vizinha


Achatar a curva. É isso que temos ouvido quando o assunto é isolamento social horizontal. Mas ficar em casa o tempo todo achata a curva epidemiológica, mas faz a curva da barriga crescer. Essa não está dando para achatar, principalmente quando temos vizinhas separadas apenas por um pequeno muro. A minha é assim. 

Há menos de um mês é um tal de passa prato pra lá, passa prato pra cá. Essa semana eu pedi pra ela passar a balança, afinal, com tantas gostosuras eu precisava checar o meu peso (e os quilinhos das cachorras também). 

Acho que a primeira vez desse passa-prato foi quando senti um cheirinho de bolo assando. Sabe desenho animado quando sai voando lentamente guiado pela fumaça da comida? Era eu. Cheguei na lavanderia, onde tem esse muro e, conversa vai, conversa vem...Ah! O cheiro de bolo vem daí? Sim, por que, você quer? Claro, eu respondi. E lá vinha o primeiro prato. 

Na mesma semana foi domingo das mães. Eu encomendei um bolo para ser entregue na casa da minha mãe e outro mais simples (de cenoura com cobertura de chocolate) para ser entregue aqui. Assim poderíamos ter um Dia das Mães diferente, longe uma da outra, mas não distantes em sentimento. Só que um bolo inteiro é muita coisa para quem mora sozinha. Então, retribuí o carinho da vizinha com uma fatia cheia de calda e chocolate. 

E nos dias seguintes mais bolos (e até remédios) foram passados pelo murinho. Recentemente, eu aprendi a receita daquela panqueca tipicamente americana e arrisquei fazê-la numa tarde. Joguei mel. Estavam lindas, fofinhas, quentinhas... Então, mais um prato foi passado pelo muro. Porque a gente não pode ser responsável sozinha pelo aumento da curva (da barriga) né?! ;)


terça-feira, 26 de maio de 2020

Quarentener: o que realmente é essencial


A cada novo dia surge um novo decreto (presidencial, estadual ou municipal) dizendo que isso ou aquilo se enquadra em "serviço essencial" e, portanto, não pode parar de funcionar. Esta semana começamos com uma surpresa do prefeito do Rio de Janeiro: para ele, templos religiosos prestam serviços essenciais, então podem abrir suas portas novamente. Mas o que é serviço essencial? Fui buscar no dicionário.

Segundo o Michaelis existem três definições para ESSENCIAL:

1- Que constitui a parte necessária de algo; indispensável.
2- Que existe como parte inerente de algo ou de alguém.
3- Que é a parte mais importante em alguma coisa; fundamental.

No meu entendimento, em nenhuma das três definições se enquadra templo religioso, afinal se uma igreja não abrir alguém morre? Alguém deixa de respirar? Alguém deixa de rezar? Alguém deixa de se conectar com Deus? 

Mas este texto não é (apenas) para criticar o bispo prefeito do Rio de Janeiro, ou o presidente do país, mas sim, trazer para reflexão o que é essencial em nossas vidas na quarentena e (por que não?) na pós-pandemia.

Fazer as unhas é essencial? Para as pessoas mais vaidosas até pode ser, mas não é imprescindível fazer no salão. Há anos eu aprendi a fazer as minhas unhas, assim, além de ficarem do jeito que eu quero, economizo uma boa grana. Manter uma conexão espiritual é essencial? Certamente em época de pandemia, onde o medo é constante, uma oração cai bem. Mas as missas, os cultos, as palestras estão sendo feitas com o auxílio da tecnologia. Não é essencial ir à igreja, templo, centro etc. Essencial é fazer da sua casa, do seu quarto, do seu corpo um templo. E temos visto isso diariamente. O próprio padre Fábio de Melo (só pra citar o mais famoso) celebra a missa dominical pelo instagram, reunindo mais de 100 mil pessoas ao vivo. Em capela alguma seria possível isso.

Eu, adepta do iFood, percebi que fazer a própria comida é muito mais gostoso. É claro que não vou banir ele da minha vida, porém será bem mais esporádico (o que também vai me proporcionar mais economia e saúde).

Bater perna num shopping é legal? Ok. Tem quem curta experimentar dezenas de roupas num provador. Mas esse tipo de passeio não é essencial para vivermos. Dá para viver sem um monte de coisas. Dá para valorizarmos mais o nosso tempo, a nossa casa, as pessoas que dividem esse espaço conosco. Dá para valorizarmos mais os momentos em família. Não precisamos de cerveja e altas gargalhadas todas as sextas-feiras. Podemos passar mais sextas comendo pipoca, vendo Netflix no sofá de casa acariciando o cachorro (ou o gato). Dá para ser feliz com pouco, com muito pouco. A gente só precisa aceitar o momento atual e levar boa parte dessa experiência louca (e inédita para a nossa geração) para os dias "normais" que virão quando tudo isso passar.

Eu vou continuar indo aos bares beber com meus amigos, pedindo iFood por preguiça de cozinhar e, certamente, vou gastar no shopping o que não tenho comprando o que não preciso, só que tudo isso será muito mais raro; serão momentos isolados; serão exceções, e não regras em minha vida. Porque essencial mesmo é aproveitar o que já se tem e gostar da própria companhia.

E você está satisfeito com o que tem? Tem gostado de passar mais tempo só consigo mesmo? ;)



domingo, 24 de maio de 2020

Quarentener: planner cheio mesmo sem sair de casa

"Mantenha a rotina!" é isso que dizem todos os especialistas em sanidade mental. Mas como manter a rotina se tudo mudou? Quem acordava às 5 da matina para se arrumar e pegar o ônibus até o trabalho, agora trabalha no sofá de casa (nem precisa de maquiagem, pentear o cabelo, talvez nem tire o pijama). Quem corria todas as manhãs no quarteirão, agora corre em círculos na sala. Quem passeava com os cachorros três vezes ao dia, agora, no máximo, leva uma vez à rua. Mas eles continuam dizendo "mantenha a rotina!". Por isso continuo usando meu planner. =)




Não gastei um dinheirão numa agenda moderninha para ela ficar em branco. Então, sempre aos domingos eu organizo a semana seguinte. Claro que eu, em home office, não preciso mais acordar tão cedo para trabalhar. Mas faço questão de não passar o dia inteiro de pijama. Afinal, "se eu não tirar o pijama, o que vou usar à noite para dormir?", perguntou a jornalista Leila Ferreira em sua live. 

Lives: coisas que também vão para o planner. Por que não? Faz parte da vida social atual. Trocamos os bares e as casas de show por lives na cozinha, por isso, quando quero muito ver alguma, eu coloco na agenda. Até comprei uma smart TV para assistir Ivete Sangalo e tantos outros artistas em uma tela maior que o celular.  (:

Nas minhas resoluções para 2020, feitas no último minuto de 2019, eu coloquei três pontos: saúde, espiritualidade e família. Para atingir meus objetivos, coloquei outros três passos. Confesso que se não fosse a pandemia isso seria difícil. Pois nunca me exercitei tanto como agora. Todos os dias eu pratico alongamento. Minha meta agora é espacate completo até o fim do isolamento social. Como as academias fecharam, não pude continuar indo às aulas de pole, então elas vieram até a mim, com um plus. Por carinho ao studio que frequento, continuei pagando as mensalidades e, em troca, decidiram gravar aulas e disponibilizar para fazermos quando quisermos em casa. Eu nem acredito que meu corpo tem se mexido todos os dias à tarde. <3

E se não fosse a pandemia, eu também não estaria tão dedicada aos estudos religiosos. Os encontros não são mais presenciais, mas nos encontramos via Skype ou Zoom com data e hora marcadas. Isso é usar a tecnologia ao nosso favor. Ficar o dia inteiro rolando o feed do Instagram, TikTok ou Facebook não. 

No meu planner tem a hora de trabalhar, a de estudar, a de me exercitar, a pausa para o nadismo, o momento da leitura, o passeio rápido com as cachorras, a chamada de vídeo com a família, a sessão de terapia com a psicóloga, as lives (de shows ou de reflexão), o spa caseiro. E tudo isso tem sido possível porque não preciso me deslocar. Acontece tudo em 50 metros quadrados. E nada passa "batido" porque eu uso o planner. Você não precisa usar. Conheço pessoas que não funcionam com agendas. Eu, como virginiana, preciso anotar todos os compromissos para visualizar a semana, os meus dias, e cumprir o combinado (comigo mesma muitas vezes).

A rotina está diferente sim, para todos nós. Mas nem por isso a quarentena precisa ser entediante, como ouço algumas pessoas reclamarem. Se não podemos viver lá fora, vamos viver aqui dentro. Precisamos manter a rotina, como repetem quase como um mantra os psiquiatras e psicólogos mundo afora. Tire o pijama para trabalhar na mesa da cozinha. Pare para almoçar como se estivesse no escritório. Termine o seu expediente na hora que terminaria se estivesse na empresa. Exercite sua mente com livros e filmes que sempre quis ler e assistir, mas usava a falta de tempo como desculpa. Exercite o corpo com o que tem em casa; o que não falta na internet são vídeo-aulas de profissionais de educação física (alguma vai servir para você). Pratique a meditação (10 minutos por dia já ajuda a acalmar corpo e espírito). Brinque mais com os filhos, com os pets, com quem estiver em casa. Mas para isso acontecer coloque-o como compromisso na sua "agenda". No meu planner falta espaço para tantas coisas que quero (e preciso) fazer. Como pode alguém dizer que está entediado? 

Ah! E se eu posso ajudar com uma dica de como se exercitar sem sair de casa, com aulas para todos os níveis e "fora da caixinha" é apresentando o portal Circus Fit Air. Tem várias aulas e para todos os níveis e idades (pole sport, tecido acrobático, alongamento, acroyoga, malabarismo, fortalecimento de membros inferiores e superiores, prancha, acrobacia, lira, dança, jazz funk...). Clica aqui para dar um confere! 


sexta-feira, 22 de maio de 2020

Quarentener: evolução das semanas

Na primeira semana, fomos para a janela aplaudir os profissionais que estão na linha de frente; cantamos com os vizinhos nas varandas; brincamos de adedonha e forca com os amigos e familiares por chamadas de vídeo. Estávamos de férias. Esse era o sentimento. 

Na segunda semana, começamos a bater panela nas janelas a cada pronunciamento presidencial. Fomos a vários shows sem sair de casa; as lives começaram a se sobrepor. Já não tínhamos mais planner para conciliar todas elas. Continuamos aplaudindo os profissionais, cantando com os vizinhos, orando coletivamente pelos doentes, batendo panela para o presidente.  

Na terceira semana, as lives de artistas consagrados tomaram conta do YouTube, agora de uma forma muito mais profissional, com direito a patrocinadores e QRCode para nos sentirmos úteis doando alguma quantia para "sabe Deus quem". O importante é apontar o celular para a televisão e fazer a doação, e postar a live nos status do Instagram, mostrando como a quarentena estava sendo aproveitada (em casa). Eu me senti forçada a comprar uma TV Smart para acompanhar todas as lives que me interessavam, já que a minha televisão antiga não tem wifi. Pronto! Agora sim estou apta para viver a quarentena integralmente como meus colegas.

Na quarta semana, acorda às 11h, começa a trabalhar (com pijama mesmo), pausa para os noticiários catastróficos da Europa, almoça lá pelas 16h; pega o computador, porque vai começar a aula de ginástica, que sua vizinha educadora física está dando via zoom (de graça), para manter o corpo se mexendo e não perder o contato com as pessoas. Hey! Para tudo porque está na hora da oração coletiva para os doentes! Opa! Está na hora dos aplausos. Ih! Mas está tendo pronunciamento presidencial. Bate panela com os pés em protesto e palmas em agradecimento aos médicos e enfermeiros. Tudo ao mesmo tempo. Pera! Vai começar a live Sandy & Júnior, com a participação do Xororó; tenho que cantar Evidências na janela. É o hino do Brasil, o panelaço pode esperar, e os aplausos...Ah! Três palmas e já tá legal. 

O segundo mês começa e um tédio toma conta. As panelas diminuem (porque as aparições dele já não são diárias). Os aplausos cessam. O momento de oração cai no esquecimento. Chamada de vídeo em grupo agora só quando é aniversário de alguém, para cantarmos Parabéns e ajudarmos a apagar as velinhas virtuais. Os cantores das sacadas perderam a voz. Até quando? 

Estamos há mais de 60 dias em isolamento social. Os dias parecem idênticos, mas as semanas...cada uma é muito diferente da outra. No início, a pandemia parecia nos trazer uma mensagem divina: DESACELEREM! Agora, dois meses depois, se ela está nos mandando uma mensagem ainda, eu fiquei surda, pois não a percebo; não para a humanidade, porque para mim sim, a mensagem continua sendo a mesma: "Desacelere! Aproveite o tempo em casa para fazer tudo que gostaria, mas usava a desculpa da "falta de tempo". Tenho me exercitado todos os dias. Brinco com minhas filhas de quatro patas por horas diariamente num apartamento de 50 metros quadrados. Cozinho (e lavo a louça) todos os dias. Delivery? Só quando bate desejo do hambúrguer vegetariano da Zezé Burguer. Reconectei meus laços com a espiritualidade, resgatando os estudos (e as pessoas) da casa espírita que eu frequentava antes de me mudar para o meu atual bairro. Passei a valorizar mais chamadas de vídeo, olho no olho, diariamente com a minha família. 

Eu não sei qual foi a mensagem que a pandemia levou para você, mas para mim ela trouxe essa: "Desacelere e se reconecte com o seu Eu divino e com quem importa de verdade no (seu) mundo".

No mínimo, teremos no Brasil mais um mês de isolamento social. Para quem cumpre a determinação do governo do seu Estado e só sai de casa quando é extremamente necessário, vai ser um mês longo. Estou há dois meses em casa, mas tenho a sensação que já se passaram seis. Então me diz, o que você tem feito para não surtar?

Amanhã tem mais "diário da pandemia" contando um pouco da minha rotina, para você ter certeza que não está só nessa noia. Porque virginiana é assim: preenche o planner até na quarentena. ;)   


quinta-feira, 21 de maio de 2020

Quarentener: a noia de ir ao mercado

Já tem cinco meses que esta casa está abandonada, mas incrivelmente não está empoeirada; percebo semanalmente as visitas aparecendo normalmente, lendo os textos antigos, deixando comentários, enviando perguntas por e-mail. Por isso decidi arrumar um tempo e voltar. E, claro, que em época de pandemia, o assunto não poderia ser outro.

Não sei aí onde você está, mas aqui no Rio de Janeiro, precisamente na capital, estamos vivendo um caos. Não temos lockdown (e se tivesse, quem iria fazê-lo cumprir?), mas temos medo (pelo menos uma parte da população) já que o sistema de saúde daqui sempre esteve colapsado, então sabemos que agora está infinitamente pior, e isso atrapalha demais, mexe com o psicológico de todos. Ir ao mercado virou um evento; voltar dele tornou-se um caso complicado. Todo um ritual para entrar no apartamento com as sacolas. E outro ritual para guardar a comida na geladeira e nos armários. É tanto álcool, sabão e água, cachorras pulando alegres pelo meu retorno, gata tentando entrar na sacola e eu perdida numa cozinha minúscula sem saber por onde começar. Esta semana foi assim.

Ao entrar em casa com uma sacola e um carrinho de compras, deixei tudo na porta e fui ao banheiro (com as cachorras pulando em mim) lavar as mãos e tirar a máscara. Ao voltar para a sala, olhei a gata dentro da ecobag e pensei: se tiver coronavírus em alguma embalagem, já passou para os pelos. Cansada, esgotada mentalmente, apertei o botão do FODA-SE e decidi não entrar em paranoia. Saí de casa como manda o protocolo, usei álcool antes e depois de entrar no mercado, as esteiras do caixa foram higienizadas antes das minhas compras serem passadas, deixei meus sapatos do lado de fora do apê, fui direto para o banheiro lavar as mãos. Seria muita falta de sorte algum daqueles produtos estar infectado. Na verdade, existe sim uma enorme possibilidade de algum estar, então eu joguei tudo dentro dos armários e lá eles vão ficar por alguns dias (tempo suficiente para o vírus morrer). Decidi lavar apenas os sachês de comida da gata, já que seriam manipulados imediatamente. Estou jogando com a sorte? Sim (e não). Eu bem sei que o correto é higienizar tudo, mas já são dois meses nessa noia e eu moro sozinha. Só saio de casa para ir ao mercado a cada quinze dias repor o que acabou. Então, me sinto à vontade para afrouxar um pouco (apenas no quesito higienização dos produtos de mercado). 

E você, como está passando após dois meses em quarentena? Conta aí (por e-mail ou na caixinha de comentário) para eu ter certeza que não pirei sozinha. ;)

Amanhã tem mais "diário da pandemia", para você também ter certeza que não está só nesta noia. =)