segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Você está vivendo a vida que imaginou?

Você leva jeito para veterinária. Vou te levar ao altar com esta música ao fundo. Seus filhos vão ser mais educados que soldado no quartel. Você tem que fazer curso de comissária de bordo antes da faculdade. A filha dela vai falar abuelita antes de vovó. 

Frases soltas, ditas por pessoas diferentes, em momentos diferentes a uma mesma pessoa, ou melhor, a uma criança. E marcaram tanto que o momento em que cada uma foi dita parece que foi ontem tamanha a força da lembrança. "Vou te levar ao altar com esta música ao fundo" fez aquela menina de 7 anos de idade acreditar que casar era a melhor coisa do mundo, um momento mágico. Mas como esse momento não chegou a ela, por anos se sentiu em débito com seu pai cada vez que ouvia Dying Young ou Esther. Ela não se tornou comissária de bordo e nem teve filhos para ensinar dois idiomas ao mesmo tempo e educá-los nos moldes da Super Nanny. 

Totalmente diferente do que imaginaram para aquela menina, ela não quer se casar. Mas a lembrança daquele domingo na sala de casa, dançando sobre os pés de seu pai enquanto tocava Kenny G, a faz sonhar com o momento que ele sonhou levando-a até o altar. A imagem da Duda hablando abuelita enquanto chama sua avó para brincar martela em sua cabeça a cada reunião de família, ainda que ela esteja bem sem precisar se preocupar com a renovação da matrícula escolar. 

Ela ama animais, mas morre de medo de agulhas, então o consultório de veterinária será apenas para levar suas cachorras, não para trabalhar, diferentemente do que todos sonharam para aquela menina de 7 anos. Porque, na verdade, ela queria ser psicóloga. Ela não queria uma casa cheia; queria ter um apartamento só seu, dividindo apenas com a sua cachorra. Ela queria ter um emprego que permitisse flexibilidade de horário, mas garantia certa de salário. Ela queria ter tempo para sonhar e viajar nos seus sonhos sem bagunçar a vida de outra pessoa. Ela queria a liberdade de um amor, de uma vida, sem amarras. Ela queria viver sonhos bem diferentes do que sonharam para ela, mas levou anos para descobrir isso.

"Você sabe quem você é? Sabe o que aconteceu com você? Você quer viver assim?" (1)

Você está vivendo a vida que imaginou? Ou a vida que imaginaram para você?



(1) By Cristina Yang (Grey's Anatomy)

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Quando o amor se transforma em amizade

Dizem que a fórmula de um casamento longo e feliz é a admiração que o casal tem um pelo outro, o carinho, a amizade. Porque beleza física, atração, se vão com o tempo, quando a idade se traduz em rugas, limitações por doenças e impotência sexual. Quem discorda? Eu. 

Não me atirem as pedras ainda. É claro que eu concordo com essa teoria, mas...isso não é amor, pelo menos não o que fez o casal começar uma relação. Isso é amor sim, mas fraternal. O mais lindo de todos, certamente, mas ainda assim, fraternal. Como diz Rita Lee, "amor sem sexo é amizade". E não tem o menor problema de um casamento ser sustentado assim, com amor fraternal. Estes sim são os mais belos, os que vemos e nos dão invejinha, desejando um dia termos uma pessoa ao lado para todo o sempre. 

Mas eu preciso me corrigir neste parágrafo. Quando disse "(...) isso não é amor, pelo menos não o que fez o casal começar uma relação", referindo-me ao amor fraternal, eu menti. Menti porque a relação mais linda que eu tive até agora começou com este sentimento puro. Éramos melhores amigos, víamos filmes sentados no chão da sala abraçados como namorados; dormíamos juntos numa cama de solteiro sem nada acontecer; nossas famílias já nos consideravam um casal, mesmo negando qualquer relação ou sentimento além da amizade. Até que...a amizade se transformou em amor. Não tinha como ser diferente. Não queríamos mais dizer "tchau", corríamos um para o outro para contar em primeira mão as boas notícias (e as tristes também). Ele era a minha pessoa. Eu era a Cristina dele (fãs de Grey's Anatomy entenderão). Era uma relação de companheirismo, cumplicidade, compreensão e, acima de tudo, diversão porque éramos amigos-namorados. Foi uma relação duradoura e de dar (literalmente) inveja em todos os nossos amigos que namoravam, porque eles desejavam ter um "Pato" e uma "Pata" ao lado. E quando a paixão esfriou (porque sim, esfria com o tempo) foi o amor fraternal que nos manteve unidos, bem, apaixonados ainda sem querer dizer "tchau". 

Só que Rita Lee está aí para nos lembrar que...sendo jovens precisamos viver como tal. E aquela amizade, que um dia havia se transformado em amor, estava passando por nova metamorfose: era o amor se transformando em amizade. Chegou a hora de dizer "tchau". Mas como dizer quando ainda existe tanto amor? Foi preciso; foi doloroso; foi difícil (TE AMO, MAS EU NÃO CONSIGO). Foi necessário muita determinação para soltarmos as mãos tendo a certeza de que o tempo nos mostraria que aquele amor não ia morrer nunca, mas já não era mais pra gente; era um amor fraternal. 

Haja sessão de terapia para entender as diferenças de um sentimento tão intenso! Nós, seres humanos, banalizamos tanto o amor, rotulamos ele de tal forma que temos dificuldade de perceber que existem várias formas de amar. Nem todas pedem que estejamos juntos. É possível amar e ainda assim dizer Adeus. Acho que esse é o amor que Nicette Bruno sente pelo seu (eterno) marido Paulo Goulart. "A última conversa que tivemos no hospital ele disse: viva muito, trabalhe como você gosta e não perca a sua alegria", disse Nicette em entrevista a Pedro Bial. "Não tenho a menor dúvida de que quando chegar a minha hora, ele estará lá me aguardando". Para quem não se lembra, Nicette Bruno e Paulo Goulart foram casados por 60 anos, até a morte do ator em 2014. Se ainda existia tesão, paixão eu não sei, mas que existia amor fraternal na relação deles, não tenho a menor dúvida.



                                                  Pensando em Você (Pimentas do Reino)


segunda-feira, 20 de julho de 2020

Cama de casal...sem casal

Há cerca de uma semana um amigo, recém separado, estava conversando comigo sobre casamento. Eu lhe disse que não quero me casar, mas adoraria ter a festa, a cerimônia. "Posso ficar só com a parte boa, onde a história termina com o 'E foram felizes para sempre'? Depois da festa pode cada um ir para sua casa?", eu perguntei. Ele estranhou, mas percebi um brilho nos olhos.

Certa vez, não faz muito tempo, ouvi (não lembro onde e muito menos de quem) que a cama de casal foi uma invenção maravilhosa. O erro foi quando resolvemos colocar duas pessoas para dormirem nela. Achei isso fantástico. E sei que muita gente vai ficar horrorizada com o primeiro e este segundo parágrafos, mas também sei que, lá no fundo, concordam comigo, assim como esse amigo que, certamente saiu daqui de casa com um outro olhar para o casamento.

Sou filha de pais separados; eu tinha apenas 9 anos quando isso aconteceu, então para mim é super natural ter duas casas e pais que nunca brigam. E já está mais do que provado que a convivência transforma tudo: a amizade em amor, e o amor em amizade. Eu já passei por isso, já percorri os dois sentidos desta transformação de sentimento. E não tem problema algum. Problema tem quando nos forçamos a acreditar que casar, dividir banheiro, cama, ter filhos é regra para ser feliz. Eu descobri a minha felicidade numa cama de casal vazia. Não é que eu não goste de namorar, dormir de conchinha. Eu adoro (inclusive a aba A DONA DA CASA diz exatamente isso). Sou uma ogra carinhosa, alguns dizem. Mas eu amo o meu espaço, eu amo a minha própria companhia. Eu adoro sentir saudade e depois ficar grudada para matar a saudade de dias sem ver o outro. O gostoso de um relacionamento é a novidade, o frio na barriga, o coração acelerado. Casadas e casados, quantos de vocês ainda sentem isso? 

Quando a jogadora de basquete Hortência anunciou seu casamento, mas que moraria em outra casa o Brasil estranhou. Ok, anos 90, século passado. Hoje isso pode ser normal. Eu continuo querendo o vestido de noiva (com bolsos da Morena Andrade Atelier), a cerimônia (longe de igrejas) e a festa de casamento bem informal para celebrar a união. Eu continuo querendo o Felizes para Sempre. A diferença é que eu resolvi admitir para mim que esse Felizes para Sempre não tem a menor chance na minha vida se eu tiver que dividir o meu espaço, a minha cama 24x7. Todo ser humano precisa de espaço, precisa de um tempo consigo somente. Poucos admitem. Muitos casamentos sobrevivem. Eu prefiro um casamento que vive; prefiro viver uma vida a dois cheia de emoção, de frio na barriga, coração acelerado e saudade sendo matada num dia qualquer. Muita loucura? Muita modernidade? Diz aí!

OBS: texto antigo, escrito lá em 2015, mas sempre atual. Clica aqui para (re)ler!


quarta-feira, 24 de junho de 2020

Quarentener: aproveitando para estudar

Desde meados de março os brasileiros no Rio de Janeiro estão sem aula nas escolas e universidades. Algumas particulares insistem em manter o discurso que as aulas estão ocorrendo normalmente pela Internet, mas a verdade é que nem alunos, principalmente crianças,  nem professores estão preparados para ensinar a distância. Mas tem uma galera mais velha que tem aproveitado a pandemia para estudar, exatamente porque antes não tinha tempo, mas agora o que mais temos é tempo.

Entrei nessa onda e resolvi aproveitar melhor os dias em casa. Não que esteja com tempo ocioso, mas só pelo fato de não precisar bater ponto na empresa já torna minha rotina de trabalho mais flexível. Assim, além de ter retornado aos grupos de estudos da doutrina espírita, entrei para um grupo de estudo sobre política e espiritualidade, ministrado informalmente por um historiador da Federal do Rio, que é amigo de longa data. Não sou da universidade, nem curso História, mas por ser um estudo informal, e o tema muito me interessar, principalmente porque estamos analisando o tema tendo Gandhi como objeto neste momento incial, pedi a ele para participar. E no atual cenário político do Brasil, a filosofia da não violência vem a calhar.

Se podemos tirar algo bom desta pandemia, que nos forçou a ficar em casa, é termos mais tempo para ler todos os livros e gibis que compramos e ficaram na estante esperando o tempo livre que nunca chegou. É termos tempo para ver tutoriais de como reformar um cômodo da casa gostando quase nada e no estilo DIY. É termos tempo para aprendermos sobre mercado financeiro e, dessa forma, investirmos dinheiro assim que as coisas melhorarem para não dependermos mais de 600 misérias do Governo Federal. O lado bom da pandemia é se perceber com um novo talento e resolver investir nisso, fazendo cursos online.

O que não faltam são cursos acessíveis e tutoriais 0800 ao alcance de uma googlada. O que não falta é tempo para aprender aquilo que sempre quis, mas foi ficando para depois por N motivos. O que não falta durante o isolamento social é oportunidade de aprendizado. Mas o que pode faltar é força de vontade. Se for este o caso, não reclame quando o mundo lá fora te mandar sair de casa e você encontrar tudo igual como deixou há três meses.




domingo, 21 de junho de 2020

Quarentener: detox digital

Minha primeira resolução em 2020 foi ficar um pouco mais distante das redes sociais, o que no meu caso significa Instagram e Whatsapp apenas. E estava conseguindo bem até surgir a pandemia e nos colocar no (pseudo) isolamento social. Trabalhando em casa precisei passar mais tempo com o celular nas mãos, checando meu e-mail e demandas enviadas no grupo de trabalho do whatsapp. O problema é que muita conexão também faz mal. Muito mal.

A sensação, como já mencionado no texto sobre home office, é de trabalhar o dia inteiro. E o que dizer sobre o excesso de informação? Antigamente, até há uns 10 anos, quando não tínhamos whatsapp, nos programávamos para conversar com as pessoas...ligando para elas. Indo um pouquinho mais longe, há uns quinze anos, quando queríamos acessar a Internet, sentávamos na frente de um computador para conversar por chat, usar Twitter, Orkut, Facebook e, olha que estranho, pesquisar no Google. Agora está tudo na palma da mão, a um clique de distância. Esse é o problema. 

Se não conseguimos abrir os olhos de manhã e resistir ao movimento automático de pegar o celular para checar as notificações; se vamos ao banheiro e lá está ele conosco, o alarme de preocupação deve soar: está na hora de um detox. E isso não significa abandonar o celular, ficar offline o tempo inteiro.  Significa apenas passar mais tempo longe do aparelho. Pra quê? 

Quando usávamos o telefone apenas para chamadas só falávamos com alguém quando queríamos. Era o momento de fazer uma ligação. E se não queríamos falar com ninguém, não atendíamos o telefone. Agora não dá. O celular vibra o tempo inteiro com mensagens que não param de entrar. E se você ignora...100nhor! Tenha piedade desta alma que será bombardeada de perguntas. O problema de "conversar" o tempo todo é o desgaste que isso causa nas relações. Não há amizade que não seja abalada, por menor que seja, em algum momento por excesso de opinião. Discorda? Observe os grupos de whatsapp (de amigos, da família, da academia, do trabalho, da escola, de pais, de condomínio, da igreja...não importa). Sempre tem uma desavença. Por quê?  Porque somos bombardeados de opiniões e o imediatismo das redes sociais nos permite revidar sem o (sagrado) tempo de respirar por 10 segundos antes de abrir a boca, neste caso, antes de apertar o Enter.

Você ficará impressionado como o dia rende muuuuuito mais quando esquecemos esse aparelhinho chamado celular. Tenho saudade do telefone fixo, de quando era preciso esperar o fim de semana ou a madrugada para acessar (sem muito custo na conta de telefone) a Internet e ficar algumas horas (planejadas) no MSN conversando com os amigos. E quando o assunto não podia esperar, pegava o telefone de casa e fazia uma ligação. Em época de pandemia, que nos obriga ao home office e ao distanciamento, a conexão instantânea é muito legal, mas temos maturidade para isso? Quantas horas você passa com o celular na mão? Você é capaz de ir ao banheiro sem levá-lo? Consegue ir dormir e desligá-lo? Consegue não checar suas notificações de hora em hora? A pandemia vai acabar. Sairemos dela mais viciados do que entramos? Essa quarentena nos ensina a repensar hábitos. Vamos aproveitar!



quinta-feira, 11 de junho de 2020

Quarentener: isolamento social ou recolhimento pessoal?


Parece que o isolamento social está chegando ao fim, inclusive no Brasil (o que é um fato bem estranho se pensarmos que os casos de Covid-19 não param de aparecer e os hospitais de campanha viraram "obra de igreja", tamanha a demora). Com isso, fala-se muito do "novo normal". Não vejo nada de novo, não observando a maioria das pessoas.

Assim como em outros países, no Brasil tivemos fases, semana após semana, da quarentena. Cantamos na janela, aplaudimos médicos, batemos panela contra o Governo, usamos mais os aplicativos para chamadas de vídeo e exercícios físicos em casa. Meditamos mais. Entramos mais em contato com o nosso Eu Divino. Será?

Posso falar por mim que o isolamento social passou (e ainda passa) por todas as fases, como num eterno looping. Mas agora nesse finalzinho, quando minha cidade começa a afrouxar o isolamento, começo a fazer uma autoavaliação. Quem sou eu hoje? Quem é você nessa quarentena?

Não fiz apenas um isolamento social. Na verdade, a pandemia me proporcionou um recolhimento pessoal. E eu agradeço por isso. Boa parte das minhas "resoluções de ano novo" não teriam saído do papel se não me obrigassem a ficar trancada em casa a maior parte do tempo. Aprendi a meditar. Voltei a estudar assuntos que realmente me interessam pra vida. Passei a ter mais contato (ainda que virtual) com minha família. Minha alimentação (agora caseira) melhorou consideravelmente. Minha saúde financeira também. Minhas cachorras agradecem a pandemia porque estão recebendo muito mais atenção. E a saúde física? Tenho me exercitado todos os dias. Quando isso seria possível na louca vida que vivemos no modo automático?

A pandemia vai passar. O isolamento social já está sendo afrouxado. Nós teremos que voltar para o mundo real. Lá fora a vida será mais difícil. Mas hoje, três meses após o "confinamento", eu sei bem o que quero, o que não quero, o que faz bem para mim, no que vale a pena investir o meu tempo e o que não merece a minha atenção. Está quase na hora que precisaremos colocar em prática o que aprendemos durante este caos. Espero que esses três meses que nos tiraram empregos, entes queridos, liberdade não tenham sido em vão. Você está pronto? Você fez o isolamento social? Ou foi além, e fez um recolhimento pessoal? 

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Quarentener: o desafio do home office


Assim que esta semana começou salvei alguns assuntos para publicar aqui, mas a segunda-feira foi embora, a terça passou voando, a quarta não foi diferente e a quinta, bom, aqui estou eu. A dificuldade em sentar para escrever neste espaço é graças a uma coisinha bem comum a muitas pessoas nesta pandemia: o home office. 

Há priscas eras (como diz uma amiga) eu trabalhei em casa. A experiência foi boa, mas após três anos assim senti falta daquele momento de "socialização com os colegas na salinha do café"; foi quando resolvi voltar para o batente externo. Mas hoje, três meses trabalhando em casa, após seis anos presencialmente na mesma empresa, começo a flertar com o teletrabalho novamente. 

Eu, assim como muitos brasileiros, recebi uma pesquisa do Governo para responder sobre trabalho remoto. Foi quando percebi que funciono muito bem assim, produzindo de casa, sem precisar cumprir horário para bater ponto. Funciono com prazos, não com horários. Tenho o "quarto da Mia"*, que ela me empresta para servir de escritório, uma boa internet, silêncio, uma mesa grande para trabalhar, café à disposição e chamego a toda hora das minhas cachorras. É o cenário perfeito. Mas e a "socialização com os colegas na salinha do café", vocês vão me perguntar. Isso pode ser resolvido com um happy hour sexta-feira, ou melhor ainda: com trabalho presencial uma ou duas vezes por semana. 

O grande lance do teletrabalho é a economia que os empregadores podem ter reduzindo custos, um aumento no bem-estar daquele que opta por isso (porque ninguém merece passar horas em busão lotado) e o planeta agradece por menos poluição, buzinas e congestionamentos. 

Mas é claro que são poucas as pessoas que têm disciplina e espaço apropriado em casa para esse tipo de trabalho. Não é só colocar um computador sobre a mesa de jantar e pronto (apesar de muitos colegas meus estarem fazendo assim e não reclamarem). Ideal mesmo é ter um cômodo organizado e silencioso para o trabalho, criar uma rotina em casa para que as tarefas domésticas não interfiram na produção e nem o serviço se torne algo interminável, tomando o dia inteiro. Isso seria o contrário da qualidade de vida que almejamos quando optamos pelo home office. Só que tem dias que simplesmente não dá. Porque o chefe envia demandas a qualquer momento pelo celular, porque em determinado dia os filhos (no meu caso os pets) estão mais atentados do que de costume, atrapalhando a concentração, ou porque, simplesmente, a preguiça bateu, como aconteceria estando em casa ou na empresa. E tudo bem. Vida que segue se um dia produzimos menos que no outro. 

Fato é... estamos com medo de sair de casa após meses de isolamento social. Estamos com medo de aproximação, medo do "novo normal". Para mim, o "novo normal" é trabalhar aqui no meu escritório particular e tomar café na minha sala de estar. Essa pandemia provou que muitos empregados não precisam ir todos os dias para suas empresas, que dá para trabalhar remotamente sem perder a qualidade do serviço. Por que não, então?

Eu moraria em uma casa maior, com uma vista decente e pagando bem menos. Teria uma qualidade de vida bem melhor se não precisasse sair de casa todos os dias. Quando me mudei para o meu atual bairro, tive que abrir mão de um apê grande com uma varanda, que dava para uma vista incrível, para morar num apê menor, com vista para uma escola pública barulhenta pagando o dobro do aluguel. Tudo para economizar no tempo de deslocamento para a empresa. Valeu a pena? Claro. Não levo mais duas horas para chegar ao trabalho. Mas sinto falta da varanda, dos pássaros me acordando. Eu funciono bem em trabalho remoto. E você?

*Quarto da Mia = um quarto menor que tem uma escrivaninha e a caixa de areia da gata. Logo, ela acha (acha mesmo) que esse cômodo é dela. Volte para o topo do texto e veja a imagem. =) 

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Quarentener: troca-troca de comida com a vizinha


Achatar a curva. É isso que temos ouvido quando o assunto é isolamento social horizontal. Mas ficar em casa o tempo todo achata a curva epidemiológica, mas faz a curva da barriga crescer. Essa não está dando para achatar, principalmente quando temos vizinhas separadas apenas por um pequeno muro. A minha é assim. 

Há menos de um mês é um tal de passa prato pra lá, passa prato pra cá. Essa semana eu pedi pra ela passar a balança, afinal, com tantas gostosuras eu precisava checar o meu peso (e os quilinhos das cachorras também). 

Acho que a primeira vez desse passa-prato foi quando senti um cheirinho de bolo assando. Sabe desenho animado quando sai voando lentamente guiado pela fumaça da comida? Era eu. Cheguei na lavanderia, onde tem esse muro e, conversa vai, conversa vem...Ah! O cheiro de bolo vem daí? Sim, por que, você quer? Claro, eu respondi. E lá vinha o primeiro prato. 

Na mesma semana foi domingo das mães. Eu encomendei um bolo para ser entregue na casa da minha mãe e outro mais simples (de cenoura com cobertura de chocolate) para ser entregue aqui. Assim poderíamos ter um Dia das Mães diferente, longe uma da outra, mas não distantes em sentimento. Só que um bolo inteiro é muita coisa para quem mora sozinha. Então, retribuí o carinho da vizinha com uma fatia cheia de calda e chocolate. 

E nos dias seguintes mais bolos (e até remédios) foram passados pelo murinho. Recentemente, eu aprendi a receita daquela panqueca tipicamente americana e arrisquei fazê-la numa tarde. Joguei mel. Estavam lindas, fofinhas, quentinhas... Então, mais um prato foi passado pelo muro. Porque a gente não pode ser responsável sozinha pelo aumento da curva (da barriga) né?! ;)


terça-feira, 26 de maio de 2020

Quarentener: o que realmente é essencial


A cada novo dia surge um novo decreto (presidencial, estadual ou municipal) dizendo que isso ou aquilo se enquadra em "serviço essencial" e, portanto, não pode parar de funcionar. Esta semana começamos com uma surpresa do prefeito do Rio de Janeiro: para ele, templos religiosos prestam serviços essenciais, então podem abrir suas portas novamente. Mas o que é serviço essencial? Fui buscar no dicionário.

Segundo o Michaelis existem três definições para ESSENCIAL:

1- Que constitui a parte necessária de algo; indispensável.
2- Que existe como parte inerente de algo ou de alguém.
3- Que é a parte mais importante em alguma coisa; fundamental.

No meu entendimento, em nenhuma das três definições se enquadra templo religioso, afinal se uma igreja não abrir alguém morre? Alguém deixa de respirar? Alguém deixa de rezar? Alguém deixa de se conectar com Deus? 

Mas este texto não é (apenas) para criticar o bispo prefeito do Rio de Janeiro, ou o presidente do país, mas sim, trazer para reflexão o que é essencial em nossas vidas na quarentena e (por que não?) na pós-pandemia.

Fazer as unhas é essencial? Para as pessoas mais vaidosas até pode ser, mas não é imprescindível fazer no salão. Há anos eu aprendi a fazer as minhas unhas, assim, além de ficarem do jeito que eu quero, economizo uma boa grana. Manter uma conexão espiritual é essencial? Certamente em época de pandemia, onde o medo é constante, uma oração cai bem. Mas as missas, os cultos, as palestras estão sendo feitas com o auxílio da tecnologia. Não é essencial ir à igreja, templo, centro etc. Essencial é fazer da sua casa, do seu quarto, do seu corpo um templo. E temos visto isso diariamente. O próprio padre Fábio de Melo (só pra citar o mais famoso) celebra a missa dominical pelo instagram, reunindo mais de 100 mil pessoas ao vivo. Em capela alguma seria possível isso.

Eu, adepta do iFood, percebi que fazer a própria comida é muito mais gostoso. É claro que não vou banir ele da minha vida, porém será bem mais esporádico (o que também vai me proporcionar mais economia e saúde).

Bater perna num shopping é legal? Ok. Tem quem curta experimentar dezenas de roupas num provador. Mas esse tipo de passeio não é essencial para vivermos. Dá para viver sem um monte de coisas. Dá para valorizarmos mais o nosso tempo, a nossa casa, as pessoas que dividem esse espaço conosco. Dá para valorizarmos mais os momentos em família. Não precisamos de cerveja e altas gargalhadas todas as sextas-feiras. Podemos passar mais sextas comendo pipoca, vendo Netflix no sofá de casa acariciando o cachorro (ou o gato). Dá para ser feliz com pouco, com muito pouco. A gente só precisa aceitar o momento atual e levar boa parte dessa experiência louca (e inédita para a nossa geração) para os dias "normais" que virão quando tudo isso passar.

Eu vou continuar indo aos bares beber com meus amigos, pedindo iFood por preguiça de cozinhar e, certamente, vou gastar no shopping o que não tenho comprando o que não preciso, só que tudo isso será muito mais raro; serão momentos isolados; serão exceções, e não regras em minha vida. Porque essencial mesmo é aproveitar o que já se tem e gostar da própria companhia.

E você está satisfeito com o que tem? Tem gostado de passar mais tempo só consigo mesmo? ;)



domingo, 24 de maio de 2020

Quarentener: planner cheio mesmo sem sair de casa

"Mantenha a rotina!" é isso que dizem todos os especialistas em sanidade mental. Mas como manter a rotina se tudo mudou? Quem acordava às 5 da matina para se arrumar e pegar o ônibus até o trabalho, agora trabalha no sofá de casa (nem precisa de maquiagem, pentear o cabelo, talvez nem tire o pijama). Quem corria todas as manhãs no quarteirão, agora corre em círculos na sala. Quem passeava com os cachorros três vezes ao dia, agora, no máximo, leva uma vez à rua. Mas eles continuam dizendo "mantenha a rotina!". Por isso continuo usando meu planner. =)




Não gastei um dinheirão numa agenda moderninha para ela ficar em branco. Então, sempre aos domingos eu organizo a semana seguinte. Claro que eu, em home office, não preciso mais acordar tão cedo para trabalhar. Mas faço questão de não passar o dia inteiro de pijama. Afinal, "se eu não tirar o pijama, o que vou usar à noite para dormir?", perguntou a jornalista Leila Ferreira em sua live. 

Lives: coisas que também vão para o planner. Por que não? Faz parte da vida social atual. Trocamos os bares e as casas de show por lives na cozinha, por isso, quando quero muito ver alguma, eu coloco na agenda. Até comprei uma smart TV para assistir Ivete Sangalo e tantos outros artistas em uma tela maior que o celular.  (:

Nas minhas resoluções para 2020, feitas no último minuto de 2019, eu coloquei três pontos: saúde, espiritualidade e família. Para atingir meus objetivos, coloquei outros três passos. Confesso que se não fosse a pandemia isso seria difícil. Pois nunca me exercitei tanto como agora. Todos os dias eu pratico alongamento. Minha meta agora é espacate completo até o fim do isolamento social. Como as academias fecharam, não pude continuar indo às aulas de pole, então elas vieram até a mim, com um plus. Por carinho ao studio que frequento, continuei pagando as mensalidades e, em troca, decidiram gravar aulas e disponibilizar para fazermos quando quisermos em casa. Eu nem acredito que meu corpo tem se mexido todos os dias à tarde. <3

E se não fosse a pandemia, eu também não estaria tão dedicada aos estudos religiosos. Os encontros não são mais presenciais, mas nos encontramos via Skype ou Zoom com data e hora marcadas. Isso é usar a tecnologia ao nosso favor. Ficar o dia inteiro rolando o feed do Instagram, TikTok ou Facebook não. 

No meu planner tem a hora de trabalhar, a de estudar, a de me exercitar, a pausa para o nadismo, o momento da leitura, o passeio rápido com as cachorras, a chamada de vídeo com a família, a sessão de terapia com a psicóloga, as lives (de shows ou de reflexão), o spa caseiro. E tudo isso tem sido possível porque não preciso me deslocar. Acontece tudo em 50 metros quadrados. E nada passa "batido" porque eu uso o planner. Você não precisa usar. Conheço pessoas que não funcionam com agendas. Eu, como virginiana, preciso anotar todos os compromissos para visualizar a semana, os meus dias, e cumprir o combinado (comigo mesma muitas vezes).

A rotina está diferente sim, para todos nós. Mas nem por isso a quarentena precisa ser entediante, como ouço algumas pessoas reclamarem. Se não podemos viver lá fora, vamos viver aqui dentro. Precisamos manter a rotina, como repetem quase como um mantra os psiquiatras e psicólogos mundo afora. Tire o pijama para trabalhar na mesa da cozinha. Pare para almoçar como se estivesse no escritório. Termine o seu expediente na hora que terminaria se estivesse na empresa. Exercite sua mente com livros e filmes que sempre quis ler e assistir, mas usava a falta de tempo como desculpa. Exercite o corpo com o que tem em casa; o que não falta na internet são vídeo-aulas de profissionais de educação física (alguma vai servir para você). Pratique a meditação (10 minutos por dia já ajuda a acalmar corpo e espírito). Brinque mais com os filhos, com os pets, com quem estiver em casa. Mas para isso acontecer coloque-o como compromisso na sua "agenda". No meu planner falta espaço para tantas coisas que quero (e preciso) fazer. Como pode alguém dizer que está entediado? 

Ah! E se eu posso ajudar com uma dica de como se exercitar sem sair de casa, com aulas para todos os níveis e "fora da caixinha" é apresentando o portal Circus Fit Air. Tem várias aulas e para todos os níveis e idades (pole sport, tecido acrobático, alongamento, acroyoga, malabarismo, fortalecimento de membros inferiores e superiores, prancha, acrobacia, lira, dança, jazz funk...). Clica aqui para dar um confere! 


sexta-feira, 22 de maio de 2020

Quarentener: evolução das semanas

Na primeira semana, fomos para a janela aplaudir os profissionais que estão na linha de frente; cantamos com os vizinhos nas varandas; brincamos de adedonha e forca com os amigos e familiares por chamadas de vídeo. Estávamos de férias. Esse era o sentimento. 

Na segunda semana, começamos a bater panela nas janelas a cada pronunciamento presidencial. Fomos a vários shows sem sair de casa; as lives começaram a se sobrepor. Já não tínhamos mais planner para conciliar todas elas. Continuamos aplaudindo os profissionais, cantando com os vizinhos, orando coletivamente pelos doentes, batendo panela para o presidente.  

Na terceira semana, as lives de artistas consagrados tomaram conta do YouTube, agora de uma forma muito mais profissional, com direito a patrocinadores e QRCode para nos sentirmos úteis doando alguma quantia para "sabe Deus quem". O importante é apontar o celular para a televisão e fazer a doação, e postar a live nos status do Instagram, mostrando como a quarentena estava sendo aproveitada (em casa). Eu me senti forçada a comprar uma TV Smart para acompanhar todas as lives que me interessavam, já que a minha televisão antiga não tem wifi. Pronto! Agora sim estou apta para viver a quarentena integralmente como meus colegas.

Na quarta semana, acorda às 11h, começa a trabalhar (com pijama mesmo), pausa para os noticiários catastróficos da Europa, almoça lá pelas 16h; pega o computador, porque vai começar a aula de ginástica, que sua vizinha educadora física está dando via zoom (de graça), para manter o corpo se mexendo e não perder o contato com as pessoas. Hey! Para tudo porque está na hora da oração coletiva para os doentes! Opa! Está na hora dos aplausos. Ih! Mas está tendo pronunciamento presidencial. Bate panela com os pés em protesto e palmas em agradecimento aos médicos e enfermeiros. Tudo ao mesmo tempo. Pera! Vai começar a live Sandy & Júnior, com a participação do Xororó; tenho que cantar Evidências na janela. É o hino do Brasil, o panelaço pode esperar, e os aplausos...Ah! Três palmas e já tá legal. 

O segundo mês começa e um tédio toma conta. As panelas diminuem (porque as aparições dele já não são diárias). Os aplausos cessam. O momento de oração cai no esquecimento. Chamada de vídeo em grupo agora só quando é aniversário de alguém, para cantarmos Parabéns e ajudarmos a apagar as velinhas virtuais. Os cantores das sacadas perderam a voz. Até quando? 

Estamos há mais de 60 dias em isolamento social. Os dias parecem idênticos, mas as semanas...cada uma é muito diferente da outra. No início, a pandemia parecia nos trazer uma mensagem divina: DESACELEREM! Agora, dois meses depois, se ela está nos mandando uma mensagem ainda, eu fiquei surda, pois não a percebo; não para a humanidade, porque para mim sim, a mensagem continua sendo a mesma: "Desacelere! Aproveite o tempo em casa para fazer tudo que gostaria, mas usava a desculpa da "falta de tempo". Tenho me exercitado todos os dias. Brinco com minhas filhas de quatro patas por horas diariamente num apartamento de 50 metros quadrados. Cozinho (e lavo a louça) todos os dias. Delivery? Só quando bate desejo do hambúrguer vegetariano da Zezé Burguer. Reconectei meus laços com a espiritualidade, resgatando os estudos (e as pessoas) da casa espírita que eu frequentava antes de me mudar para o meu atual bairro. Passei a valorizar mais chamadas de vídeo, olho no olho, diariamente com a minha família. 

Eu não sei qual foi a mensagem que a pandemia levou para você, mas para mim ela trouxe essa: "Desacelere e se reconecte com o seu Eu divino e com quem importa de verdade no (seu) mundo".

No mínimo, teremos no Brasil mais um mês de isolamento social. Para quem cumpre a determinação do governo do seu Estado e só sai de casa quando é extremamente necessário, vai ser um mês longo. Estou há dois meses em casa, mas tenho a sensação que já se passaram seis. Então me diz, o que você tem feito para não surtar?

Amanhã tem mais "diário da pandemia" contando um pouco da minha rotina, para você ter certeza que não está só nessa noia. Porque virginiana é assim: preenche o planner até na quarentena. ;)   


quinta-feira, 21 de maio de 2020

Quarentener: a noia de ir ao mercado

Já tem cinco meses que esta casa está abandonada, mas incrivelmente não está empoeirada; percebo semanalmente as visitas aparecendo normalmente, lendo os textos antigos, deixando comentários, enviando perguntas por e-mail. Por isso decidi arrumar um tempo e voltar. E, claro, que em época de pandemia, o assunto não poderia ser outro.

Não sei aí onde você está, mas aqui no Rio de Janeiro, precisamente na capital, estamos vivendo um caos. Não temos lockdown (e se tivesse, quem iria fazê-lo cumprir?), mas temos medo (pelo menos uma parte da população) já que o sistema de saúde daqui sempre esteve colapsado, então sabemos que agora está infinitamente pior, e isso atrapalha demais, mexe com o psicológico de todos. Ir ao mercado virou um evento; voltar dele tornou-se um caso complicado. Todo um ritual para entrar no apartamento com as sacolas. E outro ritual para guardar a comida na geladeira e nos armários. É tanto álcool, sabão e água, cachorras pulando alegres pelo meu retorno, gata tentando entrar na sacola e eu perdida numa cozinha minúscula sem saber por onde começar. Esta semana foi assim.

Ao entrar em casa com uma sacola e um carrinho de compras, deixei tudo na porta e fui ao banheiro (com as cachorras pulando em mim) lavar as mãos e tirar a máscara. Ao voltar para a sala, olhei a gata dentro da ecobag e pensei: se tiver coronavírus em alguma embalagem, já passou para os pelos. Cansada, esgotada mentalmente, apertei o botão do FODA-SE e decidi não entrar em paranoia. Saí de casa como manda o protocolo, usei álcool antes e depois de entrar no mercado, as esteiras do caixa foram higienizadas antes das minhas compras serem passadas, deixei meus sapatos do lado de fora do apê, fui direto para o banheiro lavar as mãos. Seria muita falta de sorte algum daqueles produtos estar infectado. Na verdade, existe sim uma enorme possibilidade de algum estar, então eu joguei tudo dentro dos armários e lá eles vão ficar por alguns dias (tempo suficiente para o vírus morrer). Decidi lavar apenas os sachês de comida da gata, já que seriam manipulados imediatamente. Estou jogando com a sorte? Sim (e não). Eu bem sei que o correto é higienizar tudo, mas já são dois meses nessa noia e eu moro sozinha. Só saio de casa para ir ao mercado a cada quinze dias repor o que acabou. Então, me sinto à vontade para afrouxar um pouco (apenas no quesito higienização dos produtos de mercado). 

E você, como está passando após dois meses em quarentena? Conta aí (por e-mail ou na caixinha de comentário) para eu ter certeza que não pirei sozinha. ;)

Amanhã tem mais "diário da pandemia", para você também ter certeza que não está só nesta noia. =)