sábado, 21 de dezembro de 2019

Mania de terceirização

Dizem que o Brasil tem mania de serviçal, talvez um hábito herdado do tempo da escravidão. Dizem também que na Europa esse costume não é tão arraigado como aqui. O que sei por experiência é que brasileiro tem mesmo mania de terceirizar tarefas corriqueiras como o simples hábito que fazer as unhas, ou limpar a casa, passar as roupas, dar banho nos cachorros (isso quando não nas crianças).

Faz tempo que eu mesma pinto minhas unhas. Abandonei a manicure porque nunca ficava totalmente satisfeita com o resultado. Ou o esmalte não durava nem dois dias, ou as unhas eram pessimamente lixadas, ou eu saía de lá com meus dedos sangrando. Não importa qual manicure (troquei várias vezes), era sempre a mesma coisa, custasse uma bagatela ou um rim. Cansada dessa frustração, comprei o material e agora eu mesma cuido das minhas unhas das mãos e dos pés. 

Hoje decidi fazer o mesmo com a casa. Mensalmente (talvez um pouco mais quando a grana tá curta) chamava uma faxineira para dar aquela geral. Era maravilhosa. Pelo menos pelas comparações que eu tinha na vida. Pelo menos até hoje. Como eu passei o dia inteiro em casa com ela pela primeira vez em meses, presenciei umas merdinhas que deixaram meu coração de virginiana tenso (sem contar que ela deixou só dois dedos do meu suco de uva integral mega caro. A garrafa estava fechada antes dela chegar). 

Quando eu pago por um serviço não quero ter trabalho. Com a manicure eu sempre chegava em casa e ia lixar minhas unhas para que não ficassem tortas como ela as tinha deixado. Com as faxineiras que já passaram por aqui, tinha que limpar a casa novamente. Não faxinar, óbvio, mas passar um pano ali, outro acolá, limpar atrás da lavadoura de roupas, porque elas sempre esqueciam desse espaço. Hoje, a diarista quis lavar o chão da lavanderia (uma área aberta) com sabão OMO. Oi? "Meu amor, água sanitária, por favor". Não apenas porque em casa com pet não devem ser usados determinados produtos no chão, por causa de alergia, mas porque é OMO, um produto caro pra cacete. Ou seja, todas as outras vezes em que a deixei em casa sóla, ela usava esses produtos caros, que limpam sem esforço, lugares como o chão da lavanderia. Pai celeste! 

Para completar minha insatisfação de hoje, ela não teve o cuidado de não sujar (ou ao menos limpar) os potinhos de água das minhas filhotas, num dia que estava batendo uns 40 graus de sensação térmica. 

A partir dessa frustração comecei a pensar em como nós, brasileiros, gastamos o nosso dinheiro. Levo cerca de uma hora para fazer minhas unhas (o mesmo tempo que a manicure), mas o esmalte dura bem mais quando eu faço. Quando minhas cachorras vão ao petshop sofrem (como a maioria) só pelo ambiente. Elas saem lindas, cheirosas, mas é sempre estressante demais para elas. Então agora só vão quando é o momento de tosar. E sobre a limpeza da casa...quando eu faxino fica do meu jeito. Eu limpo até os interruptores, então não há frustração. Há cansaço, mas frustração não. Porque fica do jeitinho que eu gosto. Sendo assim, por que colocar uma pessoa aqui dentro, usando sem bom senso os produtos de limpeza, mexendo nas minhas coisas, deixando tudo fora do lugar (inclusive as coisas que eu levei horas organizando com métodos de personal organizer) para, no fim, não me deixar tão satisfeita? 

Paremos de terceirizar aquilo que nós, homens e mulheres, damos conta de fazer em nossas casas, em nossas vidas. Não é porque o dinheiro pode comprar, que devemos comprar. 

Abaixo segue uma listinha de tarefas que terceirizamos sem nem perceber, pela simples força do hábito, mas que damos conta de fazer:
  • Unhas
  • Banho no animal
  • Passear com o pet
  • Passar roupas
  • Lavar roupas
  • Limpar a casa
  • Cortar a grama / Jardinagem
  • Pintar as paredes de casa
  • Marmita
  • Compras de mercado
  • Pãozinho na padaria (já vi gente pedindo para o porteiro)
E você, tem alguma coisa fora dessa lista que terceiriza?


sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Você fracassou

Mais um ano chegando ao fim junto com a percepção de que as metas, aquelas criadas no último minuto de 2018, foram deixadas de lado. Ficarão para 2020.

Você até começou 2019 com todo o gás na academia. Mas foi só o carnaval acabar para as idas se tornarem cada vez mais esporádicas, né?

Aquele calendário alimentar todo lindo e organizado não deu muito certo nem na primeira semana. Mas aí teve a segunda tentativa. A terceira e...deixa para um dia, quem sabe.

O lance de check-up semestral...Bom, anual é melhor. Em 2020 vai rolar direitinho. Já vai começar o ano com duas consultas.

O planejamento financeiro feito em dezembro passado ficou mara. Esse ano vai! Não foi. Mas ano que vem você estará mais focado.

Mas peraí! Teve aquela viagem internacional. Os filhos bem encaminhados. Os pets bem cuidados e até chipados. Teve troca (e que troca) de setor na empresa. De quebra teve amores avassaladores e resoluções bem certeiras sobre a vida amorosa. Teve até liberação médica. Adiós, câncer!

Não perder os quilos que queria e nem visitar o gastro com a frequência que seu estômago requisita não significa fracasso. Significa prioridades.

Claro que em 2020 todas as promessas feitas ao nascer de 2019 estarão lá novamente. Ano novo, novas tentativas. Isso é viver. Valorize suas conquistas! Pois já terá muita gente focando em suas derrotas. ;)


Click: Cissa Ramalho - Roma - Itália, 2019