terça-feira, 17 de setembro de 2019

Depressão não é mimimi


Quando compramos um carro vermelho, parece que geral compra também; todos os carros que surgem na nossa frente são vermelhos, já reparou? Quando começamos a catar tampinha de garrafa PET para reciclagem, vemos várias pessoas fazendo o mesmo nos restaurantes. Já reparou nisso? Cada vez que começamos algo, ou começamos a falar de alguma coisa, parece que o mundo pega carona na nossa vibe. Mas não é que as pessoas estejam copiando tudo que fazemos; é que passamos a prestar mais atenção (sem perceber) nos carros vermelhos e nos loucos das tampinhas de garrafas. Além disso, quando fazemos ou falamos algo, outras pessoas tomam coragem para fazer o mesmo abertamente. 

Assim aconteceu comigo: há cinco anos fui diagnosticada com depressão e resolvi falar sobre isso para minha família, amigos e colegas de trabalho. No início, eu era “a louca”, aquela “bonita e bem sucedida que não tinha motivo para ser deprimida”. Depois, essas mesmas pessoas (e outras também) começaram a falar abertamente que também faziam tratamento contra a depressão. De lá pra cá perdi a conta da quantidade de amigos que vieram conversar comigo sobre depressão, ansiedade, bipolaridade, suicídio. É muita gente mesmo. 

Não é que elas tenham adquirido depressão ou outro transtorno mental a partir de mim (doença mental não é contagiosa), mas me tomaram como exemplo, tiveram coragem para falar abertamente sobre sua doença mental, antes tabu na sociedade e até mesmo em casa. 

Depressão não é frescura, não é uma simples tristeza, não escolhe classe social, depressão não é mimimi. Depressão é uma doença mental, um câncer na alma. E como todo câncer, precisa de tratamento. 

Falar é preciso: 

. para aliviar a dor.
. para os outros entenderem que você está doente.
. para o outro perceber que o que sente também pode ser uma doença.
. para evitar mortes, automutilações, suicídios.

Falar é a melhor solução. Parece que dói mais na hora que falamos, mas oh! É só nos primeiros 10 minutos. Depois, é um alívio enorme. Porque a “frescura”, o “só isso” ganha nome, ganha CID (Classificação Internacional de Doenças). E, assim como toda doença, esta também tem tratamento (e cura). Falar é a melhor solução! Além de te ajudar, pode ajudar a salvar aquele coleguinha lá do início do texto. 

Cinco anos depois de ter falado pela primeira vez, outras tantas pessoas seguiram meus passos, fizeram o mesmo. Cinco anos depois cá estou eu sem antidepressivo pela primeira vez. E eu estou bem. Foi um tratamento longo, ainda não recebi alta, mas estou quase lá. Tudo porque há cinco anos eu resolvi falar para o mundo, a plenos pulmões: EU TENHO DEPRESSÃO E TOMO REMÉDIO PARA TRATAR. EU QUASE PULEI DA JANELA, MAS VOLTEI ATRÁS E VIM AQUI TE CONTAR que “o suicídio é uma solução permanente para um problema que é temporário”. 

Leia mais sobre o assunto. Clica aí!
. CVV 

Um comentário:

  1. Bem sei o que é isso. Não recebi alta dos médicos, mas deixei de tomar a medicação por conta própria. De vez em quando ainda tenho recaídas, porém nunca tentei suicídio, porque tenho consciência de que minha vida só quem pode tirar é DEUS, estou aqui neste plano por um contrato feito antes de encarnar, portanto tenho que cumprir, quer queira ou não. Mas já fiz muitas mutilações, como me machucar, passar máquina no cabelo, etc... Diversas coisas que me machucavam para poder me sentir melhor. É horrível. Sou bipolar, tenho pânico e depressão. Só que agora administro sem medicação. É ruim, sim é, mas tá dando pra levar. Muito bom o texto para servir de alerta para muitas pessoas que se escondem. Beijos querida.

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