segunda-feira, 8 de abril de 2019

Mi casa és su casa. Ou não

Quando somos crianças sonhamos em ter a nossa casinha. Quando nos tornamos adolescentes planejamos dividir um apê com nossos amigos e amigas. É assim com todo mundo. Lembro bem que eu e minhas amigas dizíamos que quando fizéssemos 18 anos íamos dividir apartamento. Doce ilusão. Com 18 mal tínhamos dinheiro para um combo no McDonald's. Mas sonhar ainda não custa nada, então sigam sonhando!

A questão é que tudo isso mudou quando me vi adulta, lá perto dos 30, quando a casa dos pais estava ficando pequena demais para mim. Queria sair de lá, mas queria morar sozinha. Dividir meu espaço já não fazia mais parte dos meus sonhos. Eu queria uma casa para chamar de Minha, e não de Nossa. Só que com o salário que eu ganhava, mal daria para alugar um quartinho. É aí que entram as amigas. No meu caso, a vida se mexeu e me colocou para morar numa república com mais duas meninas totalmente desconhecidas em outro Estado. Foram apenas cinco meses - o suficiente para eu ter a certeza que realmente esse lance de dividir o mesmo teto não é para mim. Por quê? Porque eu curto ter as minhas regras, os meus horários. A minha bagunça não me incomoda, mas a bagunça do outro (que pode ser igualzinha a minha) incomoda bastante.

Só que anos depois, de volta à terra natal e já morando sozinha há 4 anos (sim, o salário aumentou, me permitindo pagar um aluguel), senti que era hora (e seria possível) dividir o teto (e as paredes, a pia e o sofá) com uma amiga do pole dance. Não que essa casa atual seja grande; não que rachar as contas seja primordial para mim. Mas ela queria (e sentia que precisava dar esse passo), eu tenho um carinho enorme por essa pessoa, um (micro)quarto livre, nos damos muito bem...por que não? Seria ótimo chegar em casa e ter alguém com quem dividir o pole. =)

Só que a Terra realmente é redonda e o mundo dá voltas, sim, muitas voltas. A mudança dela já estava praticamente definida, pronta para chegar, quando a mudança de Governo mudou também nossos planos. Eu já não sabia mais se continuaria morando nessa casa. Tudo estava incerto em minha vida profissional e, consequentemente, na financeira e pessoal. Com isso, achamos melhor adiar nossos planos de homemate. E eu...bom, eu acabei percebendo que nasci mesmo para morar sozinha. Dividir o espaço pode ser legal, principalmente no início. Mas, no fundo, é como um casamento, só que sem sexo. E, vamos combinar... um casamento só dura anos por causa do (bom) sexo. 

Esse texto remete a um antigo publicado aqui (clica aqui para ler de novo): existem prós e contras em morar sozinho e morar com algum amigo. Eu só vejo prós em dividir esta casa com a Pat, tanto que sempre digo a ela (to dizendo aqui de novo, hein Pat) que a porta está sempre aberta para quando quiser se refugiar por umas horas ou uns dias. Mas confesso: combinar de dividir apartamento com alguém é combinar de fazer planos juntos. Imagina se hoje você e um amigo estão lá rachando um aluguel e todas as contas quando, de repente, surge uma proposta de emprego em outra cidade? Ou seu colega decide que chegou a hora de casar? Ou arruma um namorado não muito querido pelo seu homemate? Tudo muda. Menos o total da conta no início do mês, que do nada, terá que ser paga só por uma pessoa. É uma mudança nada fácil de ser feita. É uma decisão quase tão importante quanto a de se casar. Então a dica é: segura a onda! Morar com um amigo...ah! Pode ser maravilhoso, uma experiência incrível. Mas nem tudo serão flores aaaaaand as circunstâncias da vida podem fazer você deixá-lo (com todos os boletos) na mão. Nem sempre a vida de quem divide apê é um episódio de Friends.


Nenhum comentário:

Postar um comentário