quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Você tem a vida que eu queria

"Você tem a vida que eu queria". Quantas vezes você já ouviu esta frase? Eu já perdi a conta. Vamos trocar? Agora? Você fica na minha casa, com as minhas tarefas e eu fico na sua casa, com a sua vida. Beleza?

Não esquece que das seis lâmpadas da sala, apenas duas estão funcionando. Ah! São embutidas. Quem inventou esse lance de embutir lâmpadas? É um cu para tirar. E são bem mais caras.

Não esquece também que das duas lâmpadas do banheiro, uma queimou. Ah! Também é embutida. E lembra do aquecedor a gás? A água quente não está legal. Precisa desembolsar uns 300 contos para consertar. Estou protelando isso desde que me mudei pra cá. E tem a parede do segundo quarto. Há dois anos me faço de cega para isso porque ninguém dorme lá. Mas fato é que está feia. O pintor veio hoje aqui em casa fazer um orçamento. Ok, o valor será pago pela proprietária, mas o material (também custeado por ela) será comprado por você (trate de pesquisar preço em mais de uma loja). Além disso, ele vai levar cinco dias para terminar o serviço. Cinco dias de casa suja, cinco dias com você presa para acompanhar o serviço. Férias que fala né?!

As cachorras, aquelas lindezas que colocam qualquer casa como um lar-doce-lar, estão bem. Essa semana gastei em apenas um dia quase 900 reais em procedimentos médicos, tretei com o PetDrive, um app tipo Uber para cães, que fez umas cobranças indevidas, e ainda não fiz todos os procedimentos veterinários necessários que tinha programado fazer nas minhas férias por  motivo de...falta de mais grana (tipo 1200 reais apenas). 

Não esquece também que uma das minhas tarefas é passar no consulado, que só funciona 4 horas por dia, então sim, você vai ter que se ausentar do trabalho para resolver pemba. Precisa também passar no cartório lá em far far away para aquela outra pemba da minha certidão. Ah! E tem a Vara da Infância, lembra? Ser mãe...Ainda quer? 

As cachorras precisam tomar banho toda semana. A caixa de areia da gata precisa ser limpa todos os dias, assim como a caixa das cachorras. E elas comem duas vezes por dia, tá? Então, volte para casa todos os dias.

Os boletos do mês já foram pagos. Até sobrou uma graninha que resolvi emprestar para uma galera que estava passando por mais perrengues que eu. Só que aí faltou para mim. Tudo bem. Deus provê. 

Não esquece que a casa não é autolimpante. Até tenho uma faxineira, mas coitada! Ela não tem sido chamada há uns cinco meses por total falta de grana. Então, sim, a casa vai ficar suja se você não limpar.

Não esquece também das roupas. Elas não se lavam sozinhas. E nem se estendem sozinhas. E nem se guardam sozinhas. 

O mercado é aqui perto. Mas a comida não chega até a geladeira se eu não for lá comprar. iFood é perfeito, mas aumenta o valor da fatura. Cozinhar requer tempo, disposição (terá louça depois da comilança) e criatividade para não ser miojo com ovo todo santo dia. 

A família? Tem reclamado minha ausência, mas como viajar para Maricá, Guapimirim ou até mesmo Jacarepaguá?! É um tempo de viagem que eu prefiro usar para descansar (corpo e mente).

Lá na TV você vai poder tirar férias quando quiser, umas duas vezes por ano. Mas não esquece que tem fim de semana trabalhado (sem hora-extra) e alguns dias com mais de 12 horas de produção. Se chegar em casa com fome vai continuar com fome, pois duvido que tenha saco para cozinhar às 11 da noite, com duas cachorras pulando de fome e com xixi e cocô pela casa para você limpar. 

Na sua casa tem café com leite na cama de manhã cedo? Tem almoço gostoso prontinho no fim de semana? A cama arrumada mal você sai do banho de manhã? Aquele jantar no prato ao chegar do trabalho? Tem roupa lavada e guardada na gaveta do armário sem você mexer um dedo? Tem mercado da semana feito, casa aspirada, passeios das cachorras em dia e lâmpadas trocadas? Então fica com a sua vida. Porque aqui não tem nada disso.


terça-feira, 17 de setembro de 2019

Depressão não é mimimi


Quando compramos um carro vermelho, parece que geral compra também; todos os carros que surgem na nossa frente são vermelhos, já reparou? Quando começamos a catar tampinha de garrafa PET para reciclagem, vemos várias pessoas fazendo o mesmo nos restaurantes. Já reparou nisso? Cada vez que começamos algo, ou começamos a falar de alguma coisa, parece que o mundo pega carona na nossa vibe. Mas não é que as pessoas estejam copiando tudo que fazemos; é que passamos a prestar mais atenção (sem perceber) nos carros vermelhos e nos loucos das tampinhas de garrafas. Além disso, quando fazemos ou falamos algo, outras pessoas tomam coragem para fazer o mesmo abertamente. 

Assim aconteceu comigo: há cinco anos fui diagnosticada com depressão e resolvi falar sobre isso para minha família, amigos e colegas de trabalho. No início, eu era “a louca”, aquela “bonita e bem sucedida que não tinha motivo para ser deprimida”. Depois, essas mesmas pessoas (e outras também) começaram a falar abertamente que também faziam tratamento contra a depressão. De lá pra cá perdi a conta da quantidade de amigos que vieram conversar comigo sobre depressão, ansiedade, bipolaridade, suicídio. É muita gente mesmo. 

Não é que elas tenham adquirido depressão ou outro transtorno mental a partir de mim (doença mental não é contagiosa), mas me tomaram como exemplo, tiveram coragem para falar abertamente sobre sua doença mental, antes tabu na sociedade e até mesmo em casa. 

Depressão não é frescura, não é uma simples tristeza, não escolhe classe social, depressão não é mimimi. Depressão é uma doença mental, um câncer na alma. E como todo câncer, precisa de tratamento. 

Falar é preciso: 

. para aliviar a dor.
. para os outros entenderem que você está doente.
. para o outro perceber que o que sente também pode ser uma doença.
. para evitar mortes, automutilações, suicídios.

Falar é a melhor solução. Parece que dói mais na hora que falamos, mas oh! É só nos primeiros 10 minutos. Depois, é um alívio enorme. Porque a “frescura”, o “só isso” ganha nome, ganha CID (Classificação Internacional de Doenças). E, assim como toda doença, esta também tem tratamento (e cura). Falar é a melhor solução! Além de te ajudar, pode ajudar a salvar aquele coleguinha lá do início do texto. 

Cinco anos depois de ter falado pela primeira vez, outras tantas pessoas seguiram meus passos, fizeram o mesmo. Cinco anos depois cá estou eu sem antidepressivo pela primeira vez. E eu estou bem. Foi um tratamento longo, ainda não recebi alta, mas estou quase lá. Tudo porque há cinco anos eu resolvi falar para o mundo, a plenos pulmões: EU TENHO DEPRESSÃO E TOMO REMÉDIO PARA TRATAR. EU QUASE PULEI DA JANELA, MAS VOLTEI ATRÁS E VIM AQUI TE CONTAR que “o suicídio é uma solução permanente para um problema que é temporário”. 

Leia mais sobre o assunto. Clica aí!
. CVV 

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Trago verdades - Parte 1

Lembra que fiquei de dar dicas (reais) de viagem para a Itália? Demorei, mas cá estou.

E a primeira parada é MILÃO.

A capital da moda não era o meu sonho de viagem. Inicialmente, eu nem queria passar nela, mas o voo que consegui mais em conta parava lá, então optei por três dias em Milão (e me arrependi de não ter ficado sete). 

Oh lugar lindo! Oh lugar com gente linda! Sério. Do dono de uma loja de grife ao cara que cata latinha na rua...todos parecem atores de Hollywood. Eu juro que vi uma garçonete que era a cara da Julia Robert. Os milaneses além de lindos são gentis e, eu já disse que são lindos?

Assim, no dia que cheguei com minha amiga tivemos um probleminha para entrar no prédio onde tínhamos alugado um apê e tentamos ajuda na rua. Várias pessoas passaram sem nem olhar para as duas brasileiras que tentavam um italiano misturado com português e inglês (só um velhinho fofo e extremamente solícito), mas demos um crédito para eles: já eram quase 10 horas da noite. Quem não teria medo de parar para duas loucas no meio da rua? Então a primeira dica é: NUNCA, JAMAIS saia do aeroporto sem ter a certeza que seu chip de celular está funcionando naquele país. Os nossos não estavam.

>> Detalhe importante: tudo quanto é lugar em Milão tem wifi free, mas para isso será preciso ter sinal 3G na hora. Isso porque é necessário fazer cadastro num site para, só então, receber a senha que habilitará o wifi. <<

A segunda dica é: carregue uma garrafinha de água para todos os cantos. Não vale a pena comprar, pois lá a água da torneira é de uma potabilidade que não conhecemos na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, têm fontes em alguns pontos da cidade para encher a garrafinha no meio de um tour. 

Duomo: comece os passeios cedo, mas não precisa madrugar. Nove da manhã já ta de boa para chegar à região central. A entrada na Catedral não é 0800, mas vale a pena. Vai ter uma fila bem grande, mas não desanime! Anda rápido (e os seguranças são lindos). Fale em português em alguns momentos e poderá ser surpreendida com um deles te servindo de guia particular sem cobrar nada por essa gentileza. Tivemos essa sorte com o Lorenzo, casado com uma brasileira. Ele nos mostrou alguns detalhes da Catedral que teriam passado despercebidos, e no fim da tarde ainda nos levou para passear num bairro “boêmio”.

>>> Duomo custa cerca de 15 euros e vale cada centavo. A fila enorme é apenas para entrar. A bilheteria fica na lateral direita da catedral (lado direito de quem está de frente para a igreja). <<<

Maquete Duomo

Apesar de lindos e gentis, os milaneses que trabalham nesses pontos turísticos religiosos não são muito legais. Tipo, ou você fala italiano ou inglês. Se soltar qualquer outro idioma vão te ignorar, não falam devagar para ajudar na compreensão e são impacientes com turistas. Mas, sim, se você quiser mostrar que brasileiro não leva desaforo pra casa, eles vão te dar atenção ainda que sem querer. Como era meu primeiro dia de passeio, eu estava tímida, sem querer discutir nem mesmo em português, que dirá em outro idioma.



Atenção! Estou falando do Duomo, mas claro que tem outras atrações turísticas ao redor. Toda a praça é cercada por atrativos. Quando estiver lá em cima, no alto da catedral, vai perceber isso. Rende lindas fotos, momentos relaxantes e, claro, uma ideia de tudo que ainda terá para visitar. Andiamo!





Galeria Vitório Emanuelle: não que dê para comprar alguma coisa lá (são lojas de alta costura), mas o passeio é obrigatório pela imponência do local. Ah! Não esquece de colocar o calcanhar direito sobre o saco do touro (sim, tem um desenho no chão da galeria – vai ter uma muvuca, então será fácil encontrar o bicho) e girar fazendo um pedido. Não deixe de olhar para cima: o teto da galeria é magnífico, como tudo ali. 



Aperitivo: E é nessa mesma região que poderá descansar, depois de bater muita perna, para tomar um Aperol Spritz. No Terazza Aperol por 15 euros você toma o drink mais famoso da Itália (depois do vinho, claro) numa sacada com vista incrível (vá no pôr do sol para apreciar o espetáculo de cores lá de cima) e ainda come uns aperitivos que seguram a fome por mais algumas horas. A fila para entrar nesse lugar é grandinha, mas nada que te faça esperar por horas (se não estiver com um grupo grande, claro). O atendimento não é dos melhores. São poucos garçons para muita gente, então assim que entrar e sentar já pede o Aperitivo (é individual), que o garçom vai saber o que é, para não ficar 20 minutos só tentando fazer contato visual com um deles para receber o primeiro atendimento.

Aperitivo: aperol + comidinhas

Outra dica importante, mas muito importante mesmo é: leve lanche na bolsa e programe-se para a hora do almoço. Isso porque depois de certo horário (se não me engano é após as 14h) os restaurantes e lanchonetes param de servir comida e oferecem apenas pequenos lanches, retornando as refeições somente após as 17h / 18h. Isso é tradicional em todo o país. Tem restaurante/lanchonete que nem lanche serve; fecha a porta mesmo.

Navigli: o bairro boêmio que falei chama-se Navigli. É estilo a Lapa, no Rio de Janeiro, só que muito mais limpa e...lembra que falei que TODOS os milaneses são lindos né?! Do centro para Navigli tem que pegar um ônibus. O trajeto é curto, mas não rola ir andando, afinal você terá caminhado o dia inteiro até aqui.


Vá à noite e escolha um barzinho. Claro que os que contornam o canal são mais turísticos e, óbvio, mais caros. Eu recomendo caminhar, caminhar e caminhar lá pra dentro do bairro, sem medo de assaltos, e entrar naquele que não está com fila quilométrica na porta. Cuidado na hora de pedir sua pizza! Todas (em toda a Itália) são individuais. Isso não significa que são tipo as brotinhos que conhecemos. Uma individual italiana dá para duas pessoas mortas de fome tranquilamente. E lembre-se! Nada de pedir ketchup e similares para por na pizza. ;)


CONFISSÃO: o tal segurança italiano que nos serviu de guia dentro da catedral, nos levou para Navigli e...nos fez pegar um bus sem pagar. /o\ A gente queria pagar, mas como os cartões só vendem nas tabacchis de Milão (esquece isso de pagar pro motorista), entramos sem o ticket, morrendo de medo de um fiscal aparecer, mas, como ele disse, estávamos acompanhadas de um local. =P

DICA EXTRA: assim como a garrafinha de água é item obrigatório nos passeios, uma ecobag também não faz mal. Os mercados, lojas de roupas e cosméticos, enfim, qualquer lugar cobra pela sacola plástica. Coisa barata (entre 5 e 20 centavos de euro por sacola), mas vamos combinar que gastar dinheiro com isso, ainda mais em Euro, é muita burrice né?!

Semana que vem tem mais Trago verdades ;)

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Expectativa X Realidade

O mês de setembro reserva muita coisa boa, pelo menos para mim. É o mês dos virginianos natos (opa! Isso é coisa boa para o mundo, na verdade hehehe). Virginianos são organizados, detalhistas. A casa de uma pessoa de virgem é mais limpa que UTI de hospitais. Ok, os pelos da Sofia e da Mia não ajudam muito, mas...

Nariz de cera feito, vamos entrar no assunto: expectativa X realidade. Mas deixe-me falar da minha vida, afinal sou a mulher dos exemplos. Além de setembro ser o meu mês de aniversário, é o mês do SETEMBRO AMARELO (e se você ainda não sabe o que é isso, clica aqui), muito importante para as pessoas que, assim como eu, lutam contra um câncer na alma: a depressão. Em setembro também será o mês que farei a retirada total do antidepressivo, após quatro anos de tratamento. E no mesmo dia que sai o remédio, entra a gestação. Sim, estarei grávida. Será o dia em que entregarei os documentos na Vara da Infância para dar entrada oficialmente no Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Sacou a tensão né?

A expectativa é que dia o dia 05 de setembro comece comigo olhando para a caixa de comprimidos e dando aquele “Adeus! Espero nunca mais te ver”. À tarde, a pessoa vai até a Vara e entrega todos os documentos, lindamente preenchidos, carimbados e assinados. Dia 16 completa mais uma estação neste mundo louco e a balança olha para mim e diz: Nossa! Como você está leve. =)

Mas a realidade pode ser cruel. Eu posso ser afetada pelo tal do inferno astral (ano passado eu não tive isso, mas em 2017 sim). A abstinência ao medicamento pode ser muito forte. E pode acontecer alguma coisa me impedindo dia 05 de participar da última reunião obrigatória no grupo de apoio à adoção, o que, consequentemente, adiaria por um mês a entrada no CNA.

Pode ser tudo catastrófico, mas também pode ser tudo lindo. E ainda que não saia tudo como queremos, a realidade pode ser muito boa também. Precisamos ter olhos de ver; isso significa ficar feliz por enxergar uma silhueta no escuro. A realidade nunca é uma bosta. Nossa expectativa é que sempre é muito alta.

Pense nisso! Eu vou pensar (para não surtar).


quinta-feira, 20 de junho de 2019

Portas fechadas

Hoje li que virgem é um dos signos no zodíaco mais complicados para se relacionar. Disputando a liderança estão também Aquário e Sagitário. Não posso falar pelos outros, mas como virginiana posso fazer aqui uma autodefesa: somos analíticos e dominadores. Isso quer dizer que nada passa despercebido pelo olhar (sempre) atento de virgem, além de querermos controlar tudo; mas claro, de uma forma sutil, mascarada mesmo (sem admitir o controle). Talvez por isso seja tão difícil entrar na casa de uma pessoa de virgem. 

Tudo na mais perfeita ordem, milimetricamente posicionado: assim é a casa de uma pessoa virginiana. Perceba que tudo que está exposto (na sala principalmente, por ser o local onde as visitas têm acesso) foi colocado ali propositadamente. Nada, absolutamente nada, será mostrado se ela não quiser. Até a louça suja na pia (pasmem!) é de propósito; e não por preguiça. 

Se você entrar na casa de uma virginiana é porque ela está te testando, quer te conhecer. Se você vai voltar...isso depende muito de como você vai agir dentro do recinto. O simples fato de não acarinhar suas cachorras (aqui pode valer gato, papagaio e até tartaruga) faz perder uns 20 pontos na escala de 100. Olhar atravessado ou fazer xiu para os animais é nota zero na certa. 

Não que a criatura de virgem queira que a visita beije suas crias se não gostar de animais. Ela quer a verdade nua e crua de cara. Virgem é um signo prático, tipo pá pum. Não curte joguinhos, nada de enrolação, nada de blocks, sacou?! Virgem não se expõe. Jamais! Sua vida é um sarcófago. Mas também não se esconde, afinal quem se esconde é porque tá no erro, devendo até a alma. E isso ela não admite a seu lado, dentro do seu mundo. Por isso, se ela deixar você entrar na casa e lhe disser Fique à vontade, ou Sinta-se em casa, acredite! Ela está lhe dando mesmo permissão para isso, inclusive, para abrir os armários e a geladeira sem pedir permissão, e isso não é apenas por educação. Vale dizer aqui que virgem não segue regras de boa educação. Isso significa que se estiver incomodando, não fará cerimônia; será direta ao lhe pedir para ir embora de sua casa.  

E o que dizer dos sinais? Virginianos são místicos, acreditam que se o gato não lhe rondar e pedir carinho é porque você não é boa pessoa e deve sair de sua casa. Claro que algumas vezes, eu, como ser humano que quer acreditar na humanidade, permito que seres estranhos voltem à minha casa mesmo com os latidos excessivos das minhas cachorras e a falta de interesse da gata pela minha visita. Porém, na mesma semana (quiçá no dia seguinte) a tal visita se revela como persona non grata. Animais têm sempre razão. 

Não abro minha casa para qualquer pessoa. Meu capacho mostra muito bem isso. Mas quando abro é porque estou a testar a visita. Virginianos não sei se são como sagitarianos ou aquarianos, mas que somos calculistas, lamentavelmente (ou não), isso somos. 

Saiba, então, que se você não voltar não é porque você não quis, mas porque eu preferi lhe dar um motivo para desistir da próxima visita. ;)


sábado, 18 de maio de 2019

Perrengues de viagem...o retorno

Lembram que fui para a Itália com uma amiga passar quase um mês, e quatro dias antes ainda não tinha hospedagem na cidade de Nápoles? Prometi contar os perrengues que passamos após as férias superbem organizadas (SQN). Vamos aos fatos!

Primeira coisa (a mais importante de todas): nunca, jamais, faça uma viagem low cost com mala grande, mesmo tendo rodinhas. Perrengue na certa para quem vai visitar várias cidades. Muito melhor levar mochilão ou uma mala menor, daquela que pode ir na cabine. Se no fim da viagem os presentinhos não couberem na mala, compre outra menor e despache uma delas.

Aproveitando o assunto... Não leve muitas roupas. Acredite! Não usará nem 50% do que levar. Uma roupa para dormir, um casaco poderoso, meias, calcinhas (ou cuecas), uma salvadora calça jeans, um short, uma meia-calça e algumas (poucas) regatas já compõem vários looks e ocupam pouco espaço. Mas a bonita aqui levou uma bota, um tênis, um chinelo, vários vestidos e saias longas para a primavera mais inverno que a Itália já teve, dois casacos, body, regatas, blusinhas, muitas meias, calcinhas e sutiãs, um pijama curto e outro longo, três livros bem grossos e até mesmo uma bolsa para “sair à noite”, que nunca saiu da bagagem. Resultado: uma mala mega pesada que eu tive que empurrar por muitos e muitos metros de um ponto a outro, subir escadas, descer escadas, perrengue, perrengue, perrengue.

Sério?! Pra que uma mala tão grande e tão cheia? Mais da metade das roupas voltaram intactas.

Não posso deixar de contar aqui que quase dormimos na rua em Milão, ou seja, assim que pisamos em solo Europeu. Isso porque a abertura do apartamento que alugamos era smart, mas nós não. =P A portaria seria aberta ao fazermos uma chamada gratuita para o telefone XYZ. O problema é que estávamos em outro país sem sinal nos nossos chips brasileiros para realizar a tal ligação. Resultado: dez horas da noite e duas mulheres catando (em outro idioma) italianos pela rua que pudessem nos ajudar. Duas loucas que somente um vovô parou para salvar àquela hora da noite. \o/

Depois de uma hora de desespero, conseguimos entrar no apartamento. 

Terceiro perrengue: assim que chegar compre um chip de celular para você (somente para você). Minha amiga e eu compramos apenas um chip no início da viagem para dividirmos e não deu muito certo. Inicialmente não vi necessidade de comprarmos dois, afinal era caro, estávamos sempre juntas e usávamos a internet mais para vermos o Google Maps. Só que numa determinada parte da viagem, eu queria ir para a esquerda, ela para a direita, então o melhor era cada uma ter sua própria internet para não ter cara feia e, principalmente, para não nos perdermos uma da outra, e muito menos pela cidade.

O quarto perrengue da viagem nem foi tão perrengue assim, mas entra na lista porque barriga vazia altera o humor, então podíamos ter matado uma a outra só por falta de pesquisa mesmo. O que quero dizer com isso é: sabe aquele restaurante maneiro que vários blogs de viagem indicam? Coloque-o na lista, mas antes de ir dê uma checada nas avaliações do lugar via Facebook e TripAdvisor mesmo. Infelizmente o que é super maneiro para alguns blogueiros, pode não agradar os viajantes não tão blogueirinhos assim. Nós duas colocamos no roteiro um restaurante de Veneza que estava como “Vale a caminhada” para uma blogueira de viagem. O problema é que depois de andarmos por aquele labirinto de Veneza por quase uma hora atrás do bendito restaurante, descobrimos que ele era, na verdade, uma lanchonete bem, mas bem chinfrim mesmo. Ou seja, andamos uma hora roxas de fome e no lugar de uma bela macarronada íamos comer um salgadinho em pé do lado de fora do boteco. Claro que não ficamos lá e entramos no primeiro restaurante aberto que encontramos (e foi muuuuuuuito melhor. Com uma vista incrível, um atendimento excelente e a comida...Ah! A comida).

Aquele errado que deu certo ;)

Dica de ouro: antes mesmo da viagem, entre nos sites oficiais das principais atrações turísticas que deseja visitar e faça a reserva online. Por quê? Para evitar filas quilométricas e, consequentemente, perder o dia visitando um lugar só. Ou mesmo para não descobrir na véspera do passeio que já não tem mais dia livre para visitar o tal monumento (imagina ir a Roma e não conseguir entrar no Coliseo?!). E também para não acabar fazendo a reserva no site (pagando com cartão de crédito) enquanto já tem milhões de euros na sua carteira, que ficarão empacados até a próxima viagem.

Olha o tamanho dessa fila. E era para uma basílica em Florença. Imagina a do Coliseo, em Roma.

A saber! Minha amiga e eu passamos por alguns perrengues, principalmente por sermos tão diferentes. Ela detesta caminhar, mas queria percorrer a Itália inteira, entrar em todos os museus, igrejas e ruas. Eu queria economizar, ou seja, fazer tudo a pé e pagando pouco nas hospedagens e restaurantes. Ela achava necessário comprar seguro viagem. Eu fui com o seguro saúde do SUS mesmo, rezando para minha mala não ser extraviada. Deu para sentir que ou uma iria tentar afogar a outra no Rio Arno durante um passeio de barquinho, ou voltaríamos em fileiras bem distantes no voo de retorno ao Brasil né? Para evitar nova tentativa de assassinato =P

"Mas por que foi viajar com uma pessoa tão diferente de você?", certamente está se perguntado. Porque amizades boas são assim: loucas, dissociativas, cheias de palavrões, mas repletas de afeto. Discordamos muito sim, mas, como bom casal (até porque dividimos as camas por onde nos hospedamos), fizemos as pazes logo, admitindo a culpa e pedindo um abraço. =)

Minha parceira de viagem =)

>> NAS PRÓXIMAS SEMANAS VOU DAR UMA DE BLOGUEIRINHA DE VIAGEM E PUBLICAR DICAS DE CADA CIDADE QUE VISITAMOS. MAS SERÃO DICAS REAIS, MOSTRANDO O LADO BOM E O RUIM DE CADA COISA, OS MACETES EM CADA LUGAR, OS TRANSPORTES, AS COMIDAS E COSITAS MÁS. FICA LIGADO!


Dica de ouro dos próximos posts que você não vai querer perder.




sexta-feira, 12 de abril de 2019

Perrengues de viagem



FÉRIAS À VISTA! Ainda nem viajamos, mas já sabemos como será nossa Eurotrip: perrengue atrás de perrengue.

Em algum momento da vida eu convidei uma amiga para se juntar a mim na viagem que estava planejando fazer para a Itália. Surpreendentemente ela topou e agora, um ano depois, estamos nós com um pé em solo europeu. Vai dar certo? Assim esperamos. Será perfeito? Claro que não e na volta eu conto detalhes. Por ora, se liga nos perrengues que já enfrentamos antes mesmo de sair do Brasil, para evitar as merdinhas que fizemos!

As passagens foram compradas no segundo semestre do ano passado para abril de 2019, mas até janeiro deste ano eu não tinha nem passaporte. Hospedagem? Ainda não concluímos. Isso significa que em Nápoles corremos o risco de dormir no banco da estação de trem.

Os euros começamos a comprar há dois meses. Ou seja, perdemos ótimas taxas de câmbio por falta de planejamento. Em nossa defesa digo que deixamos isso para depois, pois não podíamos comprar moedas sem saber quanto gastaríamos na viagem né? E para isso precisávamos fazer uma coisa muito importante: O ROTEIRO. /o\

Ele está pronto? Também não. Como iremos a diferentes regiões da Itália, dividimos o roteiro para que cada uma ficasse responsável pelas atrações turísticas, deslocamentos e estimativas de preços em cada cidade. Mesmo assim ainda não concluímos a região da Campania (e viajaremos em quatro dias. GZUIS!). 

Perceba que com toda essa bela organização que você está observando, nossas amigas em comum ficaram tensas com as nossas férias. "Como assim vocês ainda não reservaram hotel?". Calma! Vamos reservar, eu respondia. Mas uma coisa eu digo para você que lê este blog: tempo até dá, só que quanto antes reservar, melhor, porque tudo fica mais caro com a proximidade da data. Ou ainda pior: os bons quartos se esgotam e aqueles muquifos que sobram custam o triplo daquele lindo que se esgotou. =S Além disso, uma coisa está atrelada a outra, quer ver?

  1. Sem as passagens não tem como fazer o roteiro: precisa saber qual dia chegará e por quantos dias ficará em cada cidade.
  2. Sem o roteiro não tem como reservar hotel: com a programação turística em mãos fica mais fácil saber o melhor local para se hospedar, sem, necessariamente, gastar muito.  
  3. Sem as reservas confirmadas, não tem como saber quanto vai precisar levar dinheiro em espécie: algumas hospedagens são pagas no cartão ao fazer a reserva, outras cobram metade no cartão para a reserva, e a metade no check-in (e, claro, que pagando no hotel você fará isso em moeda local, para evitar IOF e variação cambial na fatura do cartão de crédito). 

Viu como uma coisa puxa a outra? =D

Outro detalhe importante que precisa ser visto com certa antecedência: seguro viagem. Vale a pena? É obrigatório? Analisei o meu caso e não senti necessidade. Como vou para a Itália e o Brasil tem acordo com o país, optei pelo seguro saúde do SUS que é gratuito. No entanto, surgiu a dúvida: será que a Suíça (onde faremos conexão) também o aceita? NINGUÉM em território brasileiro soube responder com segurança. E foi somente no início do mês que tive um "clique" e recorri ao consulado suíço no Brasil para descobrir se corria ou não o risco de ser barrada na imigração. 

Ah! E quem tem animais em casa (euzinha) ainda precisa se preocupar onde eles ficarão durante as férias. Minha mãe dessa vez mandou um sonoro NÃO. Daí olhei a lista de amigas do coração e convidei uma delas para ficar aqui em casa com o namorado cuidando das minhas filhotas. Mas se ela não topasse...lá ia eu caçar uma hospedagem e desembolsar uns milhares de reais para hospedar duas cachorras e uma gata por três semanas. E claro que eu ficaria tensa durante os 20 dias no país da bota.

Bom, é isso! Essa Eurotrip vai ser, no mínimo, uma experiência jamais esquecida. Podia ter sido melhor organizada, mas se não fosse assim, não seria eu. =)

Até a volta, pessoal! ;)




segunda-feira, 8 de abril de 2019

Mi casa és su casa. Ou não

Quando somos crianças sonhamos em ter a nossa casinha. Quando nos tornamos adolescentes planejamos dividir um apê com nossos amigos e amigas. É assim com todo mundo. Lembro bem que eu e minhas amigas dizíamos que quando fizéssemos 18 anos íamos dividir apartamento. Doce ilusão. Com 18 mal tínhamos dinheiro para um combo no McDonald's. Mas sonhar ainda não custa nada, então sigam sonhando!

A questão é que tudo isso mudou quando me vi adulta, lá perto dos 30, quando a casa dos pais estava ficando pequena demais para mim. Queria sair de lá, mas queria morar sozinha. Dividir meu espaço já não fazia mais parte dos meus sonhos. Eu queria uma casa para chamar de Minha, e não de Nossa. Só que com o salário que eu ganhava, mal daria para alugar um quartinho. É aí que entram as amigas. No meu caso, a vida se mexeu e me colocou para morar numa república com mais duas meninas totalmente desconhecidas em outro Estado. Foram apenas cinco meses - o suficiente para eu ter a certeza que realmente esse lance de dividir o mesmo teto não é para mim. Por quê? Porque eu curto ter as minhas regras, os meus horários. A minha bagunça não me incomoda, mas a bagunça do outro (que pode ser igualzinha a minha) incomoda bastante.

Só que anos depois, de volta à terra natal e já morando sozinha há 4 anos (sim, o salário aumentou, me permitindo pagar um aluguel), senti que era hora (e seria possível) dividir o teto (e as paredes, a pia e o sofá) com uma amiga do pole dance. Não que essa casa atual seja grande; não que rachar as contas seja primordial para mim. Mas ela queria (e sentia que precisava dar esse passo), eu tenho um carinho enorme por essa pessoa, um (micro)quarto livre, nos damos muito bem...por que não? Seria ótimo chegar em casa e ter alguém com quem dividir o pole. =)

Só que a Terra realmente é redonda e o mundo dá voltas, sim, muitas voltas. A mudança dela já estava praticamente definida, pronta para chegar, quando a mudança de Governo mudou também nossos planos. Eu já não sabia mais se continuaria morando nessa casa. Tudo estava incerto em minha vida profissional e, consequentemente, na financeira e pessoal. Com isso, achamos melhor adiar nossos planos de homemate. E eu...bom, eu acabei percebendo que nasci mesmo para morar sozinha. Dividir o espaço pode ser legal, principalmente no início. Mas, no fundo, é como um casamento, só que sem sexo. E, vamos combinar... um casamento só dura anos por causa do (bom) sexo. 

Esse texto remete a um antigo publicado aqui (clica aqui para ler de novo): existem prós e contras em morar sozinho e morar com algum amigo. Eu só vejo prós em dividir esta casa com a Pat, tanto que sempre digo a ela (to dizendo aqui de novo, hein Pat) que a porta está sempre aberta para quando quiser se refugiar por umas horas ou uns dias. Mas confesso: combinar de dividir apartamento com alguém é combinar de fazer planos juntos. Imagina se hoje você e um amigo estão lá rachando um aluguel e todas as contas quando, de repente, surge uma proposta de emprego em outra cidade? Ou seu colega decide que chegou a hora de casar? Ou arruma um namorado não muito querido pelo seu homemate? Tudo muda. Menos o total da conta no início do mês, que do nada, terá que ser paga só por uma pessoa. É uma mudança nada fácil de ser feita. É uma decisão quase tão importante quanto a de se casar. Então a dica é: segura a onda! Morar com um amigo...ah! Pode ser maravilhoso, uma experiência incrível. Mas nem tudo serão flores aaaaaand as circunstâncias da vida podem fazer você deixá-lo (com todos os boletos) na mão. Nem sempre a vida de quem divide apê é um episódio de Friends.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Mulheres são sempre culpadas



Após um período de vazio criativo recesso, o blog volta abordando uma questão um tanto conflituosa: mulheres são sempre culpadas, vadias, putas (na concepção das próprias mulheres).

Em menos de uma semana, três episódios colocam em xeque a decência da mulher. No primeiro, acusam um ser humano de ser péssima mãe por levar seu filho, ainda bebê, a uma partida de futebol que acabou (neste caso, começou) em conflito com a polícia. O pai da criança (provavelmente, o homem que estava segurando uma bolsa infantil ao lado da mãe) não foi citado pelos críticos (mulheres) de plantão.

No segundo caso, uma mulher é espancada durante horas em seu próprio apartamento por um crush e as pessoas, apesar de não isentarem o maldito por seu ato, culpam a “cinquentona” por ter tentado se relacionar com um “garotão” e ainda aberto as portas de sua casa no primeiro encontro.

Para fechar com chave de “o que eu to fazendo nesse mundo”, Marina Ruy Barbosa vira alvo de críticas de fãs (nem sei se isso é fã mesmo) e até de amigas por um boato de ser o pivô de uma separação. Ainda que ela seja mesmo a tal amante da história (nada provado até o momento), ninguém apontou o dedo para o homem adúltero.

Os três casos chocam por terem mulheres apontadas como culpadas, mas principalmente por elas serem julgadas por outras (pasmem!) MULHERES. Mas o caso que quero comentar aqui é o segundo, da mulher espancada durante quatro horas dentro do próprio apartamento. Conversando com uma pessoa próxima a mim sobre isso fiquei surpresa por ela (que já foi vítima de violência doméstica) culpar a paisagista agredida. “Ele não podia ter feito isso, mas ela também foi muito errada em levar pra casa um homem que nunca tinha visto pessoalmente”, ela me disse. Oi?! O animal a espancou sem motivo algum. Faria isso no primeiro encontro ou no décimo. Ele faria isso na casa dela ou num motel. Na verdade, se tivesse sido num motel, ela estaria morta, porque não teria recebido socorro a tempo, e ele teria fugido de carro, pela porta da frente. Talvez até fosse identificado pela polícia, mas prestaria depoimento e, por não ter sido preso em flagrante, sairia da delegacia lindamente, para responder em liberdade.

O fato do casal ser adulto e estar flertando há algum tempo deixava claro para ambos que rolaria sexo no primeiro encontro, certo? Certo. E isso não é um problema. Se não na casa dela, na casa dele, num motel, no banco da praça (não importa o local), ele a teria espancado na primeira oportunidade. Então, não. A mulher não errou em levar o cara para dentro de casa. Talvez ali tenha sido sim o local mais seguro (até então) para esse primeiro encontro físico deles: um terreno bem conhecido por ela, cercado por vizinhos e seguranças do edifício.

Trago este assunto aqui porque eu mesma já levei vários crushes para meu apê. Sim, aqui me sinto mais segura. É um terreno que eu conheço perfeitamente e imagino que num caso horrendo como esse da paisagista, os vizinhos me salvariam. Claro que tomo precauções, como avisar a amigas quem vou encontrar, aonde vamos, mostrar foto da criatura, nome e sobrenome, placa de carro se houver, hora que estou saindo...Mas nada disso adianta se o cara quiser me espancar ou mesmo me matar. Ele vai fazer na primeira oportunidade e o máximo que vai acontecer é ele ser preso. E vamos combinar que entre adultos o sexo é mais que natural em qualquer etapa da paquera né?! Quem é a ingênua que ainda acredita que é preciso esperar 30 dias para ter uma noite de prazer, ou o décimo encontro para dar umazinha porque, assim, será respeitada, ganhar título de namorada e, talvez, até de esposa? E quantas de nós, mulheres, ainda querem esses títulos?

Somos independentes. Estudamos, trabalhamos. Pagamos nossas contas. Sustentamos nossas vidas (muitas vezes sozinhas). Podemos fazer o que der na telha. Não precisamos mais de homem nem para abrir pote de azeitonas, nem para ter filhos. Podemos transar com quem e quantos quisermos. Podemos dormir com um e acordar com outro se essa for a nossa vontade. E nem por isso devemos receber o selo de putas, vadias, merecedoras de passadas de mãos e tapas na cara. Não devemos ser criticadas desta forma por ninguém, muito menos por outras mulheres. Culpado é o homem que abusa da sua força física. Culpado é o homem que abusa da histórica cultura de poder sobre todas as coisas. Culpado é o homem que espanca. Culpado é o homem que não sabe ouvir um Não, que não sabe ser preterido. Culpado é o homem que ao ver uma mulher com minissaia na rua não consegue agir diferente de um cão quando sente o cheiro do cio.

Sim, já levei homens para minha casa e confesso: nunca tive medo de ser agredida nestas situações. Mas agora, vendo isso, o rosto dela deformado após ser brutalmente violentada por quatro horas...agora eu estou começando a repensar até a vocação (que nunca tive) para ser beata. Ela só passou por isso porque deu crédito a um ser humano. Eu nunca passei por isso, mas podia ter passado, porque também já acreditei no ser humano. Mas hoje, hoje prefiro minhas cachorras.
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* Texto inspirado após leitura da coluna de Mariliz Pereira, na Folha de São Paulo

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Casa com cão ou casa com gato


Já faz um tempo que prometi a uma leitora escrever sobre os prós e contras de ter um cão e de ter um gato. Então aqui vamos nós!

Antes de mais nada, saiba que ter um animal (seja cachorro, gato, passarinho ou peixe) requer dedicação e tempo. Então, se você passa mais tempo na rua que em casa, está sempre viajando e não dispensa um fim de semana batendo perna, melhor deixar o bichinho na loja ou no abrigo mesmo. Mas, se você tiver grana (sim, animais são caros: ração, vacinas, medicamentos, consultas, castração) e tempo para se dedicar a ele, pode continuar lendo esse texto.

O CÃO - NESTE CASO, A NINA

Late: Sim, isso é uma desvantagem quando se mora em apartamento ou vila, porque nem todo vizinho entende. Tem cachorro que late até quando o interfone toca. Pai celeste! Eu nunca consigo ouvir quem está me chamando na portaria.

Festinha: se tem coisa melhor do que chegar em casa e ser recepcionado como se tivesse passado 10 anos longe, ainda não me contaram. É simplesmente maravilhoso ser recebido na porta por um serzinho que pula, balança o rabo, lambe, roda, late (tudo ao mesmo tempo) só para te dizer “Que bom que você voltou”.

Carência: cães (geralmente) são animais carentes. Por eles, daríamos atenção e carinho 24 horas. Mas, precisamos trabalhar e estudar. Por isso, não queira um se passa a maior parte do seu dia na rua. Ou acabará tendo um animal deprimido.

Passeios diários: isso tanto é positivo, quanto negativo. Passear com o cachorro é uma delícia. Estudos já provaram que pessoas introvertidas que têm cães têm mais chance de criar relações, exatamente porque nos passeios sempre tem aquela pessoa que te para, nem que seja só para fazer um cafuné no totó. Por outro lado, a obrigação de levar o animal na rua é um saco. Tem sempre aquele dia que tudo que queremos é não sair da cama. Mas o totó está lá, abanando o rabo com a coleira na boca.

Brincadeiras: cachorros adoram brincar. Cabo de guerra, bolinha e pique-pega são as favoritas deles. E isso é muito legal para quem mora sozinho.

Banho: semanalmente ou quinzenalmente o animal precisa (e merece) um banho completo, daquele com xampu, condicionador, limpeza de ouvidos e, em alguns casos, corte de unhas. E sim, fazer isso em casa dá trabalho. No pet shop custa, em média, 40 reais o banho e 70 reais a tosa (portes pequeno e médio).

Custo: Costumam comer até chinelo, então dá para ter uma noção que qualquer tipo de comida tá valendo. Uma ração de qualidade mediana sai a 20 reais o quilo. | Ainda que mantidos em segurança em casa, os cães precisam de remédio contra pulgas e carrapatos mensalmente por terem contato com a rua e, em algumas regiões do país, precisam tomar medicamento para evitar o chamado "verme do coração" (doença transmitida por um mosquito). | A cada três ou quatro meses é preciso vermifugar e, anualmente, vacinar contra as principais doenças. | Para alguns cães a tosa é mais do que um luxo, sendo necessária a cada dois meses para manter a pelagem em bom estado. | Castração nem preciso dizer que é obrigação, e não opção né? ;) 

MATANDO A CURIOSIDADE:
Gasto cerca de 600 dinheiros por mês com minhas duas cachorras (ração, antiparasitas e remédios controlados). A cada três meses uma delas precisa fazer exames para controlar a síndrome de cushing, então lá se vão cerca de 600 dinheiros entre exame, consulta e transporte.


O GATO - NESTE CASO, A MIA

Mia: eu acho miado de gato uma fofura, mas se ele varar a madrugada em alto volume, aí enche o saquinho.

Independência 1: coisa mais prática do mundo é gato. Ele mesmo se banha, já nasce sabendo usar a caixinha de areia, enterra os próprios dejetos. Coisa marlinda! =)

Independência 2: os felinos, frequentemente, são descritos como animais frívolos ou interesseiros, quando, na verdade, são apenas muito independentes. Deixe água fresca, comida no potinho e caixa de areia limpa e ele não vai se importar se você passar uma noite fora (bem diferente do amigo cão). Mas tem humano que gosta de afagos, e gatos não são muito grudentos.

Caixa de areia: até encontrar a areia ou o granulado ideal para o seu estilo de vida é um verdadeiro sofrimento, com o cafofo parecendo até casa de beira de praia.

Pelos: pai amado! Se tem coisa pior do que pelos nas roupas é pelo na cozinha, no sofá, na cama, NA VI-DA. Mas ao mesmo tempo que é chato, pelo de gato é uma coisa tão macia e cheirosa naturalmente...uma eterna relação de amor e ódio.

Janelas teladas: eu amo me debruçar na janela para sentir o cheirinho de natureza e respirar o ar gostoso das noites. Com gato, não dá para fazer isso em sua totalidade, pois janelas e varandas devem ser teladas, tanto para evitar fugas, quanto acidentes (imagina o bichano avistando um passarinho e, sem perceber o risco, pular da janela).

Ronrons: aquele sonzinho que fazem, quase como um motorzinho ligado, quando estão relaxados e amorosos... É um calmante natural para nós humanos (cientificamente comprovado).

Brincadeiras: sim, felinos gostam de brincar e de interagir com seus humanos. Claro que ele não vai correr atrás de uma bolinha e trazer de volta, mas as “brincadeiras de gato” são bem divertidas também. Um bom passatempo.

Presentinhos: lagartixas, baratas, passarinhos. São apenas algumas coisinhas que ele pode deixar na sua cama ou perto dos seus chinelos como “presentes”. Por incrível que pareça, deixar esses bichos para você significa que ele te ama, são presentes. A parte boa disso é que gatos são caçadores natos e esses bichos entregues estão mortos. Isso significa que ter um gatinho é sinônimo de “barata em casa nunca mais” (ou quase nunca).

Custo: felinos precisam ser testados para FIV e FELV (doenças graves) e estes testes são carinhos, mas extremamente necessários. | Apesar de serem criteriosos quando o assunto é comida, os gatos comem pouco (cerva de 1,5kg a 2kg de ração seca por mês) | Se mantidos em segurança em casa, raramente terão problemas de saúde, sendo necessário apenas vacinar e vermifugar no período correto. | Castração nem preciso dizer que é obrigação, e não opção né? ;)

MATANDO A CURIOSIDADE:
Gasto cerca de 100 dinheiros por mês com minha gatinha (ração e granulados higiênicos). 

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Como podem ver, eu tenho gata e cachorra aqui no Cafofo Chic e elas se dão muito bem, obrigada. Por isso, posso dizer com propriedade esses prós e contras de cada animal. Agora você precisa avaliar a sua realidade, o seu estilo de vida, a sua renda e até mesmo a sua personalidade para se decidir por um ou outro bicho.

Para quem chegou nesta Casa só agora, selecionei alguns textos sobre animais que já foram publicados aqui no blog. Dá um confere nos links abaixo! Boa leitura (e boa escolha)! 



terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Demorou, mas acabou


Não que 2018 tenha se arrastado, mas foi um ano tão chato, mas tão chato que parece ter levado 2018 meses para acabar. Tivemos bons momentos? Sim, tivemos. Mas eita aninho difícil. Muita gente não teve Natal em família; muita gente perdeu a família. Tiveram até namoros desmanchados por causa de política. Levanta a mão aí quem passou por isso. o/

Mas também tivemos coisas boas. A nível nacional não consigo me lembrar, mas deixa eu citar a nível pessoal mesmo: 

1- Ganhei uma filha. Minha pretinha Sofia, toda linda, entrou em minha vida no final de fevereiro após uma amiga me marcar em um post de ONG no Facebook. 

2- Fiz minha primeira inversão sem as mãos no Pole Sport. Tks, tia Suellen. 😉

3- Minha filhota Nina se curou do câncer que descobrimos no início desse ano tenso. Melhor ainda: descobrimos que ainda existe amor no ser humano. Recebemos doações em $$$ de amigos e anônimos através de um site de crowdfunding para a cirurgia dela. =D

4- Comecei a ver minha viagem para a Europa tomar forma quando dei o primeiro passo: comprar as passagens.

5- Percebi que sou sim, muito capaz de organizar uma mudança para outro país sozinha. Tks, God!

6- Descobri amigos onde antes só via colegas. Tks, dificuldades na empresa.😉

7- Comecei a ser voluntária em um projeto social com moradores de rua.

8- Tive vários clientes de pet sitter. Tks, doguinhos e cats. <3

Uma breve retrospectiva nos faz olhar com mais atenção e carinho para coisas, até então, simples, sem grandes significados. Mas, principalmente, nos faz perceber o que queremos para este ano e como podemos fazer para as coisas acontecerem. 

Não é porque 2019 já começou que está tarde. Hoje é só o primeiro dia desse ano. Tem mais 300 e poucos pela frente. Coloque num papel (é bom para visualizar melhor) as maiores realizações do ano que passou. Depois, em outra coluna, escreva quais foram os momentos mais difíceis e o que aprendeu com eles. Para fechar, pense nas coisas pelo que é mais grata. Pontue cada uma e sorria! Pois existem coisas maravilhosas acontecendo em nossas vidas o tempo todo. Basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir. 

A partir daí fica mais fácil perceber o que se quer para este ano. O que era para 2018 que ficou para 2019? Vale a pena continuar tentando? Seja realista e crie suas metas! Estabeleça ações para alcançá-las. Agora pendure este papel no espelho ou na geladeira. Por quê? Porque o ser humano precisa ver todos os dias o que quer e o que tem de fazer para chegar lá. Isso ajuda a não perder o foco. E como falei: temos mais de 300 dias pela frente, então vista sua melhor roupa e vá viver linda, plena, todos os dias, ainda que o céu esteja nublado. O meu dia sou eu quem faço. E o seu, quem é?