terça-feira, 27 de novembro de 2018

Quando o medo toma conta

A ideia de mudança sempre surge repentinamente em minha vida. Foi assim quando resolvi sair do apê que morava no bairro onde cresci, para outra região da cidade, mais perto do trabalho. Um apê bem menor, mais caro, longe da família e da minha zona de conforto. Mesmo com todos esses contras decidi que era hora de mudar. E deu certo. Tudo melhorou. 

Mas agora a mudança seria não de bairro, mas de país, de emprego, de vida. Um fim de semana inteiro pensando, criando cenários, fazendo contas, conversando com fulano, com beltrano, fazendo mais contas, criando mais cenários de situações que sim, podem acontecer. Um fim de semana inteiro voltada para tomar a decisão mais importante da minha vida: aceitar a oferta de demissão da empresa e sair do país, ou ficar e esperar as coisas (boas ou ruins) acontecerem? Tomei minha decisão. Vou partir. Europa, aí vou eu! 

Mas pera! Segunda-feira no fim da tarde tudo muda. O plano A começa a perder a forma por novos cenários que surgem. Abrir mão de um emprego "estável" já é bem difícil; abrir mão de um emprego "estável" para mudar de país não é como mudar de bairro. E a pressa da empresa em nos enxotar antes do ano terminar faz com que muitos desistam de ir embora. Eu, inclusive. Resolvi ficar e lutar. 

Só que eu não mudei de ideia pela luta somente; mudei pelas minhas filhas (de quatro patas sim, mas ainda minhas filhas). Quantas pessoas abririam mão de uma ótima oportunidade pelos filhos humanos? Eu abro pelas minhas cachorras. 

Tomar uma decisão tão importante, tendo o medo como propulsor, não seria correto comigo, com minha família e com minhas filhotas. Levá-las para outro país me custaria mais de R$ 5 mil. Adicione a isso o estresse delas e o meu, e o desejo de viver em um país mais seguro perde o encanto. 

Enquanto isso parece sem nexo para muitos, para mim é natural. Eu escolhi adotá-las. Eu escolhi ter duas cachorras e uma gata. Eu escolhi cuidar delas. Não posso jogar essa responsabilidade para outra pessoa. Mia e Sofia precisam muito de mim. Nina sempre será acolhida por qualquer pessoa da família (é a princesinha de todos). As outras não. Então, eu só parto para qualquer lugar do mundo quando elas puderem ir comigo no mesmo dia, no mesmo avião. Grudadinhas em mim. Porque ser mãe é isso: é abrir mão de um futuro que tem tudo para ser perfeito, mas o presente já é lindo o bastante para eu escolher ficar. Será com medo do que virá, com medo de perder o celular em mais um assalto; com medo de perder a vida numa esquina; com medo de entrar num Uber e ter outro destino. Mesmo assim eu escolho ficar. Porque o Medo, ah! Esse não pode ser o responsável pelas minhas escolhas (e nem pelas suas). 


4 comentários:

  1. primeira leitura do dia - e que sorte a minha.

    por mais pessoas como vc no mundo ♥

    boa sorte, quaisquer que sejam os planos

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    1. Muito feliz de ver este comentário aqui.

      Por mais pessoas como nós.

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  2. Por pessoas como você, vale a pena viver

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    1. Ooooown! Obrigada. Mas não fiz nada além da minha obrigação. Quando resolvi adota-lás sabia que era para sempre e, com isso, teria que abrir mão de algumas coisas. Não podemos fazer planos de vida excluindo nossos pimpolhos ne? =)

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