quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Para deixar o mundo cheio de alegria



Setembro não é apenas o mês do meu aniversário, o mês dos virginianos mais originais deste planeta. Setembro é o mês reservado para a VALORIZAÇÃO DA VIDA. #SetembroAmarelo

A primeira vez que tive depressão eu era uma criança de 12 ou 13 anos. Não fui diagnosticada por um médico, afinal era tabu naquela época (mais do que é hoje) e meus pais nem perceberam que não era frescura de aborrecente. Já adulta, há três anos, eu tive outra crise, muito mais séria, pois eu morava sozinha em um apartamento alto e sem tela. Minha casa estava um caos, minha vida estava pelo avesso e eu...bom, eu não tinha forças nem para recolher a roupa do chão, imagina para pedir ajuda. Mas eu pedi. 

Já fazia terapia e, então, fui encaminhada para um psiquiatra. Os remédios me deram a serenidade para acordar, levantar e viver um dia de cada vez (coisa quase impossível sem a medicação). A terapia me deu as respostas de muitas questões. Os amigos...ah! Esses me deram óculos cor de rosa para enxergar o mundo. Tive apoio de muita gente, mas também encontrei pessoas, inclusive da família, que não entendiam porque eu ("tão bem sucedida", elas diziam) estava mal, deprimida.

Não importa o motivo; importa que eu estava na merda e isso deixava a sacada do meu apartamento muito convidativa. Eu me inclinava na balaustrada à noite para olhar melhor o céu. Eu não queria morrer. Eu só queria que a dor acabasse. E é essa a questão: suicidas amam a vida. Eles não querem se matar, querem apenas acabar com a dor; dor esta que é psicológica sim, mas machuca no corpo; dá para sentir. 

Por que eu não pulei? Quando eu tinha 13 anos eu não pulei porque meu irmão caçula tinha apenas 1 ano de vida e não se lembraria de mim, do meu amor por ele, se eu partisse tão cedo. Há três anos eu não pulei porque eu sei que a vida não acaba com o corpo se espatifando no chão; porque o espiritismo me dizia: aguenta só mais um pouco!

Hoje ainda sou medicada (seguindo o protocolo médico, para evitar recaídas, de só retirar a medicação aos poucos dois anos após o início da melhora da paciente), e apesar de algumas perdas recentes, me sinto bem, forte, me sinto curada. O mais estranho é que eu me sinto tão bem, tão feliz que dá até medo (como se não fôssemos merecedores da felicidade). 

Hoje, escrevendo esse texto, me dei conta que quando surtei no trabalho meus colegas acharam muito estranho, minhas amigas de infância reagiram como se aquilo fosse novidade no mundo. Coincidência ou não, depois disso tantas e tantas pessoas do meu círculo começaram a revelar transtornos psiquiátricos, como depressão e síndrome do pânico. Somente hoje são quatro pessoas muito próximas a mim que estão diagnosticadas, que resolveram procurar ajuda médica, que resolveram falar sobre essa doença para o mundo.

Então, se você mora sozinho e está com depressão me veja como um exemplo. Sim, meus problemas são diferentes dos seus, talvez menores, talvez maiores, mas são meus e são grandes para mim. Mesmo assim eu consegui vencê-los. Apenas saiba que sozinho você não vai conseguir. Precisa pedir ajuda, mas quando eu falo "pedir" é pedir mesmo, com todas as letras porque muita gente só vai entender assim. Não quer se expor? Ok. Liga para o 188 (centro de valorização da vida). Funciona 24 horas e você nem precisa se identificar. As pessoas do outro lado da linha não vão te julgar; apenas te ouvir com atenção e carinho. Ligue quantas vezes precisar, mas ligue! Uma vez uma colega que tinha depressão suicidal disse a seguinte frase: 

"O suicídio é uma solução permanente para um problema que é temporário". 

Ela tem razão. Aguenta firme! A dor vai passar. Você só precisa deixar as pessoas se aproximarem para te ajudar. 

ONDE PEDIR AJUDA:
  • Centro de Valorização da Vida (CVV): 188 (ligação gratuita para todo o Brasil) ou clique aqui



Um comentário:

  1. So quero te dizer duas coisa filha: !º que vc é muito amada e 2º que eu sempre estarei aqui para te ouvir e te ajudar, lembre sempre disso. amo vc

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