sexta-feira, 27 de julho de 2018

Eu cresci e não houve outro jeito

Cinco meses. Esse foi o tempo que morei em outro Estado. Longe de casa, longe de tudo, cinco meses pareceram cinco décadas. Como cresci! E como cresci mais ainda quatro anos após meu retorno à cidade natal. 

"Espera só mais um pouco". Era o que eu ouvia e o que dizia quando a vontade de sair da casa dos pais era enorme para mim. "Falta pouco para o nosso apartamento". No entanto, o tão famoso "sim" de uma relação duradoura e feliz não veio. Parou na porta da igreja, deu meia volta e se perdeu no horizonte de um mundo novo. Só que eu também queria um mundo novo. Então, saí de casa, não para casar como tinha sido planejado, mas para viver, para crescer. E vivi. E cresci. 

Há quatro anos vi minha vida dar um duplo carpado e cair de cabeça no chão duro quando você se foi. Há quatro anos me vi morando numa cidade estranha com gente esquisita (mentira! só quis brincar com a música da Legião Urbana, que você me ensinou a gostar tanto). Há quatro anos me vi morando numa cidade diferente, dividindo apartamento com pessoas até então desconhecidas, longe da minha família, das minhas cachorras, dos meus amigos, do meu mundo. Só que esse momento de perturbação acabou e mesmo quando voltei à cidade natal, tendo toda minha vida de volta, só conseguia pensar no que eu não tinha: meu namorado que me deixou "na porta da igreja". 

Foi quando eu percebi que eu podia não ter o "pacote completo", como disse Lorelai Gilmore, mas eu tinha minha vida de volta: minha cama tão confortável, um apê inteiro só para mim, minhas cachorrinhas tão fofas, meus amigos por perto, meus sobrinhos logo ali, minha rua, meu restaurante favorito, minhas lembranças a cada esquina. Eu não tinha o "pacote completo", mas já estava dando tudo certo, pois eu estava em casa como tanto queria. Foi nesse momento, olhando para a praia num dia nublado, que eu cresci, mas foi somente hoje (quatro anos depois) que eu amadureci. 

Hoje sou eu quem poderia dizer "te amo, mas eu não consigo". Pela primeira vez eu entendi essa frase. E me perdoe se naquela época eu gritei e chorei como uma criança. É que eu era mesmo. Eu queria porque sim, mas hoje...Ah! hoje eu entendo que mesmo amando muito tudo que tivemos juntos, mesmo vendo um casal de velhinhos na rua e só conseguindo imaginar nós dois, mesmo querendo viver (com você) tudo aquilo que planejamos juntos, eu não consigo pelo simples fato de me sentir completa demais para dividir a minha vida com quem não tira mais meus pés do chão; eu não consigo por ter me transformado no que você sempre quis: uma pessoa independente, decidida, forte (e por você ter se transformado em tudo que eu nunca quis). Eu sou tudo o que eu sou porque você me amou. Eu cresci no amor que você me deu, e por isso eu serei eternamente grata. Obrigada.


2 comentários:

  1. Respostas
    1. Foi quase uma psicografia. Era pra ser outro texto, mas quando eu terminei, percebi que havia me perdido da ideia inicial. Estava escrevendo com a minha alma, sem pensar nas palavras. Então, levei 2 semanas refletindo se publicaria ou não. Mas como nada é por acaso...

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