terça-feira, 26 de junho de 2018

Problemas de gente grande

Conversa em mesa de bar é uma das coisas mais produtivas da vida. Poderia dizer até que substitui uma sessão de psicoterapia - mas aí minha psicóloga me expulsaria da sala na próxima consulta. 

Pois bem! Não faz muito tempo que eu e umas amigas nos reunimos numa mesa dessas da vida e começamos a filosofar. Não. Peraí! Isso foi depois de tomarmos um litro de Frozen com tequila. Sentamos à mesa e uma dessas amigas começou a falar sobre PROBLEMAS DE GENTE GRANDE. 

"Estamos pensando em nos casar, mas ainda sem data planejada, porque precisamos juntar uma grana né?! Até por isso que desisti de me mudar para a sua casa..." A amiga em questão tem mais de 30 anos, quer muito ter seu próprio canto, sair da casa dos pais, porém o custo de vida na "cidade maravillhosa", a realidade daqui, não permite isso a qualquer assalariado. Nesse momento, a casa dos pais é um ótimo refúgio.

"Não ganho mal, mas ganho bem menos do que eu precisaria para me sustentar sozinha, sem a ajuda dos meus pais", ela disse. "Trabalhar para pagar contas, é a isso que se resume a vida", escutei de um homem na rua que falava sozinho (ou com alguém pelo fone do celular). "Não tenho mais de onde cortar. Só se eu for viver de luz". "Minha casa está de pernas pro ar e eu não tenho tempo para limpar". "Não sabia que crescer era tão chato". 

Frases reais ditas em momentos normais da vida. Acho engraçado quando ouço algum adolescente dizer que não vê a hora de fazer 18 anos ou que quando tiver sua casa vai...Meu querido, deixa a titia te falar uma coisa: quando você fizer 18 anos nada vai mudar, a não ser a obrigatoriedade de votar. Quando você tiver sua casa as coisas vão piorar porque não terá papai e mamãe para prepararem o café, o almoço, para lavarem suas roupas e, principalmente, deixar sob sua responsabilidade apenas a conta do seu próprio celular. Ter sua própria casa não significa festa todo fim de semana por dois motivos:
  1. Sai caro, ainda quando racha com os "amigos". A maior parte das despesas sobra para o anfitrião.
  2. A imundice pós-festa cansa, desestimula até o mais preguiço dos seres humanos.

Crescer significa trocar a obrigação de ir para a escola pela de ir ao trabalho. Com a diferença que na segunda, se você não for ou chegar atrasado, será descontado no salário.

Crescer significa organizar a própria lista de mercado e pesquisar preços, marcas, usar a calculadora em tempo real. Ou você está achando que vai poder colocar tudo que deseja no carrinho sem as consequências da caixa registradora?

Crescer significa tomar decisões importantes (casar ou comprar uma bicicleta?) que alteram o rumo da vida. Imagina se quem compra um imóvel financiado em 30 anos, ou se quem aluga um apê resolver mudar de ideia depois de assinar os papéis? Existem contratos a serem cumpridos, vidas envolvidas em cada passo que damos. Isso é crescer. 

Você pode querer muito morar sozinho ou juntar dois amigos para racharem um aluguel. Show! Mas conseguem? Quais são suas prioridades? Se quer conquistar o mundo, melhor sossegar mais um pouco na casa dos pais, aguentar o ronco do irmão para juntar uma grana para sua viagem. Se com o salário atual já passa aperto morando com seus pais, o que você acha que vai acontecer quando for morar sozinho? As contas chegam pontualmente, os credores ligam quase que diariamente em forma de atendente de telemarketing, seu celular vai parar de fazer ligações, seu whatsapp vai bloquear até que a fatura seja paga. Isso é vida real. Isso é crescer. Esses são os problemas de gente grande.



segunda-feira, 18 de junho de 2018

Redecorando minha casa (e minha alma)

Imagem: Pinterest
O amor não sobreviveu a força do tempo. Foi eterno enquanto durou, chegou ao fim. Agora é hora de recomeçar. Redecorar minha nova casa, meu novo quarto, minha alma.

Alguns quadros eu já tenho, outros vou comprar. Também pretendo trocar o capacho com aquela imagem da sua série preferida. Talvez escolha um rosa choque escrito "bem-vinda, nova vida" (se não existir eu encomendo!).

Também pretendo comprar umas flores de plástico. Sim! Porque eu sempre gostei, e você não. E colocar novas fotos pela sala.

Tudo será muito simples e discreto (com exceção do rosa choque, que não quero abrir mão), porque preciso economizar agora que minhas despesas vão ser maiores, vão ser apenas minhas. A ideia é que a nova organização transmita um pouco mais de quem eu sou. Estava tão apagada nos últimos tempos...

Quero flores de lótus para simbolizar meu renascimento, imagens de gatinhos (porque acho tão fofo), meu velho quadro do bondinho - meio de transporte tão agradável... Quero rosa, lilás, azul e até verde para me trazer esperança nesse novo ciclo. Um amigo também sugeriu acrescentar mais um número na porta do apartamento. Segundo ele, o atual traz azar. Vimos em um site que a soma deles propicia o afastamento entre os moradores. Será que foi isso? Não acredito tanto assim em numerologia.

Meu amor, te falo com todo o meu coração: me perdoa se escrevo como se fosse fácil. Saiba que não é. Tenho me arrastado por dentro, mas sei que é preciso. Vou fazer algo duro, mas necessário. Tiro sua vitrola agora, e coloco de volta a minha vida.

Texto escrito por Carolina Pessôa, autora do blog Falando da Vida

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Lasanha sem massa. Oi?!

Cansada de miojo, ovo frito, ovo cozido, ovo mexido e mais variações? Eu também estava, por isso resolvi investir numa assinatura de culinária. Semanalmente recebo um cardápio para preparar refeições para os próximos sete dias. Tudo com poucos ingredientes e prático, afinal se não fosse assim não serviria para esta Casa né?!

E como sou muito boazinha, resolvi compartilhar com meus leitores algumas receitas já testadas e aprovadas, claro. A primeira da série Faça Sozinho e Faça Gostoso é uma lasanha à base de berinjela. Nem adianta fazer essa cara feia como minha sobrinha fez, porque mesmo quem não curte berinjela acha a comida deliciosa. Vou colocar aqui a receita original, que recebi da assinatura. Mas aviso que fiz substituições (e vou assinalar cada uma) porque não como carne bovina e não tinha alguns ingredientes em casa (o que prova que mesmo assim dá para fazer pratos saborosos). Vamos lá!

INGREDIENTES:

  • 2 berinjelas grandes (usei apenas uma)
  • 500 gramas de carne moída (usei duas latas de atum em pedaços)
  • 150g de requeijão tipo ricota light (usei requeijão cremoso mesmo)
  • 1 cebola (usei meia)
  • 2 dentes de alho (compro alho picado pronto, então usei uma colher de chá)
  • 100 ml de molho de tomate orgânico (como não usei carne moída, dispensei esse item)
  • 100 gramas de requeijão light (usei cream cheese)
  • 1 colher (sopa) de salsinha e cebolinha (ignorei isso também)
  • Azeite de oliva
  • 1 pitada de sal
  • 1 pitada de pimenta do reino
  • 70 gramas de queijo parmesão ralado grosso (pode ser o de saquinho)


Bora cozinhar?!
PASSO 1: Primeiro de tudo, pré-aqueça o forno a 180°C. Corte a cebola em cubos pequenos. Pique ou esmague o alho. Lave e corte a berinjela em fatias finas. Lave e pique a cebolinha e a salsinha.

PASSO 2: Em uma panela aqueça um fio de azeite e refogue a cebola e o alho. Quando a cebola estiver dourada, acrescente a carne moída. Tempere com uma pitada de sal e pimenta do reino. Deixe cozinhar por cerca de 4 minutos. Adicione o molho de tomate, o requeijão e meio copo de água. Misture bem e deixe cozinhar por mais 2 minutos. Tempere com salsinha e cebolinha e reserve.

PASSO 3: Em uma travessa untada com óleo, disponha metade da berinjela, uma ao lado da outra. Por cima, coloque metade do molho preparado há pouco e cubra com metade do queijo tipo ricota light. Repita esse processo na próxima camada e finalize polvilhando o queijo parmesão.

Leve ao forno para gratinar por cerca de 12 minutos (ou até dourar). Prontinho! Pode comer! =D

Viu?! Já dá para inovar no jantar de hoje. XXX

PS: todos os itens que eu substituí foram colocados na mesma ordem de preparo da receita original. 

Ah! Como eu só usei duas berinjelas, a receita rendeu duas porções. Mas a receita original rende quatro porções.


domingo, 10 de junho de 2018

Boate para quê?


A última semana foi bem difícil para mim e se me perguntar o motivo não saberei dizer. Somente foi muito difícil acordar, levantar e viver. Cheguei atrasada no trabalho quase todos os dias; faltei duas vezes, fiquei prostrada no meu cafofo todo fechado (por causa do frio) vendo filmes e comendo. Acho que engordei uns 5kg. 

O remédio da cabeça está em dia, o da enxaqueca também, mesmo assim a deprê bateu e bateu forte. Foram duas garrafas de vinho sozinha, pois nem amigos eu queria por perto, até que...

Minha mãe, sentindo que tinha alguma coisa muito estranha, resolveu aparecer aqui em casa no último fim de semana com minha sobrinha de 11 anos. Não fizemos nada além de papear, rir e cozinhar (por falar nisso, como elas vieram de surpresa, a comida foi montada na hora. Uma lasanha de berinjela que quarta-feira você poderá conferir aqui o passo-a-passo para essas horas de "não descongelei nada"). Como eu ia dizendo, foi uma visita de sopetão para se certificar que coração de mãe não erra e a filha realmente precisava de ajuda. Uma visita simples, mas que levantou meu astral. As poucas horas que passaram aqui em casa me deram novo ânimo, me ajudaram a ajudar.

Mais tarde, uma amiga (que tentou falar comigo durante a semana toda) me contou que não estava bem: problemas no relacionamento amoroso. Assim como minha mãe fez, apareci na casa dela de última hora. Percorri 19 km à noite com uma garrafa de vinho na sacola (não sou alcoólica, mas precisava levar alguma coisa, já que era a primeira vez que visitaria sua casa) e cheguei chegando. Entre desabafos, conselhos e goles, outra amiga apareceu, tiramos selfies e rimos, rimos alto. Mas tão alto que várias pessoas que moram no mesmo terreno dessa amiga apareceram para saber o que estava acontecendo, o motivo de tanta alegria. 

Ela precisava de mim, eu precisava dela. Nos reerguermos sem gastar dinheiro, sem litros de cachaça ou RedBull, sem som alto e homens chatos e bêbados perturbando nossa noite. Porque quem gosta de boate é adolescente. Adulto gosta mesmo é de uma boa conversa entre amigos no sofá de casa. E isso sim faz milagres. ;)