sábado, 7 de abril de 2018

Um ano de casa nova


E lá se foram quatro anos morando sozinha, mas apenas 12 meses de verdade. Isso porque quando decidi que era o momento de sair da casa dos meus pais, me mudei para um apê que meu pai alugava e, naquela época, para a minha sorte, tinha acabado de ficar vago. 

Essa minha primeira aventura fora de casa durou apenas 20 dias, pois logo depois me mudei para a capital federal a trabalho, onde passei cinco meses vivendo em sistema de república. Uma experiência tão incrível, quanto difícil, e que todo mundo deveria passar uma vez na vida. De volta ao Rio (e a esse apê de papai) eu tive uma certa mordomia: no início ele me liberou do aluguel, em contrapartida eu precisava manter em dia IPTU, condomínio, luz e todas as outras contas da casa. Além disso, minha nova casa era no mesmo bairro onde cresci. Conhecia cada pedaço daquelas ruas, além de estar perto da minha mãe e ser socorrida por ela sempre que eu gritasse: MANHÊÊÊ.

Somente três ano depois eu decidi me mudar para mais perto do trabalho e aí passei a ter vida de gente grande de verdade: aluguel de verdade. Vizinhos de verdade. Medos de verdade. 

Não que antes, no apê de papai, as contas fossem de mentira. Não era isso. Mas o aluguel simbólico que comecei a pagar três meses antes de pensar em me mudar para o novo apê, a certeza de que não haveria reajuste nesse valor que eu não pudesse negociar sempre a meu favor, e os vizinhos que me viram crescer...todas essas coisas me deixavam mais tranquila. Era como se eu fosse "café com leite" no jogo de morar sozinha. Agora não. Agora tudo é bem real. Eu sou inquilina de verdade, tendo que negociar pagamentos e reajustes. Sou vizinha de verdade, inclusive que já teve problemas com outros moradores do prédio. Enfim, sou adulta. 

Não queria crescer. Mas cresci. As marcas de expressão em meu rosto comprovam isso, assim como a responsabilidade de só comprar o que posso pagar, de organizar minha agenda semanal para não me atolar em tarefas e preguiças, de cuidar de três pimpolhas e ainda me esforçar (muito) para cumprir minha carga horária na empresa. Sou gente grande, mas com a preguiça de um adolescente, por que não?! 

Dessa vez eu agendo minhas consultas médicas (minha mãe fazia isso até pouco tempo para mim), eu que controlo a agenda veterinária da Nina, para saber quando preciso comprar mais remédios e repetir os exames (ela tem cushing). Eu que tenho que garantir roupa limpa e dispensa cheia porque a casa é minha. E se eu não fizer nada disso...nada disso acontece. Simples assim. Morar sozinha de verdade é não poder usar a frase "Quem cozinha não lava a louça", porque sou eu comigo mesma.

O que mudou nesses quatro anos morando sozinha?
  • A cabeça mudou. Se antes o meu mundo era o meu quarto. Agora é a minha casa toda. 
  • O salário aumentou, mas porque o trabalho aumentou. E as responsabilidades também.
  • Minha filhota se foi. E eu cresci, como jamais me imaginei, no último mês de vida dela. Doenças, dificuldades de toda ordem nos fazem amadurecer.
  • A noção de espaço mudou. Se antes não me via morando em um apê com menos de três quartos, hoje não me vejo morando em um apê com mais de dois. Quanto mais cômodos, mais trabalho na limpeza e na organização. E mais caro a diarista. Pense nisso!
  • Se antes meu sonho de consumo era ter um carro, hoje não me vejo com um na garagem preocupada com seguro, IPVA, preço do combustível etc. etc. etc. Tks, Uber, Cabify e 99.
  • E se antes meu maior medo era não ter mais uma certa pessoa; hoje eu sou feliz com tudo que tenho. Meu quebra-cabeça está completo, porque eu cresci. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário