sábado, 31 de março de 2018

Um belo dia resolvi mudar...


Eu tinha planos de fazer uma euro trip, ainda que sozinha, em meados de 2017. Já estava guardando uma graninha mês a mês para essa viagem, até que...Quero mudar! E não era mudar a cor do cabelo ou de emprego; era mudar de casa. Mas mudar de casa implicava em usar a minha poupancinha da viagem para o caução, que substitui o fiador no contrato de aluguel.

Foi basicamente da noite para o dia – talvez o inverso – que eu resolvi mudar. Algumas visitas frustradas a imóveis até que encontrei o meu cantinho. Não é o dos sonhos (e nunca será), mas foi o que me encantou e coube no meu orçamento.


Após assinar o contrato de aluguel, passei quase um mês inteiro organizando a tralha, que também podemos chamar de mudança. Encaixota daqui, organiza dali, isso vai para o lixo, aquilo pode doar, esse aqui...opa! Uma caixa de madeira cheia de fotos e cartinhas de uma época que, literalmente, estava guardada na caixinha.

Era 31 de março, uma data já simbólica naquela época. Comecei a tirar as coisas de um armário para encaixotar até que (como nos filmes de Hollywood) a tampa da tal caixa de madeira cai. Presa nela, uma foto batizada de “cara de pai, cara de mãe”. Trêmula, sento no chão e começo a admirar aquela imagem. Vasculho a caixa e outras fotos aparecem. Num papel solto, o trecho de uma música; no verso um recado: Quando acordar me ligue. Te amo, amorinha!

Em prantos, desabafei com minhas polefriends. Ah o Pole Dance! Sempre nos salvando. Tudo que ouvi delas (e da forma como me falaram) me deu força. Mas não foi uma força qualquer. Naquele momento segui seus conselhos e me transformei na bruxa mais poderosa que já existiu. Fiz uma fogueira lá mesmo na varanda de casa. Já era noite quando acendi uma vela e, papel por papel, foto por foto, deixei o fogo consumir as minhas lembranças. Foi um alívio. Tirei da minha alma uma tonelada de culpa, saudosismo, uma tonelada de esperança. Quase no fim da fogueira, uma chuva começou a cair. Que coisa mágica! Mas caiu tão forte que chegou a me molhar dentro da varanda, lavando a minha alma para entrar na casa nova sem resquício do passado. A chuva durou o tempo exato da chama se apagar, transformando em cinzas tudo que já não fazia mais parte da minha vida.

Um belo dia eu resolvi mudar: de casa, de bairro, de estilo, de vida. E, diferentemente da música, agora não falta você, porque um belo dia eu resolvi mudar. 


2 comentários:

  1. Sensacional! Precisamos muitas vezes apagar de vez coisas que não fazem mais parte de nossas vidas para continuarmos a caminhada. Felicidades minha querida.

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