segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A casa está mais vazia. O coração não

Após duas semanas de sumiço...Calma! Tudo tem uma explicação e o texto de hoje vai mostrar isso (também).

Quando vi, há três anos, que o casamento não ia mais acontecer, decidi sair assim mesmo da casa da minha mãe, mesmo tendo tudo lá: casa, comida e roupa lavada (literalmente). Mas morar sozinha pode ser um tédio, ainda mais para quem estava acostumada a ter sempre a casa cheia. Não para mim, que tinha Layla e Nina, as filhotas de quatro patinhas, para levar junto com a mudança.

Layla estava comigo desde os meus 15 anos de idade. Chegou cotoca. Era uma bola de pelo (e pulgas) de cinco meses de vida, pronta para viver os próximos 18 anos ao meu lado. Apesar de já ter engravidado, nunca tive filhos, não de duas pernas. No entanto, desde que Layla surgiu na minha vida, ainda adolescente, me senti responsável por ela, como uma mãe é por um bebê. Passeios, idas ao veterinário e ao petshop, banho e...caquinhas...eram por minha conta. Minha mãe só deu banho na Layla uma vez na vida. Foi tudo por minha conta. Claro que no início as despesas médicas eram pagas por quem pudesse me ajudar (mãe, tias) já que eu não trabalhava e fui uma adolescente sem mesada. Porém, conforme fui crescendo e trabalhando, até essa responsabilidade ficou comigo. 

O que quero dizer com isso? Que sair da casa dos pais para morar sozinha quando se tem animais traz um certo conforto. Nunca me senti sozinha. Claro que meus vizinhos me acham retardada por conversar "sozinha". Sim, eu falo com minhas cachorras e minha gata. Falo o dia inteiro com elas, na verdade. E isso preenche cada cantinho desse cafofo.

Só que bichinhos são tão caros quanto filhos. Layla, no auge dos seus 18 aninhos, ficou doente. Descobri um câncer de mama. Na sequência, demência e perda da mobilidade, o que a deixou totalmente dependente de mim. Como eu precisava trabalhar (até mesmo para ter $$ para pagar consultas, exames e remédios), tive que encontrar uma pet sitter (babá de doguinho) para cuidar dela de segunda a sexta. Por sorte minha vizinha (e amiga) topou o trabalho. Infelizmente, menos de um mês depois Laylinha se foi. Resolveu que era hora de deixar esse mundo e se mandou praticamente dormindo no último dia 10. Mas até esse dia, foram noites em claro (literalmente também), choros, corridas ao médico, mais choros e muita, muita grana para amenizar qualquer dor ou desconforto da minha filhota.

Por tudo isso, acho que você conseguiu perceber porque desapareci desta Casa por algumas semanas. Espero ainda que tudo que foi dito acima consiga te mostrar que ter um bichinho de estimação (independente de qual seja) requer doação: de tempo, de amor, de dinheiro. Não pense que um gato ou um pássaro, por ser mais independente, não vai precisar dessas coisas. Vejo pessoas alugando um apê para morarem sozinhas e logo adotam um gatinho porque: é fofinho, não faz barulho (os vizinhos não vão reclamar), não pede muita atenção, é mais independente que um cão. Doce ilusão! Isso é o que VOCÊ quer que ele seja. O gato também é um ser vivo, um animal que vai desejar muito mais que água, comida, areia limpa e uns afagos vez ou outra. Ele vai querer brincar com seu tutor algumas horas por dia. Vai querer "conversar" contigo em alguns momentos. Vai querer dormir aconchegado ao seu peito. E sim, vai adoecer como qualquer ser vivo. Então, não pense que a única despesa médica será com vacina anti-rábica anual. Se você acredita que um animal é apenas um animal, more sozinho. Totalmente sozinho. 

Layla se doou a mim por 18 anos. Por quase duas décadas ela me proporcionou momentos maravilhosos, me permitiu ser mãe. Cancelei viagem de férias mais de uma vez por não ter com quem deixá-la; passei dias sem dormir por mais de trinta minutos seguidos desde que ela ficou doente. Contraí uma dívida enorme para cuidar dela, para não deixá-la sofrer. E eu não me arrependo de nada, nem por um minuto. Agora? Agora voltarei a fazer planos para minha EuroTrip, voltarei para as aulas de Pole Sport, mas certa de que tudo pode mudar novamente porque ainda tenho Nina e Mia comigo, pedindo muito mais que comida e água. Elas querem minha atenção. E por elas...por essas pimpolhas eu faço tudo. 

Layla: 13/06/1999 -- 10/10/2017 #RIP










6 comentários:

  1. Linda mensagem :)
    Animais deixa nossa casa cheia do melhor, eles se doam por nós e nós por eles.
    <3

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  2. Sei que é muito triste quando perdemos um filho nosso de quatro patas, um anjo peludo que nos dá muito carinho. Tenha certeza de que ela virou uma estrelinha no céu. Está curada. Beijos querida.

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  3. Que linda cumplicidade, amiga! Layla e vc estarão ligadas pela eternidade. Amor é laço imortal! Beijos e abraços carinhosos!

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  4. Que linda cumplicidade, amiga! Layla e vc estarão ligadas pela eternidade. Amor é laço imortal! Beijos e abraços carinhosos!

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  5. Emocionada..lindo sentimento..muita admiração por vc meu amor ❤��

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