sábado, 26 de agosto de 2017

Quatro anos longe do ninho

Em julho completou quatro anos que estou morando sozinha e, sem perceber, um filme passou pela minha cabeça agora com tudo que aconteceu desde que resolvi abandonar o ninho e voar. Entrei em um apartamento praticamente vazio, num verão de 50 graus do Rio de Janeiro, portando somente um ventilador pequeno para mim e mais duas peludas. Vinte dias depois, fui de mala e cuia para Brasília, onde passei 15 dias dormindo num colchão na sala de uma menina que nunca tinha visto na vida, mas que gentilmente me abrigou até eu conseguir o meu cantinho: uma república onde moravam mais duas garotas (cada uma com seu estilo de vida). 

Brasília durou "apenas" cinco meses, quando eu consegui retornar para o apê que tinha deixado para trás por conta do trabalho. De volta para a minha terra, tudo começou a se encaixar: os móveis, os projetos, minha vida. Hoje, em um novo apê longe do bairro onde nasci e cresci, com mais uma bichinha compondo a casa (antes eram duas cachorras, agora temos também uma gata) percebo que cresci. Agora sim eu cresci. Virei gente grande. 

Tenho um aluguel para honrar e todas aquelas contas que teimam em chegar mensalmente são pagas unicamente por mim. Se não cozinho, não como. E algumas vezes eu opto por não comer mesmo (pura preguiça). A louça passa dias na pia. Mas foda-se! A casa é minha. Agora o perrengue que mais tenho sofrido é com minha pimpolha Layla (a filha de 4 patas que tem 18 aninhos). Descobrimos um câncer de mama. Até aí ok. Mastectomia pode ser a solução. Mas...a bichinha está com 18 anos, o que significa mais de 100 anos em idade humana, o que significa caduquice, manias e dificuldade para andar. Chego em casa e a encontro caída. Layla perdeu o equilíbrio e não conseguiu se levantar. Resultado: horas depois na mesma posição = dor e...urina (bléééé). ><

Lenço umedecido, papinha tipo de neném (na boca), sono interrompido várias vezes porque mãe (de humano e de cachorro) tem uma audição de dar inveja, e agora fraldinha (para evitar que a pequena fique toda mijada quando não conseguir se levantar novamente). Essas coisas agora fazem parte da minha nada mole vida morando sozinha.

Dou conta dessa vida longe do ninho sozinha? Claro que não. Ninguém dá. Inclusive, há um tempo comentei aqui no blog que tinha surtado por me achar incompetente, já que minhas amigas (divorciadas) conseguiam dar conta de filhas, casa, trabalho, atividades físicas e ainda tinham vida social. E eu não dava conta de uma casa com duas cachorras. Como assim né?! Só que eu descobri que nem tudo que parece é. Elas, como qualquer ser humano, contam com ajuda (de pai, mãe, irmã etc.). Eu hoje conto com ajuda de quem estiver disponível a me ajudar. Estou aberta a ajudas. hahahaha

A verdade é que o fato de ter saído da casa dos pais não me faz autossuficiente. Mais forte sim, mais independente também. Mas Mulher Maravilha não. Então, eu preciso muitas vezes que minha vizinha Cris apareça aqui em casa para ver se minhas filhotas (Laylinha em especial) estão bem. Recorro ao santo Cadu para idas ao veterinário, petshop ou mesmo rachar o frete da comida congelada que compramos para as noites de preguiça. Saí da casa da minha mãe, mas quero ela aqui o tempo todo: me ajudando, me apoiando, me fazendo rir. "Mas então por que não volta pra casa dela?", vocês me perguntam. Simples: não tem mais espaço lá. Perdi meu quarto para os sobrinhos (hahahaha). E, a parte mais verdadeira da piada, é que depois que a gente cria asas voltar para o ninho não é uma opção. Nos tornamos livres e percebemos que o mundo é grande demais para não o explorarmos. Perrengues? Passo por vários todos os dias. É difícil? Pra caraaaaaaaaaalho. Até uma simples barata que aparece do nada se torna um evento aqui em casa. O prédio inteiro deve participar da minha narração: Pega ela, Mia! Deixa de ser lerda, gata! Mata ela, Mia! =D

Mas, apesar de todos os perrengues, de estar passando por uma barra com a Layla (cheia de limitações por conta da velhice), vendo o salário acabar antes do mês, querendo comer aquela comidinha delícia e...OPA! Cadê o creme de leite que estava aqui? Ou, PUTZ! Esqueci de descongelar o frango; apesar disso e mais um pouco, amo morar sozinha. Foi a melhor escolha que fiz porque aqui são as minhas regras, a minha decoração, o meu espaço, a minha vida. Entra quem eu quero, na hora que quero, pelo tempo que eu quero. 

Tem coisa melhor do que esse poder de decisão? =P


Um comentário:

  1. Depois que se acostuma a ser dona da própria vida, voltar para casa dos pais, nunca. Triste é saber que um dos nossos anjos peludos está doente, velho e nada podemos fazer para que continuem ao nosso lado e não virem mais uma estrelinha a iluminar nosso céu. Deixemos nas mãos de Deus a vida deles e que Ele faça o melhor por cada um dos nossos anjinhos peludos. Força querida e Beijos no coração.

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