segunda-feira, 13 de março de 2017

Pet em apartamento: pense bem!

"Você gasta muito tempo com elas". Foi essa a frase que ouvi ao desabafar para uma amiga o quanto estava cansada com minha rotina. Cansada do tempo gasto no trânsito todos os dias, cansada de sair cedo e chegar tarde. Cansada de chegar e não ter tempo para mim, porque entro em casa já colocando comida, trocando a água, dando remédio, limpando o pipi pet. Cansada de, muitas vezes, não poder dormir fora por não ter combinado antes com minha mãe para ela vir aqui em casa colocar comida para as pequenas. Tenho duas cachorras e uma gata. "Você não se arrepende de ter pego elas?" - foi o que ouvi ontem também.

Ter um bichinho é maravilhoso, mas dá muito trabalho. Não estou apenas cansada. Estou mentalmente exausta. Não somente por causa delas, mas claro que isso também conta (e muito). Enquanto gato é bem independente (você deixa água fresca, um punhado de ração e areia limpa e ele se vira bem o dia inteiro), cachorro é exatamente o contrário. Para quem tem mais de um como eu é ainda pior, pois não posso deixar a comida à disposição porque uma delas vai ficar com fome (fato!). Sempre tem aquela mais gulosa. Sem falar na carência afetiva. O cão sente muito a falta do tutor. Ele quer atenção, carinho, ele quer brincar, passear. Então, se você for uma pessoa que viaja com frequência ou curte virar noites fora de casa, um cachorro não é a melhor opção. 

Pássaro é quase a mesma coisa. Você até pode deixar o potinho cheio de alpiste. Mas não pense em passar mais de uma noite fora. Aquilo que você vai encontrar no pote não é comida; é farelo e passarinho não come farelo. Peixe, ok. Super de boa. Existem até comidas que duram semanas. Já para hamster e afins vale a mesma regra do passarinho. 

Agora deixando de lado o quesito afeto, tem a parte da grana. Se você acha que o animal só precisa ir ao veterinário quando passar mal ou para ser vacinado contra a raiva, nem compre. Muito menos adote. E só para deixar bem claro: pássaros e roedores também precisam de cuidados médicos. Sim, eles também ficam doentes. 

Pois é. Ter um animal pode custar mais do que ter um filho. Não é fácil, dá trabalho e sim, sai caro. A Nina, por exemplo, tem síndrome de cushing; uma doença que eu só tinha ouvido falar no seriado Dr. House. Descobri isso porque ela não parava de engordar mesmo eu colocando a fofinha na dieta pesada. Resolvi procurar uma endocrinologista veterinária. Ao descobrir a doença, uma facada no meu peito: a ração que ela precisa comer custa quase o valor do meu rim se eu fosse vendê-lo. Fora os exames que precisam ser feitos a cada dois ou três meses. A Layla, minha outra cachorrinha, vira e mexe tem úlcera na córnea, precisa fazer exames de sangue com certa regularidade e sente dores na coluna. Tudo isso não leva só o meu dinheiro. Leva meu tempo também, afinal atestado veterinário não vale para o RH. Sendo assim, ou eu assumo uma falta no trabalho, ou pego um dia de folga que esteja acumulada. Folga para descansar, viajar? Isso não me pertence mais. 

Agora você deve pensar: "Ah! vou adotar um gato que é mais prático" Beleza! Mas não esquece de telar o apartamento todo. Não que o bichano vá fugir. É que ele pode avistar um passarinho pela janela e, sem calcular o risco, pular numa tentativa de caça. E lá se vai o bichano, que não tem sete vidas e pode morrer na queda. Colocar tela nas janelas e varanda, além de tirar a liberdade, leva algumas notas de reais. 

Então é isso! Tem tempo para dedicar ao bicho, independente se é ave, roedor, cão ou gato? Consegue entender que ele vai envelhecer (exceto roedores, os demais podem passar dos 15 anos de vida com facilidade)? Tem grana para gastar com cuidados médicos? Adote! Respondeu "Não" a pelo menos uma pergunta dessas? Passe longe de uma pet ou feira de adoção! Assim como filho, ter animal também é sua responsabilidade e também é para sempre. 

Se eu me arrependo? Nem por um minuto.




                                                                      Dá o play! ;)

Um comentário:

  1. Amei todo o texto que escreveu sobre comprar ou adotar um pet. É exatamente isso, temos que ter tempo e grana, pois para nós que amamos os nossos peludinhos, eles não são pets e sim filhas, netas, netos, filhos, etc... Fazem parte da nossa família e os amamos igualmente. Ficamos cansadas da mesma forma que ficamos quando se tem filhos humanos. Nos restringimos a certas coisas da mesma forma que fizemos com os filhos humanos. Nós mesmos, quando decidimos que teríamos nossos dois filhos, sabíamos do que abdicaríamos. Saídas noturnas, por um bom tempo nem pensar. Programas para adultos somente, nem pensar também, e etc. A 23 anos atrás nós fizemos uma viagem de férias de um mês de carro, para Campos do Jordão com as crianças que na época tinham 4 e 3 anos respectivamente. Fizemos diversos passeios durante o dia para que eles pudessem participar, durante a noite jamais. De lá fomos a Poços de Caldas, Pouso Alegre e fizemos o circuito das águas, em todos esses lugares passeios noturnos ou para adultos não fizemos. Curtimos muito os passeios, porém não aproveitamos as noites maravilhosas nestes lugares. Pois bem, em Janeiro passado, compramos um pacote para Campos do Jordão do dia 05/03 até o dia 12/03, regressamos neste domingo. Repetimos alguns passeios que fizemos com as crianças no passado, mas desta vez fomos conhecer lugares que com eles foi impossível, como por exemplo visitar museus, Palácio do Governo e saídas noturnas para assistirmos no Cine Club um filme sobre Elis Regina, conhecer a cidade de Capivari, Abernese, Itapeva, etc. Comer fondue e degustar um excelente vinho. Então eu diria que com nossos filhos peludos devemos agir da mesma forma. Se puder levá-los ótimo, mas com a certeza de que teremos restrições. E termos consciência de que eles nunca nos atrapalham porque um dia quem sabe poderemos fazer novamente os mesmos passeios mais livres e aproveitar de outras maneiras. Beijos querida.

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