segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Casa cheia (de amor)


Era uma quinta-feira normal, de folga do trabalho, que aproveitei para levar Nina e Layla para cortarem o cabelo. Seria uma quinta-feira mais normal, na verdade, se eu não tivesse voltado para casa com uma gata. Não. Layla e Nina realmente estavam gatinhas com seus lacinhos novos e de cabelos escovados, mas me refiro a outra gata, aquele felino que se acha dono do espaço e só recebe carinho quando quer. 

Lá estava ela, deitada bem no meio da petshop quando entrei com minhas duas filhas de quatro patas. Sonho (como era chamada) logo veio brincar comigo e com as cachorras. Me encantei. Um gato que brinca com cachorro!
- Posso levar?
- Se você garantir que vai cuidar bem dela...
- Juro juradinho.

E lá volto eu para casa com duas cachorras e uma gata no carro. "Minha família vai surtar quando souber" - só conseguia pensar nisso e no quanto aquela gatinha ia mudar a minha vida. Tive que telar o apartamento todo em poucos dias para garantir o prometido ao ex-tutor dela (e isso levou uma graninha que não esperava sair da minha poupança tão cedo). Minha varanda, antes sinônimo de liberdade, ficou cercada pela rede de proteção, impedindo a mim de me debruçar sobre a balaustrada sentindo a brisa da noite e contemplando as estrelas. O quarto de arte foi todo reorganizado para receber uma caixa de areia e potes de comida e de água sem que ela derrubasse nada pelo caminho (lembrando que nesse quarto ficavam à mostra cavalete, tintas, pinceis, caixotes etc.). Ah! Agora tem um rato rosa que perambula pela minha sala fazendo um barulho estranho e minha linda poltrona de retalhos... espero que ela sobreviva até o Natal. Porque mesmo eu comprando dois arranhadores, a bonita quer afiar suas garras no meu colchão e na poltrona que é o meu xodó, presente de mamãe.

Tapete na sala? Nunca mais, eu sei. Casa sem poeira? Até consigo, mas sem pelos já não garanto. E não importa quantas vezes eu limpe, basta ela respirar para soltar um tufo. Os armários estão trancados porque a belezinha consegue abrir cada porta para tirar roupas das gavetas silenciosamente na madrugada. Tive que recorrer às chaves.

E após o susto, a família até que aceitou bem a Mia. Não critiquem o nome. Era esse ou Treze (em homenagem à médica do seriado House e para brincar com o "número da sorte", claro).  

Ainda estou me acostumando à vida de gateira. Ela não curte carinho a qualquer momento, como minhas cachorras. Ela reclama se eu fizer movimentos bruscos para brincar (morde e arranha como forma de protesto), não me obedece. Na verdade, ela caga para o que eu digo; me olha com aquela cara de rainha da Inglaterra e segue andando. Mas acho que com mais algumas semanas vamos nos adaptando uma a outra, e ela às cachorras, e assim a vida será mais harmônica. 

Então é isso! Minha roupa ficará cheia de pelos e minha carteira certamente mais vazia, mas minha casa ficará ainda mais alegre porque bichinho, seja ele qual for, contagia o ambiente com boas vibrações. <3

E podem enviar dicas, qualquer dica mesmo, sobre cuidados com gato, porque nessa área eu sou mãe de primeira viagem. 









2 comentários:

  1. Amei o texto! Tenho certeza de que Mia está muito mais feliz e mais mimada agora! Em breve iremos visitá-la. Beijinhos, Raquel (ex-dona da ex-Sonho).

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    1. Ela virou a rainha da casa. Se acha a própria dona da minha cama, e ainda tenta (só tenta) entrar no armário da cozinha. =) Muito gostosa. Obrigada pela confiança. Espero a visita de vocês logo.

      beijocas e lambeijos

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