segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Independência nível Hard

Quando eu era criança, fazia planos com minhas amiguinhas de morarmos juntas aos 18 anos de idade. E claro que isso incluía um belo apartamento lindamente decorado e casa limpa sem esforço, ou seja, empregada diária. Os anos se passaram, os 30 chegaram e não foi difícil constatar que realmente criança vive no Fantástico Mundo de Bobby (clica aqui só para você, com menos de 30, entender a piada), com uma imaginação pra lá de criativa (e sem noção do quanto custa ter uma empregada).

Já ciente da diária de uma faxineira, meu sonho de criança caiu para "empregada mensal". Limpeza pesada uma vez por mês está de bom tamanho, certo? Claro que não, mas é o que a minha realidade (e a da maioria de nós brasileiros) pode fazer. O problema é que estava começando a me incomodar desembolsar três dígitos para a diarista e continuar sentindo poeira no chão, vendo o espelho embaçado e camada de pó na prateleira das bebidas (talvez, por ela ser cristã fervorosa, deva achar que tocar numa garrafa de cachaça - para tirar a poeira - seja pecado). As janelas, essas ficam tão limpas, mas tão limpas que, às vezes, duvido que tenha vidro ali. Já o resto do apê... 

Essa foi a quarta diarista que tive em pouco mais de dois anos vivendo aqui. A primeira falava tanto, mas taaaanto, que eu me sentia obrigada a sair de casa para ela focar no trabalho. Mas passar o sábado inteiro na rua porque sua empregada não fecha a matraca é tenso. A segunda, logo de cara, quebrou minha moldura de Friends (OMG!!!!) e nem tchun; não disse nada. Pelo contrário, colocou no mesmo lugar como se eu não fosse perceber o treco quebrado. Ainda teve uma segunda chance, mas eu não curti a limpeza, e também já estava com bronca dela. Antes da primeira vez aqui em casa, essa mulher tinha furado comigo duas vezes. Eu tinha que ter percebido os sinais que os astros estavam me enviando. Já as outras duas foram a mesma coisa: começaram maravilhosamente bem, deixando o apê limpinho, cheirosinho, bem arrumado. No entanto... foram deixando a desejar nas semanas seguintes. =(

O problema, certamente está em mim. Sou virginiana, daquele tipo de pessoa que percebe poeira até no interruptor de luz. Sou chata mesmo com limpeza e arrumação (porra! meu guarda-roupa é arrumado em degradê), então quando eu pago por um serviço espero que ele seja feito melhor ou igual ao que eu faria. Como está cada vez mais difícil encontrar profissionais como antigamente, resolvi aderir ao estilo europeu: limpar a própria casa. Uma vez, uma amiga brasileira que mora na Europa me contou que lá é bem difícil as famílias terem empregadas domésticas. Cada um faz a sua tarefa de limpar, lavar, arrumar. Realmente, depois dessa conversa com ela percebi que brasileiro tem mesmo o hábito de delegar até tarefas domésticas simples, como aspirar o chão e lavar roupas. Será que o fato de uma parcela da população daqui ter tido mucamas contribuiu para esse nosso "dom" de delegar afazeres domésticos? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas o fato é que agora, decididamente, não pago mais para que minha casa fique limpa. Economia no bolso e satisfação garantida. Vou perder algumas horas limpando, organizando, lavando e estendendo roupa? Vou. Mas crescer é isso: brincar de casinha full time, mesmo quando a brincadeira do momento é caçar Pokemon no parque.

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