sábado, 10 de setembro de 2016

Geração Rivotril | Setembro Amarelo

Ano passado, eu resolvi publicar um texto que deu o que falar; foi o Geração Rivotril. Abri a boca, ou melhor, o coração para revelar que estava com depressão, tomando remédios controlados, me tratando com psicóloga e psiquiatra. Lembro que uma pessoa da minha família disse: Deprimida?! Você é bem-sucedida, independente, bonita. Deprimida por quê?

Não existe um motivo para quem sofre de depressão ou qualquer outro transtorno mental. Na verdade, muitas vezes não é possível nem identificar algum motivo para a doença. Sim, doença. Depressão, bipolaridade e cosas así não são frescuras. São doenças (e bem reais), que precisam de diagnóstico e tratamento, ou as consequências podem ser drásticas; uma delas pode ser o suicídio.


O texto de hoje é sobre isso porque neste dia 10 de setembro é comemorado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Estamos no Setembro Amarelo, uma campanha tipo o Outubro Rosa, o Novembro Azul, saca? É um movimento para trazer o assunto à tona e conscientizar as pessoas que sim, temos que falar sobre suicídio, sobre depressão, sobre tudo que possa levar à auto destruição. Os números de suicídio no Brasil são assustadores, superam mortes por Aids. Mas ninguém fala porque ainda é tabu. Além disso, pessoas que moram sozinhas e sofrem de alguma doença mental, como a depressão, margeiam o suicídio. Como este blog é mais voltado para esse público de "aventureiros longe da casa dos pais", acho importante tocar no assunto. 

Geral está tomando Rivotril, mas ninguém se pergunta o porquê. Ninguém quer saber porque dá trabalho ouvir o próximo, porque fazem pouco caso do sofrimento alheio. "Ainda isso?" - Essa frase eu ouvi de uma amiga ano passado quando falei de uma das coisas que tinha me afundado. A pior frase que tem para quem sofre de depressão é essa. Ela é a representação do pouco caso que o outro faz do seu problema. Podia ser uma unha quebrada. Foda-se! É a minha unha, é a minha dor. Respeite a minha dor! Respeite a minha fraqueza!

A pessoa que tem essa doença não está "com frescura". Ela é o mais forte que pode ser naquele momento. E saiba que ela não vai conseguir sozinha. Precisa de medicamentos, de terapia, de atividade física, de amigos ao seu lado, literalmente. Ela precisa que alguém a puxe pela mão até o banheiro, muitas vezes. Não que ela não queira tomar banho, trocar de roupa, abrir a janela. É que ela não consegue; ela não tem forças. Todos estão felizes e ela só consegue chorar. Pode ser que ela nem saiba o motivo de tantas lágrimas e isso a faz derramar ainda mais pelo desespero de ter perdido o controle, a alegria de viver. 

Não é que quem pensa ou até mesmo tenta se matar não ame a vida. Essa criatura ama até demais. Porém a dor é tão intensa (chega a ser física) que tudo que ela quer é acabar com essa dor (não com a vida). No entanto, a maneira que encontra para acabar com o sofrimento é acabando com a vida. 


Este mês é dedicado a falar sobre suicídio como forma de prevenção. Entretanto, que o tabu seja, de fato, quebrado e o assunto possa ser discutido em qualquer época do ano, numa roda de amigos. Afinal, nem sempre o deprimido mostra que sofre dessa doença. Ele pode estar sorrindo, ser "normal", alegre. Mas quando volta para casa, sozinho, ele desaba e ninguém vê. Fique atento a qualquer sinal. Geralmente, quem sofre com algum transtorno mental pede ajuda (não direta e claramente). Uma simples postagem nas redes sociais pode ser um grito de socorro. 

E para você, que está debruçado na balaustrada da varanda ou fixado na caixa de remédios, eu tenho apenas uma coisa para dizer (copiando minha querida Patrícia Porto): o suicídio é uma solução permanente para um problema que é temporário. Não desista de viver! #SetembroAmarelo

Reportagem de Thiago Pimenta 
exibida em 09 de setembro deste ano
no Repórter Brasil, da TV Brasil, 
produzida por mim 
e com edição de texto da linda da Stephania.


Reportagem de 2015 de Thais Araujo, 
jornalista da TV Brasil, 
com imagens de Amanda Brandão, 
edição de Luciana Campos e produção... minha =)

5 comentários:

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  3. Me vi em cada letra desse texto. Nada é simples pra quem tem essa doença. Cada vez mais admirando sua vida e jeito de viver. Então vamos lá? #VivaViver

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  4. Querida sobrinha, tudo que escreveu tem a ver comigo. Realmente problemas de depressão, bipolaridade e síndrome do pânico não são frescuras são sérias doenças e precisam de tratamento especializado. Você como sempre conseguiu falar sobre o assunto de forma simples e abrangente. Eu amo a vida, amo viver, sei o quanto tenho tudo para ser feliz, minha vida é completa em todos os sentidos e mesmo assim, tenho minhas crises. Temos que pensar sempre que o suicídio não é solução e sim um problema maior ainda, para sua vida espiritual. Portanto cabeça erguida sempre e vamos viver porque é bom de mais. Beijos querida e fique com DEUS.

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    1. Infelizmente as pessoas ainda não conseguem entender doenças mentais. Ou as ridicularizam como doidas, ou as miniminizam como frescuras.

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