segunda-feira, 25 de julho de 2016

Nem tudo que é novo é bom

Faz uns dois anos que um amigo deu uma surtada e resolveu experimentar coisas novas. Ele podia ter ficado na cerveja (que não bebia) e na maconha, mas foi além: colocou em casa uma air fryer (aquele treco que faz tudo sem óleo). 

É sério mesmo que você está comparando maconha a utensílio doméstico? - Vocês devem estar pensando. - Sim, estou. Porque cigarro, cerveja e qualquer outro tipo de droga (sem excessos, claro, ou vira vício) a pessoa usa sem excluir outras coisas da sua vida. Pelo contrário, até pode conhecer pessoas e lugares diferentes (apenas para esclarecer para aqueles que ainda não perceberam, não estou me referindo a drogas e eletrodomésticos de verdade). E quando esse amigo escolheu uma air fryer ele abriu mão de várias outras coisas que o ajudaram dentro de casa por anos. Aquela panela velha, muitas vezes guardada ainda com óleo usado dentro do forno, foi deixada de lado. O tabuleiro que preparava o frango assado, que ele tanto amava aos domingos, está até hoje esquecido no armário sob a pia da cozinha. Aquele refratário que, por várias vezes, preparou suculentas costelinhas suínas, ele nunca mais nem olhou para saber se ainda estava inteiro.

Conhecendo bem esta pessoa, não tenho a menor dúvida do quanto foi difícil escolher entre tantas coisas simples, mas úteis e com histórias, e um único aparelho, novo, moderninho, mas... insosso. Seus outros amigos dizem que foi uma boa troca, afinal ele precisava experimentar coisas novas dentro de casa. Mas quem são esses amigos? Pessoas que mal conseguem manter uma casa arrumada, uma cozinha sem comida estragada; são pessoas que mesmo com um livro de receitas ainda não conseguem cozinhar.

A air fryer pode ser linda, prática... Ainda não a vi e confesso, não quero. No entanto, mesmo sem conhecê-la sei de um fato por fonte segura: ele tem problemas com ela desde o início. Conserta aqui, ajeita ali. Mas ela é uma máquina. Qualquer dia vai pifar, ele vai ficar na mão. Neste momento, meu amigo vai procurar aquela panela de fritura. Na verdade, ele tem se lembrado dela com muita frequência, com saudosismo de fritar linguiça e aipim à moda antiga. Mas como a air fryer ainda está ali (ocupando um espaço enorme na cozinha) dando alguns defeitos, porém ainda na garantia, ele vai adiando a decisão de colocá-la na porta da lixeira e trazer à tona todos aqueles utensílios que sempre estiveram com ele e que completam uma casa de verdade. Os amigos vão achar um absurdo, um erro ele voltar atrás. Porém, de quem é a vida (ops! a casa) mesmo?  

Por mais frituras à moda antiga

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