segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Quando o livro perde o encanto

Certo dia, ganhei um livro de um amigo. A capa não me atraiu, mas a sinopse me fisgou na mesma hora, fiquei encantada. Li e reli a sinopse várias vezes, porque realmente era sensacional. Fui, então, passeando pelas outras páginas, claro, afinal era um livro que aparentava ter muito conteúdo. E realmente tinha. 

Cada página ia me encantando cada vez mais, prendia minha atenção por horas. Eu viajava naquelas palavras que faziam tanto sentido. Era a minha história sendo contada por outra pessoa que nunca tinha me visto. Isso já aconteceu com você? Creio que sim. Pois fiz uma busca do que falavam sobre esse livro e os comentários eram basicamente os mesmos: a autora retratava exatamente a vida daquelas pessoas, como descrevia os meus sentimentos com a perfeição de quem me conhece de longa data. Mas eu nunca tinha sido apresentada a ela. Provavelmente, nem aquelas outras pessoas que comentaram tão bem sobre a obra. Então, como isso podia acontecer? Será que a minha vida era tão ridiculamente comum a ponto de uma escritora qualquer publicar um livro e centenas de milhares de leitores se identificarem também?

Estava cada vez mais apaixonada por aquela escritora que eu nunca tinha visto. Minha admiração era tamanha que eu dividiria minha casa com ela, afinal, me conhecia tão bem, mesmo nunca tendo trocado uma palavra comigo. Que mal teria de compartilhar um tempo com uma estranha?!

Fui passando da metade do livro, descobrindo um pouco mais sobre a autora, até que um dia o encanto acabou. Não que a obra fosse ruim. Pelo contrário. Continuava incrível. Mas eu havia brigado com aquele amigo que me deu o tal livro. Ele está lá, num canto da minha casa que mal recebe minha atenção. Nunca cheguei ao final dele, pois a simples continuação da leitura me levaria a recordações de uma relação que não tem mais como existir. Quem sabe um dia ele não cai da estante, aberto na exata página que eu deixei de lado, me convidando (novamente) a uma leitura; a leitura da minha própria vida. Por enquanto, não tenho coragem de seguir com ela. Uma pena! Porque o enredo era incrível e tinha tudo para me fascinar ainda mais.




8 comentários:

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  3. Boa noite, querida. Sou sua tia Lidia. Não sei o que aconteceu que não saiu a minha foto...rsrsrs
    Sou leitora compulsiva, não sei sabia disso, depois de tudo o que falou sobre esse livro, estou curiosa para ler. Você esqueceu de dizer o nome do livro e da autora. Por favor, mate a minha curiosidade a ansiedade em lê-lo. Desde já agradeço. Beijos no coração e fique com DEUS.

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  4. Minha sugestão: não faça isso, retome o livro e vire essa página na tua vida. Vais perder uma leitura que te encantou? Não torne ainda mais triste o fim de uma amizade. beijos

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    1. Olá, Denise. Usei o livro para me referir ao autor dele. Mas realmente parei a leitura do livro (objeto de fato) e me afastei do autor por causa desse amigo que me deu o livro de presente. Vou seguir seu conselho e seguir com a leitura (e com a vida). Tks. beijocas e obrigada pelo comentário.

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    2. Mais uma sugestão então (metida eu, né?): termine o livro e, já que vc gostou tanto, passe-o adiante para alguém que vc saiba que vai gostar. Encerre a parte triste dessa história usufruindo o prazer de uma leitura que te agrada e divida essa parte boa com alguém querido. Não apenas finaliza o ciclo ruim e tira de casa o objeto que te traz más lembranças, como inicia um novo ciclo, dessa vez só de afeto. Beijos, adoro os teus textos.

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    3. Ah! Isso eu não poderei fazer, Denise. O livro está autografado. Uma mensagem linda do autor. Depois dessa postagem e das suas dicas consegui olhar de outra forma pra isso. Muito obrigada. =) E fico feliz que goste dos textos daqui. Querendo enviar alguma sugestão de assunto, manda para o email do blog. Clica lá no menu Alô! Alô!

      beijocas

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  5. Pessoal, o livro é uma pessoa. O conteúdo do livro é o conteúdo intelectual e a vivência dessa pessoa. Mas o livro de fato existe (o autor idem. Ele é o livro), mas não posso revelar pra não expor a pessoa.

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