sábado, 19 de setembro de 2015

Vamos juntas?

Se você mora numa cidadezinha pacata nem precisa ler esse texto, a não ser que esteja com planos de se mudar para uma cidade grande, como São Paulo, Rio de Janeiro...
 
A violência, principalmente nas capitais, está tão absurda que as mulheres têm medo das ruas. Eu mesma, que moro numa rua onde tem uma delegacia, não me sinto segura para dar uma volta com as minhas cachorras à noite. Escureceu não saio de casa; somente para eventos e, mesmo assim, de carro. Ficar andando a pé sozinha por aí é dar "sorte para o azar", como dizem os mais velhos.

Só no ano passado, o Rio de Janeiro registrou quase 5 mil casos de estupro contra mulheres, segundo dados do ISP. Outra pesquisa recente feita com mais de duas mil jovens em 370 cidades brasileiras revela que a rua é vista por elas como um espaço inseguro. Muito provavelmente não foi com base em pesquisa, mas por vivência própria, que Babi Souza criou no fim de junho a página "Vamos Juntas?" no Facebook. Em 48 horas já tinha 10 mil curtidas. Hoje tem mais de 195 mil. O movimento surgiu como solução colaborativa para um problema real, que todas nós passamos todo santo dia: assédio, mascarado de cantada, e violência verbal e até física.
 
Este e o outro relato foram retirados da página oficial "Vamos Juntas?"
Claro que se você mora numa república, sai mais com as amigas com quem divide o apê, mas em algum momento você vai andar sozinha pelas ruas e atire o primeiro comentário aqui quem nunca apressou o passo para ficar perto de outra mulher na rua por medo do que vinha atrás? Infelizmente, nós mulheres, somos presas mais fáceis que os homens na hora de um assalto. E ainda tem o fator "cantada", que também é uma violência. Andar em grupo parece que inibe o homem que faria algum mal à mulher se ela estivesse sozinha. E é isso que o movimento "Vamos juntas?" propõe: que mulheres, ainda que desconhecidas, se unam, mostrando solidariedade àquela que estiver em perigo, ou apenas com medo do escuro.
 
Segundo Babi, a fanpage recebe cerca de 80 mensagens por dia de todo o Brasil. São relatos de mulheres de todas as idades contando como foram salvas ou como salvaram desconhecidas que passaram pelo seu caminho. "A página é feminista no sentido de que buscamos a liberdade de ir e vir em segurança e também porque tem empoderado muitas mulheres. Porém, entendemos que a igualdade de gêneros deve interessar aos dois gêneros; uma perspectiva diferente da maioria dos movimentos intitulados feministas. Não banimos homens da página, por exemplo, porque acreditamos que essa conscientização de como as mulheres se sentem na rua deve acontecer", esclarece Babi.
 
Nós, que moramos sozinhas e, muitas vezes, saímos e chegamos sozinhas, sabemos bem como é apressar o passo para alcançar a senhorinha que vai logo à frente, que nunca vimos, mas que passa segurança naquela rua deserta. Então, da próxima vez que você vir uma menina na mesma situação pare o táxi e ofereça uma carona, ou, simplesmente, chegue mais perto e diga: "Oi. Vamos juntas?".
 
 
Aqui você confere uma matéria da TV Brasil sobre esse movimento, produzida por mim e tendo como repórter minha amiga Thais Araújo. As imagens são dos cinegrafistas Amanda Brandão, Eduardo Guimarães e Luis Araújo, e a edição de Aline Muguet, Mauro Fernandes e Luciana Campos. Dá o play!
 
 

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