domingo, 13 de setembro de 2015

(In)dependência

Saí de casa. E agora? E agora fUdeu! Não tem jeito. Vai ter que aprender a cozinhar além do miojo, trocar lâmpada e até resistência de chuveiro. Isso se você quiser realmente ser independente. Bater no peito e dizer: quem paga minhas contas sou eu, quem cuida da minha casa sou eu, então não se mete na minha vida.
 
Mas vamos ser realistas? Você não ganha uma fortuna para bancar aluguel, faxineira toda semana, muito menos empregada diária, e não está com um pingo de vontade de cozinhar, mas já percebeu que até pizza todo santo dia enjoa. Na casa dos seus pais quando o chuveiro queimava quem fazia a água ficar quente novamente era qualquer pessoa, menos você. Então, lamento te dizer, mas você vai recorrer aos seus pais quando a coisa apertar. Porque não vai ter grana para bancar a vida que levava na casa da mamãe e muito menos pagar o porteiro (ou um profissional de verdade) cada vez que a descarga resolver quebrar.
 
Semana passada, eu trabalhei no domingo e até no feriado de 7 de setembro. Ou seja, não tive tempo para ir ao mercado e, muito menos, fazer comida pra semana. Minha mãe (santa mãe), preocupada com a alimentação da filha que estava com a geladeira vazia e à base de biscoito (porque até a margarina pra passar no pão tinha acabado) fez o favor de ir ao mercado e dar uma passadinha no hortifruti para abastecer a despensa. Mais ainda: quando eu cheguei do trabalho tudo estava guardado na geladeira e no armário da cozinha. Ufa! Menos uma tarefa.
 
Preocupada também com a alimentação das minhas filhas de quatro patas, ela se ofereceu para no dia seguinte preparar a comida da semana pra elas. Não satisfeita (graças a Deus), ela deixou tudo pronto pra mim também: recheio para panquecas, peito de frango já empanado, molho para o macarrão... Eu só tive o trabalho de preparar minhas saladas no pote. Cara! Tem noção do tempo que eu economizei pedindo a ajuda dela para ir ao mercado (e levando como brinde as refeições prontas)?
 
Outro ponto a levar em conta quando se deseja independência ao morar sozinha (ou mesmo numa república) é que qualquer reparo pede um homem (exceto se você for o tipo de mulher que ficava grudada no seu pai enquanto ele consertava alguma coisa em casa). Como eu nunca fui dessas, não sei trocar nem a resistência de chuveiro. Mas por pouco tempo.
 
Tem várias coisinhas aqui em casa que eu preciso fazer: recolocar a vara da cortina do escritório (o pintor fez o favor de tirar e não colocar no lugar), trocar algumas tomadas, furar algumas paredes, furar o caixote da sala para colocar as rodinhas, colocar a vara no meu quarto para, enfim, ter cortina nele etc. etc. etc. São coisinhas pequenas, bobas, mas que eu não sei fazer. E se você é igual a mim e não tem namorado vai precisar contratar um marido de aluguel. Mas, poxa! Eu tenho pai. Ele sempre foi do tipo "papai Ursulão". Alguém se lembra desse desenho da família urso, que tinha o pai que nunca contratava um profissional para os reparos residenciais porque achava que dava conta de tudo? O meu é o verdadeiro "papai Ursulão", então não faz sentido eu pagar uma pessoa pra fazer pequenos reparos no meu apê. Certo? Lá fui eu mostrar que não sou tão independente assim e preciso dele sim. No próximo fim de semana, papai estará aqui dando "um jeitinho" na casa. Vai render um post, claro.
 
E claro que eu sei que tudo tem um preço nessa vida. Em algum momento essas coisinhas serão lembradas num almoço de família, quando os ânimos estiverem alterados. Mas ok. Estou disposta (dessa vez) a arriscar. A questão é saber quando pedir ajuda e para quem. Quando eu quis viajar com meus amigos pensei duas vezes antes de pedir para minha mãe ficar com as minhas cachorras. Foi o suficiente para eu recorrer ao meu irmão mais novo, oferecendo o meu apê por um fim de semana em troca dele cuidar delas. Eu procuro ser independente em muitas coisas exatamente para ninguém dar pitaco na minha vida. Quero muito ter uma filha, mas estou aguardando o momento certo para a adoção, pois não quero envolver minha mãe, ou qualquer outra pessoa, nisso. Quero dar conta dela sozinha. Por enquanto, sei que não consigo, então espero. Não adianta eu sair da casa dos meus pais, morar sozinha, pagar todas as contas se, vire e mexe, recorrer a eles. Isso é uma falsa independência. Por isso, quando meu pai chegar aqui no próximo sábado eu ficarei ao lado dele aprendendo tudo, para não precisar chamá-lo da próxima vez que a janela emperrar. E viva a independência (real)!
 
Papai Ursulão
 

4 comentários:

  1. opa!!!! estamos aí pra ajudar no q precisar, até pq ser independente não significa que vc nunca precisará de ajuda para resolver algumas situações q aparecerão na sua vida. bjundas

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    1. Aaaaah! Pode deixar que assim que o chuveiro queimar eu te chamo, Aline. Agora que você já sabe o caminho da minha casa vai ser mais fácil. ;)

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  2. Que maravilha você ter uma mamãe dedicada, carinhosa, atenciosa, preocupada e acima de tudo amiga para todas as horas. Entenda que ser independente de tudo e todos, não acontece de uma hora para outra. E jamais acontecerá. Em algum momento vai precisar de ajuda, nem que seja profissional. Mas como você mesma disse, quando seu pai for fazer os reparos de que está precisando no seu apartamento, fique ao lado dele, pergunte e tire todas as dúvidas, para que na próxima vez, que esse tipo de problema aparecer, já possa resolver sozinha sem recorrer à ele. Quanto ao restante, acho que você está se saindo muito bem. Pelo menos está consciente de que tudo na vida tem um preço e a independência total, também. Sucesso querida, tenho certeza de que irá conseguir, pois sei que é perseverante. Beijos no coração e fique com DEUS.

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    1. Realmente minha mãe é maravilhosa. E sei que em algum momento precisarei de ajuda, como qualquer pessoa desse mundo, mas quero aprender a me virar pra não ficar alugando as pessoas o tempo todo. Então, vou mesmo ficar ao lado do meu pai pra aprender algumas coisinhas. ;)

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