sábado, 8 de agosto de 2015

Em busca da sanidade perdida

Dia desses surtei. Descobri que ser gente grande não é nada fácil. Surtei e percebi que não tinha surtado sozinha: uma amiga estava na mesma crise que eu.

O surto veio com força total quando parei na porta da cozinha e vi uma montanha de louça (acumulado de três dias - ou seriam quatro?) tomando a forma de um monstro. Não tinha mais talheres, nem copos ou canecas (e olha que caneca eu tenho muitas). Voltei dali mesmo e parei estatalada: a sala estava um caos, com roupas na poltrona que eu amo (mas nunca sento), e da varanda vinha um cheiro de xixi que Deus me livre sentir novamente. Acho que durante três dias eu só tapeava a limpeza dela com um paninho úmido. Senti vergonha de mim, porque na casa da minha mãe eu era a "Senhora Limpeza". Cada bibelô era posicionado milimetricamente. Como agora, com a minha casinha, eu podia deixá-la nesse estado deplorável? O problema aqui é que eu até podia limpar, mas estava me sentindo uma escrava do lar. Ou limpava a casa, ou saía para me divertir. Não conseguia fazer as duas coisas sem me sentir exausta no fim do dia.

Não é possível que minhas amigas consigam dar conta de uma casa com filhos e ainda tenham tempo pra sair várias noites na semana, e eu não consiga dar conta de um apê com duas cachorras! Apenas uma explicação vinha à mente: sou uma incompetente. E isso virou pauta na minha sessão de terapia.

Imagem: Julia Vinhas

Após cinco minutos de papo com a psicóloga ela me perguntou: "Quais são as centenas de coisas que você tem pra fazer e não consegue?" Eu não soube responder. O.O

Foi então que começamos a colocar minhas tarefas no papel (literalmente). Dividimos a folha em sete colunas (dias da semana) e separamos cada dia em três partes (manhã, tarde e noite). Entrou ali tudo que eu considerava relevante - e como relevante entenda "tarefa que toma tempo". Claro que lavar a louça entrou em todos os dias na parte da noite. Lavar a varanda (LAVAR, e não apenas passar um paninho) idem. Terminada esta planilha... tcharaaaaam! Consegui perceber que eu tinha vááárias horas por semana livres. Algumas beeeem ociosas, por sinal. Mas como eu não conseguia dar conta? Minha psicóloga me explicou que quando não temos noção do que precisamos fazer, não conseguimos fazer nada (ou quase nada). O tempo não rende.

A técnica é a mesma pra quem precisa arrumar a casa que está um caos. Não tem como começar a limpeza sem antes guardar as coisas que estão espalhadas. Feito isso, com boa parte do ambiente livre da bagunça, fica muito mais fácil começar (e terminar) a faxina. Aqui vale uma frase célebre da minha mãe: "A casa pode estar um lixo, mas se estiver arrumada, a sujeira passa despercebida pela visita. Mas se a casa estiver limpa, porém bagunçada, ela vai parecer imunda". Santa Rita! Tem toda razão.

Com a tal planilha eu percebi que não valia a pena lavar a varanda à noite, por exemplo, se na manhã seguinte ia lavá-la novamente. Eu precisava escolher: um dia eu limparia com desinfetante e no outro lavaria de verdade. Percebi também que preparar a alimentação natural das minhas cachorras estava me consumindo muito tempo e a comida não rendia nem três dias. Estava exausta! Claro! A topeira aqui comprava 1 kg de arroz por mês e achava que isso seria suficiente pra mim e pra elas. O pequeno detalhe é que só a Nina come 1 kg de arroz (por se-ma-na). Eu nunca tinha parado pra ver quanto de cada tipo de alimento cada uma delas ingere semanalmente. Lógico que a conta não fechava. E minhas horas na cozinha no domingo eram em vão.

Confesso que não saí da terapia achando que a tal planilha fosse funcionar, que eu conseguiria dar conta de tudo e ficar linda e com vida social, como minhas amigas, mas resolvi tentar. E não é que funcionou?! =D Ok. Teve um dia desta semana que não cumpri nada do planejado, pois houve uma visita inesperada. Mas o legal é exatamente essa adaptação da rotina sem entrar em pânico. Consegui ficar de boa. ;)

A tal planilha deve ser atualizada semanalmente (escolhi o domingo para fazer isso, pois assim planejo a semana que vai começar). Paralelamente, fiz um cardápio também. Isso me ajuda a saber o que preciso comprar para aquela semana e só ir ao mercado uma vez (estava indo quase todos os dias, o que me fazia chegar em casa muito tarde e mais cansada, sem ânimo pra cozinhar). Dessa forma, me alimento melhor, porque saio do ciclo preguiça: japonês, pizza, cachorro quente e esfirra. Consequentemente, sobra mais uma graninha, porque como menos na rua.

Se você chegou até aqui deve estar se perguntando: "mas se tenho mil coisas para fazer, de nada adianta colocar num papel se as horas são as mesmas. Vou continuar exausta". Não necessariamente. Eu achava que o ideal era limpar a casa e passear com minhas cachorras todos os dias, e que a roupa precisava ser lavada toda semana. No entanto, percebi que eu não tinha tempo para isso. Então, organizei a semana de tal forma que a casa seja limpa em determinados dias, o passeio das minhas filhas de quatro patas em outros, as roupas sejam postas na máquina a cada 15 dias e por aí vai. Cada dia com sua tarefa, incluindo a pausa para tomar café, porque ninguém é de ferro.

E minha planilha "em busca da sanidade perdida" ficou assim. 

Ah! Lembra daquela minha amiga lá no início do texto, que surtou junto comigo? Ela entrou nessa onda também e estamos juntas nesse desafio diário que é ser dona de casa, trabalhar, cuidar dos filhos (ela tem uma filha de 5 anos) e ainda ter vida social, sem esquecer do blog, claro. Para mostrar como o dia tá fluindo, estou postando no Instagram, pelo menos, uma foto por dia do que estava na minha planilha de tarefas e levou checked. Procura pela #sanidademodeon. O nome não podia ser outro, tendo em vista que esse desafio surgiu em busca da nossa sanidade perdida. Ninguém quer surtar né? 

Vai lá no Instagram (clica aqui pra visitar) e busca a hashtag do Desafio. Ah! E incentiva a gente a continuar firme em busca da sanidade dando likes nas fotos. Ou melhor, entra nessa também.

Essa é uma das postagens do Desafio no Instagram. Neste dia, eu tinha que ir ao Pole Sport, comprar o ingresso do campeonato, fazer hora pedalando e depois almoçar (bem) antes de ir trabalhar. Isso de pedalar e almoçar surgiu após a planilha. Foi quando consegui visualizar que tinha muito tempo ocioso entre o Pole e o início do expediente. Agora eu já tenho o que fazer. =D

2 comentários:

  1. Passo exatamente pela mesma coisa desde que fui morar sozinha (há quase quatro anos) e digamos que estou no pior momento da perda de sanidade. Atualmente meu namorado mora comigo, nossos três cachorros, dois gatos e meu irmão mais velho que apareceu pra morar um tempo (e pra me deixar louca de vez). Todos são MUITO bagunceiros, e eu que já não dava conta de tudo antes, dou menos ainda agora. Tô sempre estressada, passando mal, brigando com todo mundo e no final não conseguindo fazer nada. Já tentei MILHÕES de vezes fazer essa rotina de anotar tudo dar certo, mas nunca deu. HELP! rs

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    1. Olha, pode ser que você esteja se cobrando muito para manter a casa em ordem. Mas se o caso não for excesso de cobrança, acredito que o melhor seja conversar com seu namorado e com seu irmão. Uma conversa tranquila e muito franca, perguntando como eles acham que podem te ajudar em casa, porque você está se sentindo sobrecarregada. Talvez você tenha que conversar outras vezes, pois homem esquece fácil das coisas que combina (hehehe), mas levando em conta que sua escolha foi dividir seu espaço com eles, diálogo e uma dose extra forte de paciência serão necessários sempre. Um "conselho" que procuro dar é "Não deixe suas panelas brilharem mais do que você!". Sou virginiana, ou seja, tenha obsessão por limpeza e organização, mas essa obsessão estava me fazendo muito mal. Não curtia as visitas porque eu estava sempre preocupada em deixar o chão brilhando e a cozinha arrumada. Quando resolvi brilhar mais que minhas panelas, relaxei e, consequentemente, os dias se tornaram menos exaustivos. ;)

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