terça-feira, 7 de julho de 2015

Ou cresce, ou cresce

Como faz para trabalhar quando alguém que amamos muito e está sob nossa guarda fica doente e precisa de cuidados? Mas se esse alguém for uma cachorra, ou melhor, duas cachorras? 

Há uma semana me vejo perdida no tempo (e até no espaço), tendo que me desdobrar em mil para dar conta dessa situação sem perder um dia no trabalho. Hoje não deu. Minha filha de quatro patas tem 16 anos e há uma semana ficou caidinha. Como ela é bem serelepe, apesar dos 16 aninhos que tem, achei estranho e resolvi correr com ela para a clínica. Foi daí que descobri que estava com dor na coluna. Precisei voltar à clínica outras duas vezes na mesma semana para alguns procedimentos médicos. Ajeita daqui, arruma dinheiro ali e consegui organizar minha agenda (e meu orçamento) para levá-la à revisão sem faltar ao trabalho. Coluna "resolvida" e... nada parava no estômago da Layla. Foi domingo e corri novamente com ela para o veterinário. Já medicada, ufa! Melhorou. Eis que chego do trabalho ontem e encontro mais vômito. Pela quantidade, era da Nina (minha outra peluda). Putz! E agora? Entrei com a medicação da Layla nela. Tudo certo. #SQN. Acordei hoje e Layla voltou a apresentar problema; agora intestinal.

Pai Celeste! É muito estresse pra tão pouca idade. Dou conta não. Mas tenho que dar. Elas dependem de mim. A questão é que para ir à qualquer médico, que não seja o delas, prefiro nem sair de casa. O veterinário delas tem dia e hora específicos para clinicar, mas hoje (que era dia dele) ele não pôde trabalhar. Assim como eu, que precisei ficar em casa para cuidar delas. Amanhã ele atende pela manhã e eu, para não faltar mais um dia de trampo, terei que madrugar no consultório. Como vou na parte da manhã, não poderei ir à aula de pole dance. O detalhe que quero colocar aqui é que para conseguir abonar minhas faltas (a de hoje no trabalho e a de amanhã na aula de pole) eu terei que apresentar atestado médico de acompanhante. Mas será que aceitam de veterinário? Creio que não. E fica a pergunta (com a revolta): por que não? Afinal, animais são seres vivos e dependentes. Precisam de cuidados médicos emergenciais, como qualquer ser humano, com o agravante que não podem ir ao médico sozinhos. O atestado deveria ser válido. Duvido que aceitem; mesmo assim, vou levá-lo. 

Mas esse texto, na verdade, é para levantar uma questão mais séria: ter um bichinho não é para qualquer um. É uma decisão que precisa ser muito bem planejada. Eu abro mão de viajar e no último domingo deixei de me encontrar com umas amigas do trabalho para cuidar da Layla. Hoje faltei o trabalho e farei novamente se for preciso. Também precisei deixar meu orgulho de lado mais cedo e telefonar para o ex me ajudar com o transporte delas até a clínica (não tenho carro, mas ainda que tivesse não dá para dirigir com duas no banco de trás). Não deu certo. Recorri a um táxi dog e amanhã vou deixar um dos meus rins com o taxista (ainda bem que e tenho dois). Só a corrida vai me custar um valor que leva três dígitos.

Enfim, minha carteira não vê grana tem um certo tempo com tantos gastos com medicação e exames, minhas horas estão corridas e eu fico muito estressada, desnorteada ao ver minhas pimpolhas doentes. Com tantos gastos e falta de tempo, tive que repensar também a questão da adoção de um filho agora. O problema de morar sozinha é ser sozinha. Não dá para ficar contando com pai, mãe, irmão e muito menos ex-namorado para viver. Tá sendo uma prova difícil; uma experiência que diz: ou cresce, ou cresce. Não dá mais para esperar. Mas não me arrependo por ter adotado duas cachorras. Elas são minha alegria de viver. É por elas que eu volto feliz pra casa todos os dias. Agora, se você não está disposto a abrir mão de certas coisas, não pense em ter nem mesmo um passarinho. 

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