segunda-feira, 20 de julho de 2015

Mercado em tempos de crise

Como todo mundo sabe, o país está passando por um momento de crise, mas acho que eu ainda não tinha me sentido afetada (até ir ao mercado). Gente! Tudo está absurdamente caro. Uma caixa de leite não custa menos que R$ 4,00. E o que dizer da carne, que antes já era cara?! Uma fortuna. Tenho o péssimo hábito de comprar certas marcas e tipos de alimentos por achar a qualidade melhor, mas dessa vez não deu. Fui pelo preço. Um simples óleo de canola estava o dobro do óleo de soja (que já estava muito caro). Voltei para o de soja. Preferi pensar comigo: é tudo óleo mesmo. Vai fazer mal à minha saúde de qualquer forma, então que faça menos mal ao meu bolso.

Pequenas três sacolas me custaram 60 dilmas. Pensei na mesma hora: pobre, mas pobre mesmo, morre de fome nesse país. Como se alimentar com o leite (alimento básico para qualquer criança) custando 4 dilmas? E olha que era o leite comum, e não aquele sem lactose que estava acostumada a tomar por causa da minha gastrite. A crise do Brasil vai fazer um rombo até no meu estômago se continuar assim.

Nesse momento, temos que cortar o "supérfluo" e comprar apenas a quantidade que conseguimos consumir antes de estragar, ou deixaremos um rim no mercado. Margarina pra quê se ainda tenho requeijão na geladeira? Papel toalha? Escorre o óleo da batata frita com a peneira mesmo. Queijo branco? Diminui o pedaço, já que o anterior estragou na geladeira. Cápsulas de Dolce Gusto? Isso não me pertence mais. Volte para o café preto. E sabe o que é pior? Os preços estarem lá em cima, mas a qualidade dos produtos estar lá embaixo. Certo dia comprei uma bandeja de coração de galinha e minha surpresa foi ter quase tanta gordura, quanto a carne que eu poderia preparar. Quase metade do preço da bandeja era de lixo, e não de comida. 

E assim, o brasileiro classe mérdia, como dizia meu professor de geografia, vai (sobre)vivendo. Ainda me pergunto como uma família vive com renda de um salário mínimo? O jeito é voltar a levar a calculadora para o mercado, pesquisar preços em vários estabelecimentos antes de sair de casa, recorrer ao encarte para conseguir que a concorrência cubra o preço e correr atrás da promoção (literalmente), como minha avó fazia (Júnior, corre lá pra colocar a etiqueta amarela porque o queijo entrou em oferta!). Isso sim é o verdadeiro "jeitinho brasileiro". Até quando?



De um lado o que deu para aproveitar (322 gramas). Do outro, lixo (142 gramas)



Nenhum comentário:

Postar um comentário