sábado, 18 de julho de 2015

Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol

Assim que fui convocada para a empresa onde estou atualmente soube que o trabalho seria de madrugada; um terror na vida de quem ama dormir, mas aceitei. O maior problema não era nem a madrugada, mas me mudar para Brasília. 

Trabalhando de meia-noite às cinco da matina conheci pessoas incríveis, mas que também estavam loucas para voltar a ter vida social, ou seja, sair da madrugada. Nos sentíamos abandonados num lugar, que parecia uma empresa fantasma naquele horário. Logo alguém apelidou o nosso grupo de Cativeiro. Como na época ainda se falava na Morena (a personagem Global que viveu em cativeiro), eu brinquei trocando a foto de capa do meu Face por uma das cenas da novela (que aparecia a Morena no tal cativeiro liderando as outras mulheres) e disse que só trocaria novamente quando eu ganhasse a minha liberdade, que significava voltar para a minha cidade.

E foi no dia 14 de julho do ano passado, quase cinco meses após ter assumido em Brasília, que eu troquei a foto de capa. Estava livre. Mas esta liberdade precisava ser registrada além de uma rede social. Marquei na pele com uma tatuagem que diz tudo: livre pra poder sorrir. Livre pra poder buscar o meu lugar ao sol. Sim, é o trecho de uma música do Charlie Brown Júnior. Confesso que nem curto muito o CBJ, mas assim que o tatuador finalizou o desenho, a única coisa que me veio à cabeça foi essa música. Não podia ser outra. Porque era exatamente por esse sentimento de liberdade que eu havia tatuado isso.


Eu vinha paquerando esse desenho há um ano, pelo menos. A falta de grana me fez adiar a tattoo várias vezes. Mas agora eu tinha um motivo bem forte (dois na verdade) para fazê-la: a saída da madrugada, me devolvendo a vida social, e o sentimento de leveza (apesar de triste) pelo término de um namoro. 

Os passarinhos da minha tattoo não ganharam a liberdade. Eles a conquistaram, quebrando a gaiola e batendo asas para bem longe. Estavam livres e felizes por poderem alcançar o céu. Ela me representa até hoje. Tenho três tatuagens, mas esta é a minha favorita, porque foi feita não apenas pela beleza, mas por um momento da minha vida. Tem todo um significado. Estou livre. Sou livre.

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Sempre que olham para os meus passarinhos as pessoas (muitas desconhecidas) elogiam a tatuagem e eu fico toda boba. Se doeu? Claro. São várias agulhas perfurando a pele né?! Mas estou viva, não chorei e tenho três, então dá para perceber que a dor é completamente suportável. Confesso que evito áreas que eu possa olhar enquanto a tattoo está sendo feita, pois tenho a sensação que se eu olhar para o sangue sentirei mais dor e vou entrar em desespero. Por isso, só tenho (por enquanto) tatuagens atrás (costas e panturrilha). Dizem que locais com muito osso é pior. E deve ser mesmo. Lembro-me de quando fiz a segunda tatuagem: uma parte dela toca as costelas e doeu bastante nesse momento. Mas tem uma dica para não sentir tanto: leva um amigo no dia para ele ficar conversando contigo enquanto as agulhas pintam a sua pele. Ou, se não tiver o amigo, fica vasculhando as redes sociais, conversando com a galera pelo chat... O importante é jogar a sua concentração para outra coisa, ou a dor vai parecer muito maior. Mas vai por mim: é totalmente suportável. 

Fiz uma pequena seleção de tatuagens de dois profissionais que admiro bastante. São traços bem diferentes, estilos bem distintos; ambos lindos. Se empolga?










Créditos: as três primeiras images são da tatuadora Thais Valente (https://instagram.com/thaisvalentetattoo/)

Créditos: as três últimas imagens são do tatuador Luiz Lopes Junior (https://instagram.com/1lcjunior/)

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