segunda-feira, 15 de junho de 2015

Vizinhos: é melhor ter

Eu sempre sonhei em morar em um condomínio com vizinhos jovens e descolados. Quem nunca né? Mas quando eu fui morar numa república, o prédio era muito velho e com apenas dois apartamentos vizinhos, o que reduzia minhas chances de serem pessoas "jovens e descoladas". Realmente não eram, mas como eu morava com mais duas meninas deu pra compensar. 

De volta à minha terra (e ao meu apê), nada de um prédio cheio de vizinhos descolados, até porque aqui só tem 10 apartamentos, contando com o meu. Mas a gente dá um jeito. Faz pouco tempo que o apartamento do meu lado foi ocupado e eu fiquei mega preocupada com isso. Antes eu podia fazer o barulho que fosse, porque não ia acordar ninguém. Agora não! E se eles fossem velhos chatos? Não parava de pensar nisso e já conto o porquê. 

Como hoje não é mais comum as famílias se apresentarem aos novos moradores batendo à porta e oferecendo um bolo, eu escrevi um bilhetinho cheio de carinho e deixei na caixinha de correspondência dos novos vizinhos. No bilhete, me apresentei, dei as boas vindas e deixei claro que estava ali para o que precisassem. Uma semana depois veio a surpresa. Abri minha caixinha de correio e encontrei um lindo cartão agradecendo a hospitalidade. Preciso dizer o tamanho do meu sorriso?

Algum tempo depois, estava entrando em casa e eles saindo. Olha que legal! Conheci pessoalmente meus vizinhos e o mais legal de tudo: eles têm uma cachorrinha lindaaaaaa! Assim que eu abri a porta, minhas filhas vieram correndo me ver e deram de cara com a pequena deles. Fizeram aquela festa e a socialização foi completa. Pet sempre ajuda a iniciar uma conversa com estranhos. Tudo bem que os novos vizinhos não são jovens e descolados (ok. A filha é adolescente), mas parecem legais.

E olha como são as coisas: descobri que o vizinho da andar inferior também é fã de Friends. =D Já tenho com quem assistir e comentar os episódios. 

Realmente acho muito, muito importante manter um bom relacionamento com os vizinhos, porque eles são os primeiros a nos socorrer, em qualquer situação, seja médica, com um vazamento ou apenas com uma barata (rs). E por ter duas pimpolhas que passam a maior parte do tempo sozinhas em casa, eu me sinto segura deixando uma chave reserva com a vizinha do mesmo andar. Meu pai fazia isso e eu acho muito válido, afinal nunca sabemos quando um cano pode estourar e alagar o apê. Pior ainda: vazamento de gás. Tenho pavor dessas coisas que podem acontecer justo quando eu estiver fora (e minhas filhas dentro). 

Agora, nem tudo são flores. Lembro de algo que aconteceu aqui no prédio e eu estava envolvida. Como sabem, tenho duas filhas de quatro patas e o banheirinho delas (leiam tapete higiênico) fica na varanda. Como a Nina é cega e nem sempre acerta a mira, eu lavo a varanda com água e sabão. Uma bela manhã, estava eu jogando água cuidadosamente até que escorreguei no sabão e o balde que eu estava segurando caiu junto. Foi água pra tudo quanto é canto, inclusive para a varanda dos apartamentos inferiores. Gente, não deu 30 segundos e a vizinha do andar de baixo estava batendo lá em casa dizendo que a faxineira havia jogado água na varanda dela, que não podia jogar água e que sempre tinha xixi na vidraça dela. Opa! Falou das minhas filhas, mexeu comigo. Mas respirei fundo e respondi exatamente assim: não foi a faxineira. Fui eu. Desculpa! Eu não joguei água. Eu escorreguei e o balde caiu da minha mão. E não tem xixi no seu vidro. É água com sabão. Estava quase fuzilando ela com o olhar, mas minha voz saiu suave. Afinal, é sempre bom manter um relacionamento legal com eles né?!

Cara! Eu sempre tomei cuidado pra não cair nem uma gotinha lá embaixo e justo quando cai não pensam que podia ter sido por acidente. Ninguém quis saber se eu estava bem depois da queda. Só se preocuparam com o vidro da varanda (como se nunca chovesse, como se passarinho não sujasse...). 

Fato é que depois desse dia passei a tomar ainda mais cuidado ao lavar a varanda. E ai de quem reclamar de mim: nunca bato na porta do síndico para reclamar daqueles que usam a furadeira fora do horário no fim de semana, das festas que fecham a passagem principal de acesso aos apartamentos, dos entulhos que largam na garagem. Me esforço para ser uma boa vizinha e espero a mesma compreensão quando eu cometer alguma falha. Afinal, todos nós, algum dia, precisaremos muito fazer barulho fora do horário permitido. 


A prova de que gentileza gera gentileza



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