domingo, 31 de maio de 2015

Diário sem cadeado

Semana passada, eu encontrei "por acaso" uma amiga com quem não conversava há tempos e ela comentou que o primeiro texto deste blog que leu mexeu muito com ela. Comentou também que adorou a carta que escrevi para o meu eu de 15 anos atrás (se você ainda não viu, clica aqui) e isso me fez pensar nos registros que deixamos por aí.

Quando eu tinha uns 11 anos, comecei a escrever em agendas, um verdadeiro diário. Lembro-me perfeitamente que um grande amor platônico tomava conta das páginas. Guardei essas agendas por anos, mas um dia resolvi jogá-las no lixo. Tenho horror a papel; muita traça e poeira acumuladas desde 1900 e lá vai conchinhas. Outra época da minha vida também ficou registrada em agendas. Eu tinha 17 anos quando comecei a namorar um menino, que foi protagonista dos diários que fiz até os meus 19 anos. Esses eu ainda tenho; às vezes pego um e fico lendo, morrendo de rir da pessoa que fui. Como mudei. 

Mas minhas agendas são só minhas, meu diário, ninguém lê (ok. Uma vez, flagrei minha tia lendo minha agenda. Dei um verdadeiro piti mesmo com os pedidos de desculpas dela. Fui uma adolescente bem rebelde. Quem não?). Hoje, com 30 anos, não escrevo mais em diário. Ou escrevo? Escrevemos! O Facebook é um verdadeiro diário aberto. "Ah! Mas ali eu não revelo meus segredos". Será?

Há cerca de dois meses, decidi apagar algumas fotos, post meus e comentários de amigos vinculados a um ex. Alguns de vocês podem achar isso ridículo, mas eu precisava. Confesso que teria sido mais fácil deletar o meu Facebook, afinal faço parte dele desde 2010 e a relação era desde 2007. Mas eu não queria ter de adicionar cada amigo de novo. 

Fato é que para poder apagar cada uma dessas coisas eu precisei prestar atenção nas fotos, ler os comentários, reler minhas próprias postagens. Foi aí que percebi que o Facebook, como qualquer rede social, incluindo este blog, é um diário público. Nele a gente coloca fotos que representam nossos melhores momentos. Posta coisas que revelam nosso cotidiano e frases que traduzem nossos sentimentos. Relendo cada post eu fui revivendo aqueles dias, como aconteceu nas vezes que reli minhas agendas. Alguns me fizeram rir, outros refletir e outros tantos, a maioria, na verdade, chorar de saudade de um tempo que passou e estava ficando ainda mais no passado cada vez que eu clicava no botão excluir. Levei duas noites fazendo isso, duas noites relendo a minha vida exposta para mais de 200 pessoas que estão na minha rede. Todas são amigas? Não. Mas lá, quem quiser sabe da minha vida. Porque de palavra em palavra revelamos, um pouquinho que seja, o que fazemos, o que sentimos, como vivemos. Cheguei à conclusão que nos dias de hoje é até estranho fazer um diário nos moldes antigos, com cadeado e tudo. E agora eu penso mil vezes antes de clicar no botão "publicar".

Um pedacinho de mim que somente eu tenho acesso


2 comentários:

  1. Realmente, você tem razão, quando diz que o Face é um diário público. Claro que não colocamos segredinhos nele, mas nos expomos de mais. Eu já tive um diário, um não, vários e o meu tinha cadeado sim. Nem sei onde foi parar... rsrsrsrs Não lembro de tê-lo jogado fora. Vai saber!

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    1. São momentos tão nossos, mas que todo mundo vê não é mesmo? Alguns de nós fazemos por ingenuidade, outros por exibicionismo e têm aqueles que fazem pelos dois motivos, em momentos diferentes, claro.

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