quarta-feira, 15 de abril de 2015

Saindo de casa aos 16

Imagine você: uma menina de 16 anos que passa para uma faculdade federal em outra cidade. Era em Niterói. Logo ali atrás da porta. Mas o curso era à noite. As aulas terminavam só às dez da noite, para o desespero da mãe da tal menina. A solução? Morar “sozinha” em uma república. Assim começa a parte 1 dessa coisa de “sair da casa dos pais” na minha vida.

Quando soube que teria que morar “longe”, assim, meio forçada, foi um misto de nervosismo e medo, com ansiedade por todas as coisas novas e toda a liberdade que iria experimentar. Só para contextualizar: eu até que sabia cozinhar, arrumar a casa, fazer compras e tal, mas não estava acostumada a sair sozinha nem para ir ao shopping, não andava de ônibus (sim, meus pais me carregavam pra cima e pra baixo de carro) e não sabia como pagar contas e fazer essas coisas de adulto. Dessa forma, fui eu, toda cheia de expectativa, morar em uma pensão em Niterói (bem pertinho mesmo da faculdade. Ia andando e chegava em menos de cinco minutos). Segundo dizem, minha mãe, que me levava para lá no domingo à noite e me buscava na sexta (para passar o fim de semana em casa) demorou a parar de chorar toda vez que me largava “sozinha” na “casa nova”.

Esse “sozinha”, na verdade, quer dizer sem papai, mamãe e irmão. Eu acabei indo morar com duas meninas super legais, que foram excelentes companheiras até um certo ponto da faculdade. Depois, tive que me mudar. Me mudei umas cinco vezes e acabei expulsa de um dos lugares (com as coisas jogadas no meio da rua! Loucura, gente!). Dava para escrever um livro com todas as histórias que eu acumulei em quatro anos de curso. Histórias recheadas de lágrimas, muitas confusões, mas, principalmente, diversão e aprendizado.

No caso, o aprendizado não foi só para mim. Enquanto eu aprendia a crescer, a conviver com pessoas novas, hábitos novos e vida noturna, minha família aprendia a deixar de ser super protetora, a confiar mais em mim e a entender que tinha que me largar para eu me desenvolver e virar a pessoa que sou hoje. Me orgulho de mim. Olho outras pessoas com a idade que eu tinha na época (e até mais velhas) e vejo o quanto fariam bem uns aninhos longe de casa, sem o conforto dos pais sempre por perto e fazendo tudo. Não é fácil, mas ensina a viver.

E, assim, muito resumidamente, a faculdade passou e eu voltei a morar com meus pais (no caso, minha mãe e meu irmão. Houve uma separação nesse meio tempo). Não durou. Em menos de dois anos eu saí outra vez. Não entenda mal: minha família é ótima. Mas eu já era grande o suficiente. E apaixonada!!! Fui morar junto <3

E assim começa a parte 2 (aguardem!). Fora de casa igual, mas com tudo diferente.  

Texto escrito por Juliana Dias, a garota que ama gatinhos.

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