quarta-feira, 1 de abril de 2015

A ficha que só caiu no último Natal

Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 2014 – 16h34

Acho que foi nesse exato momento que descobri que eu cresci. :D

Acordei cedo (ou melhor, fui acordada). Enrolei no sofá vendo programas natalinos e nada de interessante. Eis que lembrei de um probleminha: amanhã tenho um almoço em família, e não comprei nada do que tinham me incumbido de levar. Ou seja, vamos de mercado “NOW”!

Depois de procurar um carrinho e não achar, o jeito foi me esquivar nas filas até achar uma cesta vazia.

Vou direto para a sessão bebidas, afinal, além da farofa de ovos, teria que levar um pack de cerveja + meu presente do rouba-rouba. Pelo segundo ano consecutivo escolhi uma vodka importada que todos lutam para ficar. Juro! Só vendo! Hahaha

Bom, agora é INSpirar, RESpirar, para NÃO pirar. Se não bastasse aquele peso das garrafas, as filas estavam dando voltas pelos corredores das sessões. O jeito é esperar. Como dizem: brasileiro deixa tudo a última hora.

Talvez nesse momento a ficha começou a querer cair: Cadê a minha mãe agora?! Porque, com certeza, se eu morasse com ela, já estaria tudo no esquema e eu não precisaria passar por tudo isso.

Chegando em casa lembrei: tenho que pendurar a roupa que está na máquina, pois preciso ter uniforme limpo para trabalhar na sexta-feira. Aiii, Jesus! Cadê "mamadiii"?!!

Mas não bastava tudo isso para o dia, não é?!  Faltava arrumar a mochila e partir casa da mamis. OBS: Só não podemos esquecer de um detalhe importantíssimo: três bus até chegar lá, só para passar a noite com ela e voltar no dia seguinte (cedo), porque tem o resto da família para comemorar.

No momento em que escrevi este texto estava em um ônibus superconfortável, deitada, mas sem conseguir fechar os olhos, pois a estrada não é das melhores e as ruas estão desertas. Já estava batendo o cansaço, mas tinha que me lembrar que esses momentos com a minha mãe e a minha avô estão cada vez mais raros. Lembrar que as vezes quero correr para o colinho dela, porque estou realmente precisando, “buuut” o trabalho não deixa. Lembrar também que muitas vezes ORO A DEUS para ter esses momentinhos (por menores que sejam) o mais rápido possível.

É...  Acho que esse negócio de morar sozinha e ter que crescer (mesmo sem querer) nem é tão mar de rosas como todo mundo imagina. Não se sentir em casa na casa dos seus pais é um dos primeiros “estalos” de que você está crescendo. Sentir saudade da sua solidão é bom, mas viver sempre sozinha, nem tanto. Uma confusão de sentimentos que ninguém entende, acho que nem mesmo eu, que já estou “sozinha” há tanto tempo.

O importante é não deixar esse tipo de pensamento/sentimento chegar. E se chegar, joga pro ar! Deixe o vento levar. Aproveite enquanto você ainda não construiu a sua família e “babe” muito a sua enquanto pode. Afinal, a vida passa rápido e a gente nem vê tempo passar.

Bjoks Kika (Herica Peixoto – 24 anos)

Texto escrito por Herica Peixoto, a garota que um dia vai lançar as suas cartas em formato de livro.


Nenhum comentário:

Postar um comentário