quarta-feira, 25 de março de 2015

Um pé lá e o coração aqui

Eu tenho 29 anos... Caraca! Esses dias mesmo estava fazendo "cover" das Spice Girls. Agora moro nos Estados Unidos, sou casada e tenho um filho. Caraca!

Se sinto saudade? Algumas vezes, a saudade é tão forte que parece que meu coração vai explodir. Sinto saudade de andar a rua enorme da Merck (lugar onde meus pais moram) e depois ainda ter que subir cinco lances de escada de um prédio sem elevador. Sinto saudade do barulho das crianças brincando no condomínio dos meus pais e até do cachorro chorão do vizinho de baixo, que tantas vezes atrapalhou meu descanso.

Sinto saudade de sair de casa sempre mais cedo para fugir do engarrafamento e chegar no horário aos meus compromissos. E saudade de esperar pelo final de semana ansiosamente. Sinto saudade de toda sexta-feira à noite ligar para os meus amigos para descobrir onde iríamos nos encontrar. Sinto saudade de ter que dormir na casa da minha melhor amiga por ter passado da hora de pegar um ônibus com segurança (consequência de não saber dirigir naquela época).

Sinto saudade de chegar em casa depois de um fim de semana agitado e de ter aquele super almoço de domingo em família. Ah! Como sinto saudade da comidinha da mamãe. E por falar em mamãe, sinto saudade de assistir com ela àqueles programas de TV que só mesmo nós duas para gostar.

A menina que sonhava em encontrar um amor, hoje é uma mulher feliz ao lado do homem de sua vida. Amo nossa família! Amo nossa vidinha juntos. Filhos? Já tínhamos um casal: uma menina linda chamada Josie e um menino amoroso chamado Dutch (Tá. Você pode dizer que eles são, na verdade, uma cadela e um gato. Mas pra mim são os meus bebês). 

Em maio de 2014, realizamos nosso grande sonho. Nosso menininho chegou! Meu Deus, sou mãe! Se meu marido e eu já éramos felizes antes, agora felicidade não é suficiente para descrever o que estamos sentindo. 

O tempo passa rápido. A vida segue seu rumo. De Debinha passei a ser chamada de Mrs. Vesey. De menina virei mãe. 

Porém não pensem que minha estrada foi fácil, que tenho uma vida perfeita. Como foi difícil deixar de depender de pessoas, de relacionamentos e de instituições que sustentavam meu conformismo. Vivia com medo do que os outros pensariam de mim. Me perdi por um tempo, precisei recomeçar tantas vezes... Foram muitas decepções, muitas portas fechadas. Para me deixar ser feliz, tive que lidar com os meus defeitos, aprender com os meus erros e deixar de ter medo do imprevisível para aproveitar cada momento do inesperado.

Ah! O inesperado.. Sou mãe, sou esposa, sou residente de outro país e, ainda assim, sou eu mesma. Se pudesse contar pra Debinha de 15 anos atrás como sua vida estaria hoje, acho que ela jamais iria acreditar em minhas palavras. 

Como minha vida mudou nos últimos seis anos!  E tudo começou quando eu disse sim a felicidade, mesmo tendo que abrir mão de muita coisa para tentar alcançá-la.

Sim, eu cresci! E a verdade é que antes de me permitir ser quem sou hoje, tive que aprender o verdadeiro significado da palavra saudade.

Saudade é quando tivemos um dia algo/alguém especial em nossas vidas e que nem o tempo ou a distância pode mudar o que isso representou para nós. Penso no Brasil e em todos que eu amo que ainda estão lá como parte presente em minha vida. E sei que não importa quanto tempo eu fique longe, todas as vezes que retornar, todos esses momentos tão simples e especiais estarão lá esperando por mim.

Eu cresci quando aprendi a lidar com a saudade e quando entendi que não é preciso estar perto para estar junto. Estou junto de todos os que eu amo a cada conquista, a cada sofrimento, a cada realização de sonho. Eu cresci quando aprendi que a saudade nada mais é que seu coração te lembrando de momentos e pessoas que fazem o amor se tornar algo infinito e onipresente.

Eu cresci quando aprendi que a vida te leva para lugares que você nunca pensou em ir. Que o amor aparece quando você menos espera. E que quando você está feliz, aqueles que te amam também estão.

Texto escrito por Débora Breder, a brasileira com um pé "nos States" e o coração no Brasil.

Debinha virou  Mrs. Vesey e agora segura seu pimpolho Jake

Nenhum comentário:

Postar um comentário