quarta-feira, 11 de março de 2015

A tal geladeira

Uma geladeira. Como ela pode ajudar a contar a minha história? Já já vocês vão entender.

Morar sozinha sempre foi mais que um sonho pra mim, sempre foi uma meta.

Quando criança, eu dizia que ia morar sozinha com 16 anos (idade que eu acabaria o Ensino Médio). É obvio que isso não foi possível. Mas aos 24 anos, após terminar um relacionamento de 7 anos, decidi mudar de vida, deixar a casa da mamãe pra trás e conquistar o meu espaço.

Preciso dizer que a casa da minha mãe nunca foi um lugar onde eu tive "vida boa", sempre ajudei nas tarefas e despesas de casa e como morávamos só nós duas tudo era bem dividido entre nós. Porém, como a necessidade de ter o meu lugar era imensa, achei uma casinha bem pequena e aconchegante; foi então que comecei a me preocupar com uma coisa muito importante: mobília.

Aí que entra a tal geladeira. Pra me ajudar a dar o pontapé inicial na minha vida de "adulta", minha mãe me deu todos os móveis que tínhamos em casa. Isso mesmo, ela me deu tudo. Entre todos os itens ela me deu a geladeira.

Mudança acontecendo, aquela loucura toda, aquelas lágrimas, aquela correria... e nesse momento eu tinha a ajuda de um amigo do trabalho: o Nícolas (guardem esse nome), que carregou peso, colocou coisas no lugar, deixou minha TV cair no chão... Foi super prestativo.

Enfim, eu tinha a minha casa. Mas a antiga moradora tinha deixado dívidas com a Light e eu fiquei morando duas semanas sem luz. Mas e a geladeira? Ela ficava ligada por uma extensão na casa da vizinha. A única luz que iluminava as noites da minha casa vinha dela.

Problema resolvido. E me apareceu um problema maior. Esse problema fez com que eu não ficasse nem três meses naquela casa. O Amor! Eu me apaixonei pelo Nícolas e começamos a namorar. Em pouco tempo noivamos, eu fui morar na casa dos pais dele e adivinha quem foi comigo? Ela mesma: a geladeira.

Moramos lá por dois anos aguardando a entrega do nosso apê. Tivemos tempo suficiente para planejar nosso casamento, nosso apartamento, comprar os móveis, eletrodomésticos. Ganhamos muitas coisas, mas uma eu não deixei que ninguém nos desse: a geladeira.

Ela me viu como a menina cheia de sonhos na casa da minha mãe, viu também a minha realização como dona do meu canto e dona do meu nariz. E, sobretudo, ela viu momentos felizes e momentos complicados na casa dos meu sogros. Toda ansiedade, todo preparo, todos os problemas da espera de dois anos que vivemos com os pais dele. 

E agora, enquanto escrevo, olho para minha cozinha e eu a vejo com seu dispenser de água me convidando a me refrescar nesse calor. Eu cresci e ela viu isso tudo. Ela e cada pedaço dessa casa são o meu castelo. E aquele Nícolas de quem eu falei... é o meu príncipe encantado.

Texto escrito por May Araujo, aquela que valoriza quem esteve com ela em todos os momentos.

May e seu amor pra vida toda.

4 comentários:

  1. Que coisa mais linda meudeuzooooo.....adorei!!! Mto fofa essa história!! E que sua geladeira presencie ainda muitas outras! Loga vida pra ela!!! Grande beijo

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  2. Linda história!!!´Como é importante darmos importância a coisas assim tão pequenas mais importantes em nossas vidas. PARABÉNS!!!

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