segunda-feira, 30 de março de 2015

O mistério dos alvejantes

Se existe uma coisa que eu não sei fazer em casa é lavar roupa. Já tentei de todas as formas, mas aquela mancha que todos os alvejantes juram tirar na primeira lavagem não sai nem na quinta. Então, o problema só pode estar em mim, claro. Por isso, estou aqui pra pedir a ajuda de vocês. Será que estou fazendo errado? Olhem só!

Separo as roupas em coloridas e claras (não apenas brancas) e nesta separação também subdivido em roupas delicadas. Cada montinho vai pra máquina e eu regulo o nível da água e o tipo de lavagem em pesada, normal ou delicada. Coloco em cada compartimento da máquina a quantidade exata que cada fabricante recomenda de sabão líquido, alvejante e amaciante. Agora, se a roupa tiver alguma mancha fodástica eu coloco alvejante sobre a mancha e deixo agir por alguns minutos antes de colocar na máquina com mais alvejante (aquele que geral conhece, que vive aparecendo na TV como o santo milagroso das donas de casa). Ou seja, faço como o comercial manda. A mancha vai sair. SQN (Só Que Não). Teve um dia que, irritada, eu li direitinho o tal rótulo e lá mandava deixar a peça de molho no tal santo milagroso em água quente antes de mandar pra máquina. Fiz. Não resolveu. 

Gente, parece que estou falando da blusa de uma criança que rolou na lama e deixou de molho na urina do cachorro né? Mas não. É sujeira do dia a dia mesmo. O mais estranho é que nos comerciais parece tão fácil: aquelas mulheres com caras de executivas lavando com orgulho e satisfação a camisa da filha moleca que volta preta da escola e a camisa fica mais branca do que quando estava na loja. Qual é o mistério? Por favor, me ensinem. Quero minhas meias e camisas alvinhas de novo. Tks.





quarta-feira, 25 de março de 2015

Um pé lá e o coração aqui

Eu tenho 29 anos... Caraca! Esses dias mesmo estava fazendo "cover" das Spice Girls. Agora moro nos Estados Unidos, sou casada e tenho um filho. Caraca!

Se sinto saudade? Algumas vezes, a saudade é tão forte que parece que meu coração vai explodir. Sinto saudade de andar a rua enorme da Merck (lugar onde meus pais moram) e depois ainda ter que subir cinco lances de escada de um prédio sem elevador. Sinto saudade do barulho das crianças brincando no condomínio dos meus pais e até do cachorro chorão do vizinho de baixo, que tantas vezes atrapalhou meu descanso.

Sinto saudade de sair de casa sempre mais cedo para fugir do engarrafamento e chegar no horário aos meus compromissos. E saudade de esperar pelo final de semana ansiosamente. Sinto saudade de toda sexta-feira à noite ligar para os meus amigos para descobrir onde iríamos nos encontrar. Sinto saudade de ter que dormir na casa da minha melhor amiga por ter passado da hora de pegar um ônibus com segurança (consequência de não saber dirigir naquela época).

Sinto saudade de chegar em casa depois de um fim de semana agitado e de ter aquele super almoço de domingo em família. Ah! Como sinto saudade da comidinha da mamãe. E por falar em mamãe, sinto saudade de assistir com ela àqueles programas de TV que só mesmo nós duas para gostar.

A menina que sonhava em encontrar um amor, hoje é uma mulher feliz ao lado do homem de sua vida. Amo nossa família! Amo nossa vidinha juntos. Filhos? Já tínhamos um casal: uma menina linda chamada Josie e um menino amoroso chamado Dutch (Tá. Você pode dizer que eles são, na verdade, uma cadela e um gato. Mas pra mim são os meus bebês). 

Em maio de 2014, realizamos nosso grande sonho. Nosso menininho chegou! Meu Deus, sou mãe! Se meu marido e eu já éramos felizes antes, agora felicidade não é suficiente para descrever o que estamos sentindo. 

O tempo passa rápido. A vida segue seu rumo. De Debinha passei a ser chamada de Mrs. Vesey. De menina virei mãe. 

Porém não pensem que minha estrada foi fácil, que tenho uma vida perfeita. Como foi difícil deixar de depender de pessoas, de relacionamentos e de instituições que sustentavam meu conformismo. Vivia com medo do que os outros pensariam de mim. Me perdi por um tempo, precisei recomeçar tantas vezes... Foram muitas decepções, muitas portas fechadas. Para me deixar ser feliz, tive que lidar com os meus defeitos, aprender com os meus erros e deixar de ter medo do imprevisível para aproveitar cada momento do inesperado.

Ah! O inesperado.. Sou mãe, sou esposa, sou residente de outro país e, ainda assim, sou eu mesma. Se pudesse contar pra Debinha de 15 anos atrás como sua vida estaria hoje, acho que ela jamais iria acreditar em minhas palavras. 

Como minha vida mudou nos últimos seis anos!  E tudo começou quando eu disse sim a felicidade, mesmo tendo que abrir mão de muita coisa para tentar alcançá-la.

Sim, eu cresci! E a verdade é que antes de me permitir ser quem sou hoje, tive que aprender o verdadeiro significado da palavra saudade.

Saudade é quando tivemos um dia algo/alguém especial em nossas vidas e que nem o tempo ou a distância pode mudar o que isso representou para nós. Penso no Brasil e em todos que eu amo que ainda estão lá como parte presente em minha vida. E sei que não importa quanto tempo eu fique longe, todas as vezes que retornar, todos esses momentos tão simples e especiais estarão lá esperando por mim.

Eu cresci quando aprendi a lidar com a saudade e quando entendi que não é preciso estar perto para estar junto. Estou junto de todos os que eu amo a cada conquista, a cada sofrimento, a cada realização de sonho. Eu cresci quando aprendi que a saudade nada mais é que seu coração te lembrando de momentos e pessoas que fazem o amor se tornar algo infinito e onipresente.

Eu cresci quando aprendi que a vida te leva para lugares que você nunca pensou em ir. Que o amor aparece quando você menos espera. E que quando você está feliz, aqueles que te amam também estão.

Texto escrito por Débora Breder, a brasileira com um pé "nos States" e o coração no Brasil.

Debinha virou  Mrs. Vesey e agora segura seu pimpolho Jake

segunda-feira, 23 de março de 2015

Mistureba boa

Na falta de tempo e de ingredientes, o jeito é improvisar e isso é o que euzinha mais faço na cozinha. Infelizmente, o único dom que eu tenho associado aos talheres é para comer (e muito), então faço pratos simples e rápidos, mas bem gostosinhos. O de hoje é especialmente para você, que não foi ao mercado renovar o estoque da despensa, mas sente a fome de 500 mendigos e precisa colocar alguma coisa pra dentro.

Vamos lá? Abra a geladeira e pegue uma batata de média pra grande e um bife de boi ou frango. Eu optei por frango (tá mais em conta né? Brincadeira. Eu prefiro frango mesmo). Tempere normalmente o bife e prepare um pouco de arroz como de costume. Enquanto isso, vamos à batata. É uma batata pseudo assada (pra ir mais rápido, eu faço no microondas). Basta fazer alguns furos com uma faca pequena, enrolar toda a batata em papel toalha e levar ao microondas por cinco minutos. Depois, tire-a de lá (com cuidado pra não se queimar, tá?) e abra-a ao meio, jogue um pouco de sal, coloque algumas colheres de requeijão, um punhado de azeitona, champignon e pimenta biquinho. Pode acrescentar bacon, calabresa ou outros ingredientes. 

Batata pronta, hora do bife. Dê aquela grelhada na carne e faça uma graça acrescentando algum ingrediente que tenha colocado na batata. Como eu adoro champignon... Agora é só montar o prato: batata pseudo assada num canto, bife no outro e algumas colheres de arroz para acompanhar. 

Tá vendo como morar sozinha não é sinônimo de passar fome? :)


domingo, 15 de março de 2015

O bom filho a casa torna

Há uma semana estou morando na casa da minha mãe de novo. Minha avó diz que eu vim pra cá com mala e cuia. Eu digo que vim com mala e cachorras. Mesmo sendo um retorno temporário (devido ao meu resguardo) não tinha como deixar minhas filhotas sozinhas.

Confesso que ficar na casa da mamãe está sendo uma delícia. Comidinha (de verdade) todos os dias, café com leite na cama e muita, muita atenção.

Mas, apesar de todos os mimos, não há lugar como o nosso lar, não é mesmo? Minhas filhotas já estão acostumadas com o cantinho delas e se sentem um pouco perdidas na casa da "avó". Eu também estou um tanto perdida sem saber onde ficam as coisas, desde o açúcar pra adoçar o café, até calçados e roupas de cama. Afinal, desde que saí daqui muita coisa mudou. Só pra você ter uma leve ideia, o meu antigo quarto virou um quarto de brinquedos.

O engraçado é que com todas essas mudanças, sem saber onde ficam as coisas, ainda me sinto parte dessa casa, da rotina corrida da minha mãe. Verdadeiramente, me sinto em casa. Acho que é inevitável né?! Foram 20 anos aqui. Mas agora, quando olho pro meu quarto e vejo ele tão diferente, com o jeitinho da minha sobrinha, percebo que meu tempo aqui realmente acabou. Preciso voltar para o meu cafofo  (de mala, cuia e peludas). É, foi bom enquanto durou (e ainda tenho mais uma semaninha aqui; vou voltar pra casa rolando de tanta comida que minha mãe me dá).

quarta-feira, 11 de março de 2015

A tal geladeira

Uma geladeira. Como ela pode ajudar a contar a minha história? Já já vocês vão entender.

Morar sozinha sempre foi mais que um sonho pra mim, sempre foi uma meta.

Quando criança, eu dizia que ia morar sozinha com 16 anos (idade que eu acabaria o Ensino Médio). É obvio que isso não foi possível. Mas aos 24 anos, após terminar um relacionamento de 7 anos, decidi mudar de vida, deixar a casa da mamãe pra trás e conquistar o meu espaço.

Preciso dizer que a casa da minha mãe nunca foi um lugar onde eu tive "vida boa", sempre ajudei nas tarefas e despesas de casa e como morávamos só nós duas tudo era bem dividido entre nós. Porém, como a necessidade de ter o meu lugar era imensa, achei uma casinha bem pequena e aconchegante; foi então que comecei a me preocupar com uma coisa muito importante: mobília.

Aí que entra a tal geladeira. Pra me ajudar a dar o pontapé inicial na minha vida de "adulta", minha mãe me deu todos os móveis que tínhamos em casa. Isso mesmo, ela me deu tudo. Entre todos os itens ela me deu a geladeira.

Mudança acontecendo, aquela loucura toda, aquelas lágrimas, aquela correria... e nesse momento eu tinha a ajuda de um amigo do trabalho: o Nícolas (guardem esse nome), que carregou peso, colocou coisas no lugar, deixou minha TV cair no chão... Foi super prestativo.

Enfim, eu tinha a minha casa. Mas a antiga moradora tinha deixado dívidas com a Light e eu fiquei morando duas semanas sem luz. Mas e a geladeira? Ela ficava ligada por uma extensão na casa da vizinha. A única luz que iluminava as noites da minha casa vinha dela.

Problema resolvido. E me apareceu um problema maior. Esse problema fez com que eu não ficasse nem três meses naquela casa. O Amor! Eu me apaixonei pelo Nícolas e começamos a namorar. Em pouco tempo noivamos, eu fui morar na casa dos pais dele e adivinha quem foi comigo? Ela mesma: a geladeira.

Moramos lá por dois anos aguardando a entrega do nosso apê. Tivemos tempo suficiente para planejar nosso casamento, nosso apartamento, comprar os móveis, eletrodomésticos. Ganhamos muitas coisas, mas uma eu não deixei que ninguém nos desse: a geladeira.

Ela me viu como a menina cheia de sonhos na casa da minha mãe, viu também a minha realização como dona do meu canto e dona do meu nariz. E, sobretudo, ela viu momentos felizes e momentos complicados na casa dos meu sogros. Toda ansiedade, todo preparo, todos os problemas da espera de dois anos que vivemos com os pais dele. 

E agora, enquanto escrevo, olho para minha cozinha e eu a vejo com seu dispenser de água me convidando a me refrescar nesse calor. Eu cresci e ela viu isso tudo. Ela e cada pedaço dessa casa são o meu castelo. E aquele Nícolas de quem eu falei... é o meu príncipe encantado.

Texto escrito por May Araujo, aquela que valoriza quem esteve com ela em todos os momentos.

May e seu amor pra vida toda.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Receita para um dia preguiçoso

Segunda-feira é o dia nacional da preguiça e isso inclui preguiça de cozinhar também. Maaaas, não dá pra viver à base de fastfood, ou a balança vai reclamar e você também quando se olhar no espelho e der de cara com uma imagem que, definitivamente, não te representa. Isso sem contar na saúde né?

Então, galerinha, como eu sei que a maioria não participaria do MasterChef Junior se ainda fosse criança e nem tem tempo pra cozinhar com a atribulada vida que levamos, vou dar uma dica rápida e bem gostosa pra você fazer ainda hoje. Essa eu fiz minutos antes de sair pra trabalhar, mas já fiz outras tantas quando cheguei do trabalho (afinal, lá pelas nove horas da noite não há fome que me faça ficar muito tempo na cozinha, até porque o ronco da barriga pede comida em tempo recorde).

Pra calar a boca do estômago, a dica de hoje é uma salada de macarrão. Nem adianta fazer cara feia. Essa é boa até pra quem não curte salada. Vamos à receita!

- Cozinhe um pouco de macarrão e, claro, escorra a água quando ele estiver pronto.

- Coloque metade numa travessa e acrescente algumas colheres de maionese, metade de uma lata de atum, um punhado de champignon, azeitonas sem caroço, mini milho, passas e pimenta biquinho. 

- Mexa todos os ingredientes para ficarem bem distribuídos na travessa, e o macarrão ficar besuntado de maionese e atum. 

- Depois, coloque o restante do macarrão e mais algumas colheres de maionese, o restante do atum e mais um pouco dos outros ingredientes. 

- Mexa bem e leve à geladeira pra ficar bem geladinha. Depois de uns 15 minutos...tcharaaan! Uma delícia. Claro que os ingredientes são apenas sugestões. Como eu amo passas e pimenta biquinho, encho a mão nessa hora. Você pode colocar outros que preferir e até acrescentar algumas folhas de alface, rúcula, agrião, enfim, o que achar melhor.

A ideia é ficar bem alimentado sem perder muito tempo na cozinha. ;)


domingo, 1 de março de 2015

Beleza e caos

Hoje não seria dia de post, mas como é uma data muito especial, não pude deixar de registrar aqui...

Como algumas pessoas que acompanham o blog sabem (se não sabe ainda é só ir nos primeiros posts. Sem preguiça! O blog ainda é um bebê; vai achar fácil os primeiros textos) eu passei (longos) cinco meses morando em Brasília por causa do trabalho. Mas cariocas não gostam de dias nublados. Cariocas gostam de morros, não de horizontes. Então, tente imaginar como foi a experiência desta carioca aqui em terras secas do Brasil.

Brasília não tem um morrinho pra barrar a minha visão. Lá não tem árvores por todo o canto como aqui. Ok. As pessoas de lá salvam. As que conheci são muito legais. O Parque da Cidade também é lindo. Mas não há nada como o nosso lar. E como hoje é o aniversário de 450 anos da cidade onde nasci e cresci, criei esse post pra mostrar as belezas do Rio sob o meu olhar (que não é de turista). 

Eu moro em Jacarepaguá. Se você não é do Rio, pode nunca ter ouvido falar nesse bairro, que de tão grande parece uma cidade, mas tenha certeza que é bem famoso, afinal é por aqui que fica a Central Globo de Produções (Projac. Novelas da Globo. Tá sabendo né?). Então, você já tem uma leve noção que esbarrar com artista pelo shopping e até pelas ruas não é muito difícil. E é aqui em Jacarepaguá que tem um morro lindo, que, por sinal, vive aparecendo nas novelas globais: é o gigante de JPA (abreviação de Jacarepaguá). Ele lembra um gigante adormecido. E o que dizer da famosa Pedra da Gávea, que lembra um rosto e já foi cenário do filme dos Trapalhões com a Angélica? Ela fica no bairro da Gávea, mas da minha janela dá pra ver. Eu acordo todos os dias e dou de cara com ela. Tem como não amar? 

Claro que o trânsito que disputa o primeiro lugar com São Paulo e os pivetes que tentam levar aquele cordão de R$ 1,99 na marra fazem do Rio um caos. Mas as belezas naturais daqui me encantam tanto que não há outro lugar que me prenda para viver. Aqui eu naIsci, creIsci e vou falar assim, com "i" sempre que houver um "sc" mexxxxxmo. Porque carioca pode ir pra qualquer canto do mundo, ser ciente dos problemas da cidade, mas não perde o sotaque e sempre volta morrendo de saudade dos 50ºC que fervem o asfalto no verão (é, meu povo, a música de Fernanda Abreu está defasada para o desespero de quem não tem ar-condicionado em casa. Tipo eu). E viva os 450 anos do Rio! Porque esse post foi só pra dizer que eu aaaaamo a minha cidade (que está ficando mais velha hoje) e viver aqui pode ser caótico, mas é a minha cidade, o meu mundo, a minha casa. E não há lugar melhor do que o nosso lar, não é mesmo?

PS: amanhã (como toda santa segunda-feira) tem post novinho pela manhã. Fica ligado! ;)

Turistando na cidade purgatório da beleza...Esse é o meu dia a dia.