quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ganhei asas e fui para a Europa

Quando fui convidada para escrever sobre esse assunto no blog me peguei pensando em que momento da minha vida eu tinha crescido e se isso realmente tinha acontecido. Fiz uma retrospectiva dos últimos acontecimentos e percebi que nesses últimos dois anos minha vida mexeu, remexeu, virou de cabeça para baixo, deu uma pirueta e finalizou com um plié.  E não é que eu gostei desse lado do avesso que a vida me virou?!

Acho que o crescimento vem devagarzinho, sem você perceber, pelo menos comigo foi assim. No inicio de 2013 minha vida mudou completamente quando conheci a pessoa que viria a ser o meu marido. Pois é, nunca me imaginei com 25 anos casada (sim, eu considerava essa idade muito nova pra casar, mas a vida é cheia de surpresas e, como eu disse, ela me virou de cabeça pra baixo), nunca me imaginei casando com alguém que não fala a minha língua materna e muito menos morando em um país diferente.

Na verdade, quando eu comecei a namorar o meu marido (ainda estou me acostumando com essa palavra Ok? rs) eu cresci também, pois tive que aprender como funciona um relacionamento a distância, quebrar paradigmas (a pessoa aqui ria quando alguém falava que namorava a distância). 

Como namorar alguém assim? Como namorar sem o dia-a-dia? Sem o contato físico, sem o cheiro da pessoa pela casa? Como? Mas eu descobri que é possível sim. Que quando a gente quer madrugada vira dia, tempestade é manhã de sol e alguns mil quilômetros são logo ali na esquina. Eu aprendi um amor diferente, um amor leve, sem ciúmes, um amor com confiança, com saudade, um amor gostoso de viver e que, apesar de distante, não me fazia sentir sozinha, um amor envolvendo toda a tecnologia e mídias sociais possíveis (Skype e WhatsApp, meus queridos companheiros, “tamo aí”). E ai veio aquele sentimento de que não dava mais pra viver assim por muito tempo e que precisávamos estar perto um do outro. Então, vamos casar! Cheguei à Suíça em agosto, dessa vez pra ficar, pra casar, pra morar pra sempre (esse é o plano rs) e acho que é aqui que começa a parte mais desafiadora: morar longe dos pais, dos amigos, do país. Dessa vez não tem essa de ligar para o pai e pedir pra ele me buscar e me salvar de alguma enrascada. De ir pra casa da mamãe só porque bateu aquela saudade do colinho e da comidinha que só ela faz. Agora não é tão simples assim. Além de ter que aprender a falar alemão, tenho que aprender a me virar em alemão. Isso sem contar os micos básicos de pronunciar palavras tão parecidas, mas com significados tão diferentes; de ficar abismada com coisas que para eles são super normais, mas pra mim era como descobrir um universo paralelo, como comprar produtos frescos sem nenhum vendedor. Isso mesmo! Não tem ninguém no local. Você pega a mercadoria e põe o dinheiro em uma caixinha. Oi? Achei fantástico! E quem nunca tentou lavar o banheiro aqui e depois dele todo ensopado de água e sabão descobriu que não tem ralo, não sabe o que é decepção HaHaHaHaHa. Mil coisas diferentes, mil coisas pra aprender, mil coisas pra contar, a cada dia é um aprendizado.

Nesses seis meses morando juntos vejo como é gostoso morar junto, compartilhar as coisas, cuidar e ser cuidada. Meu marido é independente, mora sozinho desde os 18, mas casa de homem solteiro sabe como é né, tem o essencial. Aqueles bibelôs e 50 mil enfeites que você viu nas revistas mais tops de decorações passam longe da estante da sala do boy. Mas até que acho isso bom, porque assim fazemos isso juntos, vamos decorando aos poucos do nosso jeitinho. 

Morar aqui está me ensinando a descobrir uma nova cultura, um novo estilo de vida, uma nova língua, a ser mais independente. Afinal, agora estamos construindo a nossa família. É como se agora o jogo fosse pra valer, e eu não pudesse mais ser “café com leite”.


Texto escrito por Thaís Cavaggioni, a deusa do pole.


Um casamento de princesa na Suíça


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