sábado, 14 de fevereiro de 2015

Animais em casa

Tenho percebido uma tendência de jovens que saíram da casa dos pais a adotarem gatos e me pergunto se isso é medo da solidão. Talvez seja. Eu mesma não acharia minha casa atraente se chegasse do trabalho sem ser recebida com os pulos e lambeijos da Nina e da Layla. Alguns podem dizer que elas são apenas cachorras, mas eu digo que são minhas filhas de quatro patas. Converso com elas e (juro) elas me respondem.

Sem elas em casa eu já teria surtado. Imagina acordar e não ter ninguém para dar "bom dia". Chegar do trabalho e não ter a quem abraçar, perguntar como passou o dia. Por isso, entendo perfeitamente quando vejo minhas amigas adotando gatos ao se mudarem. Eu, claro, prefiro cachorro, mas é totalmente aceitável a escolha delas: como o felino é mais independente, elas, com suas vidas sociais atribuladas, se sentem menos culpadas ao deixá-los sozinhos por muitas horas.

Sou apaixonada por bichinhos. Além da Layla e da Nina, já tive dois esquilos da Mongólia (Felipa e Sincero) e uma calopsita chamada Vitória. Todos recebiam de mim muita atenção e carinho. Não são bichos; são filhos de patas. Adoraria ter a Vitória de volta (como ela se sentia muito sozinha, deixei ela com a minha cunhada, que tem outros pássaros) e mais um gatinho e um porquinho (não da Índia. Porquinho mesmo). O único impedimento é "com quem deixar o meu zoo quando eu viajar?" Não que eu viaje muito, mas preciso pensar em tudo isso. Afinal, da mesma forma quando se tem filhos, existe todo um planejamento: não tenho mais do que a quantidade que posso sustentar com dinheiro, amor e atenção.

A Layla e a Nina dão muito trabalho, confesso. Se eu não der comida, corro o risco de encontrá-las duras ao chegar do trabalho. Tenho que passear com elas, dar banho, escovar, trocar a água, limpar a varanda. Além disso, Layla toma remédio diariamente e, mensalmente, ou a cada dois meses, gosto de levá-las ao veterinário pra "dar um confere". Bem mãe que leva o filho ao pediatra todo mês. Pensando bem, as crianças que conheço não vão ao médico todos os meses. Enfim...

Meu apê seria muito mais limpo, minha carteira muito mais cheia, minhas horas mais ociosas, mas minha vida não teria a menor graça se eu não tivesse com quem dividir o tapete da sala quando chego cansada do trabalho, e se eu tivesse que tomar banho sem duas pimpolhas peludas na porta me esperando. Por tudo isso: sim, ADOTE (não compre) um bichinho quando sair da casa dos pais. Mas apenas se você tiver um mínimo de tempo pra dedicar a ele, que, é claro, vai querer te dar muito amor.

Layla, Nina, Sincero, Felipa e Vitória: pequenos seres que me fizeram (ainda fazem) muito feliz.

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