sábado, 31 de janeiro de 2015

De médico e louco todo mundo tem um pouco

Hoje eu vim falar sobre um assunto que muita gente julga ser coisa de maluco; outras dizem que é coisa de quem não tem amigos. Eu mesma já tive as duas opiniões. O tema é..terapia.

Durante anos me sugeriram fazer psicoterapia, mas eu sempre corri dizendo que não precisava porque tinha amigas para me ouvir, que era muito estranho pagar uma pessoa para ficar lá, por uns 50 minutos, ouvindo meus problemas sem a menor vontade. Até que um dia cedi a pressão. Mas como eu fui contrariada (apenas para dizer: tá vendo! Isso não serve pra mim), as consultas não funcionaram. Passei por duas psicólogas e tive a mesma postura defensiva, sem ME dar a oportunidade de gostar. Até que...

Chegou uma época em que senti a necessidade de uma pessoa totalmente imparcial para ouvir os meus problemas. Foi então que voltei para a minha primeira psicóloga e... amei. Mas daí tive que me mudar para Brasília, como vocês sabem, e as sessões foram interrompidas num momento muito importante, devido às mudanças que estavam acontecendo.

O tempo que passei na capital do Brasil me senti muito sozinha, e, claro, minha psicóloga fez falta. No início, eu realmente achava estranho passar quase uma hora conversando sobre coisas tão íntimas com um pessoa que estava me ouvindo só porque estava sendo paga pra me ceder alguns minutos do seu tempo. Mas depois eu pensei: quer saber?! Ela está ganhando pra isso, então vou aproveitar; falar tudo que me angustia. Foi só quando eu me desarmei que as consultas passaram a funcionar. E os 50 minutos começaram a ser pouco, porque eu passei a falar (e muito) sobre tudo: coisas boas, coisas ruins, neuras, conquistas...

A psicoterapia foi um momento muito importante na minha vida. Foi quando eu passei a me ouvir. É claro que eu sabia de tudo que estava falando pra minha terapeuta, mas quando a gente fala em voz alta e ouve questionamentos de outra pessoa que te fazem pensar melhor no assunto para lhe responder, fica mais evidente a questão e o que precisa mudar para melhorar aqui ou ali.

Você pode usar o mesmo argumento que eu usava: “conversar com amigas é melhor porque elas te conhecem, já sabem pelo que você está passando”. Ou “converse com o espelho”. Mas, olha, garanto que não é a mesma coisa. É claro que as amigas são sempre boas opções para desabafar, mas não vá esperando bons conselhos para coisas decisivas em sua vida (casar ou comprar uma bicicleta, sair da casa dos pais, largar tudo pra fazer um intercâmbio), pois a amiga tende a aconselhar da forma como ela faria se fosse a vida dela. Se ela estiver com problemas em casa, é claro que vai sugerir que você use aquela picuinha com a sua mãe pra meter o pé no mundo e ganhar a sua independência. Se o sonho dela for morar nos EUA, vai te sugerir abandonar a faculdade e o emprego que tem aqui pra se aventurar lá fora. E se ela for do tipo princesinha que sonha com o próprio casamento, achando que isso é a solução dos problemas de qualquer mulher, você acha mesmo que ela vai responder o quê (ainda mais se ela for amiga do seu namorado)?!

Já uma psicóloga vai ser totalmente imparcial, porque ela não se coloca na sua vida. Ela não conhece o seu chefe, nem a sua mãe, ou o seu namorado. Então, ela vai te fazer perguntas, tanto para entender a questão, quanto para fazer você pensar sobre o assunto. E quando a gente pensa, olha que legal, as respostas surgem de nós. =)

Garanto! Foi somente com isso que eu comecei a crescer. Pra começar, cresci quando admiti a mim mesma que precisava sim de uma profissional orientando os meus pensamentos, porque sozinha eu estava confusa demais. E cresci ao perceber que as soluções estavam ao meu alcance, bastando me ouvir e pensar a respeito para saber o que fazer. Sem falar que é muito bom reservar uma hora da semana pra desabafar, contar aquilo que você não contaria nem pra sua sombra porque morre de vergonha (mas que a psicóloga não vai nem perceber, afinal, já ouviu tantas outras bizarrices antes de você chegar ao consultório).

Sinto falta de fazer psicoterapia. Espero que abra um espaço na agenda da minha psicoterapeuta logo pra eu voltar a ter um dia “pra me ouvir”. E aí, você já fez terapia? Gostou? Fugiu igual a mim? Compartilhe sua experiência aqui; pode ser muito útil para as outras leitoras. ;)

Esses são os "pensamentos do dia", que tinha que pegar no fim de cada sessão. Guardo todos até hoje.




2 comentários:

  1. Putz, fiz terapia por quase 2 anos e confesso que também tinha um certo preconceito antes, mas depois me apaixonei.
    Acho que o que mais me impressionava era o fato de falar sem se importar, sem ter medo de chocar ou de entediar a pessoa...Falar por falar. O mais legal era quando eu não tinha nada de importante pra dizer, nenhum problema, aflição, enfim...Nesses dias eu então falava sobre o meu dia, minha semana, descrevendo tudo que eu tinha feito, comido, pensado, falado...Mesmo as coisas mais banais...E essas eram as sessões mais interessantes! Porque eu revivia as coisas pequenas, e conseguia refletir sobre elas...O que não é possível no momento em que vc as vive, simplesmente porque no dia a dia vc tá meio que no automático, né? Então, reviver as coisas simples e pensar sobre elas é uma experiência sensacional!
    Aprendi e descobri muitas coisas sobre mim assim...E muitas vezes encontrei a resposta dos dias "com problemas" exatamente nos dias "sem problemas".
    Sinto saudades da terapia também. Um dia pretendo voltar :)

    Curti mto o post!
    Beijos!

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  2. Realmente, Manu, as sessões "sem problemas" eram muito gostosas. Era nesse momento que eu me dava conta de que a rotina, tão simples, também tinha coisa boa. Um simples almoço com colegas do trabalho (nada de especial aparentemente), passava despercebido. Mas quando eu falava sobre o almoço na terapia, revivia o dia, percebia o quanto de especial tinha aquele momento com os amigos.

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