sábado, 31 de janeiro de 2015

De médico e louco todo mundo tem um pouco

Hoje eu vim falar sobre um assunto que muita gente julga ser coisa de maluco; outras dizem que é coisa de quem não tem amigos. Eu mesma já tive as duas opiniões. O tema é..terapia.

Durante anos me sugeriram fazer psicoterapia, mas eu sempre corri dizendo que não precisava porque tinha amigas para me ouvir, que era muito estranho pagar uma pessoa para ficar lá, por uns 50 minutos, ouvindo meus problemas sem a menor vontade. Até que um dia cedi a pressão. Mas como eu fui contrariada (apenas para dizer: tá vendo! Isso não serve pra mim), as consultas não funcionaram. Passei por duas psicólogas e tive a mesma postura defensiva, sem ME dar a oportunidade de gostar. Até que...

Chegou uma época em que senti a necessidade de uma pessoa totalmente imparcial para ouvir os meus problemas. Foi então que voltei para a minha primeira psicóloga e... amei. Mas daí tive que me mudar para Brasília, como vocês sabem, e as sessões foram interrompidas num momento muito importante, devido às mudanças que estavam acontecendo.

O tempo que passei na capital do Brasil me senti muito sozinha, e, claro, minha psicóloga fez falta. No início, eu realmente achava estranho passar quase uma hora conversando sobre coisas tão íntimas com um pessoa que estava me ouvindo só porque estava sendo paga pra me ceder alguns minutos do seu tempo. Mas depois eu pensei: quer saber?! Ela está ganhando pra isso, então vou aproveitar; falar tudo que me angustia. Foi só quando eu me desarmei que as consultas passaram a funcionar. E os 50 minutos começaram a ser pouco, porque eu passei a falar (e muito) sobre tudo: coisas boas, coisas ruins, neuras, conquistas...

A psicoterapia foi um momento muito importante na minha vida. Foi quando eu passei a me ouvir. É claro que eu sabia de tudo que estava falando pra minha terapeuta, mas quando a gente fala em voz alta e ouve questionamentos de outra pessoa que te fazem pensar melhor no assunto para lhe responder, fica mais evidente a questão e o que precisa mudar para melhorar aqui ou ali.

Você pode usar o mesmo argumento que eu usava: “conversar com amigas é melhor porque elas te conhecem, já sabem pelo que você está passando”. Ou “converse com o espelho”. Mas, olha, garanto que não é a mesma coisa. É claro que as amigas são sempre boas opções para desabafar, mas não vá esperando bons conselhos para coisas decisivas em sua vida (casar ou comprar uma bicicleta, sair da casa dos pais, largar tudo pra fazer um intercâmbio), pois a amiga tende a aconselhar da forma como ela faria se fosse a vida dela. Se ela estiver com problemas em casa, é claro que vai sugerir que você use aquela picuinha com a sua mãe pra meter o pé no mundo e ganhar a sua independência. Se o sonho dela for morar nos EUA, vai te sugerir abandonar a faculdade e o emprego que tem aqui pra se aventurar lá fora. E se ela for do tipo princesinha que sonha com o próprio casamento, achando que isso é a solução dos problemas de qualquer mulher, você acha mesmo que ela vai responder o quê (ainda mais se ela for amiga do seu namorado)?!

Já uma psicóloga vai ser totalmente imparcial, porque ela não se coloca na sua vida. Ela não conhece o seu chefe, nem a sua mãe, ou o seu namorado. Então, ela vai te fazer perguntas, tanto para entender a questão, quanto para fazer você pensar sobre o assunto. E quando a gente pensa, olha que legal, as respostas surgem de nós. =)

Garanto! Foi somente com isso que eu comecei a crescer. Pra começar, cresci quando admiti a mim mesma que precisava sim de uma profissional orientando os meus pensamentos, porque sozinha eu estava confusa demais. E cresci ao perceber que as soluções estavam ao meu alcance, bastando me ouvir e pensar a respeito para saber o que fazer. Sem falar que é muito bom reservar uma hora da semana pra desabafar, contar aquilo que você não contaria nem pra sua sombra porque morre de vergonha (mas que a psicóloga não vai nem perceber, afinal, já ouviu tantas outras bizarrices antes de você chegar ao consultório).

Sinto falta de fazer psicoterapia. Espero que abra um espaço na agenda da minha psicoterapeuta logo pra eu voltar a ter um dia “pra me ouvir”. E aí, você já fez terapia? Gostou? Fugiu igual a mim? Compartilhe sua experiência aqui; pode ser muito útil para as outras leitoras. ;)

Esses são os "pensamentos do dia", que tinha que pegar no fim de cada sessão. Guardo todos até hoje.




quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

'Tão nova e já mora sozinha?!'

Apesar de já ter escutado isso mais vezes do que li "pau de selfie" essa semana no Facebook, admito que ainda me surpreendo quando me fazem essa pergunta. Isso quando não arrematam com um profundo e curioso "Mas por quêêê?". E olha, pra mim foi uma coisa tão natural morar sozinha, que tive até dificuldade em escrever sobre isso (até porque já moro há 3 anos assim, então já estou acostumada).

É sério: a dona deste blog daqui a pouco me mata se eu não entregar esse texto. Como estou com dificuldades pra desenvolver texto corrido, vou fazer no estilo Marília Gabriela. 

Então, vamos lá:

> Por que você quis morar sozinha? Pelo motivo mais básico de todos: liberdade. É ter a sensação de falar: "FODA-SE! Vou colocar calcinha girando no ventilador se eu quiser. Vou andar pelada. Vou cantar desafinada no banho, de madrugada". De chegar em casa cansada, olhar a pia, dar de ombros e ir dormir com a consciência leve (e ainda ter a vantagem de não ter ninguém brigando porque você deixou de fazer. Acreditem: essa é a melhor sensação EVER).

> Foi difícil sair de casa? Hum, não. E isso geralmente surpreende muitas pessoas. Amo meus pais, mas desde que me entendo por gente (ou seja, quando já tinha uns 4 anos de idade) que eu penso em ter meu canto, em morar sozinha. Deu um frio na barriga? POHAN! Ô, como deu! Porém, no dia que coloquei os pés no meu cafofo (sim, alugado, mas que mora no meu coração), foi uma felicidade incontrolável. Acho que passei meses rindo à toa.

> Quais são as maiores dificuldades? Vish, aí surgem várias, até porque muitas dependem da sua força de vontade. Pessoalmente, minha maior dificuldade é manter minha casa arrumada. Trabalho muito longe de onde moro (MUITO longe MESMO); logo, chego mega cansada e, na maioria das vezes, sem saco nenhum de mover sequer um dedo. Outra dificuldade é guardar dinheiro, por causa das contas a pagar, aquela vontade de comprar alguma coisa pra casa, e assim vai. Por falar nisso, essa é uma das resoluções de 2015: ser mais organizada em casa.

> Sentiu dificuldades com os afazeres de casa? Hum, não. A maioria das tarefas eu já fazia quando morava com minha mãe: aprendi a cozinhar com 10 anos (ok, foi miojo e ovo mexido, e posteriormente coisas mais elaboradas #RainhaDaGordice), colocava roupa para lavar, limpava a casa... Nada de muito diferente, não. Além disso, vou confessar: com 16 anos, fui morar sozinha na casa da minha avó, que ficava vazia. Então, já tinha que me virar, né. As diferenças cruciais (que facilitavam bastante) eram: meu pai me dava uma quantia e aí eu administrava o dinheiro e as contas, só estudava e ainda tinha uma diarista três vezes por semana. Morar "all by myself" (aí já foi com 21/22 anos) só ficou mais difícil, mas na essência é praticamente a mesma coisa :P

> E a solidão? Olha, não costuma dar muito as caras, não. Primeiro, porque sempre gostei de ficar sozinha, quieta, fazendo minha coisas. Segundo, que eu tenho a companhia dos meus dois "Ai-meldels-que-fofos" filhos felinos, Mickey (Batman/Pantera) e Blanche (Rabinho de Espanador), que estão na foto :) Bateu carência? É só agarrar os dois, ter uma crise alérgica por causa dos pêlos, falar com o namorado e tá tudo certo. Ah, brigadeiro de colher e filme da Disney/Pixar também ajudam naquelas TPM's brabas.

> Perrengues? Sim, com os IVNI - Insetos Voadores Não-Identificados. Juro, que terror. Um deles aconteceu às 3h da manhã, quando eu morava na casa da minha avó. Até hoje não sei se foi um morcego ou mariposa. Só sei que eu estava na sala, entrou uma caceta de uma sombra ENORME pela varanda e voou pro lado dos quartos. Minha reação? Me tranquei no escritório, interfonei pra portaria em pânico e dois porteiros (sim, eles eram um amores e bem pacientes) subiram para me ajudar. Só depois de verificar TUDO (até dentro do armário e embaixo das toalhas do banheiro) que fui dormir em paz. E sim, fui zoada por eles com um sonoro "Senhora, cadê o Batman?" ¬¬

Segundo caso: tinha pouco tempo morando sozinha (pra valer mesmo, na raça). Entrou algum inseto sem plano de vôo e sumiu por trás do livreiro. Minha reação? De "indo dormir", mudou para "paranóica": coloquei tanto Raid, que quase intoxiquei todo mundo; coloquei meus gatos de prontidão perto da estante e, munida de dois chinelos, uma vassoura e o Raid, fiquei sentada no meio da sala durante duas horas. E só sosseguei quando meus gatos se acalmaram (o que significou que o bicho parou de se mexer/morreu). E sim, pra dormir tranquila, coloquei uma toalha no vão da porta do quarto para evitar que o "zumbi" me pegasse desprevenida na hora do sono.

Bom, acho que já deu, né? Pra quem tava com dificuldade, falei pra cacete.

Mesmo com todos os perrengues, vale muito a pena morar sozinha :D #FicaDica

Bjo, galera :*

Texto escrito por Aurora Luisa Cabral. Sim, a pessoa que fez o design deste blog.


Os filhotes de Aurora

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Organizando a geladeira

Quem optou ou vai optar por morar em república (ou apenas dividir o espaço com um amigo) vai encontrar um probleminha: como dividir a despensa?

Claro que no dia a dia existem itens que podem ser compartilhados, como papel higiênico, detergente, óleo, sal etc. Mas têm aquelas coisas que são só nossas, como sabonete, creme dental, iogurte, pão, queijo. Seja porque queremos ter a certeza de que ao chegarmos em casa haverá um Danoninho na geladeira ou porque cada pessoa tem preferência por uma marca ou tipo de arroz. Enfim!

Com isso, é preciso pensar em espaços separados na casa. No banheiro, o legal é que cada morador tenha uma prateleira no armário, assim suas coisas ficam organizadas e separadas dos itens do amiguinho. O mesmo vale dentro do box. 

E na cozinha, como faz? Bom, eu e as meninas da república decidimos dividir a geladeira por prateleiras, onde cada uma tinha a sua. Mas como sobrava uma prateleira, pensamos em deixar a primeira para uso geral, tendo em vista que caixas de suco e leite só caberiam nessa de cima. Para não confundirmos o leite (da mesma marca), eu colocava o meu nome na caixa.

Já a porta da geladeira, assim como o freezer, não tinha como dividir. Mas cada uma sabia o que tinha comprado e onde tinha guardado, então nunca tivemos problema quanto a isso. Se não for o caso de onde você mora, é bom pensar na divisão até das prateleiras da porta. Existem separadores que servem exatamente para organizar a geladeira, dividindo-a por completo. Assim, ninguém invade o espaço do outro. No freezer, sugiro colocar suas carnes em potes etiquetados com seu nome. Afinal, bife tem tudo a mesma cara.

A segunda prateleira, de cima pra baixo, era minha

A prateleira inferior era minha. Ok. Eu estocava mais que as outras meninas

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Caixinha de surpresas

Ah… por onde começar? Gente, sabe a expressão "A vida é uma caixinha de surpresas"? Isso não poderia ser mais verdade. Nossa! Tem quase um ano que escrevi na seção "Ops! Cresci" (antigo blog dessa minha amiga blogueira) e de lá pra cá como minha vida mudou em tão pouquíssimo tempo!

Eu estava com aquela vidinha mais ou menos, ia casar com o namorado que estava comigo há sete anos, tudo ia nos conformes... Morávamos juntos, tínhamos nossa rotina e íamos oficializar tudo na presença da família e dos amigos. Até que a vida deu um mortal carpado duplo com direito a barrel roll e tudo. Perdi! Não, não gosto de dizer que perdi, pois nessa experiência eu só ganhei. Mas de uma tacada só saíram de minha vida o noivo e a (ex) melhor amiga. Fácil, né? Pois é. 

A casa que morávamos era do meu pai, então fui pra casa da minha mãe esperando ele arrumar outro lugar para ficar. Essas duas semanas foram difíceis. Voltar para a casa dos pais não é fácil. Você está acostumado ao SEU espaço, com o SEU horário e, de repente, eu era visita, atrapalhando a rotina deles. Minha irmã havia pego meu quarto, então eu estava dormindo em um colchão no quarto de visitas (tenso). Minha mãe perguntava se eu ia levar um casaco mais quente toda vez que ia pro trabalho; minha irmã ficava com a luz do quarto acesa até tarde e eu não conseguia dormir direito. Só pensava em voltar pra casa. Mas que casa? Vazia? 

A Realidade mudou completamente de figura e eu só pensava em como eu ia bancar sozinha uma casa de três quartos em um bairro bom. Não tinha como. Era inviável. Precisava de um colega de quarto ASAP. Aí sim você cresce. Aí sim você precisa sacudir a poeira e se virar nos 30. Correr para colocar TODAS as contas no seu nome, avisar à administração do condomínio que a dona da casa é você. A responsabilidade é toda SUA. E até que é bom. 

Encontrei duas pessoas incríveis para dividir a minha casinha. Não podiam ser pessoas melhores. Elas se tornaram meu porto seguro, minhas confidentes que aturam minhas neutras e crises. (risos, muitos risos). 

Como tinha dito no texto anterior (do Ops! Cresci), não gosto de finais. Gosto de começos, e esse é um começo completamente novo para mim. Momento de me conhecer de novo, saber do que eu gosto, de arrumar a casa como eu quero, gastar o meu dinheiro como eu bem entendo (sem ninguém se metendo) Não dá pra dizer que tudo foi fácil, pois não foi MESMO. Tive que fazer sacrifícios, tive que descobrir uma nova Bell. (Re) aprender a ficar sozinha não é fácil depois de sete anos, acreditem. Mas é bom poder sair com suas amigas sem dar satisfação pra ninguém, conhecer pessoas novas, novos amores… 

Agora é esperar para ver o que mais a vida me reserva. Estou empolgada. Ah, essa caixinha de surpresas...


Texto escrito por Bell Serra.


As várias faces de Bell Serra

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Jantar gostoso em 15 minutos

Um belo dia, uma amiga me chamou no Face e me fez uma sugestão: e se blog tivesse uma seção sobre cozinha?

Huuum! Ela reparou que nos relatos de quem mora sozinho, a maioria só sabe cozinhar miojo e ovo. Então, por que não trazer dicas de como se virar na cozinha, com comidas simples e práticas? Indo mais adiante: por que não ter uma área de "ajuda" do tipo como lavar roupa, lista de serviços de emergência etc.? Claro que eu adorei. Então, aqui está o primeiro texto de cozinha prática, porém saborosa. Esse e outros textos da série você vai encontrar no menu "Se vira nos 30".

Numa certa noite, cheguei cansada do trabalho (lá pelas 9h da noite) e roxa de fome, mas com preguiça de cozinhar (normal). Também não queria pedir mais uma Domino's. Foi então que pensei no Spoleto. Não, nada de pedir comida em casa, até porque na roça onde moro esse restaurante não entrega. Coloquei a mão na massa mesmo. Neste caso, na frigideira. E em 15 minutos meu jantar estava pronto. Vamos à receita!

- Cozinhe um pouco de macarrão. Faça só a quantidade que dê para o seu jantar. Nada de desperdiçar comida.

- Se não sabe cozinhar macarrão, tudo bem. Vamos aprender! Encha uma panela com água, coloque uma colher (chá) de sal e um fio de azeite. Quando levantar fervura, coloque o macarrão (CO-LO-QUE! Não jogue, ou vai espirrar água quente em você) e tampe a panela. Veja se está no ponto (mole) espetando o macarrão com um garfo.

- Numa frigideira, aqueça um pouco de azeite e comece a colocar os ingredientes (a la Spoleto mesmo). Eu optei por champignon, mini milho, azeitona, passas e linguiça calabresa.

- Deixe dourar um pouco e jogue uma ou duas conchas de molho de tomate. Mexa para misturar bem com os ingredientes e aquecer o molho.

- Coloque o macarrão no prato e acrescente o molho por cima. Pronto! O jantar está servido. E eu levei apenas 15 minutos para preparar tudo.



TCHARAAAAAN!!!


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Seu quarto, seu estilo

Sair da casa dos pais não é mole, mas necessário. Mais difícil ainda é quando a mudança é compulsória. Tipo, eu morava no Rio de Janeiro e fui convocada para trabalhar em Brasília. Logo, tive que me mudar de mala e cuia, como diz minha avó. =)

A grande dificuldade foi encontrar um apê onde eu não precisasse comprar nada, pois pensava em voltar para o Rio em três meses. Foi então que decidi morar numa espécie de república: pagava um valor e tinha direito a um quarto só pra mim e a usar as demais áreas do apartamento. Dividia com mais duas meninas, o que foi bom para não me sentir tão sozinha.

Mas como decorar um apê que não é seu, pra que fique com o seu jeito? Complicado, mas não impossível. No quarto eu podia fazer o que quisesse (desde que o entregasse do jeito que o encontrei, claro). Então, para não precisar pintar depois, eu optei por não fazer furos com prateleiras e nichos. Porém, como não gosto de paredes brancas, usei outros artifícios como quadros e borboletas.

Estas eu fiz com cartolinas coloridas e colei com cola branca mesmo, pois é fácil de tirar sem deixar marcas. Para prender o quadro eu pensei em usar fita dupla face, mas como podem ver ele acabou ficando eternamente no cavalete. =P




Mas e o restante da decoração? Abaixo, algumas fotos que mostram como eu solucionei o fato de não ter grana pra gastar e não achar legal comprar móveis, levando em conta que eu ficaria poucos meses na cidade.

No lugar de um guarda roupa eu preferi comprar uma arara, que era barata, ocupava pouco espaço e não precisava de mais ninguém (a não seu euzinha) para levar pra casa e montar. Essa é pequena, mas o suficiente pra pendurar alguns vestidos, bolsas e blusas e ainda tem espaço para os sapatos. (Leroy Merlin – R$ 70)

 Uma das malas eu usei como gaveta, para guardar as roupas que não amassam, lingerie e necessaire. Nos bolsos externos da mala eu coloquei alguns documentos e itens de papelaria. Assim, ficavam sempre à mão.

A outra mala eu preferi usar como mesinha. Assim, eu distribuí alguns livros, uma agenda e, claro, duas fotos que trouxe do Rio, para matar a saudade da família.

E como meu passatempo é pintar, separei um cantinho do quarto para o cavalete e coloquei dentro de uma caixa organizadora as tintas. Para os pincéis, um pote de vidro de azeitonas. Optei por um cavalete de mesa mesmo, pois era mais barato (e eu não ia colocá-lo na mala quando voltasse para o Rio), além de ocupar pouco espaço, já que o quarto era pequeno.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Regras para uma casa limpa

Hoje o post tem a ver com limpeza. Sim; afinal uma casa limpinha e bem organizada é tudo de bom.

Quando morávamos com os nossos pais o máximo de preocupação que tínhamos era em mantermos nosso quarto organizado. No entanto, ao deixarmos o ninho, precisamos pensar em como manter nosso lar doce lar limpo sem gastar muito do nosso precioso tempo.

Existem duas opções bem simples: ou você contrata uma diarista e combina com ela toda semana, a cada 15 dias ou uma vez por mês. Ou faz você mesma a faxina.

Se a diarista for semanal, ótimo. A casa estará sempre limpa e organizada. Mas se o intervalo for superior, você precisará dar um jeitinho, como varrer o chão e tirar o pó dos móveis. Sem esquecer que cozinha e banheiro merecem ver água e sabão toda semana.

Pra não ficar pesado e nem perder o fim de semana inteiro faxinando a casa, o ideal é a cada dia limpar um pouco. Tipo, chegar em casa numa quarta-feira, por exemplo, e lavar o banheiro. No dia seguinte é a vez da cozinha e depois fica fácil só passar uma vassourinha pelo restante dos cômodos. Outra dica legal é aproveitar o banho pra lavar o box ou somente jogar água quente nas paredes, retirando excesso de creme, e secar a pia sempre depois do uso, pra ela não ficar com aquele aspecto sujo.

Melhor ainda é quando se divide o cafofo com os amigos, pois aí é possível economizar com faxineira, fazendo um rodízio de limpeza. Quando eu dividia um apê de três quartos, sala, cozinha e banheiro com mais duas meninas, cada uma era responsável pela faxina da semana (apenas os quartos eram de responsabilidade de cada uma de nós). Na quarta semana nós chamávamos uma faxineira pra dar aquela geral. Assim, ficava tudo sempre com cheirinho de limpeza.

Mas algumas regras precisam ser criadas para não ter desentendimento, como quem vai recolher o lixo tal dia, quem vai limpar a geladeira, quem vai lavar os panos de chão, de prato etc. Detalhes bobos, mas importantes. Pra não sobrecarregar ninguém, é legal fazer uma escala de tarefas.  Além disso, cada pessoa tem um jeito de limpar. Eu, por exemplo, limpo até os interruptores, então é legal, quando se divide casa com amigos ou quando se tem uma empregada, preparar um roteiro de limpeza (conversado com todos os moradores antes, claro) para que tudo fique do jeito que se deseja. A faxineira, que ia uma vez por mês, tinha o hábito de lavar pano de chão junto com pano de prato. E, apesar de lavar (literalmente) a casa toda, ela não limpava os lustres (acumulavam poeira), então conversamos com ela sobre esses “detalhes” que, para mim, faziam sim muita diferença, e tudo ficou tinindo.

É isso, galera! Morando sozinho ou numa república é sempre bom ter um mínimo de organização para a casa estar sempre limpinha e cheirosa, assim nossos amigos sempre vão se sentir bem ao nos visitar (e a gente também né?!). Ah! Se tiver alguma dica sobre isso, conta aqui. Até a próxima!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A faxineira

Como boa parte das pessoas da minha faixa etária, não tenho grana pra ter uma empregada doméstica, que lave, passe, cozinhe e deixe a casa com cheirinho de limpeza todo santo dia. Logo, o jeito é apelar pra uma diarista. Foi, então, que minha saga começou.

Encontrar uma "pessoa de confiança" em cidade grande é mais difícil do que se imagina. Que aceite trabalhar aos sábados, puuutz! Quase impossível. Mas eu encontrei. O problema é que a mulher falava taaaanto, que pra ela perceber que a vassoura estava parada em sua mão, enquanto me contava seus causos eróticos eu precisava sair de casa. Em pleno sábado (dia de descanso) isso não era muito convidativo. Mas, era a "pessoa de confiança" que eu tinha conseguido depois de meses procurando. Só que ela começou a faltar, e minha saga pra encontrar outra recomeçou.

Consegui! \o/ Ou não. A menina que encontrei não podia no fim de semana. Foi então que resolvi aceitar que ela fosse numa quinta-feira, mesmo sem eu estar em casa. Era a primeira vez dela no meu apê e dizem que a regra é não deixar a faxineira sozinha nos primeiros dias, até ela ganhar a sua confiança. Resolvi cagar pra regra.

Assim que abri a porta de casa...Huuuum! Sabe aquele cheirinho de limpeza? Senti na hora. A limpeza foi satisfatória (até eu começar a minha ronda). O cafofo estava limpo, porém tudo estava fora do lugar (inclusive a geladeira e o micro-ondas). Ok. Dá pra relevar. Ela não tem como gravar a posição dos objetos. Continuei a ronda e... A minha moldura favorita imitando a de Friends estava quebrada. Surtei. "Ela vai ter que pagar por isso". Meu namorido compreendeu, mas se assustou com o meu "tanto escândalo por tão pouco". Como uma tradicional virginiana do terceiro decanato, lá estava eu quase meia-noite realocando os móveis e bibelôs. Gente, só eu acho que quadro torto faz o mundo parecer inclinado? Ok, ok. TOC total. Vou procurar minha psicoterapeuta de novo. Mas, por favor, me digam: é só aqui em casa que as faxineiras deixam os ventiladores de teto fazendo um barulho sinistro depois de limparem eles?

Enquanto eu estava respirando mais forte pra não surtar àquela hora da noite, meu namorado tentava amenizar a situação: "Amor, você já está de implicância desde antes de ela vir limpar". Mas alguns passo pela casa...Opa! Peraí! Os fios dos controles do PS4 dele estavam enrolados. Agora foi ele que deu piti. É, ela não volta mais aqui.

PS: se tiver alguém de confiança, tô aceitando indicação. ;)


domingo, 11 de janeiro de 2015

1 ano morando sozinha

Somente agora (graças ao santo Facebook. Te amo, seu lindo) me dei conta que faz exatamente 1 ano que peguei as chaves do meu apê. E eu sei disso somente porque o Face apareceu com uma publicação de 11/01/2014 onde coloquei exatamente esta foto abaixo com a legenda "Home sweet home. #happy #myhouse #2014"

Rever esta foto me trouxe de volta a precisa sensação que tive quando abri essa porta. Um mundo novo esperava por essa pessoa que nunca tinha saído da casa da mãe (ok, passei um pequeno período em Copa com um namorado, mas agora era pra valer). Lembro bem do medinho que bateu quando abri a porta e pensei: "Caramba! Agora é real. F%$&#! Posso correr de volta pra casa da minha mãe?" Claro que eu podia, mas não queria. Porque eu sabia que enquanto estivesse lá eu não ia passar pelos perrengues que me fariam crescer de verdade.

Há exatamente 1 ano eu me tornei "gente grande". A mudança foi feita aos poucos e, no fim, eu me mudei mesmo apenas em fevereiro, mas ter a chave me trouxe um monte de responsabilidades. Tive que comprar botijão de gás (gente! Eu nunca tinha feito isso na vida), colocar as contas no meu nome (que trabalheira a Light me deu), organizar uma faxina, que eu não teria conseguido sem a minha mãe e a minha amiga Su (que ainda carregou a filha pra ajudar) e pensar em como eu levaria minhas tralhas sem pagar um caminhão (a grana era muuuito curta). Eu achava que daria pra me mudar levando tudo com duas viagens em um carro comum. Mas foi só começar a juntar as caixas pra ver que era muita, muita tralha (e estava tudo dentro de um quarto). Senhor! Foram, então, muitas viagens, em vários carros de amigos. 

Além disso, o chuveiro do banheiro social dava choque, o sanitário estava com vazamento, o piso da sala tinha rachado e levantado com o calor, eu não tinha sofá, nem cadeiras ou mesmo mesa para as refeições e mal tinha um ventilador pequeno pra enfrentar o verão 45°C do Rio, junto com mais duas cachorras peludas. Pra completar, tinha um passarinho morto na varanda e eu, supersticiosa, pensei em largar tudo acreditando que era um presságio de "vai dar ruim". Quanta coisa pra uma "menina" resolver antes da mudança! Mas eu resolvi. E há 1 ano eu tenho as chaves do meu lar doce lar, que agora sim tem cara de lar. Muitos perrengues, mas muitas conquistas também. Que venha mais 1 ano no meu cafofo.

Primeira vez que abri a porta do meu apê, ainda sem móveis =D

sábado, 10 de janeiro de 2015

Bebedeira virtual

Há seis meses voltei de Brasília para a minha Cidade Maravilhosa. Infelizmente, na mala não pude trazer uma coisa muito importante: amizade. Deixei lá amigas queridas, que, se eu pudesse traria na bagagem. Só pude trazê-las no coração.

Maaas... a tecnologia tá aqui pra isso: juntar pessoas (e se você acha o contrário, tá fazendo mau uso dela). A saudade dessas meninas queridas, que me ajudaram a ser feliz em terras secas do Brasil, é tão grande que não passamos mais de 24 horas sem nos falar pelo WhatsApp. Só que é pouco. Queríamos mais. Então, organizamos um encontro pelo Skype, batizado de bebedeira virtual.

Numa bela sexta-feira à noite trocamos o barzinho da esquina de casa pelo computador. Não. Não é derrota ficar em casa numa sexta à noite. Foi uma das noites mais divertidas que tive mesmo sozinha em casa. Pegamos umas "cachaças", um pouco de comida (pra não “dar ruim” de barriga vazia), entramos no Skype e... gargalhadas foram dadas. Eu no Rio, uma carioca que está em BSB e mais duas brasilienses por lá também. Todas quatro na frente de seus notes, cada uma em sua casa, mas foi como se estivéssemos na mesma sala, contando histórias, rindo, falando muita besteira, com direito a foto e tudo. Como não amar a tecnologia?!

Estive em Brasília e elas estiveram no Rio sem pagar um centavo, sem enfrentar trânsito, sem levar horas no avião. As horas que “perdemos” foram horas de diversão na frente de um computador, que pode ser bem mais divertido que uma noitada numa boate se você souber usá-lo.

Morar sozinha é isso! É usar a criatividade para estar sempre rodeada por pessoas queridas, mesmo que elas não estejam no mesmo cômodo que você.

Fazendo um bom uso da tecnologia
*Foto autorizada pelas minhas amigas.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A primeira vitória sobre a barata

Genteeeem, preciso compartilhar com vocês a alegria imensa que é matar uma barata. Me senti gente grande. Que me perdoem os defensores ortodoxos dos animais, porém barata pode, ainda mais quando a pessoa morre de medo desse bichinho.

A história é a seguinte: estava eu sentada à mesa na cozinha, lendo um site interessantíssimo sobre decoração, quando surge ela: a temida barata. Na hora fiquei sem saber o que fazer, pois morava num apê em Brasília com duas meninas que também têm pânico desse bicho. Gritei a Isa (única que estava em casa e tomando banho), mas foi em vão. Pensei comigo: "Se eu não matar, ninguém o fará. E ela ficará viva, andando pela casa; pode até entrar no meu quarto". Então fui na ponta do pé até onde ficava a vassoura e POOOOW! Dei o primeiro golpe. Fato que ela morreu ali. Mas pra ficar "bem morta" bati mais umas 500 vezes. Não sei como não quebrei a vassoura (ou o piso).

Essa é uma desvantagem de morar sozinha (ou dividir apê com quem têm pavor do mesmo bicho). A quem recorrer quando surge uma barata? Vizinho? Confesso que pensei nisso, mas minha vergonha falou mais alto que o medo (rs). Agora imagina se ela fosse voadora? Senhor! Eu teria sido expulsa de casa por uma barata.

Sendo assim, dicas:
·         Tenha sempre um spray contra insetos por perto. Deixe um na lavanderia, outro no banheiro, um na sala e mais um no quarto. Melhor prevenir. Vai que ela surge num cômodo qualquer; até você correr pra pegar o spray, ela já sumiu. E pior do que ver a barata é não vê-la mais.

·         Mantenha a dedetização da casa em dia.

·         Não acumule lixo em casa. Coincidência ou não, nesse dia a lixeira da cozinha estava transbordando.

·         E por último, não menos importante, deixe uma vassoura sempre a mão. ;)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Carta pro meu eu de 15 anos atrás

Querida Sincer,

você não vai acreditar, mas eu vim do futuro pra te acalmar. Sim, acredite! Eu sou você com 15 anos mais. E sim, você continua se chamando Sincer. Mudou de ideia quanto a trocar o nome quando fizesse 18 anos. Percebeu que não seria fácil fazer as pessoas mais chegadas te chamarem de Ágatha e nosso pai ficaria triste. Além disso, você não gosta mais de Ágatha. Se fosse pra trocar a certidão, optaria por um singelo Maria. Não estou mentindo.

Menina, tu vai chegar aos 30 com carinha de 18 e vai amar quando te pedirem a identidade pra comprovar que é maior de idade. Duvida? Mas pra isso é bom você continuar se besuntando de hidratante e maneirar no refrigerante.

Não, você ainda não é casada e nem tem filhos, mas chegou perto dos dois (não necessariamente nessa ordem). E não, não foi com o MBNS. Na verdade, olha como as coisas são: você vai perder contato com ele quando fizer 17 anos, se apaixonar perdidamente por mais dois garotos, quase casar com um e, quando estiver à beira do altar, o MBNS vai reaparecer (casado) e correr atrás de você. Pois é. O mundo dá voltas. Você vai estar linda, super bem resolvida e ele meio gordinho. Claro que você vai dar uma balançada, afinal terá sido o seu grande amor (sim, você vai ser gamada por ele por mais uns três anos e ele nem tchun), mas não vai ter uma recaída e vai colocá-lo em seu devido lugar. Ponto pra gata borralheira.

Cara! Tu ainda vai sofrer muito por amor (e pode incluir o MBNS também nessa lista de culpados). A boa notícia é que vai sobreviver (eu tô aqui pra comprovar isso) e ser muito feliz contigo mesma. Quando você pensar que o grande amor da sua vida apareceu, segura a onda. Ainda não é ele. Vai durar só uns dois anos, você vai ficar na fossa por uns quatro anos, e conhecer "O cara". Um menino, na verdade, mas que vai te ensinar tudo que eu sou hoje. A relação vai ser muito leve; tão gostosa a ponto de dar inveja em todas as suas amigas. Vocês serão grandes amigos e vão chegar bem perto de construir uma família. Lamento dizer, mas os planos do "casal perfeito" serão interrompidos quase sete anos depois, porque ele estará muito confuso, querendo viver a solteirice que deixou ainda muito novo por nós (sim, você é mais velha que ele quase três anos). Tá vendo! Sua mania de só sair com garotos mais velhos vai acabar depois que conhecer esse carinha. Não. Não vou dizer o nome. Você vai perceber na hora certa que é ele.

Você não tem ideia do quanto a sua vida mudou. Pensando bem, não muito. Você ainda mora no mesmo bairro (criou uma relação de amor por essa roça), continua acendendo incenso pra relaxar, se imagina indo ao altar levada pelo pai ao som de Kenny G, chora escondida no quarto quando tudo parece sem solução... E pode parar de fazer simpatias e promessas porque seus seios não vão crescer. Na verdade, até vão. Estou planejando um belo par de silicone pra nossa satisfação pessoal. Em compensação, aquela magreza se foi. Por fim, conseguiu engordar os quilinhos que tanto sonhou e se sentir o máximo. E tem mais: de bióloga marinha você se tornou jornalista. Não precisa me pedir desculpa. Hoje, você é funcionária pública. Não ganha bem, mas também não se estressa tanto. Esse seu atual trabalho te levou a morar em Brasília. Menina! Foram apenas cinco meses, mas tu odiou. A parte boa da mudança é que fez grandes amigos (uma delas foi a que me incentivou a escrever essa carta pra você), deixou de ser uma mulher dependente do namorado até pra pegar um ônibus e se tornou uma pessoa mais família.

Foi nessa época de Brasília que tu saiu da casa da mãe. Pois é. Quase 30 anos na cara e ainda morava com a mamãe. Agora tu mora num apê de três quartos. Tá vendo?! Demorou, mas saiu. Você vai perceber que fazer 18 anos não te dará a total independência que você imagina. Na boa? Nada vai mudar, a não ser entrar em motel, mesmo tendo essa carinha de criança. Desculpa pelo choque de realidade, mas com o seu primeiro salário você mal conseguirá pagar as suas saídas. Imagina se sustentar. E não pensa que vai dividir apartamento com amigas. Elas vão cair na real também e perceber que é mais vantajoso continuar morando sob o teto dos pais.

Me adianto em te pedir desculpa. Você tinha razão: vida de casada não é fácil. Em minha defesa digo que você queria (e precisava) experenciar isso. Pois é! Você está morando com o namorado. Pode ficar de boca aberta. 

Por falar em família, sabe a cachorrinha Layla que você acabou de ganhar da nossa amiga Rê Petti (sim, a Rê continua firme e forte do seu lado e te deu um afilhado lindo chamado Gabriel)? Ela continua aqui. Hoje tem 15 anos, os pêlos grisalhos, mas com a vitalidade de um filhote. É a princesinha da família. Você a ama como filha. E há dois anos você adotou outra poodle que foi encontrada na rua toda machucada. Se chama Nina. Seu novo amor.

Ah! Só pra você saber: são 9h da manhã de uma quinta-feira e estou usando a internet pra te escrever essa carta. Pois é. No futuro você não precisará esperar o fim de semana pra disputar o computador com o seu irmão (que por sinal está casado e com três filhos). Tudo está muito mais barato e acessível. Você tem até o seu próprio notebook e um celular com internet rápida. A onda do momento é o WhatsApp (algo semelhante ao torpedo, porém pela internet e, consequentemente, mais rápido). Com isso, ligação virou prova de amor, querida.

Agora um conselho sério: seja menos séria! Pare de planejar e apenas viva. Acho que pelas 500 linhas dessa carta já deu pra perceber que não adianta fazer muitos planos, porque a vida segue o curso que tem que seguir né?! Então, aceite aquela viagem de última hora, não seja chata (sinceridade demais não é qualidade) e vá ao Rock in Rio 2011 (a Shakira estará lá e você vai se arrepender se não for). Seja menos (auto) crítica e não se prenda a marcas de roupas. Daqui a 15 anos você vai descobrir que a mesma fábrica que faz uma calça pra Levi's faz também pra C&A. Tá pagando mais caro pela etiqueta, sua boba. Resumindo: curta a vida adoidado! Mas sem drogas. Me orgulho de ter 30 sem conhecer a onda de um baseado.

Cara, eu poderia te adiantar mais um monte de coisas, mas acho que isso pode alterar o curso da minha vida. Ou seria da sua? Da nossa? Ah! Foda-se! Já tô confusa. Você entendeu né?! Só mais uma coisa: a relação com a mãe vai melhorar. Vocês serão grandes amigas, mas ela não vai parar de fumar. Nem esquenta mais com isso e seja mais tolerante. Você vai perceber que nada acontece por acaso e tudo tem um tempo certo. Então, apenas viva! Você tá indo bem.

beijocas

Cissa

PS: esse apelido dado pelas suas primas baianas pegou.

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Pelo que vi, essa ideia faz parte de uma blogagem coletiva do Rotaroots e surgiu no Hypenessconquistando a galera, que tá usando a criatividade adoidado nas suas cartas. Eu conheci através de uma amiga brasiliense e me amarrei. Dá um confere aqui. 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Gente grande


Este é o Daruma. Dizem (e o amigo que me deu de presente disse também) que o Daruma é mágico. Ele atende um pedido seu. Você pinta um olho quando faz um pedido. Pinta o outro quando o pedido se realiza. Faz um ano que eu pintei o segundo olho do meu Daruma. Foi quando eu consegui realizar meu sonho de morar sozinha.

Faz um ano também que eu aprontei o que eu acho que foi o único barraco da minha vida. Um processo no banco que deveria levar 15 dias levou 3 meses. Três gerentes foram demitidos, muitos documentos tiveram que ser reemitidos porque perderam a validade. Fui tantas vezes ao banco que o segurança já não revistava mais a minha bolsa quando o detector apitava. Ele já sabia que era o fecho da minha carteira. 

- Eu quero saber quem é o responsável aqui.
- Sou eu, senhora. Mas a senhora não deveria estar aqui, esta área é proibida para clientes e…
- Eu não quero saber. Eu só saio daqui com meu contrato assinado. E se isso não acontecer eu vou perder o meu apartamento por causa da incompetência de vocês. Pode ter certeza que quando eu processar o banco, é você quem vai ser mandado embora.
- Senhora…
- Se vira. Já tô com meu advogado na linha.

O escritório deveria ter umas 30 pessoas e de repente todos começaram a se mover tentando mostrar algum serviço. Outros ficavam cochichando pra saber quem era a menininha que tava fazendo aquela bagunça toda. Eu esperei por 5 horas sentada na mesa do gerente geral. E assim meu contrato ficou pronto e eu pude me mudar.

Planejei durante um ano inteiro morar sozinha. Juntar dinheiro, comprar móveis, eletrodomésticos, acertar o orçamento doméstico. Lembro que fiquei seis meses monitorando o preço da TV e da cama que eu queria. O planejamento nem sempre corresponde à realidade e às vezes o dinheiro escorre pelo ralo sem que eu perceba. Nada que um aperta de cá, arrocha de lá não dê jeito.

Morar sozinha me fez amar ainda mais o sossego e a tranquilidade. Ninguém pra invadir a minha privacidade, não preciso trancar portas de quartos e banheiros, nem vestir roupas, se eu não quiser. Eu e Alice em nosso território. O lado ruim é que não tem ninguém pra fazer as coisas por você. Se não lavar a roupa, vai ter que ir trabalhar com roupa usada sim. Se não lavar a louça, uma colônia de bichos nojentos vai se apossar dos pratos dentro da pia. Se não pagar as contas, vai ficar com o nominho sujo no Serasa.

Morar sozinha é convidar quem você quiser pra ir te visitar. É poder dar PT no próprio chão e não ter ninguém pra te julgar por isso e valorizar mais a limpeza do vaso sanitário quando você está com a cabeça dentro dele botando o mundo inteiro pra fora. Morar sozinha é se acabar de chorar quando tá triste ou apenas vendo um filme qualquer e não precisar se preocupar se tem alguém vendo. É liberdade, (muita) responsabilidade, privacidade. Morar sozinha, porém, não é se isolar do mundo. Eu ainda conto com meu pai pra desentupir um vaso, ou com meu irmão pra fazer um furo na parede. Dependo da minha mãe ou da minha irmã pra conseguir um vale-night pra poder sair e a Alice ter com quem ficar. Um passo que eu dei com bastante segurança, mas volta e meia eu me pergunto se não foi um passo maior do que a capacidade das minhas pernas. Mas acho que é assim mesmo. Até porque, se eu parar de me preocupar, as coisas desandam. Aliás, não é só com o lance do apartamento. É uma preocupação que faz parte da vida de gente grande.

Se 2014 foi um ano ótimo com certeza a conquista do meu apartamento foi um dos fatores. Não troco, não vendo. Mentira, por  R$ 1 milhão eu pensaria no caso.

Texto escrito por Ericka Guimarães: a brasiliense que deu pitaco nessa casa.

O susto

Estava com 30 anos. Já tinha cogitado sair de casa, montar meu cafofo. Porém, sempre surgia uma desculpa que me fazia adiar essa decisão: aluguel caro, começar uma vida sem o conforto da casa dos pais, Saturno mexendo com tudo, um certo medo de assumir tantas responsabilidades de uma só vez. Eis que em 2014 surgiu a oportunidade de um emprego em outra cidade. Em outro estado, na verdade. Longe do meu Rio de Janeiro, do mar que tanto idolatro. Era pegar ou largar, e eu peguei.

No momento que recebi a notícia fiquei assustada. Aterrorizada. Desesperada. Ou talvez tudo isso junto. Sempre gostei muito de comer, mas nunca tinha feito nada na cozinha, só um doce para uma ocasião ou outra. Na hora, juro que a primeira coisa que me veio à mente foi  “Caramba, não sei cozinhar!”. Liguei para o namorado repassando a novidade e a criatura, que já me conhece muito bem, só pensou: “Ovo! Ovo salva em qualquer situação.” Descobriria ao longo dos meses que ele estava certo.

Saí de casa, fui morar em uma república e sinto orgulho de dizer: sobrevivi! E dou graças à internet. Qualquer coisa de que precisava, recorria ao sr. Google, que estava sempre pronto a me ajudar com uma dica. Claro que também telefono para a minha mãe, para perguntar desde coisas mais idiotas, como o ponto do ovo cozido (que agora já sei, pois cozinho junto com a cenoura e o ponto da cenoura é mole de saber, rá!), à média de  preço do sabão, para saber se não estou sendo enganada nos mercados do Distrito Federal.

Durante esses seis meses, eu, que sempre adiava a saída da casa de meus pais, já troquei de residência três vezes. É, uma baita experiência. Agora, quando eu volto para a casa, a sensação é diferente. Uma coisa, no entanto, não muda: chegar à casa dos pais e sempre encontrar aquela comidinha especial da mãe ou as coisas gostosas e calóricas compradas pelo pai. Hummm! Delicinha.


Texto escrito por Priscila Thereso, uma jornalista carioca perdida em terras brasilienses.

Priscila curtindo o Chile antes de sair da casa dos pais para morar numa república em Brasília

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Casei! Casei?

Quando a gente acha que tudo que podia mudar já mudou, vem a vida e dá aquela mexida. =)

Como sabem, saí da casa da minha mãe em fevereiro de 2014 e passei um tempo morando numa república em Brasília com mais duas meninas. Ao voltar para a minha cidade, decidi que moraria sozinha (minha casa, minhas regras, minha bagunça). Mas eis que a vida decidiu que não seria assim. Desde o fim de outubro, estou dividindo o mesmo teto (a cama, o sofá, o banheiro e tudo o mais) com o meu namorado.

Casei? Não. Meus documentos continuam iguais e na hora de preencher um formulário ainda marco a opção "solteira". Mas morar com outra pessoa (desde que não seja amiga) é sim um casamento. Afinal, não dividimos apenas o mesmo teto, mas as contas, as tarefas, os dias, as alegrias e as tristezas. Se isso não é casamento, então digam-­me o que é. Pra mim, casamento vai muito além de um papel assinado, flores e vestido de noiva. Casamento é dormir e acordar todos os dias com a mesma pessoa; fazer lista de mercado juntos; chegar em casa depois de um dia exaustivo no trabalho e ter alguém te esperando com o jantar pronto (ok. pode ser uma pizza). Casamento é dividir as contas, planejar as férias, passear com os cachorros por horas num fim de semana. Acima de tudo, casamento é cumplicidade, companheirismo, mas não amarras. É permitir que a outra pessoa tenha a sua individualidade, os seus amigos, os seus hobbies sem ter alguém a tiracolo.

Se estou gostando? Temos dias bons, outros chatos e ainda aqueles maravilhosos. Cada vez que abro os olhos é um novo dia e, logo, um novo humor, um novo aprendizado. Como em qualquer relação, existem altos e baixos (sim, já tivemos DR por causa das "minhas regras"), mas com respeito e carinho vamos conquistando dias melhores pra sempre.

Claro que eu não vou parar por aqui. Outros posts virão para eu contar como está sendo essa experiência de morar com o namorado (tudo tão novo pra mim) e como isso aconteceu.

Até a próxima, galerinha! ;)