sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Os prós e contras de morar sozinho

Faz quase um ano que saí da casa da minha mãe e ainda hoje têm momentos em que me pergunto por que fiz isso. Lá eu tinha o famoso "casa-comida-e-roupa-lavada". Sério! Acordava com uma caneca de café com leite na cama e, enquanto eu tomava banho, o "serviço de quarto" entrava em ação. Cama arrumadinha, cachorras alimentadas e a marmita perto da minha bolsa.

Eu não tinha que me preocupar com a tarefa de lavar roupas e muito menos preparar o jantar. A única coisa que fazia era AJUDAR a minha mãe. Estendia as roupas que ela tinha colocado na máquina, temperava a carne para ela preparar quando chegasse do trabalho. E dividia a limpeza da casa (lavar banheiro? cozinha? Nunca!).

Hoje, se eu não lavo, não tenho roupa limpa. Se eu não cozinho, não como. Se eu não dou comida pras minhas cachorras, corro o risco de encontrá-las duras no chão da sala. Então, por que eu saí de casa? Porque chega uma hora que tudo que você quer é o SEU espaço. E esse espaço não pode mais se resumir ao seu quarto.

Durante um tempo, eu e um ex-namorado planejamos o nosso casamento. Tínhamos comprado um apê ainda na planta, então os dois anos de construção foram exatamente para sonharmos como seria cada cômodo, quais seriam nossos papéis como donos de casa...Foram dois anos planejando a minha saída da casa da minha mãe. Mas, um mês antes do imóvel ser entregue...acabou! O namoro estava perdendo os sinais vitais, então decidimos não casar.

Como eu estava mais do que ansiosa pra ter o meu espaço, decidi que era hora de sair de casa, fosse pra onde fosse. Com o salário da época mal dava pra pagar as continhas básicas, que dirá sustentar uma casa. Foi então que pensei em dividir apê com uma amiga do cursinho de inglês. Começamos a procurar e...mudei de ideia. Pensei melhor e vi que dividir seria trocar seis por meia dúzia. Não seria o MEU espaço (assim como não era na casa da mamãe). Seria um apartamento de nós duas (e eu teria que aceitar as regras dela também). Comecei a ver algo que se encaixasse no meu orçamento. Consegui! Liberdade! Peguei as chaves em janeiro e fui fazendo a mudança aos poucos, com a ajuda de alguns amigos que cederam seus carros. Sim, minha mudança foi feita em uma Uno, Fiorino, um Celta, Palio e até numa Belinda (obrigada a todos). Em fevereiro pude abrir a porta do meu novo apê e dizer: "Meu. Só meu!". Mas essa sensação estava com os dias contados. Junto com a minha entrada na casa nova, tinha recebido uma convocação para trabalhar logo ali, em Brasília. Fui né?! Contrariada. Chorando. Querendo meu cantinho de volta. Deixei de dividir a casa com a minha mãe na Cidade Maravilhosa para dividir espaço com mais três meninas, em uma república. Minha vida começou a mudar de verdade. Muitas regras (nenhuma minha).

Abandonar o ninho requer muito estudo. Não pode ser nada feito às pressas. Existe a parte boa de morar totalmente sozinho: sua casa, seu mundo, suas regras. Foda-se se a pia estiver com louça de quatro dias. Foda-se se você quiser encher a cara e dar PT no tapete da sala. E se quiser passar a noite inteira chorando seja lá por qual motivo for, não terá ninguém pra ficar te enchendo de perguntas. No entanto, a solidão é inevitável; o que não acontece se você optar por uma república. Além disso, as tarefas podem ser divididas e as contas também rachadas. No entanto, os espaços comuns precisam ser respeitados, festinhas só se todos concordarem e nada de música alta depois de certo horário. Independente de qual estilo de vida você escolha, as contas chegam todos os meses, a comida não fica pronta sozinha e a roupa não vem com sistema de autolimpeza.

Pense que além das contas fixas (e básicas) como água, luz, gás, condomínio e aluguel, você ainda precisa comer; pode até querer ter uma internet em casa e se dar ao luxo de assinar uma TV. Além disso, ninguém se muda sem geladeira e fogão. Pode até dormir no chão forrado com um lençol fino e preparar miojo na cafeteira e nugget na sanduicheira dada pela tia-avó, mas geladeira é o básico do básico. Você vai precisar comprar, mesmo uma de terceira mão. Tudo precisa estar na ponta do lápis para ver se sair de casa te levará à sua tão sonhada liberdade, ou se vai te libertar das regras dos pais, mas te aprisionar nas regras (e juros) do banco. Pense bem! Vale a pena? Pra mim valeu.

Foto: retirada de uma googlada

2 comentários:

  1. A foto me lembrou do filme "Up! Altas Aventuras"... hehehe

    Morar sozinho, ter o próprio canto, as próprias regras, é muito bom. Mas depois de alguns anos cansa: a sensação de solidão dentro do lar é bem ruim. Aí você sente outra vontade: de dividir esse espaço com alguém especial.

    Beijos! :)

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  2. Isso aí... Vai valer a pena quando encontrar a pessoa certa para ocupar um lugar no seu coração e aí sim pensará em dividir esse espaço sozinha conquistado a duras penas, ao lado desta pessoa. Eu digo até que não irá dividir... Irá ocupar o espaço vazio que com o tempo começará a existir. Querida, o mais importante é VIVER a VIDA da melhor forma... Seja só ou acompanhada... VIVA A VIDA E SEJA SEMPRE MUITO FELIZ, é o que importa. Beijos, sobrinha linda e querida.

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