segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Vivendo em república

Galerinha do bem, sair de casa é uma grande decisão, porém sair de casa pra morar com amigos é uma decisão que precisa ser ainda mais trabalhada.

Eu já disse aqui sobre os prós e contras de morar "sozinho" (entre aspas mesmo porque você pode optar por uma república), mas preciso compartilhar com vocês minha experiência quando me vi obrigada a dividir um apê.

Quando a gente decide morar sozinha, beleza! O apê é nosso, as regras são nossas. Mas quando o imóvel é dividido...xiiii! Cada pessoa é de um jeito, cada uma tem suas manias. Se já é difícil morar com a família, que a gente ama, imagina com um estranho.

Minha temporada em Brasília me forçou a isso. Passei longos quatro meses num apê com mais duas meninas e meia (a meia era a dona do imóvel e não morava lá, mas vivia criando regras e dando palpite na rotina da casa. Vai ver que era uma tentativa frustrada de ser mãe - de gente grande). Uma era mais nova e se esquecia de cumprir algumas rotinas da casa, como deixar a máquina de lavar sempre livre logo após o uso, retirar o lixo no seu dia, comprar algo de uso comum que tenha acabado, como papel higiênico. Ok. Somos muito amigas até hoje, então eu não me importava com isso.

A outra, quase da minha idade, veio com um discurso lindo de limpeza e organização no dia da minha mudança. Mas logo percebi que era historinha. Deixava a pia suja com resto de comida, panelas no fogão durante dias, se esquecia de levar o lixo pra fora etc. etc. etc.

Gente, eu sei que são coisas bobas, mas básicas pra um bom convívio. Afinal, para quem não gosta de sujeira é difícil se acostumar com uma lixeira sempre transbordando ou uma pia repleta de louça.

Por isso, pense muito bem antes de tomar a decisão de dividir um apê. No início dessa experiência eu estava até gostando e pensava em dividir meu apê com uma amiga quando voltasse pra minha cidade. A ideia de ter sempre uma amiga querida por perto pros desabafos e pras festinhas era muito convidativa. Mas foram só esses detalhes começarem a se tornar frequentes pra minha empolgação acabar.

Percebi que eu não sou pra morar em república. Tem quem goste de dividir banheiro, cozinha, TV etc. com outras pessoas. Por uma semana pode até ser legal. Pra sempre, garanto que não. Em algum momento, você vai acabar sentindo que estão invadindo o seu espaço. Sabe quando você quer assistir aquele programa que está esperando a semana toda e na hora vem o coleguinha e senta na frente da TV pra ver outro canal? E quando você quer fazer feijão e a panela de pressão está suja há dois dias porque o último a usar esqueceu de lavá-la? Imagina acordar atrasado pro trabalho (ou faculdade) e encontrar o banheiro (único da casa) ocupado. Putz!

Mas claro que tem o lado bom de morar em república. Vamos à listinha:

  • O aluguel é mais barato (cerca de R$ 400 pra um quarto de empregada e uns R$ 800 pra um quarto normal).
  • O imóvel já está mobiliado (menos uma dívida).
  • Nunca estará totalmente sozinho.
  • Divisão das tarefas domésticas.
  • Divisão das despesas da casa.
  • E, principalmente, festinhas frequentes.

Apesar da parte boa, prefiro ter o meu canto e receber os amigos em momentos oportunos. Meu apê, minhas coisas, minhas regras. E, assim, a amizade continua e vivemos todos felizes para sempre. ;)

Bagunça na hora certa

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Os prós e contras de morar sozinho

Faz quase um ano que saí da casa da minha mãe e ainda hoje têm momentos em que me pergunto por que fiz isso. Lá eu tinha o famoso "casa-comida-e-roupa-lavada". Sério! Acordava com uma caneca de café com leite na cama e, enquanto eu tomava banho, o "serviço de quarto" entrava em ação. Cama arrumadinha, cachorras alimentadas e a marmita perto da minha bolsa.

Eu não tinha que me preocupar com a tarefa de lavar roupas e muito menos preparar o jantar. A única coisa que fazia era AJUDAR a minha mãe. Estendia as roupas que ela tinha colocado na máquina, temperava a carne para ela preparar quando chegasse do trabalho. E dividia a limpeza da casa (lavar banheiro? cozinha? Nunca!).

Hoje, se eu não lavo, não tenho roupa limpa. Se eu não cozinho, não como. Se eu não dou comida pras minhas cachorras, corro o risco de encontrá-las duras no chão da sala. Então, por que eu saí de casa? Porque chega uma hora que tudo que você quer é o SEU espaço. E esse espaço não pode mais se resumir ao seu quarto.

Durante um tempo, eu e um ex-namorado planejamos o nosso casamento. Tínhamos comprado um apê ainda na planta, então os dois anos de construção foram exatamente para sonharmos como seria cada cômodo, quais seriam nossos papéis como donos de casa...Foram dois anos planejando a minha saída da casa da minha mãe. Mas, um mês antes do imóvel ser entregue...acabou! O namoro estava perdendo os sinais vitais, então decidimos não casar.

Como eu estava mais do que ansiosa pra ter o meu espaço, decidi que era hora de sair de casa, fosse pra onde fosse. Com o salário da época mal dava pra pagar as continhas básicas, que dirá sustentar uma casa. Foi então que pensei em dividir apê com uma amiga do cursinho de inglês. Começamos a procurar e...mudei de ideia. Pensei melhor e vi que dividir seria trocar seis por meia dúzia. Não seria o MEU espaço (assim como não era na casa da mamãe). Seria um apartamento de nós duas (e eu teria que aceitar as regras dela também). Comecei a ver algo que se encaixasse no meu orçamento. Consegui! Liberdade! Peguei as chaves em janeiro e fui fazendo a mudança aos poucos, com a ajuda de alguns amigos que cederam seus carros. Sim, minha mudança foi feita em uma Uno, Fiorino, um Celta, Palio e até numa Belinda (obrigada a todos). Em fevereiro pude abrir a porta do meu novo apê e dizer: "Meu. Só meu!". Mas essa sensação estava com os dias contados. Junto com a minha entrada na casa nova, tinha recebido uma convocação para trabalhar logo ali, em Brasília. Fui né?! Contrariada. Chorando. Querendo meu cantinho de volta. Deixei de dividir a casa com a minha mãe na Cidade Maravilhosa para dividir espaço com mais três meninas, em uma república. Minha vida começou a mudar de verdade. Muitas regras (nenhuma minha).

Abandonar o ninho requer muito estudo. Não pode ser nada feito às pressas. Existe a parte boa de morar totalmente sozinho: sua casa, seu mundo, suas regras. Foda-se se a pia estiver com louça de quatro dias. Foda-se se você quiser encher a cara e dar PT no tapete da sala. E se quiser passar a noite inteira chorando seja lá por qual motivo for, não terá ninguém pra ficar te enchendo de perguntas. No entanto, a solidão é inevitável; o que não acontece se você optar por uma república. Além disso, as tarefas podem ser divididas e as contas também rachadas. No entanto, os espaços comuns precisam ser respeitados, festinhas só se todos concordarem e nada de música alta depois de certo horário. Independente de qual estilo de vida você escolha, as contas chegam todos os meses, a comida não fica pronta sozinha e a roupa não vem com sistema de autolimpeza.

Pense que além das contas fixas (e básicas) como água, luz, gás, condomínio e aluguel, você ainda precisa comer; pode até querer ter uma internet em casa e se dar ao luxo de assinar uma TV. Além disso, ninguém se muda sem geladeira e fogão. Pode até dormir no chão forrado com um lençol fino e preparar miojo na cafeteira e nugget na sanduicheira dada pela tia-avó, mas geladeira é o básico do básico. Você vai precisar comprar, mesmo uma de terceira mão. Tudo precisa estar na ponta do lápis para ver se sair de casa te levará à sua tão sonhada liberdade, ou se vai te libertar das regras dos pais, mas te aprisionar nas regras (e juros) do banco. Pense bem! Vale a pena? Pra mim valeu.

Foto: retirada de uma googlada

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O primeiro Natal morando sozinha

Então é Natal...

O primeiro da minha vida desde que deixei o ninho. Como eu sonhei com este dia. A magia começou quando montei a árvore junto com o meu namorado (a nossa primeira árvore, o nosso primeiro Natal juntos). A sensação de montar a própria árvore, encher de enfeites, bolas, pisca-pisca e depois rechear de presentes é fantástica. Ah! Os presentes... Nem se eu recebesse 14º salário daria conta de comprar todos. Minha carteira chega a dar eco depois das compras de Natal, que terminaram ontem. Na correria do dia a dia (ser dona de casa e trabalhar fora não é mole), acabei deixando alguns presentes para o último minuto. E olha que uma sobrinha, afilhado e comadre ainda não foram ticados da lista. Mas esses podem esperar, pois só irei vê-los no próximo ano (o que dá a gente empurra pra frente, e o cartão de crédito agradece).

Todos os anos, eu compro alguma coisa pra minha mãe, pros meus sobrinhos e pro meu pai. Nesse, eu resolvi comprar pra geral e lá se foi o salário e mais um pouco (que vai respingar em janeiro, claro). Acho que foi uma forma inconsciente de dizer a eles que saí de casa, mas que eles não saíram do meu coração.

A decoração natalina aqui em casa está lindinha, mas esta noite eu sairei do trabalho, pegarei minhas filhas de quatro patas e nos reuniremos ao restante da família na casa da minha mãe (certas coisas nunca mudam). Sempre sonhei com um Natal aqui em casa, mas acho que foi melhor assim. Imagina euzinha ir pra cozinha preparar todas aquelas comidas?! Ainda não estou pronta pra isso. Quem sabe no próximo?! E que venham as rabanadas!

Papai Noel passou por aqui...e levou minha carteira

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Deixando o ninho

Desde que fui morar em Brasília no início do ano senti a necessidade de contar pras pessoas como é a experiência de sair da casa dos pais, seja por conta própria, forçada, pra morar numa república ou sozinha.

Claro que cada experiência é única, mas têm alguns perrengues que são praticamente coletivos, como: a primeira ida ao mercado, o mistério da máquina de lavar roupas, como esticar o salário pra pagar todas as contas, como decorar a casa sem um puto no bolso, o desespero de entrar uma barata voadora em casa...Galerinha, vocês não têm noção do que é ver uma barata giga adentrando à cozinha e não ter ninguém pra te socorrer. Pior do que isso só se for voadora. Aí fudeu (com U mesmo). 

Quando decidi há quase um ano sair da casa da minha mãe, logo me veio à mente: e se aparecer uma barata, como vai ser? Recorrer ao vizinho estava fora de cogitação. Seria muito vergonhoso. O caso era tão sério que virou pauta na minha sessão de terapia. Minha psicóloga, sempre com uma solução simples, me aconselhou a colocar um Raid em cada cômodo, sempre à mão. Me senti mais segura e, consequentemente, capaz de encarar um apartamento sem um adulto pra matar as visitas indesejadas. Assim, lá fui eu. E a luta com a primeira barata vocês conferem nos próximos textos. 

Mas como decorar o apê sem grana? Não estou falando de um estilo a la Marcelo Rosenbaum, não. Me refiro à geladeira, fogão, cama. Itens básicos na vida de qualquer ser humano da cidade. Criatividade nessa hora é tudo e eu também vou mostrar como a minha rapidinho deu o ar da graça e qual foi o meu primeiro móvel.

Quero com este blog contar minhas derrotas e vitórias após abandonar o aconchego da casa da mamãe. Talvez meus relatos consigam evitar algumas "tragédias" e outros proporcionem alguns momentos de reflexão (ou gargalhadas). Pra isso também vou contar com a participação de uma galerinha do bem: algumas pessoas que vão escrever aqui seus perrengues e suas conquistas nesse (complicado) processo que é crescer. 

Como surgiu o nome do blog? Sabe mãe quando chega na casa do filho e começa a dar pitaco na louça que acabou de surgir na pia (mas ela acha que está ali há dias)? E quando ela começa a arrumar as almofadas do sofá, abrir a geladeira e comentar que mais parece um aquário por ter, basicamente, água? Ou quando ela entra no seu quarto perto do meio-dia e "pensa em voz alta" que a cama ainda está bagunçada? Preciso explicar ainda a origem do nome? 

Pode entrar. Fica à vontade! E não repara. A casa é minha, então foda-se se estiver bagunçada né?!