quarta-feira, 24 de junho de 2020

Quarentener: aproveitando para estudar

Desde meados de março os brasileiros no Rio de Janeiro estão sem aula nas escolas e universidades. Algumas particulares insistem em manter o discurso que as aulas estão ocorrendo normalmente pela Internet, mas a verdade é que nem alunos, principalmente crianças,  nem professores estão preparados para ensinar a distância. Mas tem uma galera mais velha que tem aproveitado a pandemia para estudar, exatamente porque antes não tinha tempo, mas agora o que mais temos é tempo.

Entrei nessa onda e resolvi aproveitar melhor os dias em casa. Não que esteja com tempo ocioso, mas só pelo fato de não precisar bater ponto na empresa já torna minha rotina de trabalho mais flexível. Assim, além de ter retornado aos grupos de estudos da doutrina espírita, entrei para um grupo de estudo sobre política e espiritualidade, ministrado informalmente por um historiador da Federal do Rio, que é amigo de longa data. Não sou da universidade, nem curso História, mas por ser um estudo informal, e o tema muito me interessar, principalmente porque estamos analisando o tema tendo Gandhi como objeto neste momento incial, pedi a ele para participar. E no atual cenário político do Brasil, a filosofia da não violência vem a calhar.

Se podemos tirar algo bom desta pandemia, que nos forçou a ficar em casa, é termos mais tempo para ler todos os livros e gibis que compramos e ficaram na estante esperando o tempo livre que nunca chegou. É termos tempo para ver tutoriais de como reformar um cômodo da casa gostando quase nada e no estilo DIY. É termos tempo para aprendermos sobre mercado financeiro e, dessa forma, investirmos dinheiro assim que as coisas melhorarem para não dependermos mais de 600 misérias do Governo Federal. O lado bom da pandemia é se perceber com um novo talento e resolver investir nisso, fazendo cursos online.

O que não faltam são cursos acessíveis e tutoriais 0800 ao alcance de uma googlada. O que não falta é tempo para aprender aquilo que sempre quis, mas foi ficando para depois por N motivos. O que não falta durante o isolamento social é oportunidade de aprendizado. Mas o que pode faltar é força de vontade. Se for este o caso, não reclame quando o mundo lá fora te mandar sair de casa e você encontrar tudo igual como deixou há três meses.




domingo, 21 de junho de 2020

Quarentener: detox digital

Minha primeira resolução em 2020 foi ficar um pouco mais distante das redes sociais, o que no meu caso significa Instagram e Whatsapp apenas. E estava conseguindo bem até surgir a pandemia e nos colocar no (pseudo) isolamento social. Trabalhando em casa precisei passar mais tempo com o celular nas mãos, checando meu e-mail e demandas enviadas no grupo de trabalho do whatsapp. O problema é que muita conexão também faz mal. Muito mal.

A sensação, como já mencionado no texto sobre home office, é de trabalhar o dia inteiro. E o que dizer sobre o excesso de informação? Antigamente, até há uns 10 anos, quando não tínhamos whatsapp, nos programávamos para conversar com as pessoas...ligando para elas. Indo um pouquinho mais longe, há uns quinze anos, quando queríamos acessar a Internet, sentávamos na frente de um computador para conversar por chat, usar Twitter, Orkut, Facebook e, olha que estranho, pesquisar no Google. Agora está tudo na palma da mão, a um clique de distância. Esse é o problema. 

Se não conseguimos abrir os olhos de manhã e resistir ao movimento automático de pegar o celular para checar as notificações; se vamos ao banheiro e lá está ele conosco, o alarme de preocupação deve soar: está na hora de um detox. E isso não significa abandonar o celular, ficar offline o tempo inteiro.  Significa apenas passar mais tempo longe do aparelho. Pra quê? 

Quando usávamos o telefone apenas para chamadas só falávamos com alguém quando queríamos. Era o momento de fazer uma ligação. E se não queríamos falar com ninguém, não atendíamos o telefone. Agora não dá. O celular vibra o tempo inteiro com mensagens que não param de entrar. E se você ignora...100nhor! Tenha piedade desta alma que será bombardeada de perguntas. O problema de "conversar" o tempo todo é o desgaste que isso causa nas relações. Não há amizade que não seja abalada, por menor que seja, em algum momento por excesso de opinião. Discorda? Observe os grupos de whatsapp (de amigos, da família, da academia, do trabalho, da escola, de pais, de condomínio, da igreja...não importa). Sempre tem uma desavença. Por quê?  Porque somos bombardeados de opiniões e o imediatismo das redes sociais nos permite revidar sem o (sagrado) tempo de respirar por 10 segundos antes de abrir a boca, neste caso, antes de apertar o Enter.

Você ficará impressionado como o dia rende muuuuuito mais quando esquecemos esse aparelhinho chamado celular. Tenho saudade do telefone fixo, de quando era preciso esperar o fim de semana ou a madrugada para acessar (sem muito custo na conta de telefone) a Internet e ficar algumas horas (planejadas) no MSN conversando com os amigos. E quando o assunto não podia esperar, pegava o telefone de casa e fazia uma ligação. Em época de pandemia, que nos obriga ao home office e ao distanciamento, a conexão instantânea é muito legal, mas temos maturidade para isso? Quantas horas você passa com o celular na mão? Você é capaz de ir ao banheiro sem levá-lo? Consegue ir dormir e desligá-lo? Consegue não checar suas notificações de hora em hora? A pandemia vai acabar. Sairemos dela mais viciados do que entramos? Essa quarentena nos ensina a repensar hábitos. Vamos aproveitar!



quinta-feira, 11 de junho de 2020

Quarentener: isolamento social ou recolhimento pessoal?


Parece que o isolamento social está chegando ao fim, inclusive no Brasil (o que é um fato bem estranho se pensarmos que os casos de Covid-19 não param de aparecer e os hospitais de campanha viraram "obra de igreja", tamanha a demora). Com isso, fala-se muito do "novo normal". Não vejo nada de novo, não observando a maioria das pessoas.

Assim como em outros países, no Brasil tivemos fases, semana após semana, da quarentena. Cantamos na janela, aplaudimos médicos, batemos panela contra o Governo, usamos mais os aplicativos para chamadas de vídeo e exercícios físicos em casa. Meditamos mais. Entramos mais em contato com o nosso Eu Divino. Será?

Posso falar por mim que o isolamento social passou (e ainda passa) por todas as fases, como num eterno looping. Mas agora nesse finalzinho, quando minha cidade começa a afrouxar o isolamento, começo a fazer uma autoavaliação. Quem sou eu hoje? Quem é você nessa quarentena?

Não fiz apenas um isolamento social. Na verdade, a pandemia me proporcionou um recolhimento pessoal. E eu agradeço por isso. Boa parte das minhas "resoluções de ano novo" não teriam saído do papel se não me obrigassem a ficar trancada em casa a maior parte do tempo. Aprendi a meditar. Voltei a estudar assuntos que realmente me interessam pra vida. Passei a ter mais contato (ainda que virtual) com minha família. Minha alimentação (agora caseira) melhorou consideravelmente. Minha saúde financeira também. Minhas cachorras agradecem a pandemia porque estão recebendo muito mais atenção. E a saúde física? Tenho me exercitado todos os dias. Quando isso seria possível na louca vida que vivemos no modo automático?

A pandemia vai passar. O isolamento social já está sendo afrouxado. Nós teremos que voltar para o mundo real. Lá fora a vida será mais difícil. Mas hoje, três meses após o "confinamento", eu sei bem o que quero, o que não quero, o que faz bem para mim, no que vale a pena investir o meu tempo e o que não merece a minha atenção. Está quase na hora que precisaremos colocar em prática o que aprendemos durante este caos. Espero que esses três meses que nos tiraram empregos, entes queridos, liberdade não tenham sido em vão. Você está pronto? Você fez o isolamento social? Ou foi além, e fez um recolhimento pessoal?