quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Thanksgiving Day

Thanksgiving Day = Dia de Ação de Graças

Tenho certeza que muita gente conhece esse feriado pelas séries norte-americanas como Friends, Grey's Anatomy e, claro, This is Us. E tenho certeza também que pouca gente sabe que esta data não é exclusiva dos EUA. Aqui no Brasil também temos o Dia de Ação de Graças, que foi regulamentado no calendário nacional em 1949. Não é feriado, e, talvez por isso, não seja popular entre os brasileiros. Mas é uma data tão bonita que resolvi colocar no calendário da minha família. A gente (brasileiro) importa tanta coisa ruim. Por que não uma coisa boa? 

Thanksgiving Day no início do século 17 remetia a um momento de dar graças à boa colheita do milho e à união entre os colonos ingleses e os nativos indígenas. União mentirosa, claro, mas o importante é que hoje este é o feriado mais esperado nos Estados Unidos, mais até que o Natal. É quando muitas famílias viajam para se reunirem (e comerem bastante). 

Aqui no Brasil não temos este feriado, tem gente que nem se atenta à data. E por cair numa quinta-feira (sempre antes da Black Friday - agora você nunca mais vai esquecer do Thanksgiving Day) fica mais complicado ainda reunir a família para um jantar regado a peru, tortas e rabanadas (porque o Dia de Ação de Graças é meu e tem rabanada frita sim).

É o oitavo Natal que terei na minha casa desde que passei a morar sozinha; o segundo sóla mesmo (por causa da pandemia). Então, para dar aquela amenizada na saudade, propus que nos reuníssemos hoje para um almoço (ainda que rápido e simples) na casa da minha mãe, onde aconteciam os grandes natais antes da minha avó partir. Quem pôde se ausentar rapidamente do trabalho participou. E foi ótimo. Singelo, mas agradável. O primeiro de muitos outros Dia de Ação de Graças na minha família. E não podia ter sido em ano melhor. Temos tanto a agradecer em 2021. Chegamos até aqui durante uma pandemia; tomamos vacina; alguns de nós tivemos o privilégio de manter nossos empregos e salários trabalhando em casa. Sobrevivemos. Estamos vivos. Só isso, em 2021, já dá muitas horas de agradecimento. 

Amantes de Friends entenderão. Os não amantes...busquem no Google =P

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

A casa está mais vazia. O coração...jamais

Há quatro anos perdi minha filhota. Layla, uma poodle que esteve comigo por 18 anos. Partiu em decorrência de um câncer de mama com metástase no cérebro e...velhice, claro. Foi exatamente 6 dia antes da data em que perdi meu bebê num aborto espontâneo 10 anos antes. Essas coincidências da vida marcando o meu mês de outubro (que é o mês internacional de conscientização da perda gestacional). Agora, em 03 de novembro, para não deixar outubro tão sombrio para mim, Nina partiu. A cachorrinha mais boazinha do mundo foi embora em meus braços. Foi tudo tão rápido. Num momento estamos aqui; no outro partimos. 

Nina foi uma adoção em conjunto com meu ex. Chegou toda machucada por arame farpado, cega, mas cheia de amor. Foram apenas 8 anos juntas. Eu queria mais. Mas Ninoca já chegou idosa em minha vida. Com ela aprendi que o amor se multiplica. Também aprendi sobre síndrome de cushing (fora do seriado Dr. House, alguém já ouviu falar?), diabetes tipo 1, glaucoma, válvula mitral. Sabia que aquele "sopro" que muita gente tem no coração e nem se importa quando o médico o menciona é um problema na válvula mitral? E que este problema pode se agravar causando edema pulmonar? Eu não sabia. Nina me ensinou. Nos últimos dois meses descobrimos (mais) isso em sua saúde. Não deu tempo de aprender muito. Ela partiu na manhã do dia 03, dia do aniversário dos meus dois irmãos. E deixou um vazio aqui em casa, na família toda. 

Amada por tantos, pessoas que nunca a viram, mas contribuíram com a vaquinha virtual para uma mastectomia que precisou fazer há 4 anos. Nina era forte; aguentava firme as aplicações de insulina, as medições de glicemia, tudo porque sabia que logo depois ganharia petiscos (os comprimidos de outras medicações que ela comia como se fossem doces). Um anjinho farejador de migalhas...

Agora somos apenas Sofia e Mia aqui em casa. Não temos mais rotina marcada por despertadores que nos avisavam sobre colírios, remédios e lanches. A Nina foi um presente enviado por Deus, me colocando em contato com profissionais de alto padrão do mundo veterinário. Quem teve Flávia Tavares como médica-veterinária não aceita menos que a excelência em técnica e atendimento médico. Meu padrão é muito alto (e eu tenho medo disso). =P

Minha fofolete (por causa do cushing ela já chegou a pesar 13kg) partiu com um suspiro no sofá da minha casa enquanto eu acariciava sua pancinha e afagava seu cabelo dizendo em seu ouvido: Obrigada por ter me encontrado e me deixado ser sua mãe. Pode ir. Vai descansar!

Eu podia ter voltado com ela ao hospital para colocá-la no oxigênio? Podia. Adiantaria? Não. Uma mãe sabe quando chega a hora. E eu queria que a partida fosse ao meu lado, não numa baia da clínica veterinária com ela cheia de fios, agulha e longe dos meus olhos. Queria que ela me sentisse até o último segundo aqui na Terra. No dia 02 eu já fui dormir sabendo que ela partiria no dia seguinte. Como? A gente sabe, a gente apenas sabe. Então, entre afagos e olhos embaçados de tanto chorar, decidi que não correria mais com ela ao médico. Não faz sentido a gente lutar contra a lei da vida. O melhor que podemos fazer é aproveitar cada segundo ao lado de quem amamos. 

Nina vai continuar arrancando sorrisos nas rodas de família ao lembrarmos suas peraltices atrás de comida. Quando a gente amadurece entende que amar é deixar ir; que o amor não termina com a despedida.

Nina: adotada em 26/01/2013 -- 03/11/2021 #RIP







quinta-feira, 28 de outubro de 2021

De volta à vida

Era para ser apenas um tempinho longe da Redação, 14 dias trabalhando em casa. Nem daria para sentir falta dos colegas. Mas duas semanas viraram quase dois anos. Se no início o home office era caótico, apesar do alívio de não precisar se deslocar até a empresa diariamente, hoje já estamos acostumados. Como voltar à vida normal? A normalidade (de quem pôde se dar ao luxo de trabalhar sem sair de casa) agora é outra. Há mais de um ano o mundo está diferente, e eu não sei se quero voltar à vida antiga.

Com a orientação "se puder fica em casa" passamos a prestar mais atenção aos detalhes, a valorizar as horas, que passavam lentamente no início do confinamento. Preparar o próprio almoço e comer em casa aquela comida caseira, tão diferente (e mais barata) que a de restaurantes da Lapa carioca.

A pandemia veio a calhar para os menos sociáveis. Dizer Não a bares e festinhas, chás de bebê e casamentos deixou de ser malvisto para ser uma atitude de cuidado consigo e com o próximo. E agora? Com a vacinação caminhando (a passos de formiga, mas caminhando) e com o uso da máscara deixando de ser obrigatório, a vida lá fora vai voltando, tomando sua forma apressada, barulhenta, um tanto tumultuada novamente. 

Tomar um banho sem pressa e não precisar pensar muito na roupa, na maquiagem, nos sapatos que vão aguentar o peso de um dia inteiro de trabalho. Fazer aquela pausa num momento de estresse para ver sua série favorita, afinal, em casa, não tem que cumprir horário, mas metas, prazo de produção. Ter apenas a soleira da porta do quarto como distância para o trabalho é uma questão bastante tentadora. Assim como olhar para o lado e se deparar com seu animal de estimação te admirando feliz por você estar ali o dia inteiro só com ele (e o contrário ser verdadeiro também). 

Sério que essa não é a vida normal? Porque eu já me acostumei a ela, e ela a mim. Não sei se estou pronta para o mundo lá fora; não sei se estão prontos para ouvir de mim "Não quero ir" em lugar de "Prefiro não me expor ainda". De qualquer forma, acho que a máscara, por muito tempo, vai continuar escondendo o meu sorriso. É mais fácil assim. E confesso: adoraria conhecer mais pessoas com máscaras. O sorriso dos lábios pode ser apenas um sorriso social. Mas o sorriso dos olhos, ah! Ninguém consegue sorrir com os olhos se não for de verdade. 

Voltar à vida normal. Será que dá para escapar? Afinal, foi este normal que nos adoeceu.

"(...) E o futuro não é mais como era antigamente"