terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Demorou, mas acabou


Não que 2018 tenha se arrastado, mas foi um ano tão chato, mas tão chato que parece ter levado 2018 meses para acabar. Tivemos bons momentos? Sim, tivemos. Mas eita aninho difícil. Muita gente não teve Natal em família; muita gente perdeu a família. Tiveram até namoros desmanchados por causa de política. Levanta a mão aí quem passou por isso. o/

Mas também tivemos coisas boas. A nível nacional não consigo me lembrar, mas deixa eu citar a nível pessoal mesmo: 

1- Ganhei uma filha. Minha pretinha Sofia, toda linda, entrou em minha vida no final de fevereiro após uma amiga me marcar em um post de ONG no Facebook. 

2- Fiz minha primeira inversão sem as mãos no Pole Sport. Tks, tia Suellen. 😉

3- Minha filhota Nina se curou do câncer que descobrimos no início desse ano tenso. Melhor ainda: descobrimos que ainda existe amor no ser humano. Recebemos doações em $$$ de amigos e anônimos através de um site de crowdfunding para a cirurgia dela. =D

4- Comecei a ver minha viagem para a Europa tomar forma quando dei o primeiro passo: comprar as passagens.

5- Percebi que sou sim, muito capaz de organizar uma mudança para outro país sozinha. Tks, God!

6- Descobri amigos onde antes só via colegas. Tks, dificuldades na empresa.😉

7- Comecei a ser voluntária em um projeto social com moradores de rua.

8- Tive vários clientes de pet sitter. Tks, doguinhos e cats. <3

Uma breve retrospectiva nos faz olhar com mais atenção e carinho para coisas, até então, simples, sem grandes significados. Mas, principalmente, nos faz perceber o que queremos para este ano e como podemos fazer para as coisas acontecerem. 

Não é porque 2019 já começou que está tarde. Hoje é só o primeiro dia desse ano. Tem mais 300 e poucos pela frente. Coloque num papel (é bom para visualizar melhor) as maiores realizações do ano que passou. Depois, em outra coluna, escreva quais foram os momentos mais difíceis e o que aprendeu com eles. Para fechar, pense nas coisas pelo que é mais grata. Pontue cada uma e sorria! Pois existem coisas maravilhosas acontecendo em nossas vidas o tempo todo. Basta ter olhos para ver e ouvidos para ouvir. 

A partir daí fica mais fácil perceber o que se quer para este ano. O que era para 2018 que ficou para 2019? Vale a pena continuar tentando? Seja realista e crie suas metas! Estabeleça ações para alcançá-las. Agora pendure este papel no espelho ou na geladeira. Por quê? Porque o ser humano precisa ver todos os dias o que quer e o que tem de fazer para chegar lá. Isso ajuda a não perder o foco. E como falei: temos mais de 300 dias pela frente, então vista sua melhor roupa e vá viver linda, plena, todos os dias, ainda que o céu esteja nublado. O meu dia sou eu quem faço. E o seu, quem é?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

É hora de ir

Larissa trabalhava na maior editora do país. Começou como estagiária e foi crescendo aos poucos. Tornou-se editora-chefe de uma das principais revistas da empresa. Dedicara mais de uma década para aquele projeto.

Mas naquele ano tudo o que parecia perfeito na sua vida começou a mudar. Como em um castelo de cartas, seu relacionamento acabou e depois ela perdeu o emprego. A falência da editora teve repercussão nacional e internacional. Reflexo da crise econômica e política que o país atravessava.

Larissa se sentia sem chão, sem ar. Desiludida. De uma hora para outra, tudo o que ela acreditava virou pó. Mas ela era forte, e traçou um plano para sua sobrevivência.

Numa fria manhã de agosto, Larissa começou a mudança. Embalou pouco a pouco seus utensílios, guardou as roupas, separou algumas para dar. O apartamento para onde ia era menor, e ela precisava ser sucinta. Duas televisões não cabiam, então vendeu uma. E por aí foi. “Essa casa já não é mais minha. Esse estilo de vida já não é mais meu. Chegou a hora de desapegar”.

Não pediu ajuda para a família, muito menos para amigos. Primeiro porque a maioria deles era do trabalho e estava sofrendo igualmente com a demissão. Segundo porque ela sentia que precisava fazer aquilo sozinha, e provar para si mesma que era capaz.

Para cada caixa, uma lembrança. A de panelas fazia pensar em quando ela e o ex-marido cozinhavam. A de copos lembrava as várias festas que deu para amigos, onde bebiam até o dia clarear. E a de livros, ah, essa era uma das mais marcantes! Traziam pro seu coração todo o idealismo que ela carregava desde a infância: eram obras de poesia, política, sociologia e artes.

"Esses são tempos de encaixotar sonhos", ela pensou. E terminou de guardar os pertences, derramou algumas lágrimas, e colocou seu vestido preferido. Foi até o lugar que mais amava na cidade, a mureta da Urca. Gostava de sentar por lá, olhar pro horizonte, e pensar em que maravilha é a vida, mesmo com todos os problemas. Até escrevia alguns poemas, inspirada pela paisagem.

E assim ela fez. Escreveu um pouco... E pensou nos amigos, na família e nos amores. Acima de tudo, pensou em si mesma, no quanto era determinada, e uma joia rara. 

E lembrou de Chico.

“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você onde vai se esconder da enorme euforia”.

(Larissa preserva o otimismo acima de tudo. E acredita na energia do universo. O que é dela, será dela. Porque ela é: LARISSA).



Texto escrito por Carolina Pessôa, do blog Falando da vida.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Quando o medo toma conta

A ideia de mudança sempre surge repentinamente em minha vida. Foi assim quando resolvi sair do apê que morava no bairro onde cresci, para outra região da cidade, mais perto do trabalho. Um apê bem menor, mais caro, longe da família e da minha zona de conforto. Mesmo com todos esses contras decidi que era hora de mudar. E deu certo. Tudo melhorou. 

Mas agora a mudança seria não de bairro, mas de país, de emprego, de vida. Um fim de semana inteiro pensando, criando cenários, fazendo contas, conversando com fulano, com beltrano, fazendo mais contas, criando mais cenários de situações que sim, podem acontecer. Um fim de semana inteiro voltada para tomar a decisão mais importante da minha vida: aceitar a oferta de demissão da empresa e sair do país, ou ficar e esperar as coisas (boas ou ruins) acontecerem? Tomei minha decisão. Vou partir. Europa, aí vou eu! 

Mas pera! Segunda-feira no fim da tarde tudo muda. O plano A começa a perder a forma por novos cenários que surgem. Abrir mão de um emprego "estável" já é bem difícil; abrir mão de um emprego "estável" para mudar de país não é como mudar de bairro. E a pressa da empresa em nos enxotar antes do ano terminar faz com que muitos desistam de ir embora. Eu, inclusive. Resolvi ficar e lutar. 

Só que eu não mudei de ideia pela luta somente; mudei pelas minhas filhas (de quatro patas sim, mas ainda minhas filhas). Quantas pessoas abririam mão de uma ótima oportunidade pelos filhos humanos? Eu abro pelas minhas cachorras. 

Tomar uma decisão tão importante, tendo o medo como propulsor, não seria correto comigo, com minha família e com minhas filhotas. Levá-las para outro país me custaria mais de R$ 5 mil. Adicione a isso o estresse delas e o meu, e o desejo de viver em um país mais seguro perde o encanto. 

Enquanto isso parece sem nexo para muitos, para mim é natural. Eu escolhi adotá-las. Eu escolhi ter duas cachorras e uma gata. Eu escolhi cuidar delas. Não posso jogar essa responsabilidade para outra pessoa. Mia e Sofia precisam muito de mim. Nina sempre será acolhida por qualquer pessoa da família (é a princesinha de todos). As outras não. Então, eu só parto para qualquer lugar do mundo quando elas puderem ir comigo no mesmo dia, no mesmo avião. Grudadinhas em mim. Porque ser mãe é isso: é abrir mão de um futuro que tem tudo para ser perfeito, mas o presente já é lindo o bastante para eu escolher ficar. Será com medo do que virá, com medo de perder o celular em mais um assalto; com medo de perder a vida numa esquina; com medo de entrar num Uber e ter outro destino. Mesmo assim eu escolho ficar. Porque o Medo, ah! Esse não pode ser o responsável pelas minhas escolhas (e nem pelas suas).