segunda-feira, 16 de julho de 2018

Carioca na Paulista

Cariocas têm um preconceito com São Paulo. Comigo não seria diferente.

Passei muitos anos dizendo que não gostava de São Paulo. “Cidade cinza, poluída, suja... Odeio São Paulo”. A verdade é que eu nunca tinha estado em São Paulo.

Só que 2017 foi um ano que São Paulo aconteceu muito na minha vida por questões de trabalho. E aconteceu taaaanto que eu fui me apaixonando pela cidade. Para mim já era claro: “Eu quero morar em São Paulo.”

Assim que a oportunidade aconteceu, eu não pensei duas vezes. Deixei a vida para trás. Mas houve algo comigo que muitas vezes acontece nas nossas vidas: fechamento de ciclos. E eu sentia que o meu ciclo precisava ser fechado para que eu pudesse voltar a florescer. Foi então que...

Veio tudo junto: a formatura, o novo emprego, a saída da casa dos meus pais, a mudança de cidade, um novo estilo de Pole Dance, uma nova fase no meu namoro, uma nova casa para morar. E com tudo isso, veio também a liberdade, que era algo que gritava dentro de mim. A gente, às vezes, precisa se afastar para se descobrir, e isso para mim ficou muito claro. Tinham muitas influências sobre a minha vida que estavam me impedindo de ser a pessoa que eu queria ser.

- Por que você mudou para São Paulo? - perguntam sempre.

- PORQUE EU QUIS. É tão bom quando a gente escolhe; toma as rédeas da vida.

Morar sozinha foi muito natural para mim (por mais que minha mãe achasse que eu não fosse sobreviver). Eu fui com uma missão legal para o time onde trabalho hoje, de levar uma visão feminina (trabalho com quatro homens, o que, às vezes, me deixa louca, mas está sendo um lindo exercício de auto conhecimento).

Então, eu acho (não! Eu tenho certeza) que a palavra da vez é crescimento. Foram cinco meses até agora e com certeza muitas coisas incríveis ainda estão por vir. Claro que volto aqui para contar. ;)


Texto escrito por Giulia Apicelo, aquela administradora, blogueira, empreendedora e pole dancer maravilhosa que administra a WeGon.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Problemas de gente grande

Conversa em mesa de bar é uma das coisas mais produtivas da vida. Poderia dizer até que substitui uma sessão de psicoterapia - mas aí minha psicóloga me expulsaria da sala na próxima consulta. 

Pois bem! Não faz muito tempo que eu e umas amigas nos reunimos numa mesa dessas da vida e começamos a filosofar. Não. Peraí! Isso foi depois de tomarmos um litro de Frozen com tequila. Sentamos à mesa e uma dessas amigas começou a falar sobre PROBLEMAS DE GENTE GRANDE. 

"Estamos pensando em nos casar, mas ainda sem data planejada, porque precisamos juntar uma grana né?! Até por isso que desisti de me mudar para a sua casa..." A amiga em questão tem mais de 30 anos, quer muito ter seu próprio canto, sair da casa dos pais, porém o custo de vida na "cidade maravillhosa", a realidade daqui, não permite isso a qualquer assalariado. Nesse momento, a casa dos pais é um ótimo refúgio.

"Não ganho mal, mas ganho bem menos do que eu precisaria para me sustentar sozinha, sem a ajuda dos meus pais", ela disse. "Trabalhar para pagar contas, é a isso que se resume a vida", escutei de um homem na rua que falava sozinho (ou com alguém pelo fone do celular). "Não tenho mais de onde cortar. Só se eu for viver de luz". "Minha casa está de pernas pro ar e eu não tenho tempo para limpar". "Não sabia que crescer era tão chato". 

Frases reais ditas em momentos normais da vida. Acho engraçado quando ouço algum adolescente dizer que não vê a hora de fazer 18 anos ou que quando tiver sua casa vai...Meu querido, deixa a titia te falar uma coisa: quando você fizer 18 anos nada vai mudar, a não ser a obrigatoriedade de votar. Quando você tiver sua casa as coisas vão piorar porque não terá papai e mamãe para prepararem o café, o almoço, para lavarem suas roupas e, principalmente, deixar sob sua responsabilidade apenas a conta do seu próprio celular. Ter sua própria casa não significa festa todo fim de semana por dois motivos:
  1. Sai caro, ainda quando racha com os "amigos". A maior parte das despesas sobra para o anfitrião.
  2. A imundice pós-festa cansa, desestimula até o mais preguiço dos seres humanos.

Crescer significa trocar a obrigação de ir para a escola pela de ir ao trabalho. Com a diferença que na segunda, se você não for ou chegar atrasado, será descontado no salário.

Crescer significa organizar a própria lista de mercado e pesquisar preços, marcas, usar a calculadora em tempo real. Ou você está achando que vai poder colocar tudo que deseja no carrinho sem as consequências da caixa registradora?

Crescer significa tomar decisões importantes (casar ou comprar uma bicicleta?) que alteram o rumo da vida. Imagina se quem compra um imóvel financiado em 30 anos, ou se quem aluga um apê resolver mudar de ideia depois de assinar os papéis? Existem contratos a serem cumpridos, vidas envolvidas em cada passo que damos. Isso é crescer. 

Você pode querer muito morar sozinho ou juntar dois amigos para racharem um aluguel. Show! Mas conseguem? Quais são suas prioridades? Se quer conquistar o mundo, melhor sossegar mais um pouco na casa dos pais, aguentar o ronco do irmão para juntar uma grana para sua viagem. Se com o salário atual já passa aperto morando com seus pais, o que você acha que vai acontecer quando for morar sozinho? As contas chegam pontualmente, os credores ligam quase que diariamente em forma de atendente de telemarketing, seu celular vai parar de fazer ligações, seu whatsapp vai bloquear até que a fatura seja paga. Isso é vida real. Isso é crescer. Esses são os problemas de gente grande.



segunda-feira, 18 de junho de 2018

Redecorando minha casa (e minha alma)

Imagem: Pinterest
O amor não sobreviveu a força do tempo. Foi eterno enquanto durou, chegou ao fim. Agora é hora de recomeçar. Redecorar minha nova casa, meu novo quarto, minha alma.

Alguns quadros eu já tenho, outros vou comprar. Também pretendo trocar o capacho com aquela imagem da sua série preferida. Talvez escolha um rosa choque escrito "bem-vinda, nova vida" (se não existir eu encomendo!).

Também pretendo comprar umas flores de plástico. Sim! Porque eu sempre gostei, e você não. E colocar novas fotos pela sala.

Tudo será muito simples e discreto (com exceção do rosa choque, que não quero abrir mão), porque preciso economizar agora que minhas despesas vão ser maiores, vão ser apenas minhas. A ideia é que a nova organização transmita um pouco mais de quem eu sou. Estava tão apagada nos últimos tempos...

Quero flores de lótus para simbolizar meu renascimento, imagens de gatinhos (porque acho tão fofo), meu velho quadro do bondinho - meio de transporte tão agradável... Quero rosa, lilás, azul e até verde para me trazer esperança nesse novo ciclo. Um amigo também sugeriu acrescentar mais um número na porta do apartamento. Segundo ele, o atual traz azar. Vimos em um site que a soma deles propicia o afastamento entre os moradores. Será que foi isso? Não acredito tanto assim em numerologia.

Meu amor, te falo com todo o meu coração: me perdoa se escrevo como se fosse fácil. Saiba que não é. Tenho me arrastado por dentro, mas sei que é preciso. Vou fazer algo duro, mas necessário. Tiro sua vitrola agora, e coloco de volta a minha vida.

Texto escrito por Carolina Pessôa, autora do blog Falando da Vida