domingo, 11 de novembro de 2018

Mudança de hábito

Dizem que quando temos filhos começamos a pensar mais no futuro, no que vamos deixar para eles, no planeta que estamos deixando para as próximas gerações. Bom, eu ainda não tenho filhos (só minhas meninas de quatro patinhas), mas entrei numa pegada mais ecológica  há um mês. 

Tudo começou quando comecei a perceber a quantidade de lixo que produzo: uma mulher que mora sozinha num apê pequeno de uma cidade grande. Foi a partir daí que resolvi repensar alguns hábitos pequenos, bem singelos sim. No entanto, grandes caminhadas começam sempre com pequenos passos.

O simples hábito de tomar café já contribuiu muuuuuuito para aumentar o tamanho dos lixões das grandes cidades. Eu usava, diariamente, dois filtros de papel para cafeteira. Tem gente que prefere cápsulas. Tem noção da quantidade dessas coisinhas que estão sendo descartadas a cada minuto no planeta? Tomar café nunca fora um hábito tão destrutivo como há quatro anos. Para amenizar o impacto do meu vício na vida útil do planeta troquei o filtro de papel pelo tradicional coador de pano. Gente! Nossos tataravós faziam café assim. Eles é que estavam certos.


E quando o assunto é intimidade feminina...Mulheres de plantão, já pararam para contar quantos absorventes cada uma descarta por ano? Cerca de 240 para um ciclo de cinco dias com fluxo leve a moderado. Agora pense que uma mulher "fica mocinha" aos 12 anos e só para lá pelos 40. PAI CELESTINHO! Tô até com medo de fazer esse cálculo. Foi por isso que resolvi trocar os tradicionais absorventes descartáveis pela calcinha absorvente. No Brasil já existem algumas marcas, mas eu resolvi começar pela Pantys e estou A-MAN-DO. Consigo passar quase 10 horas com a mesma sem vazamentos e incômodos. Lavou tá nova. E sim, pode ir para a máquina de lavar. "Ah! Mas elas são caras", algumas dirão. Então...em novembro essa marca está com 30% off. E mesmo sem o desconto, cada uma custa cerca de 80 reais. Agora, calcinha tem uma vida útil infinitamente maior que um absorvente, então meu argumento para aqui. Só isso (para mim) já basta. Mesmo assim, se preferir outras opções, existe o coletor menstrual, vulgo copinho. Esse eu nunca testei, mas o meio ambiente agradece aos seus criadores também.


Outro item que resolvi aderir para reduzir lixo foi o pagamento online de contas. Abri mão de receber faturas e boletos impressos. Tudo por e-mail agora. E todo pagamento online salvo o comprovante na nuvem para eu não ter que imprimir nem mesmo o recibo. 

No mercado levo meu carrinho a la vovó e minha ecobag super reforçada e estilosa para dizer "Não, obrigada" para os sacos plásticos, que vamos combinar, rasgam fácil com cinco quilos de qualquer coisa, fazendo você passar vergonha no meio da rua.


Aqui no Rio de Janeiro os canudinhos de plásticos foram proibidos por Lei. Como solução, algumas lojas oferecem o de material biodegradável. Eu passei a levar na bolsa o meu de plástico reutilizável. São tantos copinhos que ganho com canudo, que achei por bem ter sempre um na bolsa enroladinho um papel toalha mesmo. =) Mas se na sua cidade, o canudinho ainda não foi abolido, faça isso na sua rotina. Carregue sempre um reutilizável com você, ou abra mão mesmo desse artifício. Beber direto no copo não faz mal. 


O mesmo vale para copos descartáveis. Já parou para fazer a conta de quantos vão parar no lixo todos os dias na empresa ou na escola que você frequenta? Lá na empresa, quando esqueço o meu copo de porcelana, pego o descartável e uso ele o dia inteiro. Carrego quase como um filho para cima e para baixo. Mas a solução ideal é ter sempre uma garrafinha a mão ou, para os momentos em que o copo é indispensável, ter um dobrável na bolsa. Olha esse aqui que legal da Menos1Lixo


E para os sushilovers, a dica é: tenha o seu próprio hashi. Vende em mercado e é super baratinho. Nos pedidos delivery lembre-se de colocar na observação que abre mão do hashi e do potinho de molho (claro que eu esqueci o nome daquilo, mas vocês sabem do que estou falando).

Bom, essas são as minhas dicas para começar a reduzir a quantidade de lixo que produzo. E você, tem alguma? Deixa aqui nos comentários! =)

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Para deixar o mundo cheio de alegria



Setembro não é apenas o mês do meu aniversário, o mês dos virginianos mais originais deste planeta. Setembro é o mês reservado para a VALORIZAÇÃO DA VIDA. #SetembroAmarelo

A primeira vez que tive depressão eu era uma criança de 12 ou 13 anos. Não fui diagnosticada por um médico, afinal era tabu naquela época (mais do que é hoje) e meus pais nem perceberam que não era frescura de aborrecente. Já adulta, há três anos, eu tive outra crise, muito mais séria, pois eu morava sozinha em um apartamento alto e sem tela. Minha casa estava um caos, minha vida estava pelo avesso e eu...bom, eu não tinha forças nem para recolher a roupa do chão, imagina para pedir ajuda. Mas eu pedi. 

Já fazia terapia e, então, fui encaminhada para um psiquiatra. Os remédios me deram a serenidade para acordar, levantar e viver um dia de cada vez (coisa quase impossível sem a medicação). A terapia me deu as respostas de muitas questões. Os amigos...ah! Esses me deram óculos cor de rosa para enxergar o mundo. Tive apoio de muita gente, mas também encontrei pessoas, inclusive da família, que não entendiam porque eu ("tão bem sucedida", elas diziam) estava mal, deprimida.

Não importa o motivo; importa que eu estava na merda e isso deixava a sacada do meu apartamento muito convidativa. Eu me inclinava na balaustrada à noite para olhar melhor o céu. Eu não queria morrer. Eu só queria que a dor acabasse. E é essa a questão: suicidas amam a vida. Eles não querem se matar, querem apenas acabar com a dor; dor esta que é psicológica sim, mas machuca no corpo; dá para sentir. 

Por que eu não pulei? Quando eu tinha 13 anos eu não pulei porque meu irmão caçula tinha apenas 1 ano de vida e não se lembraria de mim, do meu amor por ele, se eu partisse tão cedo. Há três anos eu não pulei porque eu sei que a vida não acaba com o corpo se espatifando no chão; porque o espiritismo me dizia: aguenta só mais um pouco!

Hoje ainda sou medicada (seguindo o protocolo médico, para evitar recaídas, de só retirar a medicação aos poucos dois anos após o início da melhora da paciente), e apesar de algumas perdas recentes, me sinto bem, forte, me sinto curada. O mais estranho é que eu me sinto tão bem, tão feliz que dá até medo (como se não fôssemos merecedores da felicidade). 

Hoje, escrevendo esse texto, me dei conta que quando surtei no trabalho meus colegas acharam muito estranho, minhas amigas de infância reagiram como se aquilo fosse novidade no mundo. Coincidência ou não, depois disso tantas e tantas pessoas do meu círculo começaram a revelar transtornos psiquiátricos, como depressão e síndrome do pânico. Somente hoje são quatro pessoas muito próximas a mim que estão diagnosticadas, que resolveram procurar ajuda médica, que resolveram falar sobre essa doença para o mundo.

Então, se você mora sozinho e está com depressão me veja como um exemplo. Sim, meus problemas são diferentes dos seus, talvez menores, talvez maiores, mas são meus e são grandes para mim. Mesmo assim eu consegui vencê-los. Apenas saiba que sozinho você não vai conseguir. Precisa pedir ajuda, mas quando eu falo "pedir" é pedir mesmo, com todas as letras porque muita gente só vai entender assim. Não quer se expor? Ok. Liga para o 188 (centro de valorização da vida). Funciona 24 horas e você nem precisa se identificar. As pessoas do outro lado da linha não vão te julgar; apenas te ouvir com atenção e carinho. Ligue quantas vezes precisar, mas ligue! Uma vez uma colega que tinha depressão suicidal disse a seguinte frase: 

"O suicídio é uma solução permanente para um problema que é temporário". 

Ela tem razão. Aguenta firme! A dor vai passar. Você só precisa deixar as pessoas se aproximarem para te ajudar. 

ONDE PEDIR AJUDA:
  • Centro de Valorização da Vida (CVV): 188 (ligação gratuita para todo o Brasil) ou clique aqui



segunda-feira, 30 de julho de 2018

Haja cu para tomar


Ana Júlia é aquele tipo de mulher bem resolvida. Até se importa com a opinião alheia, mas não deixa isso tirar sua paz. Sabe o que quer (ou, pelo menos, o que não quer). Tem pouco mais de 30 anos, trabalha, mora sozinha (ou melhor, com sua gata Wicca); ela é o tipo de mulher que não está nem aí se vai chegar tarde no trabalho e, por isso, terá um desconto no salário, ou se tem um encontro à noite com um carinha que conheceu recentemente, mas as unhas estão sem esmalte. Ela sai com cabelo molhado mesmo, se maquia no carro e raramente usa salto. Ana Júlia é independente e se orgulha do jeito que leva a vida. Mas parece que muita independência está confundindo a cabeça dos homens.

Solteira há três anos, ela ainda não encontrou a pessoa que a faça tirar os pés do chão, que lhe dê a tranquilidade de um amor junto com a leveza de uma paixão. Então, enquanto isso, ela conhece um aqui, outro ali. Em alguns ela até que investiria mais o seu tempo, não fosse por eles se revelarem tão (como dizer?) estranhos. 

Dois dos últimos nem eram assim tão especiais. No entanto, Ana Júlia resolveu dar uma chance, afinal, as amigas já estavam dizendo que ela andava muito exigente, colocando defeito em todos, até queeeee...um deles (Miguel) pediu o login e a senha do Netflix. Oi? Tinham se conhecido há apenas uma semana, trocaram uns beijos e ele já queria login e senha?!?!? Não por isso que ela deu um pé na bunda dele. O papo estava muito vazio, os encontros eram sem emoção, então ela resolveu que investiria no segundo, o André. 

Dois filhos, cineasta, viciado em trabalho (ou em dinheiro), inteligente...Um belo dia o rapaz envia uma mensagem (MEN-SA-GEM) para Ana Júlia:

- Minha esposa...
- Oi, marido.
- Me empresta R$300?
- Claro! Vem buscar - ela responde em tom de brincadeira.
- Sério! - Ele diz, percebendo que ela não tinha acreditado.
- E por que pedir a mim, e não ao seu irmão?
- Já tem dinheiro dele no rolo - André responde.

Por uma fração de segundo, Ana Júlia pensa em ser boazinha e emprestar. Afinal, ele lhe devolveria em 15 dias. Mas peraí! A sanidade dela volta e ela resolve então se fazer de boba.

- Lindinho, me convença que você não está me zoando.
- Essa lente (ele mostra a imagem do anúncio) custa isso no mercado. Encontrei um cara que está vendendo uma por R$ 3 mil e só faltam 300 reais para eu comprar.

Sem querer acreditar no que estava lendo, Ana Júlia continua, com a esperança dele mandar na próxima mensagem um "AHÁ! PEGADINHA DO MALANDRO".

- Tem certeza que você mandou essa mensagem para a pessoa certa?
- Sim.

E, então, Ana Júlia finaliza: Eu vou acreditar que não e a amizade continua, ok? Não temos intimidade para tanto.

É. Mais uma vez não era o homem da sua vida. Sorte dela não acreditar em príncipes encantados e estar mais para Fiona do que para Bela Adormecida. 
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PS: o título desse texto surgiu em uma conversa de amigas sobre caras desse tipo. Uma delas mandou a seguinte frase: "Haja cu pra tomar!". Pronto! Virou texto porque sim, a história é real.