segunda-feira, 7 de maio de 2018

Renda extra


Nosso amado presidente diz por aí que a onda de desemprego passou, mesmo todos nós conhecendo, pelo menos, umas três pessoas desempregadas e outras tantas trabalhando totalmente fora de sua área de formação. Mas semana passada, o Temeroso resolveu admitir que o desemprego está alto sim, mas claro, saiu pela tangente dizendo que o índice de desemprego aumentou porque "mais pessoas resolveram procurar emprego". Sacou? Essa é a verdadeira arte de enrolar. Aprendam com o Temer!

Não importa o que o Governo diga, o fato é que muitas pessoas ainda estão desempregadas ou até empregadas, mas ganhando muito, mas muito pouco mesmo. E tem que dar graças a Deus (dirão alguns) porque melhor pouco do que nada. Pensando nessas pessoas sem trabalho, mas com contas a honrar, A Casa é Minha traz hoje algumas sugestões que podem te ajudar. Algumas verão como "bicos", outras farão delas uma oportunidade de mudar de ramo, empreender (e crescer).

Desde o fim do ano passado, eu decidi começar a trabalhar com algo que me desse prazer: animais. Foi então que investi uma graninha (pouca mesmo) num curso online e em panfletos de divulgação. O meu caso não era para complementar a renda, mas apenas para trabalhar com algo que me desse prazer de levantar cedo e dizer: ESTOU INDO TRABALHAR. Por isso escolhi ser pet sitter e dog walker (babá de animais doméstico e passeadora de cães, respectivamente). 

*** Para conhecer um pouco, dá um confere aqui no meu perfil profissional --> SÓ CLICAR ***

E dá para se sustentar com isso? Olha, tem gente que vive APENAS cuidando de pet. Não é o meu caso, que tenho emprego fixo. Exatamente por esse fator, não tenho uma agenda perfeita para atender à demanda. Mas creio que eu conseguiria manter as contas em dia caso resolvesse me dedicar a isso, e somente a isso. O mercado pet tem crescido muito nos último anos. Cada dia surge um produto diferente, uma loja que vai além do banho e tosa, um serviço especializado. Desde o mês passado, minha agenda está "fechada para balanço". Abri mão dos clientes que tinha para me dedicar a minha casa, a minha vida. Mas daqui a pouco eu volto e sei que terei novos clientes, tanto de passeio, quanto de hospedagem. É um mercado em ascensão porque cada vez  mais os animais estão se inserindo como membros de uma família. Deixaram de ser apenas o cão de guarda, que vive no quintal, ou o gato da casa, que sai e volta a hora que quer. Agora eles são cuidados e paparicados como filhos. E filho, você sabe, precisa de cuidados especiais, como uma babá para aqueles dias em que o tutor (não mais dono) vai viajar ou passar mais horas ausente de casa. 

Ok. Mercado pet tá aí, com vários braços (alimentação natural congelada, pet sitter, dog walker, hospedagem familiar, creche, banho e tosa em domicílio, confecção e venda de roupas e acessórios), mas eu não curto bicho. O que você tem pra mim? 

Sabe cozinhar? Pelo menos um brigadeiro você sabe fazer. Todo mundo sabe. Se você quer apenas complementar a renda, pode preparar doces, como bolos caseiros, trufas e docinhos de festa para vender na empresa onde trabalha. Depois do almoço tem sempre uma galera querendo adoçar o paladar. Melhor será comprar com você, sabendo a procedência e por um precinho maneiro, do que na rua, sem conhecer como é feito e sempre custando o zóio da cara. 

Mas se não estiver empregada, inove! Pegue aquela bicicleta encostada, dê uma boa lavada nela, encha a cestinha da frente com um arranjo bonito de flores, como margaridas, pinte um caixote de feira com uma cor alegre para ficar no bagageiro e recheie ele com doces, como brigadeiro, beijinho de coco, cajuzinho...Na lateral da bike você ainda pode colocar uma placa (tudo sempre colorido, mas clean) com o nome da sua "empresa". Faça tamanhos generosos de docinhos e pare numa praça movimentada ou na porta de uma igreja para aproveitar o fluxo de pessoas. Com uma decoração legal e um preço que cabe no bolso da galera, não tem como não fazer sucesso. Minha mãe tem um colega de trabalho que faz algo parecido há anos. Ele não prepara os doces. Na verdade, ele compra no atacado doces comuns, como chocolates, balas, jujubas etc. e vende na empresa onde trabalha. Todos dizem que os doces que vende rendem mais do que o próprio salário que ele ganha. Afinal, ele está ali dentro 9 horas por dia, cinco dias por semana. As pessoas chegam até ele, pegam o que querem, anotam num caderninho e pagam só no mês seguinte. Facilidade para ambos os lados. E dinheiro certo na conta sem esforço. 

A ideia acima pode servir também para vender sacolé (em algumas cidades chamado de geladinho ou chupe-chupe). Crie sabores gourmetizados e mais cremosos para fazer a diferença no bairro. Pense também em uma espécie de fidelização do cliente. Pode ser um cartão com carimbos mesmo, oferecendo uma cortesia a cada 10 produtos adquiridos ao longo de um mês, por exemplo.

Outra coisa que pode ser trabalhada é a dona-de-casa de aluguel. Imagina só passar um mês fora e ter um monte de coisa acumulada para fazer quando voltar. É aí que você, a personal organizer entra, cuidando da casa dessa pessoa quando ela estiver fora por um longo período. Seria como uma faxineira gourmetizada (já que a moda é gourmetizar tudo agora ne?!). O profissional vai nos dias contratados para cuidar da casa: regar as plantas, jogar fora alimentos estragados, colocar roupa na máquina, estendê-las e guardá-las nos armários, limpar a casa (não como faxina, mas como uma dona-de casa comum mesmo), manter os objetos em ordem, arejar o imóvel, abrindo as janelas por algumas horas, cuidar do peixe (ou de qualquer outro animal de estimação que o proprietário tiver). E, perto do retorno do verdadeiro dono da casa, deixar uma comidinha pronta, para ele não ter o trabalho de ainda pensar no que cozinhar depois da viagem. Olha que legal!

As dicas de hoje foram para atender quem está desempregado ou precisa apenas complementar a renda. Por isso selecionei coisas simples, que dão para colocar em prática amanhã mesmo. Basta querer e, claro, e mexer. Tem mais alguma ideia? Compartilha aqui com a gente. <3


sábado, 7 de abril de 2018

Um ano de casa nova


E lá se foram quatro anos morando sozinha, mas apenas 12 meses de verdade. Isso porque quando decidi que era o momento de sair da casa dos meus pais, me mudei para um apê que meu pai alugava e, naquela época, para a minha sorte, tinha acabado de ficar vago. 

Essa minha primeira aventura fora de casa durou apenas 20 dias, pois logo depois me mudei para a capital federal a trabalho, onde passei cinco meses vivendo em sistema de república. Uma experiência tão incrível, quanto difícil, e que todo mundo deveria passar uma vez na vida. De volta ao Rio (e a esse apê de papai) eu tive uma certa mordomia: no início ele me liberou do aluguel, em contrapartida eu precisava manter em dia IPTU, condomínio, luz e todas as outras contas da casa. Além disso, minha nova casa era no mesmo bairro onde cresci. Conhecia cada pedaço daquelas ruas, além de estar perto da minha mãe e ser socorrida por ela sempre que eu gritasse: MANHÊÊÊ.

Somente três ano depois eu decidi me mudar para mais perto do trabalho e aí passei a ter vida de gente grande de verdade: aluguel de verdade. Vizinhos de verdade. Medos de verdade. 

Não que antes, no apê de papai, as contas fossem de mentira. Não era isso. Mas o aluguel simbólico que comecei a pagar três meses antes de pensar em me mudar para o novo apê, a certeza de que não haveria reajuste nesse valor que eu não pudesse negociar sempre a meu favor, e os vizinhos que me viram crescer...todas essas coisas me deixavam mais tranquila. Era como se eu fosse "café com leite" no jogo de morar sozinha. Agora não. Agora tudo é bem real. Eu sou inquilina de verdade, tendo que negociar pagamentos e reajustes. Sou vizinha de verdade, inclusive que já teve problemas com outros moradores do prédio. Enfim, sou adulta. 

Não queria crescer. Mas cresci. As marcas de expressão em meu rosto comprovam isso, assim como a responsabilidade de só comprar o que posso pagar, de organizar minha agenda semanal para não me atolar em tarefas e preguiças, de cuidar de três pimpolhas e ainda me esforçar (muito) para cumprir minha carga horária na empresa. Sou gente grande, mas com a preguiça de um adolescente, por que não?! 

Dessa vez eu agendo minhas consultas médicas (minha mãe fazia isso até pouco tempo para mim), eu que controlo a agenda veterinária da Nina, para saber quando preciso comprar mais remédios e repetir os exames (ela tem cushing). Eu que tenho que garantir roupa limpa e dispensa cheia porque a casa é minha. E se eu não fizer nada disso...nada disso acontece. Simples assim. Morar sozinha de verdade é não poder usar a frase "Quem cozinha não lava a louça", porque sou eu comigo mesma.

O que mudou nesses quatro anos morando sozinha?
  • A cabeça mudou. Se antes o meu mundo era o meu quarto. Agora é a minha casa toda. 
  • O salário aumentou, mas porque o trabalho aumentou. E as responsabilidades também.
  • Minha filhota se foi. E eu cresci, como jamais me imaginei, no último mês de vida dela. Doenças, dificuldades de toda ordem nos fazem amadurecer.
  • A noção de espaço mudou. Se antes não me via morando em um apê com menos de três quartos, hoje não me vejo morando em um apê com mais de dois. Quanto mais cômodos, mais trabalho na limpeza e na organização. E mais caro a diarista. Pense nisso!
  • Se antes meu sonho de consumo era ter um carro, hoje não me vejo com um na garagem preocupada com seguro, IPVA, preço do combustível etc. etc. etc. Tks, Uber, Cabify e 99.
  • E se antes meu maior medo era não ter mais uma certa pessoa; hoje eu sou feliz com tudo que tenho. Meu quebra-cabeça está completo, porque eu cresci. 

sábado, 31 de março de 2018

Um belo dia resolvi mudar...


Eu tinha planos de fazer uma euro trip, ainda que sozinha, em meados de 2017. Já estava guardando uma graninha mês a mês para essa viagem, até que...Quero mudar! E não era mudar a cor do cabelo ou de emprego; era mudar de casa. Mas mudar de casa implicava em usar a minha poupancinha da viagem para o caução, que substitui o fiador no contrato de aluguel.

Foi basicamente da noite para o dia – talvez o inverso – que eu resolvi mudar. Algumas visitas frustradas a imóveis até que encontrei o meu cantinho. Não é o dos sonhos (e nunca será), mas foi o que me encantou e coube no meu orçamento.


Após assinar o contrato de aluguel, passei quase um mês inteiro organizando a tralha, que também podemos chamar de mudança. Encaixota daqui, organiza dali, isso vai para o lixo, aquilo pode doar, esse aqui...opa! Uma caixa de madeira cheia de fotos e cartinhas de uma época que, literalmente, estava guardada na caixinha.

Era 31 de março, uma data já simbólica naquela época. Comecei a tirar as coisas de um armário para encaixotar até que (como nos filmes de Hollywood) a tampa da tal caixa de madeira cai. Presa nela, uma foto batizada de “cara de pai, cara de mãe”. Trêmula, sento no chão e começo a admirar aquela imagem. Vasculho a caixa e outras fotos aparecem. Num papel solto, o trecho de uma música; no verso um recado: Quando acordar me ligue. Te amo, amorinha!

Em prantos, desabafei com minhas polefriends. Ah o Pole Dance! Sempre nos salvando. Tudo que ouvi delas (e da forma como me falaram) me deu força. Mas não foi uma força qualquer. Naquele momento segui seus conselhos e me transformei na bruxa mais poderosa que já existiu. Fiz uma fogueira lá mesmo na varanda de casa. Já era noite quando acendi uma vela e, papel por papel, foto por foto, deixei o fogo consumir as minhas lembranças. Foi um alívio. Tirei da minha alma uma tonelada de culpa, saudosismo, uma tonelada de esperança. Quase no fim da fogueira, uma chuva começou a cair. Que coisa mágica! Mas caiu tão forte que chegou a me molhar dentro da varanda, lavando a minha alma para entrar na casa nova sem resquício do passado. A chuva durou o tempo exato da chama se apagar, transformando em cinzas tudo que já não fazia mais parte da minha vida.

Um belo dia eu resolvi mudar: de casa, de bairro, de estilo, de vida. E, diferentemente da música, agora não falta você, porque um belo dia eu resolvi mudar.